“Hoje fui ver os campos da minha infância, naquela luxúria das cerejeiras em flor, que na brancura de noiva já anunciam o beijo fresco da cereja na morneza do Verão. Na casa velha, ali na Quinta do Freixo, lá estava o meu amigo como quem cultiva a sua velhice no aconchego dum tempo que tudo levou, deixando somente o desgosto de grandes partidas e a lembrança de breves chegadas. “(Página 159).
Na contracapa desta Obra, editada
em 1988, e a propósito da mesma, Fernando Calado deixa o convite/desafio aos
potenciais leitores: “Leiam-no se tiverem paciência”.
“Há homens atrás dos montes”,
apresenta-nos um retrato profundamente humano e social de Trás-os-Montes
valorizando vivências, tradições, convicções, religiosidade e histórias das suas
gentes, constituindo para o leitor, sobretudo para o que não tem laços à
região, fonte de conhecimentos histórico-sociais bem importantes. Recomendo,
sem tibiezas de qualquer espécie, a leitura, ou a releitura da mesma, aos
transmontanos como forma de identificação com a memória coletiva da região,
feita de pessoas, lugares, formas de expressão, relações familiares e pessoais,
costumes e histórias que desaparecem se não ficarem registadas.
Concluindo, eu, confesso admirador da escrita de Fernando Calado, direi que este retrato de Trás-os-Montes e das suas gentes é uma narrativa realista, profundamente humanista e regionalista, reveladora das enormes capacidades literárias e intelectuais do autor e que tornam “Há homens atrás dos montes”, simplesmente imperdível, constituindo esta Obra um magnífico exemplo da boa literatura e dos bons autores de Trás-os-Montes.


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