sábado, 14 de setembro de 2013

barragem de Belo Monte (Amazónia - Brasil), no rio Xingu, extinguirá espécies e populações



Quando em 1513 os portugueses desembarcaram na ilha de Santa Helena não imaginavam a catástrofe que as cabras que levavam iriam originar. Comeram os talos novos e as vergônteas. Com isto, a vegetação desapareceu, o solo erodiu-se, transformando-se em deserto, contribuindo para a extinção de numerosas espécies.
Na ilha Maurícia, aconteceu um caso famoso: a extinção do dodó, essa enorme ave incapaz de voar. Foi exterminado em 1598 pelos holandeses. E com ela desapareceu um grande numero de plantas, cuja reprodução só era possível, porque o dodó assegurava a propagação das sementes ao alimentar-se dos seus frutos.
Desde tempos imemoriais, as populações de cavalos selvagens foram caçadas principalmente por causa da carne. Os últimos cavalos selvagens, asiáticos, foram erradicados no século XIX. Foi o caso do tarpã, na Ucrânia. O último espécime morreu por volta de 1880. Por essa altura, os Bóeres, exterminaram uma espécie vizinha: a cuága da África do Sul. O único sobrevivente é o cavalo de Przewalski (nome do explorador russo que o descobriu em 1876, numa região smidesértica próxima da Mongólia, a Zungária. E foi salvo in extremis pelos parques zoológicos.
E.O.Wilson em A Criação, propõe-nos uma longa lista de espécies extintas. Só na América desde 1973 já desapareceram mais de 100 espécies. É o caso do coqui-dourado (uma rã), a Lycaeides argyrognomon lotis, uma borboleta azul da Califórnia, e por aí adiante. A maior parte destas extinções ocorreu no Hawai. Já desapareceram 266 espécies de peixes. Em 2004 havia perigo de extinção, a nível mundial, 32,5 % das espécies de anfíbios, 12% dos répteis, 23% de aves e 23% de mamíferos.
Bruce Parry, o carismático apresentador da BBC, passou quatro anos a conviver com várias tribus que habitam alguns dos locais mais remotos do planeta. No Brasil conviveu com os Matis. Dela nos conta coisas surpreendentes no livro Tribo, que serviu de guião para um programa televisivo.



Vem este longo intróito a propósito da construção da gigantesca barragem de Belo Monte (Amazónia), no rio Xingu, já autorizada pela presidente Dilma, após trinta anos de protestos.
A construção da barragem, um antigo projecto do governo brasileiro, vai exigir investimentos de 6,9 mil milhões de euros.
Para autorizar a construção, as autoridades ambientais exigiram dezenas de acções para diminuir o impacto ambiental da obra, o que representará um custo adicional de 650 milhões de euros.
Será a terceira maior barragem do mundo, com capacidade de 11.233 megawatts. As outras duas são a de Três Gargantas, na China, e de Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai.
A barragem, considerada fundamental pelas autoridades para garantir energia eléctrica ao Brasil, vai inundar uma área de cerca de 440 quilómetros quadrados, afectando 66 municípios e 11 terras indígenas.
Os protestos não se têm sentido por acaso. Estão em risco 372 espécies de peixes e a desflorestação do pulmão do Mundo: a Amazónia.
Um dos povos indígenas afectados é a tribo Kayapó (http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kayapo), constituída por cerca de 40 mil índios, cujo desaparecimento é previsível. O seu chefe ao receber a notícia chorou lágrimas de sangue em público.
Armando Palavras

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