quarta-feira, 17 de abril de 2013

Virgilio Gomes - Aletria, e sua receita Versão para impressão

 
Virgílio Gomes
 
Eu sei que o tempo da aletria é no inverno e, especialmente, na época natalícia. De facto comecei esta crónica em tempo de inverno. Talvez porque me desabituei de passar cá o tempo frio, quando chego volta a apetecer-me a aletria. É um dos doces que recordo desde a infância, ao lado do arroz doce, e que também servia de mimo quando estávamos adoentados. Mas já que referi o arroz doce, a aletria também se faz com gemas ou sem elas, e a variação do açúcar é determinante para se sentir mais gulosa a confeção. Apesar de não constar nas receitas do caderno de minha Mãe, consegui reconstituir a receita que se confecionava em casa, com a ajuda da minha irmã Adelina.
Mas porque é que esta receita se pratica especialmente no Norte? É um enigma! Tanto maior quando sabemos que a aletria nos foi, possivelmente, legada pelos mouros que não habitaram o Minho e Trás-os-Montes onde a aletria continua a ser uma tradição. Vasculhei no principal tratado de cozinha mouro do período de ocupação ainda em Espanha, de Ibn Razin al-Tugibi (1227-1293) e nada encontrei. Encontrei em Marrocos, recentemente, uma aletria sem creme, cozida e montada em pirâmide, polvilhada com açúcar em pó e canela, amêndoa laminada, e depois tudo regado com mel. Foi numa refeição de família local, não encontrei em restaurantes.
Depois de uma pequena pausa, de regresso à coisas boas:
 


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