quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Soares e Sócrates, a mesma luta

    
José António Saraiva  | 27/11/2014 
Jornal Sol



As declarações de Mário Soares à saída da prisão de Évora e a carta de José Sócrates enviada à TSF são cenas de um mesmo filme. Que está a atingir foros demenciais.
A meu ver, a carta de Sócrates é um acto de desespero. Ao desafiar abertamente a Justiça, dispensando o apoio do PS, Sócrates assume-se como um D. Quixote que pensa: «Já que estou condenado, vou partir a louça toda». Se Sócrates visse alguma possibilidade de vir a ser inocentado, reagiria com cautela e não assim. Ele pode ser colérico mas não é louco.
Por outro lado, este gesto dá razão à prisão preventiva. Se, mesmo preso, Sócrates faz coisas destas, afronta a Justiça, agita a opinião pública, o que não faria se estivesse em liberdade?
As declarações senis de Soares e a carta desesperada de Sócrates são episódios de um filme muito triste – e de um tempo que, espero eu, esteja mesmo a chegar ao fim.

jas@sol.pt


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