terça-feira, 16 de junho de 2015

Heróis do Ultramar


Heróis do Ultramar é um conjunto de pequenas histórias que fizeram grandes alguns dos protagonistas da Guerra do Ultramar Português. São histórias de bravura nos campos de batalha da guerra colonial, como indica o subtítulo do livro de Nuno Castro. Uma recolha de testemunhos, cuja bravura dos intervenientes é ainda hoje recordada pelos seus pares com admiração. São histórias de homens que se destacaram em campo de batalha pela coragem, por serem decisivos na conquista de focos militares importantes, ou simplesmente por terem salvado uma vida.
O autor não transcreveu, por razões editoriais, muitos dos testemunhos que recolheu, deixando na obscuridade heróis como o alentejano Isaías Pires, entre outros. Mas os testemunhos transcritos dão-nos uma ideia da bravura de todos eles.
Marcelino da Mata participou em milhares de operações militares, acumulando louvores pelo seu desempenho militar; Armando Maçanita reconquistou Nambuangongo, ponto estratégico para os portugueses e quartel-general dos assassinos da UPA; Francisco Daniel Roxo, natural de Mogadouro (Trás-os-Montes) foi uma lenda viva no Norte de Moçambique (Niassa), pela eficácia nos ataques ao inimigo, ficando conhecido por vários epítetos, entre eles “fantasma da floresta”; António Júlio Rosa foi aclamado herói pelo tempo que passou como prisioneiro em Conacri e pela fuga perspicaz elaborada com outros dois companheiros; os Heróis de Mucaba resistiram numa capela ao ataque de milhares de guerrilheiros da UPA; Francisco van Uden, bisneto de Dom Miguel, destacou-se em Moçambique; Alipio Tomé Pinto, natural de Maçores (Trás-os-Montes), salvou numerosas vezes os homens que estavam sob o seu comando e foi um dos oficiais mais admirados na Guerra colonial; Carlos Duarte atirou-se para cima de uma granada, ficando desfeito, para salvar a vida dos seus companheiros; Secundino Mendes teve um papel decisivo no salvamento do pelotão a que pertencia, quando serenamente se colocou de joelhos, num descampado com fogo cerrado, para comunicar via rádio com a aviação.
E, finalmente, os homens do Batalhão de Cavalaria 8421 de Omar. Este acontecimento, ocorrido mais de três meses depois do 25 de Abril de 1974, ainda navega em águas turvas. Convém que seja esclarecido. E quem mais capaz do que os próprios militares que dele participaram? Estes dizem que caíram numa cilada, outros, que ao mesmo tempo participavam nos Acordos de Lusaka em Dar es Salaam, escreveram o contrário. A versão dos militares é confirmada pelo tenente-general Manuel de Sousa Meneses (Memórias da Revolução: Portugal 1974-1975, Manuel Amaro Bernardo), à época comandante militar de Moçambique, e pelas conclusões (e factos narrados) apontadas por Nuno Castro; a versão de quem escreveu o contrário não é confirmada por ninguém.
Contudo, importa colocar uma questão: Como é que militares experientes se deixaram arrastar para essa cilada? O livro diz-nos apenas que o único que dela desconfiou foi o furriel Jorge Martins; o único que torceu o nariz.
Armando Palavras

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