segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Barroso da Fonte - Política Carnavalesca em doses de mau gosto.


   Barroso da Fonte
A reunião do governo da última quinta-feira, dia 6, acabou com a paciência dos mais resistentes cidadãos, mesmo daqueles que o elegeram. Como estamos perto do Carnaval usamos, agora e aqui, uma metáfora que comentamos em quatro tempos.

 1  Querendo arrecadar maior receita no IVA, vai gastar mais dez milhões, por ano, em prémios. E não prémios vulgares. Um automóvel de luxo, do valor de 90 mil euros está prometido pelo Secretário de Estado do Fisco. Não seria preferível um carro familiar, distribuindo 6 ou 7, em vez se um só? Tem que ser um que impressione! Mas será que aquilo que é obrigação cívica deve premiar-se? Na tarde desse conselho de ministros a SIC promoveu uma sondagem durante o programa «Opinião pública». Pelo resultado se adivinha a irritação popular: 78% votou contra o concurso.  Só 22%  votou a favor. Tal medida, mais uma vez, vem beneficiar os citadinos que têm acesso às novas tecnologias, conhecem todos os truques e todas as matreirices para furarem os esquemas. Como podem os rurais, carentes de tudo, alguns sem  televisão, sem Internet, sem  os mais elementares conhecimentos tecnológicos?

 2 Outra decisão desagregadora, punitiva e arrogante, relaciona-se com a extinção de 20 tribunais e mais 27 reduzidos a secções de proximidade. A ministra veio logo alegar que o PS se preparava para extinguir 49. E por isso ela canta vitória pela opressão contra o interior do país, marimbando-se  para velhos, indigentes e submissos. Ou seja: o mais ostracizado distrito do país profundo que é Vila Real, viu quatro tribunais fechados:  Boticas, Murça, Sabrosa e Mesão Frio. Viseu perde 3: Armamar, Resende e Tabuaço. Guarda e Santarém perdem dois cada.
Como Bragança tem mais força política do que Vila Real viu trocado o fecho pela redução a secções de proximidade em: Carrazeda de Ansiães, Alfândega da Fé, Miranda do Douro, Vimioso e Vinhais.
Até agora o país tinha 311 tribunais, passando a ter 218 secções de instância central e 290 em secções de instância local. Aqueles, julgam  processos complexos e graves, com crimes superiores a 50 mil euros no cível e com penas superiores a 5 anos no criminal. Três primeiros ministros Transmontanos: Durão Barroso, José Sócrates e Passos Coelho: nunca tantos fizeram pior pelo distrito de Vila Real. E eles têm obrigação de saber que as distâncias, os nevões, os gelos, a falta de quase tudo é, aí, o maior drama. Vão todos passear macacos...


  3 Novos doutores de aviário. Talvez para esquecer licenciaturas ao domingo, ou com 3 cadeiras em créditos de equivalência duvidosa, o actual governo criou, nessa reunião de 6 do corrente, cursos de formação tecnológica com dois anos de duração. Ainda mais curtos do que aqueles que foram introduzidos no âmbito do processo de Bolonha». Leu-se na nota fornecida à imprensa: «depois dos cursos de especialização tecnológica, fomentados a partir  de 2006, o governo deliberou preparar a criação de outras ofertas no ensino superior destinadas aos alunos do ensino profissional a leccionar nos Institutos Politécnicos. À sombra desses vieram os tais das «novas oportunidades». Bastava um porta-fólio para um qualquer indiferenciado, obter um canudo equivalente ao antigo 5º ou 9º anos dos liceus que, anos depois, foram denominados 9º e 12º anos. Nos 13 anos que levamos do século XXI, Portugal passou a ter mais «stôres» que todos aqueles que eram, efectivamente, licenciados, mestres ou doutores. João Queiró, Secretário de Estado do Ensino Superior tirou o «coelho da cartola» para enfatizar: «o segundo desses dois anos será de muita exigência, devendo os alunos obter 120 créditos em vez dos 180 que são o patamar mínimo nas licenciaturas». Com a anarquia que paira no ensino público, quais são os professores que vão exigir mais de alunos do ensino superior, para que compensem, em dois anos, o que  outros aprenderam em cinco, até ao processo de Bolonha, ou em três, como são os licenciados pós-Bolonha?


 4   Os 85 quadros de Miró entretiveram os políticos e alimenataram os mass media, duas semanas. Se essas obras de arte são propriedade do banco falido e se os credores têm direito àquilo que o banco lhes nacionalizou, só resta um caminho: devolver a mercadoria aos credores. A oposição, furibunda, tentou, em bloco, mostrar que é o super sumo a defender a cultura. Como se a cultura fosse exclusiva da esquerda. A própria ex-ministra, Gabriela Canavilhas, que legou um vazio arrepiante, apareceu nas televisões a culpar o actual secretário de Estado, de erros que ela tinha cometido. A última edição do Expresso deixou-a de boca aberta. A inventariação dos bens culturais é o abc da cultura. Ela esteve lá 3 anos e não o fez. O seu partido nacionalizou o banco. Os erros estamos todos a pagá-los. Este é mais um exemplo de como o PS, o PSD e o CDS,  têm cada vez mais motivos para se entenderem. Porque todos se rodearam de  governantes desonestos, incompetentes e causadores da nossa desgraça colectiva. Alguns estão – e bem - a contas com a justiça. Outros passeiam-se por aí, gozando com o mal que fizeram. O país exige bom senso de todos, como do pão para a boca.
                                                                                               Barroso da Fonte
 
                                                                                                                                 

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