Quando da minha estadia, por oito deliciosos e inesquecíveis dias, no concelho de Freixo de Espada à Cinta, para assistir às Festas em honra de Santo António, em Lagoaça, desloquei-me, algumas vezes, ao Posto de Turismo da sede do concelho e aí, por querer compreender melhor a vida numa aldeia transmontana (sou até à medula citadino), adquiri o Livro “QUEM VÊ O SEU POVO…” de AMADEU (JOSÉ) FERREIRA, e em boa hora o fiz.
AMADEU (JOSÉ) FERREIRA, foi coronel piloto-aviador, nascido em Fornos - que com Lagoaça constitui uma das freguesias do concelho de Freixo - tendo exercido importantes funções militares, entre as quais, professor do Instituto de Altos Estudos Militares. A par da riquíssima carreira militar, tem vasta obra literária traduzida em contos, romances, monografias e múltiplas colaborações em jornais e revistas militares e civis.
QUEM VÊ O SEU POVO…” é um livro, publicado em 1999, marcadamente atual, que dá gosto ler e enriquece-nos culturalmente pela investigação histórica, pelo relato das tradições da região e, sobretudo, pela preservação da memória e do património etnográfico do concelho. A Obra reúne descrições, testemunhos e reflexões sobre as tradições, os costumes, crenças e o quotidiano das comunidades do concelho de Freixo. De fácil leitura, numa linguagem simples, o livro faz-nos viajar sobre festas populares, rituais religiosos e profanos, lendas, provérbios, superstições, crendices, trabalhos agrícolas, a gastronomia a par de diversas manifestações de cunho popular e da cultura tradicional, factos da maior importância para a compreensão da historiografia local.
Concluo, referindo que este
meritório trabalho de AMADEU (JOSÉ) FERREIRA, de recolha de memórias, das
tradições, de histórias preservadas por via oral, dos costumes do concelho,
baseado num brilhante trabalho de investigação histórica e da memória oral das
populações, constitui um importante contributo para o estudo da etnografia
local, facto que levou a edilidade de Freixo de Espada â Cinta a apoiar a
edição da Obra, em 1999, e a mim a recomendar veementemente, ao Grupo dos
“Amigos de Lagoaça”, a leitura desta exemplar e importante Obra.


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