sábado, 31 de janeiro de 2026

Nuno Palma ao SOL


                                                   https://sol.iol.pt/topicos/nuno-palma/

Por fim, qual acredita ser a melhor solução para que Portugal, no futuro, evite erros desta natureza?
Portugal era o país mais pobre da Europa Ocidental quando entrou para a CEE. Continua a ser o país mais pobre hoje. Fizemos progresso? Certamente. Mas os outros países também não ficaram parados, e na verdade estamos hoje mais longe da UE do que estávamos há 25 anos. Isso devia implicar um debate sério na sociedade portuguesa. Mas a julgar pelo que se ouve por aí está tudo bem.

Portugal está a falhar. Não existe pensamento a prazo. O país vive da espuma. Não há avaliação de políticas públicas, nem pensamento estruturado. Repetem-se os mesmos erros. É um deserto intelectual, e nenhum país prospera nestas circunstâncias. Parte do problema é que, com as devidas exceções, os intelectuais são fracos, e vendidos ou comprometidos com interesses partidários. Falta-lhes independência – o sonho de muitos é tornarem-se nos patéticos “comentadores” para lançarem uma carreira política ou terem acesso a “tachos”. A FCT é uma desgraça, e falta mérito na academia. A endogamia é nauseante.

Um país de escroques...

 

https://sol.iol.pt/sociedade/noticias/barbara-norton-de-matos-ameacada-apos-revelar-nao-ser-defensora-de-politicas-de-esquerda/20260127/6978f5f80cf22dd7c7f52563


sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O direito de discordar


 Diário do Minho

Um apoio de peso...


 

https://www.rtp.pt/noticias/politica/grande-oriente-lusitano-pede-uniao-pela-democracia-e-oposicao-a-quem-quer-limitar-direitos_n1712691


Não vem nenhum mal ao mundo que um dos candidatos a presidente seja apoiado por um braço forte da maçonaria. O mal é que esse apoio não seja transparente.

Não sabemos se A.J. Seguro está inscrito nalguma loja maçónica. Mas se estivesse, que mal viria ao mundo? Sabemos sim, que está casado com Margarida Maldonado Freitas, da milionária e maçónica família das Farmácias Maldonado Freitas.

Custódio Maldonado Freitas, além de maçónico, também foi adepto convicto da Carbonária. E a carbonária nunca foi respeitável. Esteve preso, acusado de ter mandado petardos artesanais preparados por ele, numa procissão religiosa. Na prisão, escreveu cartas a Salazar a exigir a reabertura do seu processo. O Doutor Salazar nunca lhe respondeu. 

Já Artur Maldonado Freitas foi apoiante de Humberto Delgado.

Se o Dr. Seguro não está inscrito em nenhuma loja maçónica, a família da esposa é maçónica até ao tutano. E isso é mal? Não. Mas então que o digam. Sejam transparentes.

O que nos parece é que, ao contrário da espontaneidade, esta candidatura foi muito bem preparada desde 2022, pelo menos. Não foi por acaso que AJS apareceu num programa de comentário na CNN em 2025. E tudo tem sido muito bem encenado desde o dia da sua apresentação.

 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

27 de Janeiro, uma cicatriz profunda na História da Humanidade.


 

Alberto Gonçalves, um cronista esteticamente inteligente


Alberto Gonçalves, há muitos anos, pela inteligência que demonstra e pela estética da sua escrita, é o cronista mais lido em Portugal. Por essa razão tem sido silenciado. 

Portuguesa libertada ontem do regime escabroso venezuelano

 

Já tinha cumprido 5 anos dos 25 a que foi condenada pelo regime criminoso venezuelano...

Sem seguir a carneirada


João Marques de Almeida é dos que se contam pelos dedos de uma mão que não segue a carneirada. E justifica-o com inteligência. Nos concelhos mais pobres do país, os cidadãos portugueses votaram no Chega, nos mais ricos votaram em Cotrim e AJ Seguro.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Os debates da segunda volta ...

 Esta segunda volta para as presidenciais de 2026, merece uma reflexão. Por mais simples que seja. Tanto o Dr. António José Seguro, como o Prof. Doutor André Ventura, dentro dos valores que cada um defende numa democracia liberal, são pessoas estimáveis e legitimadas pelo voto popular para serem os únicos candidatos a estas eleições. Como era previsto, o primeiro tem recebido os apoios de notáveis que todos conhecem, profusamente hilariantes. O segundo, por aquilo que a CS transmite, e pelas sondagens que recentemente vieram a público, tem o apoio dele próprio e dos eleitores que nele votaram.

O apoio que António José Seguro tem recebido, lembra a antiga União Nacional do Estado Novo. Porque será? Se por um lado, alguns dos notáveis, sobretudo da parte dos sociais democratas (meia dúzia), este apoio é, sobretudo, uma resistência política, a grande maioria do mesmo, é uma acção oportunista de manter os privilégios dos do costume, desfavorecendo o povo que trabalha.

Uma coisa é certa, todos nós sabemos sobre aquilo que André Ventura pensa. E sobre António José Seguro? Alguém sabe o que pensa? Há dois dias recusou um debate nas rádios. Em nossa opinião fez mal. Porque há muitos portugueses, sobretudo no interior, que apenas conhecem o mundo através da rádio.

O nosso voto (que é apenas um) não irá para um nem outro. Irá para onde se dirigir o mérito de cada um. O debate das rádios já não se realiza, esperemos então pelo debate de amanhã nas televisões.

Pensões vitalícias ...

Ontem, no CM. Mas parece que, apesar de tudo, ainda há alguém que lança o tema da corrupção nesta segunda volta...

 

domingo, 25 de janeiro de 2026

A pastorícia em Portugal...

 

Vista geral de IA

A pastorícia em Portugal é uma atividade ancestral e extensiva, fundamental para a economia local e gestão do território, especialmente em zonas de montanha. Enfrenta desafios como o envelhecimento e diminuição de pastores, mas ganha nova relevância na prevenção de incêndios florestais através do pastoreio e valorização de raças autóctones.




Esplendores - Os advogados de Sócrates...

 


Os do costume...

 ... sem falar do tempo de Sócrates. Ele e outros alimentaram um blogue que só fazia propaganda a Sócrates e ao seu regime...

Currículos dos 1º e 2º ciclos vão ser revistos até 2027

 Diário do Minho

sábado, 24 de janeiro de 2026

O decano dos jornalistas Portugueses

 

ALEXANDRE  PARAFITA


João Barroso da Fonte, que no próximo mês fará 87 anos, completa hoje (24 de janeiro) 73 anos sobre a data em que publicou o seu primeiro artigo no semanário “A Voz de Trás-os-Montes”. Era então um pequeno seminarista em Vila Real. Desde essa data, em 1953, desenvolveu uma singular carreira de jornalista e de homem de letras. Publicou artigos em dezenas de jornais, foi jornalista do JN, fundou e dirigiu jornais e revistas, escreveu livros, foi professor, fundou associações, organizou congressos, foi combatente em África, dirigiu o Paço dos Duques de Bragança e a delegação da Comunicação Social do Norte, foi vereador da cultura… Plantou, planta e difunde cultura, saber, humanidade.

Em 23 de junho de 2023, publiquei no “Jornal de Notícias” um artigo em que o apresentei como o Decano dos Jornalistas Portugueses.

Hoje mesmo, ao fim da tarde, o coronel Dias Vieira e o jornalista João Pedro Miranda, apresentaram o livro “Decano dos Jornalistas Portugueses – 73 Anos de Causas e Casos de Barroso da Fonte”, no Espaço Cultural Barroso da Fonte, em Guimarães.

Bem gostava de ter estado lá para lhe dar um abraço! Deixo aqui este registo com a minha homenagem a este grande amigo, grande Senhor e um imparável homem de letras.

FONTE: https://www.diariodetrasosmontes.com/cronica/o-decano-dos-jornalistas-portugueses

 

Mais 4628 razões para votar pelo Seguro




Alberto Gonçalves
OBSERVADOR


Eu quero ser democrata, e um democrata não admite alternativas nem dissensões. Nós, democratas, temos de ser uns para os outros – e todos contra o Outro.

24 jan. 2026, 00:20143

Faltam duas semanas para as eleições e, como é próprio das democracias consolidadas, o resultado está decidido: tem de ganhar o candidato que as pessoas virtuosas dizem que tem de ganhar. E as pessoas virtuosas dizem que tem de ganhar António José Seguro, sob pena de ganhar o Outro e afundar o país nas trevas do fascismo.

O dr. Seguro não é fascista. O dr. Seguro esteve com Guterres e nem por uma vez criticou as maravilhas do rendimento mínimo. O dr. Seguro esteve com Sócrates e jamais proferiu um ataque populista à corrupção. O dr. Seguro esteve na liderança do PS e nunca pactuou com a austeridade cega ditada pela “troïka” e aplicada pelo pérfido governo de Pedro Passos Coelho. O dr. Seguro só não esteve com Costa por meras vicissitudes do destino. O dr. Seguro é bom e humanista. Não acreditam? Perguntem-lhe. E é virtuoso, como os virtuosos que o apoiam e ao contrário da cáfila de filhos de uma mãe desavergonhada que não o apoiam. Tirando o pormenor de ser militante do PS há 45 anos, o dr. Seguro quase nem é socialista.

E não se trata apenas de uma questão ideológica. Está em jogo uma dimensão clínica. Com ponderação, Sérgio Sousa Pinto garante que somente os “atrasados mentais” [sic] hesitam entre o partido do Outro e o PS, leia-se entre o Outro e o dr. Seguro. Além de ninguém desejar ser fascista, ninguém deseja ser atrasado mental, pelo que não há hesitação possível quanto ao caminho a trilhar. Não basta não votar no Outro, é preciso votar no dr. Seguro. E não basta votar no dr. Seguro: é preciso anunciá-lo ao mundo (ou aos espectadores da Sic, vá) com toda a força que o desrespeito pelos pulmões e o respeito pelas instituições nos conferem.

Temos a obrigação cívica de espalhar o anúncio através dos meios que pudermos, nas televisões, nas rádios, nos jornais, nos cafés, nos escritórios, nos autocarros e nos jantares em família. Devemos gritar nas ruas (até às dez da noite, por causa dos vizinhos e da polícia) que estamos perante a eleição mais importante desde a insurreição de Viriato e que o voto em Seguro é decisivo para impedir que em dois meses Portugal se transforme na Alemanha de 1933. Ou no Portugal de 1973. Ou na América de 2026.

Assim, é com urgência e orgulho que eu, que não quero ser fascista, racista, xenófobo, homofóbico e columbófilo, e que não sou menos virtuoso que os demais, venho por este meio anunciar o meu apoio inequívoco ao dr. Seguro. À semelhança de cerca de 99,8% dos notáveis da nação, e de braço metaforicamente dado a socialistas moderadíssimos e democratas encartados do gabarito da dra. Temido, da dra. Leitão, do dr. Pedro Nuno e do dr. Tavares, além do cançonetista Tordo, votarei Seguro no dia 8. Eu quero ser democrata, e um democrata não admite alternativas nem dissensões.

Nós, democratas, temos de ser uns para os outros – e todos contra o Outro. A divisão esquerda/direita é um instrumento insidioso dos fascistas e deixou de existir quando os democratas, sobretudo os da direita, decidiram aboli-la. Os democratas não dividem a sociedade, excepto para dividir a sociedade em Decentes contra Indecentes (os Decentes somos nós). E em Fascismo versus Civilização, sendo que na civilização cabem a direita civilizada, a social-democracia civilizada, o liberalismo civilizado, o socialismo civilizado, o comunismo civilizado, os civilizados adeptos do Hamas e o cançonetista Tordo. Acima das diferenças microscópicas e da divertida golpada de 2015, partilhamos os valores da integridade, sem esquecer a integridade de Catarina Martins, que no parlamento europeu protege os aiatolas do fascismo dos manifestantes. É como se navegássemos, unidos e fraternos, numa flotilha imaginária ao som da “Tourada”.

No Domingo, durante o discurso da vitória, o dr. Seguro deu o mote. Primeiro, prometeu “unir os portugueses”. Aplaudi. Depois especificou a que portugueses se referia: “Todos os democratas contra o extremismo de quem semeia o ódio”. Aplaudi de pé. Reparem que nem o dr. Seguro, paradigma supremo da tolerância e da benevolência e da inclusão, está disposto a incluir extremistas, para cúmulo dos que semeiam ódio com a enxada do radicalismo. Numa democracia cabem aqueles que os verdadeiros democratas permitem. Os portugueses que não são democratas de acordo com a concepção consagrada do termo – os fascistas e atrasados mentais que não votam no dr. Seguro – não são portugueses. Em nome do humanismo, o ideal era mandá-los para a terra deles. Infelizmente, parece que a terra dos fascistas é esta e os fascistas têm por enquanto o insuportável direito de aqui viver e, raios partam isto, votar.

E este é o problema. Os fascistas andam por aí. E são imensos. E teimosos. E não se esforçam por se integrar nem se importam de destoar. E rejeitam que os critérios da decência sejam impostos por um sistema político que lhes parece progressivamente promíscuo e indecoroso. E insistem em questionar a natureza de uma democracia que permanentemente os segrega e humilha. E multiplicam-se em relação directa ao escárnio que os democratas lhes dedicam. Ainda não se multiplicaram o suficiente para vencer agora, mas um dia os fascistas chegam lá – graças ao desalmado empenho de tantos humanistas que seriam fascistas se não obedecessem às directivas dos humanistas restantes. Por isso obedecem. E eu também: voto no candidato da decência para não ser fascista. E para desfrutar da liberdade. É mais Seguro.

FONTE: https://observador.pt/opiniao/mais-4628-razoes-para-votar-pelo-seguro/


Historiadores devem convergir em 2028


Dia 25 de dezembro último faleceu, com 77 anos de idade, Manuela Mendonça que se manteve no cargo de Presidente da Academia Portuguesa de História, entre 10 de janeiro de 2006 e 25 dezembro de 2025. Menos dez do que estivera Joaquim Veríssimo Serrão, seu antecessor.

Foi uma diferença abismal entre ambas as administrações. Manuela Mendonça (MM) limitou-se a ser uma espécie de “dona de casa”. Certamente fez muitas coisas boas, nos seus 20 anos de comando na História de Portugal. Mas não descortinou mais do que aceitar a imposição dos graus académicos do Processo de Bolonha. Entrou no cargo no ano letivo de 2006/2007. Como todos os antigos bacharéis que subiram a licenciados. E, da noite para o dia, subiram para licenciados, sem darem explicações àqueles que faziam os cinco anos obrigatórios.

No tempo de Salazar havia as professoras do ensino básico que se deslocavam para longe de casa, para obter os cinco anos, mais dois da especialidade. Claro que os tempos eram outros e essas não chegavam para as poucas escolas do magistério. Para remediar a situação surgiram as regentes escolares que resultavam de um estágio, após a quarta classe. O mesmo procedeu com os regentes agrários, hoje engenheiros agrícolas. Manuela Mendonça imitou os «cérebros europeus» que inventaram o Processo de Bolonha. O facilitismo ao mais alto nível.

O geógrafo A. de Almeida Fernandes, natural de Britiande (1917-2002) e docente no alto Minho, fez da prestigiada Sociedade Martins Sarmento, da sua centenária Revista e da copiosa biblioteca, o púlpito das suas evasões mentais. A partir das portas sempre abertas e generosas dessa Instituição vimaranense, acumulou ciência bastante para enfrentar os historiadores do seu tempo.

José Mattoso foi o seu mais destacado opositor, a pretexto do «Castelo da Feira que não de Faria». Essas divergências alastraram a campos posteriores, sem que a presidente da Academia de História, a partir do seu trono, procurasse mediar os conflitos. Pelo contrário. Em 2009 a influência de Almeida Fernandes fez com que os autarcas de Viseu e, por simpatia, os de Guimarães, promovessem um congresso fantasma nessa cidade beirã que irritou José Mattoso e a comunidade dessa época. A fúria foi de tal modo grosseira que os cidadãos portugueses viram e ouviram, através das rádios e televisões, a ameaça de Manuela Mendonça de que iria fazer tudo para mudar os manuais escolares, trocando o local de nascimento do Rei Fundador, de Guimarães para Viseu, e o respectivo ano, de 1111 para 1109.

Ela, que deveria ter sido uma dirigente conciliadora, sensata e representante legitimada, comprometeu-se a reeditar os manuais escolares, trocando os livros, em uso, por livros novos com delírios historiográficos, reinventando a censura no meio académico. Felizmente, nesse mesmo ano, na sequência dessa babozeira alucinada, o historiador José Mattoso conseguiu, em dezembro, evitar tal atoarda, sobretudo após o signatário deste texto ter agitado as águas e dado um murro na mesa do pântano silencioso em que o meio académico da História mergulhara.  

Aproveitando as novas tecnologias como a Inteligência Artificial, pode ler-se que «Manuela Mendonça teve uma participação ativa nas comemorações dos 900 anos do nascimento de D. Afonso Henriques, em 2009, em Viseu». Por essa altura, no âmbito dessas celebrações, foi lançada a coleção «Reis de Portugal», por si dirigida, afirmando já Viseu como local de nascimento de Afonso Henriques, em agosto de 1109, conforme a nova e incoerente “teoria” imaginada pelo viseense Almeida Fernandes.

Face às inverdades que Manuela Mendonça semeou nesse congresso de Viseu, o signatário deste texto, que desde o falecimento do seu antecessor, Veríssimo Serrão, até ao presente, perdoa mas não esquece os ataques de que foi alvo, por parte de Almeida Fernandes (o Pai, em livros) e seu filho (artigo na Revista Beira Alta, 2003) nas suas «pachouchadas». E por isso publicou, entre outros,
«Afonso Henriques, um rei polémico» em 2009; e coordenou a «A saga da Santidade de Afonso Henriques», patrocinado pela Fundação Lusíada.

Já partiram os protagonistas desta nota de leitura: Almeida Fernandes, José Mattoso, Veríssimo Serrão e agora Manuela Mendonça.

Em 13/02/2019 foi oficializada em Guimarães a Grã Ordem Afonsina – Vida e Obra do Rei Fundador. Foi a primeira associação da Lusofonia a alertar para a balbúrdia e a falta de verdade em torno da nossa História e respectiva cronologia. Aos 7 anos de existência, a Grã Ordem Afonsina, sem apoio oficial, já agrupou doze outras associações para, unidas, lutarem pela integridade da nossa História nacional. E até já houve quem reclamasse a paternidade do nosso projeto, sobretudo a importância simbólica da celebração condigna dos 900 anos do nascimento de Portugal, a ter lugar em 24 de Junho de 2028.

Barroso da Fonte

Festa das Papas de Gondiães

 

A vitória da direita ...


Sá Carneiro tem sido invocado de forma obscena. É bom lembrar quando Mário Soares lhe chamou nomes feios.

Catarina Martins e o Irão

 


sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Carrazeda de Ansiães - Revista da Memória Rural, nº 8

 Mensageiro de Bragança

LOUVORES À MÂE DA NATUREZA

 

                                                   LOUVORES À MÂE DA NATUREZA

 

Quadro de rara beleza

Os frutos que a terra dá

São os encantos do Outono

Esperando pelo sono

Do Inverno que virá.

 

Estende-se noite fora

Longa e lenta cada hora

A demorar o serão

O sabor do lar regressa

Fugido que andou na pressa

Do corre-corre do Verão.

 

Quem diz que o Outono é triste

Certamente não assiste

À escola que abre de novo

Nunca foi ao S. Martinho

Provar castanhas e vinho

Sentir a alma do povo.

 

Vindimas e desfolhadas

Cantigas e desgarradas

Numa aldeia portuguesa

E o pão do ano inteiro

Está guardado no celeiro

Pra não faltar sobre a mesa.

 

Estendidas sobre as eiras

São labutas e canseiras

As espigas e os grãos

É o pão do nosso sustento

Nossa força, nosso alento

É o suor de muitas mãos.

 

Depois a terra descansa

Aninha-se no seu sono

E ficam-nos na lembrança

Os mil encantos do Outono.

                                                          Dezembro de 2025

 

JÚLIO  BARROS

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Os notáveis da vergonha...

Uma vergonha! Estes notáveis não vão acrescentar um voto (além do seu) a AJS. É que esta repentina peregrinação aos lugares sagrados dos xuxas, por parte desta gente que se diz do PSD e do CDS, coloca uma verdadeira reflexão ao verdadeiro povo que vota: Será que estes tipos querem manter o sistema, o costume e os do costume? Não se admirem se André Ventura no dia 8 de Fevereiro for eleito presidente da República!
É apenas um aviso. Para esses camaleões e para os apoios e peregrinações que aí se adivinham...


BIOGRAFIA - Espiga Pinto

 

 


Crítica Literária ao Livro "BIOGRAFIA . ESPIGA Pinto", da Dra Júlia Serra.

 

 

                     BIOGRAFIA DE ESPIGA PINTO

 

                        Um compromisso assumido

 

A Biografia de Espiga Pinto, da autoria da escritora Manuela Morais, é uma obra seminal, pois além de nos apresentar a figura e o percurso de vida do eterno artista Espiga, o leitor pode aceder a fotografias familiares e a uma enorme galeria de imagens representativas da sua multímoda criação.

No Prelúdio, a autora escreveu: “A história, a nossa história de vida é um complexo e contínuo entrelaçado de aprendizagem dos verdadeiros e puros ensinamentos da honra, da lealdade, da amizade, da verdade, da justiça, do amor, do humanismo e da dignidade” (p.15).

O recurso ao determinante possessivo “nossa” remete-nos para uma cumplicidade entre ambos que Manuela anuncia em plena biografia: “Assim, quero adiantar que vou focar-me nos últimos quinze anos que o nosso casamento durou e que foram os últimos anos da sua vida terrena” (p.30). Na abertura deste “livrinho” o sujeito poético anunciava: “Chegaste! / Radiante de alegria,/ tuas mãos carregadas/ de espigas…” O recurso à antonomásia é símbolo da riqueza que entrou na vida da sua amada – a aparente surpresa de “chegaste” transforma-se no romance de amor (que vivificou Manuela, após a perda do seu marido) confessado: “A tua pele / com o sabor/ da flor do sal,/ é quente e húmida/como desejo/do nosso primeiro beijo/ na recatada noite sob o luar…” – as sinestesias abundantes exteriorizam a profusão de sentidos e sensações provindas deste novo luzeiro amoroso.


Mas afinal quem foi Espiga Pinto? Na impossibilidade de recontar pormenorizadamente a sua história de vida (que cada um dos leitores poderá apreciar no seu âmago) vou realçar os aspetos mais importantes e caracterizadores da sua carreira, evocando algumas palavras da escritora: José Manuel Espiga Pinto viveu apenas, e só, setenta e quatro anos de idade. Nasceu no dia dezasseis de Março, de mil novecentos e quarenta, às três horas e quinze minutos, na freguesia de São Bartolomeu, em Vila Viçosa. (p.31). Apesar de o terem fadado para arquitetura, o seu destino guiou-o para Escultura e Pintura, talvez pela influência da infância, pelas paisagens alentejanas, pelo seu espírito livre e imaginação criadora – estes predicados, a juntarem-se à curiosidade de descobertas e ao gosto do conhecimento – um florilégio de talentos que fizeram dele não apenas e somente um artista português, mas do mundo. Contribuíram também os grandes mestres que encontrou em Évora, no liceu (entre vários, Vergílio Ferreira) e, em Lisboa, que lhe facultaram a amizade com grandes artistas: Mestre Resende, Fernando Lanhas, António Telmo, Almada Negreiros, entre muitos outros.

A sua Obra é composta de várias modalidades, informa-nos a autora:” na Escultura, na Pintura , no Desenho, nas moedas para a Casa da Moeda e das Colecções Philae, em prata e em ouro, em Medalhas Comemorativas, nos Troféus, na Cerâmica, na Gravura, em Serigrafia, nos Vitrais, nas inúmeras Capas para livros, no Cinema para a RTP, na Tapeçaria, nos Murais de grandes dimensões para o espaço urbano, em Logotipos para muitas empresas desde 1967 (a mais conhecida é o logo da Valentim de Carvalho). E, também no Logotipo da Editora Tartaruga.

Recebeu uma bolsa de estudo para investigação do Espaço Urbano, para a Suécia e em França, da Fundação Calouste Gulbenkian” (p.51) As Exposições do seu trabalho foram muito variadas. 

Em 1972, em Portugal, realizou no Porto, o 1º Happening Perfomance “Egotemponirico”, ritual e instalação, com o apoio da Galeria Alvarez, no Porto. Foram muitas as participações artísticas e os cenários impressionantes que rechearam a vida deste Ser Invulgar. O gosto pela Geometria e pelos números eram sinais de um perfecionismo ingente que alvorava na sua obra. Tive a honra de testemunhar os seus gestos e de assimilar algumas ideias, quando estive sentada ao seu lado, para a elaboração dos desenhos para o livro de Florbela Espanca, Asa no Ar, Erva no Chão, de Concepción Delgado Corral. Fiquei impressionada, quando o vi puxar de um pequeno caderno de desenho e rascunhar desenhos geométricos, parecia em papel milimétrico, e a executar, com a agilidade das suas mãos delgadas, um complexo campo de traços e de números, formando círculos e lembrando raios de luz. Sem dessonelizar o efeito, pareciam-me imagens provindas do outro mundo, mas com a certeza de que nasceram ali e que encaixavam neste segmento textual: “A descoberta extraordinária da Geometria Sagrada continha a incursão na decifração e descodificação essencial da sua Arte. Desde sempre, o Espiga pintava ou esculpia a sua Obra com símbolos ou características geométricas, a “razão de ouro” e elementos da Astronomia.” (p.39).

Esta biografia surgiu de um compromisso fechado entre o casal: "Prometi velar pelo seu nome e pela sua Obra. Nada ou ninguém demoverá este compromisso de honra que estabelecemos no momento de dizer adeus, até que as minhas forças o permitam… (p.76)" e a autora acrescenta na mesma página:" Passados mais de dez  anos do seu falecimento, o meu compromisso é para com a sua memória e a defesa da sua Obra para não cair no

esquecimento. Os milagres operam maravilhas na grandiosidade da nossa dedicação e entusiasmo! “(p.76)

A tematização da obra baseia-se, sobretudo na paisagem alentejana, nas searas ao vento, nos cavalos, na mulher, nos animais, no sol e nas fases da lua; ressaltam também aspetos

tipicamente portugueses – esteios da sua identidade – a calçada portuguesa, as caravelas e os escritores – caso de Camilo Castelo Branco, no livro Camilo Castelo Branco em Santo Tirso de

António Jorge Ribeiro. Manuela Morais explica-nos os seus símbolos: os animais quase pareciam pinturas rupestres. As imagens vinham, desde menino, do seu Alentejo entranhado e

disponível na sua memória. A figura feminina preenchia também esse memorial (…) até os Cantos de Os Lusíadas surgem nos seus inteligíveis e humanos traços.

A espiga do trigo tem uma simbologia muito forte ligada à prosperidade, ao pão que nos sustenta e que contribui para nos fortalecer; mas a espiga concentra em si também um halo sagrado, associado ao ciclo da natureza e adicionado ao amor e à saúde. O nosso homenageado reuniu em si estas características que lhe deram força, resistência e humanismo para que o seu “celeiro” nunca desiludisse ninguém: fascinava, mesmo em silêncio, e, quando soltas, as palavras tinham um sabor a espiga que floresceu em Espiga.

O corpo franzino do artista e a sua vontade de trabalhar/esculpir a pedra, com perfeição, excedendo as suas forças, lembra-me, muitas vezes, o texto de Padre António Vieira, pregando : “Arranca o estatuário uma pedra destas montanhas, tosca, bruta, dura, informe; e depois que desbastou o mais grosso, toma o maço e o cinzel na mão e começa a formar um homem primeiro, membro a membro e, depois, feição por feição, até à mais miúda. Ondeia-lhe os cabelos, alisa-lhe a testa, rasga-lhe os olhos, afila-lhe o nariz, abre-lhe a boca, torneia-lhe o pescoço, estende-lhe os braços, espalma-lhe as mãos, divide-lhe os dedos,

lança-lhe os vestidos. Aqui desprega, ali arruga, acolá recama. E fica um homem perfeito, e talvez um santo que se pode pôr no altar.” (Sermão do Espírito Santo).

Espiga Pinto fica na história artística e humana pela sua enorme capacidade de trabalho, pelo seu excelente sentido de humor, pela candura do seu sorriso, pela maneira fabulosa de surpreender, pelo amor que sabia tão bem demonstrar, e por toda a grandiosidade de uma magnífica Obra que nos deixou… (p.154)

E termino com os versos da sua amada Manuela

Saudade/sente/ quem caminha/no silêncio/ do luar…

Levo-te/a ti/ meu amor, que continuas / a sorrir/ para mim…” (p.158)

 

                                                                                  Júlia Serra

Publicada por Tartaruga Editora à(s) 10:55 Sem comentários: 

 

Formar grupos de trabalho

 

Por Entre Linhas e Ideias - Será a maldade uma força que também move o ser humano?

 


E as capas dos jornais portugueses? ...

 

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