1 Querendo arrecadar maior receita no IVA, vai
gastar mais dez milhões, por ano, em prémios. E não prémios vulgares. Um
automóvel de luxo, do valor de 90 mil euros está prometido pelo Secretário de
Estado do Fisco. Não seria preferível um carro familiar, distribuindo 6 ou 7,
em vez se um só? Tem que ser um que impressione! Mas será que aquilo que é
obrigação cívica deve premiar-se? Na tarde desse conselho de ministros a SIC
promoveu uma sondagem durante o programa «Opinião pública». Pelo resultado se
adivinha a irritação popular: 78% votou contra o concurso. Só 22%
votou a favor. Tal medida, mais uma vez, vem beneficiar os citadinos que
têm acesso às novas tecnologias, conhecem todos os truques e todas as
matreirices para furarem os esquemas. Como podem os rurais, carentes de tudo,
alguns sem televisão, sem Internet,
sem os mais elementares conhecimentos
tecnológicos?
Como Bragança tem mais força política do que Vila Real viu
trocado o fecho pela redução a secções de proximidade em: Carrazeda de Ansiães,
Alfândega da Fé, Miranda do Douro, Vimioso e Vinhais.
Até agora o país tinha 311 tribunais, passando a ter 218
secções de instância central e 290 em secções de instância local. Aqueles,
julgam processos complexos e graves, com
crimes superiores a 50 mil euros no cível e com penas superiores a 5 anos no
criminal. Três primeiros ministros Transmontanos: Durão Barroso, José Sócrates
e Passos Coelho: nunca tantos fizeram pior pelo distrito de Vila Real. E eles
têm obrigação de saber que as distâncias, os nevões, os gelos, a falta de quase
tudo é, aí, o maior drama. Vão todos passear macacos...
3 Novos doutores de aviário. Talvez para
esquecer licenciaturas ao domingo, ou com 3 cadeiras em créditos de
equivalência duvidosa, o actual governo criou, nessa reunião de 6 do corrente,
cursos de formação tecnológica com dois anos de duração. Ainda mais curtos do
que aqueles que foram introduzidos no âmbito do processo de Bolonha». Leu-se na
nota fornecida à imprensa: «depois dos cursos de especialização tecnológica,
fomentados a partir de 2006, o governo
deliberou preparar a criação de outras ofertas no ensino superior destinadas
aos alunos do ensino profissional a leccionar nos Institutos Politécnicos. À
sombra desses vieram os tais das «novas oportunidades». Bastava um porta-fólio
para um qualquer indiferenciado, obter um canudo equivalente ao antigo 5º ou 9º
anos dos liceus que, anos depois, foram denominados 9º e 12º anos. Nos 13 anos
que levamos do século XXI, Portugal passou a ter mais «stôres» que todos
aqueles que eram, efectivamente, licenciados, mestres ou doutores. João Queiró,
Secretário de Estado do Ensino Superior tirou o «coelho da cartola» para
enfatizar: «o segundo desses dois anos será de muita exigência, devendo os
alunos obter 120 créditos em vez dos 180 que são o patamar mínimo nas
licenciaturas». Com a anarquia que paira no ensino público, quais são os
professores que vão exigir mais de alunos do ensino superior, para que
compensem, em dois anos, o que outros
aprenderam em cinco, até ao processo de Bolonha, ou em três, como são os
licenciados pós-Bolonha?
4
Os 85 quadros de Miró entretiveram os políticos e alimenataram os mass
media, duas semanas. Se essas obras de arte são propriedade do banco falido
e se os credores têm direito àquilo que o banco lhes nacionalizou, só resta um
caminho: devolver a mercadoria aos credores. A oposição, furibunda, tentou, em
bloco, mostrar que é o super sumo a defender a cultura. Como se a cultura fosse
exclusiva da esquerda. A própria ex-ministra, Gabriela Canavilhas, que legou um
vazio arrepiante, apareceu nas televisões a culpar o actual secretário de
Estado, de erros que ela tinha cometido. A última edição do Expresso deixou-a
de boca aberta. A inventariação dos bens culturais é o abc da cultura. Ela
esteve lá 3 anos e não o fez. O seu partido nacionalizou o banco. Os erros
estamos todos a pagá-los. Este é mais um exemplo de como o PS, o PSD e o
CDS, têm cada vez mais motivos para se
entenderem. Porque todos se rodearam de
governantes desonestos, incompetentes e causadores da nossa desgraça
colectiva. Alguns estão – e bem - a contas com a justiça. Outros passeiam-se
por aí, gozando com o mal que fizeram. O país exige bom senso de todos, como do
pão para a boca.
Barroso
da Fonte


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