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| Virgílio Gomes |
Eu sei que o tempo da aletria é no inverno e,
especialmente, na época natalícia. De facto comecei esta crónica em tempo de
inverno. Talvez porque me desabituei de passar cá o tempo frio, quando chego
volta a apetecer-me a aletria. É um dos doces que recordo desde a infância, ao
lado do arroz doce, e que também servia de mimo quando estávamos adoentados.
Mas já que referi o arroz doce, a aletria também se faz com gemas ou sem elas,
e a variação do açúcar é determinante para se sentir mais gulosa a confeção.
Apesar de não constar nas receitas do caderno de minha Mãe, consegui
reconstituir a receita que se confecionava em casa, com a ajuda da minha irmã
Adelina.
Mas porque é que esta receita se pratica
especialmente no Norte? É um enigma! Tanto maior quando sabemos que a aletria
nos foi, possivelmente, legada pelos mouros que não habitaram o Minho e
Trás-os-Montes onde a aletria continua a ser uma tradição. Vasculhei no
principal tratado de cozinha mouro do período de ocupação ainda em Espanha, de
Ibn Razin al-Tugibi (1227-1293) e nada encontrei. Encontrei em Marrocos,
recentemente, uma aletria sem creme, cozida e montada em pirâmide, polvilhada
com açúcar em pó e canela, amêndoa laminada, e depois tudo regado com mel. Foi
numa refeição de família local, não encontrei em restaurantes.
Depois
de uma pequena pausa, de regresso à coisas boas:


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