Quando em 1513 os portugueses desembarcaram
na ilha de Santa Helena não imaginavam a catástrofe que as cabras que levavam
iriam originar. Comeram os talos novos e as vergônteas. Com isto, a vegetação
desapareceu, o solo erodiu-se, transformando-se em deserto, contribuindo para a
extinção de numerosas espécies.
Na ilha Maurícia, aconteceu um
caso famoso: a extinção do dodó, essa
enorme ave incapaz de voar. Foi exterminado em 1598 pelos holandeses. E com ela
desapareceu um grande numero de plantas, cuja reprodução só era possível,
porque o dodó assegurava a propagação
das sementes ao alimentar-se dos seus frutos.
Desde tempos imemoriais, as
populações de cavalos selvagens foram caçadas principalmente por causa da
carne. Os últimos cavalos selvagens, asiáticos, foram erradicados no século
XIX. Foi o caso do tarpã, na Ucrânia. O último espécime morreu por volta de
1880. Por essa altura, os Bóeres, exterminaram uma espécie vizinha: a cuága da
África do Sul. O único sobrevivente é o cavalo de Przewalski (nome do explorador
russo que o descobriu em 1876, numa região smidesértica próxima da Mongólia, a
Zungária. E foi salvo in extremis
pelos parques zoológicos.
Bruce Parry, o carismático
apresentador da BBC, passou quatro anos a conviver com várias tribus que
habitam alguns dos locais mais remotos do planeta. No Brasil conviveu com os Matis. Dela nos conta coisas
surpreendentes no livro Tribo, que
serviu de guião para um programa televisivo.
Vem este longo intróito a
propósito da construção da gigantesca barragem de Belo Monte (Amazónia), no rio
Xingu, já autorizada pela presidente Dilma, após trinta anos de protestos.
A construção da barragem, um
antigo projecto do governo brasileiro, vai exigir investimentos de 6,9 mil
milhões de euros.
Para autorizar a construção, as
autoridades ambientais exigiram dezenas de acções para diminuir o impacto
ambiental da obra, o que representará um custo adicional de 650 milhões de
euros.
Será a terceira maior barragem do
mundo, com capacidade de 11.233 megawatts. As outras duas são a de Três
Gargantas, na China, e de Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai.


A barragem, considerada
fundamental pelas autoridades para garantir energia eléctrica ao Brasil, vai
inundar uma área de cerca de 440 quilómetros quadrados, afectando 66 municípios
e 11 terras indígenas.
Os protestos não se têm sentido
por acaso. Estão em risco 372 espécies de peixes e a desflorestação do pulmão
do Mundo: a Amazónia.
Um dos povos indígenas afectados
é a tribo Kayapó (http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kayapo),
constituída por cerca de 40 mil índios, cujo desaparecimento é previsível. O
seu chefe ao receber a notícia chorou lágrimas de sangue em público.
Armando Palavras

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