JORGE LAGE
O dinheiro era apertado. O Ti João, era de Montalegre,
comprava as vitelas aos agricultores e vendi-as no seu talho, tendo a casa de
pasto junta. Apresentava sempre a melhor carne barrosã e pagávamos o mesmo, comêssemos
uma costeleta, duas ou três, regadas com o melhor tinto da região do Vidago.
Confesso-vos, meio envergonhado, que num descontrolo foram seis costeletas, não
sei bem como. Foi uma noite para esquecer que não repeti. Hoje, a experiência
de vida, diz-me uma. A rapaziada do meu tempo era imprevisível e excedíamo-nos.
Para saber mais destes jantares pode questionar o Virgílio Alberto Rodrigues,
Coronel reformado da GNR, de Gostei, Bragança, a viver em Chaves que era
responsável pela Messe de Oficiais do B.C.10. A ementa dos jantares do grupo de
oficiais do exército era: batatas fritas, bifes e vinho da região do Vidago,
para combater um frio de rachar invernal. O recorde, nesse tempo saudoso, foi
de onze costeletas bem regadas, do Fernandes, Alferes Miliciano de Operações
Especiais, do C.I.O.E., de Lamego e natural de Setúbal. Não se deitou e teve
uma pega com o vidro da porta do Bar de Oficiais, que o pôs de canadianas. Depois,
passámos para o Rest. Libório (estrada de Outeiro Seco), do Raúl, e o prato forte
era feijão vermelho com grelos e carne. Lá encontrávamos o então Tenente da
Guarda Fiscal, Pizarro Bravo e o Alexandre de Casa de Monforte. Julgávamos serem
amigalhaços. Mas, num desabafo o Sargento Bravo disse-me: O meu sobrinho é
um palerma! Enquanto janta com o finório do Alexandre. Este passa o gado na
fronteira!... Quem diria! Voltei, mais tarde, ao João dos bifes e já tinha
falecido, como já partiu o distinto amigo Tenente Pizarro.


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