Portugal está a falhar. Não existe pensamento a prazo. O país vive da espuma. Não há avaliação de políticas públicas, nem pensamento estruturado. Repetem-se os mesmos erros. É um deserto intelectual, e nenhum país prospera nestas circunstâncias. Parte do problema é que, com as devidas exceções, os intelectuais são fracos, e vendidos ou comprometidos com interesses partidários. Falta-lhes independência – o sonho de muitos é tornarem-se nos patéticos “comentadores” para lançarem uma carreira política ou terem acesso a “tachos”. A FCT é uma desgraça, e falta mérito na academia. A endogamia é nauseante.
sábado, 31 de janeiro de 2026
Nuno Palma ao SOL
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
Um apoio de peso...
Não vem nenhum mal ao mundo que um dos
candidatos a presidente seja apoiado por um braço forte da maçonaria. O mal é
que esse apoio não seja transparente.
Não sabemos se A.J. Seguro está inscrito
nalguma loja maçónica. Mas se estivesse, que mal viria ao mundo? Sabemos sim,
que está casado com
Margarida Maldonado Freitas, da milionária e maçónica família das Farmácias
Maldonado Freitas.
Custódio Maldonado Freitas, além de
maçónico, também foi adepto convicto da Carbonária. E a carbonária nunca foi respeitável.
Esteve preso, acusado de ter mandado petardos artesanais preparados por ele,
numa procissão religiosa. Na prisão, escreveu cartas a Salazar a
exigir a reabertura do seu processo. O Doutor
Salazar nunca lhe respondeu.
Já Artur Maldonado Freitas foi apoiante
de Humberto Delgado.
Se o Dr. Seguro não está inscrito em
nenhuma loja maçónica, a família da esposa é maçónica até ao tutano. E isso é
mal? Não. Mas então que o digam. Sejam transparentes.
O que nos parece é que, ao contrário da espontaneidade,
esta candidatura foi muito bem preparada desde 2022, pelo menos. Não foi por
acaso que AJS apareceu num programa de comentário na CNN em 2025. E tudo tem sido
muito bem encenado desde o dia da sua apresentação.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Hirondino da Paixão Fernandes: um legado da cultura transmontana
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
Alberto Gonçalves, um cronista esteticamente inteligente
Sem seguir a carneirada
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
Os debates da segunda volta ...
O apoio que António José Seguro tem recebido, lembra a antiga União Nacional do Estado Novo. Porque será? Se por um lado, alguns dos notáveis, sobretudo da parte dos sociais democratas (meia dúzia), este apoio é, sobretudo, uma resistência política, a grande maioria do mesmo, é uma acção oportunista de manter os privilégios dos do costume, desfavorecendo o povo que trabalha.
Uma coisa é certa, todos nós sabemos sobre aquilo que André Ventura pensa. E sobre António José Seguro? Alguém sabe o que pensa? Há dois dias recusou um debate nas rádios. Em nossa opinião fez mal. Porque há muitos portugueses, sobretudo no interior, que apenas conhecem o mundo através da rádio.
O nosso voto (que é apenas um) não irá para um nem outro. Irá para onde se dirigir o mérito de cada um. O debate das rádios já não se realiza, esperemos então pelo debate de amanhã nas televisões.
Pensões vitalícias ...
domingo, 25 de janeiro de 2026
A pastorícia em Portugal...
Vista geral de IA
A pastorícia em Portugal é uma atividade
ancestral e extensiva, fundamental para a economia local e gestão do
território, especialmente em zonas de montanha. Enfrenta desafios como o
envelhecimento e diminuição de pastores, mas ganha nova relevância na prevenção
de incêndios florestais através do pastoreio e valorização de raças autóctones.
Os do costume...
sábado, 24 de janeiro de 2026
O decano dos jornalistas Portugueses
ALEXANDRE PARAFITA
João Barroso da
Fonte, que no próximo mês fará 87 anos, completa hoje (24 de janeiro) 73 anos
sobre a data em que publicou o seu primeiro artigo no semanário “A Voz de
Trás-os-Montes”. Era então um pequeno seminarista em Vila Real. Desde essa data,
em 1953, desenvolveu uma singular carreira de jornalista e de homem de letras.
Publicou artigos em dezenas de jornais, foi jornalista do JN, fundou e dirigiu
jornais e revistas, escreveu livros, foi professor, fundou associações,
organizou congressos, foi combatente em África, dirigiu o Paço dos Duques de
Bragança e a delegação da Comunicação Social do Norte, foi vereador da cultura…
Plantou, planta e difunde cultura, saber, humanidade.
Em 23 de junho de
2023, publiquei no “Jornal de Notícias” um artigo em que o apresentei como o
Decano dos Jornalistas Portugueses.
Hoje mesmo, ao
fim da tarde, o coronel Dias Vieira e o jornalista João Pedro Miranda,
apresentaram o livro “Decano dos Jornalistas Portugueses – 73 Anos de Causas e
Casos de Barroso da Fonte”, no Espaço Cultural Barroso da Fonte, em Guimarães.
Bem gostava de
ter estado lá para lhe dar um abraço! Deixo aqui este registo com a minha
homenagem a este grande amigo, grande Senhor e um imparável homem de letras.
FONTE: https://www.diariodetrasosmontes.com/cronica/o-decano-dos-jornalistas-portugueses
Mais 4628 razões para votar pelo Seguro
Eu quero
ser democrata, e um democrata não admite alternativas nem dissensões. Nós,
democratas, temos de ser uns para os outros – e todos contra o Outro.
24 jan. 2026, 00:20143
Faltam duas
semanas para as eleições e, como é próprio das democracias consolidadas, o
resultado está decidido: tem de ganhar o candidato que as pessoas virtuosas
dizem que tem de ganhar. E as pessoas virtuosas dizem que tem de ganhar António
José Seguro, sob pena de ganhar o Outro e afundar o país nas trevas do
fascismo.
O dr.
Seguro não é fascista. O dr. Seguro esteve com Guterres e nem por uma vez
criticou as maravilhas do rendimento mínimo. O dr. Seguro esteve com Sócrates e
jamais proferiu um ataque populista à corrupção. O dr. Seguro esteve na
liderança do PS e nunca pactuou com a austeridade cega ditada pela “troïka” e aplicada pelo pérfido governo de Pedro
Passos Coelho. O dr. Seguro só não esteve com Costa por meras vicissitudes do
destino. O dr. Seguro é bom e humanista. Não acreditam? Perguntem-lhe. E é
virtuoso, como os virtuosos que o apoiam e ao contrário da cáfila de filhos de
uma mãe desavergonhada que não o apoiam. Tirando o pormenor de ser militante do
PS há 45 anos, o dr. Seguro quase nem é socialista.
E não se
trata apenas de uma questão ideológica. Está em jogo uma dimensão clínica. Com
ponderação, Sérgio Sousa Pinto garante que somente os “atrasados mentais” [sic]
hesitam entre o partido do Outro e o PS, leia-se entre o Outro e o dr. Seguro.
Além de ninguém desejar ser fascista, ninguém deseja ser atrasado mental, pelo
que não há hesitação possível quanto ao caminho a trilhar. Não basta não votar
no Outro, é preciso votar no dr. Seguro. E não basta votar no dr. Seguro: é
preciso anunciá-lo ao mundo (ou aos espectadores da Sic, vá) com toda a força
que o desrespeito pelos pulmões e o respeito pelas instituições nos conferem.
Temos a
obrigação cívica de espalhar o anúncio através dos meios que pudermos, nas
televisões, nas rádios, nos jornais, nos cafés, nos escritórios, nos autocarros
e nos jantares em família. Devemos gritar nas ruas (até às dez da noite, por
causa dos vizinhos e da polícia) que estamos perante a eleição mais importante
desde a insurreição de Viriato e que o voto em Seguro é decisivo para impedir
que em dois meses Portugal se transforme na Alemanha de 1933. Ou no Portugal de
1973. Ou na América de 2026.
Assim, é
com urgência e orgulho que eu, que não quero ser fascista, racista, xenófobo,
homofóbico e columbófilo, e que não sou menos virtuoso que os demais, venho por
este meio anunciar o meu apoio inequívoco ao dr. Seguro. À semelhança de cerca
de 99,8% dos notáveis da nação, e de braço metaforicamente dado a socialistas
moderadíssimos e democratas encartados do gabarito da dra. Temido, da dra.
Leitão, do dr. Pedro Nuno e do dr. Tavares, além do cançonetista Tordo,
votarei Seguro no dia 8. Eu quero ser democrata, e um democrata não admite
alternativas nem dissensões.
Nós,
democratas, temos de ser uns para os outros – e todos contra o Outro. A divisão
esquerda/direita é um instrumento insidioso dos fascistas e deixou de existir
quando os democratas, sobretudo os da direita, decidiram aboli-la. Os
democratas não dividem a sociedade, excepto para dividir a sociedade em
Decentes contra Indecentes (os Decentes somos nós). E em Fascismo versus
Civilização, sendo que na civilização cabem a direita civilizada, a
social-democracia civilizada, o liberalismo civilizado, o socialismo civilizado,
o comunismo civilizado, os civilizados adeptos do Hamas e o cançonetista Tordo.
Acima das diferenças microscópicas e da divertida golpada de 2015, partilhamos
os valores da integridade, sem esquecer a integridade de Catarina Martins, que
no parlamento europeu protege os aiatolas do fascismo dos manifestantes. É como
se navegássemos, unidos e fraternos, numa flotilha imaginária ao som da
“Tourada”.
No Domingo,
durante o discurso da vitória, o dr. Seguro deu o mote. Primeiro, prometeu
“unir os portugueses”. Aplaudi. Depois especificou a que portugueses se
referia: “Todos os democratas contra o extremismo de quem semeia o ódio”.
Aplaudi de pé. Reparem que nem o dr. Seguro, paradigma supremo da tolerância e
da benevolência e da inclusão, está disposto a incluir extremistas, para cúmulo
dos que semeiam ódio com a enxada do radicalismo. Numa democracia cabem aqueles
que os verdadeiros democratas permitem. Os portugueses que não são democratas
de acordo com a concepção consagrada do termo – os fascistas e atrasados mentais
que não votam no dr. Seguro – não são portugueses. Em nome do humanismo, o
ideal era mandá-los para a terra deles. Infelizmente, parece que a terra dos
fascistas é esta e os fascistas têm por enquanto o insuportável direito de aqui
viver e, raios partam isto, votar.
E este é o problema. Os fascistas andam por aí. E são imensos. E teimosos. E não se esforçam por se integrar nem se importam de destoar. E rejeitam que os critérios da decência sejam impostos por um sistema político que lhes parece progressivamente promíscuo e indecoroso. E insistem em questionar a natureza de uma democracia que permanentemente os segrega e humilha. E multiplicam-se em relação directa ao escárnio que os democratas lhes dedicam. Ainda não se multiplicaram o suficiente para vencer agora, mas um dia os fascistas chegam lá – graças ao desalmado empenho de tantos humanistas que seriam fascistas se não obedecessem às directivas dos humanistas restantes. Por isso obedecem. E eu também: voto no candidato da decência para não ser fascista. E para desfrutar da liberdade. É mais Seguro.
FONTE: https://observador.pt/opiniao/mais-4628-razoes-para-votar-pelo-seguro/
Historiadores devem convergir em 2028
Dia 25 de dezembro último faleceu,
com 77 anos de idade, Manuela Mendonça que se manteve no cargo de Presidente da
Academia Portuguesa de História, entre 10 de janeiro de 2006 e 25 dezembro de 2025.
Menos dez do que estivera Joaquim Veríssimo Serrão, seu antecessor.
Foi uma diferença abismal entre
ambas as administrações. Manuela Mendonça (MM) limitou-se a ser uma espécie de
“dona de casa”. Certamente fez muitas coisas boas, nos seus 20 anos de comando
na História de Portugal. Mas não descortinou mais do que aceitar a imposição
dos graus académicos do Processo de Bolonha. Entrou no cargo no ano letivo de
2006/2007. Como todos os antigos bacharéis que subiram a licenciados. E, da
noite para o dia, subiram para licenciados, sem darem explicações àqueles que
faziam os cinco anos obrigatórios.
No tempo de Salazar havia as
professoras do ensino básico que se deslocavam para longe de casa, para obter
os cinco anos, mais dois da especialidade. Claro que os tempos eram outros e
essas não chegavam para as poucas escolas do magistério. Para remediar a
situação surgiram as regentes escolares que resultavam de um estágio, após a
quarta classe. O mesmo procedeu com os regentes agrários, hoje engenheiros
agrícolas. Manuela Mendonça imitou os «cérebros europeus» que inventaram o
Processo de Bolonha. O facilitismo ao mais alto nível.
O geógrafo A. de Almeida Fernandes,
natural de Britiande (1917-2002) e docente no alto Minho, fez da prestigiada
Sociedade Martins Sarmento, da sua centenária Revista e da copiosa biblioteca,
o púlpito das suas evasões mentais. A partir das portas sempre abertas e
generosas dessa Instituição vimaranense, acumulou ciência bastante para
enfrentar os historiadores do seu tempo.
Aproveitando as novas tecnologias
como a Inteligência Artificial, pode ler-se que «Manuela Mendonça teve uma
participação ativa nas comemorações dos 900 anos do nascimento de D. Afonso
Henriques, em 2009, em Viseu». Por essa altura, no âmbito dessas
celebrações, foi lançada a coleção «Reis de Portugal», por si dirigida,
afirmando já Viseu como local de nascimento de Afonso Henriques, em agosto de
1109, conforme a nova e incoerente “teoria” imaginada pelo viseense Almeida
Fernandes.
Já partiram os protagonistas desta
nota de leitura: Almeida Fernandes, José Mattoso, Veríssimo Serrão e
agora Manuela Mendonça.
Em 13/02/2019 foi oficializada em Guimarães a Grã Ordem Afonsina – Vida e Obra do Rei Fundador. Foi a primeira associação da Lusofonia a alertar para a balbúrdia e a falta de verdade em torno da nossa História e respectiva cronologia. Aos 7 anos de existência, a Grã Ordem Afonsina, sem apoio oficial, já agrupou doze outras associações para, unidas, lutarem pela integridade da nossa História nacional. E até já houve quem reclamasse a paternidade do nosso projeto, sobretudo a importância simbólica da celebração condigna dos 900 anos do nascimento de Portugal, a ter lugar em 24 de Junho de 2028.
Barroso da Fonte
A vitória da direita ...
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
LOUVORES À MÂE DA NATUREZA
LOUVORES À MÂE DA NATUREZA
Quadro de rara beleza
Os frutos que a terra dá
São os encantos do Outono
Esperando pelo sono
Do Inverno que virá.
Estende-se noite fora
Longa e lenta cada hora
A demorar o serão
O sabor do lar regressa
Fugido que andou na pressa
Do corre-corre do Verão.
Quem diz que o Outono é triste
Certamente não assiste
À escola que abre de novo
Nunca foi ao S. Martinho
Provar castanhas e vinho
Sentir a alma do povo.
Vindimas e desfolhadas
Cantigas e desgarradas
Numa aldeia portuguesa
E o pão do ano inteiro
Está guardado no celeiro
Pra não faltar sobre a mesa.
Estendidas sobre as eiras
São labutas e canseiras
As espigas e os grãos
É o pão do nosso sustento
Nossa força, nosso alento
É o suor de muitas mãos.
Depois a terra descansa
Aninha-se no seu sono
E ficam-nos na lembrança
Os mil encantos do Outono.
Dezembro de 2025
JÚLIO BARROS
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Os notáveis da vergonha...
BIOGRAFIA - Espiga Pinto
Crítica Literária ao Livro
"BIOGRAFIA . ESPIGA Pinto", da Dra Júlia Serra.
BIOGRAFIA DE
ESPIGA PINTO
Um
compromisso assumido
A Biografia de
Espiga Pinto, da autoria da escritora Manuela Morais, é uma obra seminal,
pois além de nos apresentar a figura e o percurso de vida do eterno artista
Espiga, o leitor pode aceder a fotografias familiares e a uma enorme
galeria de imagens representativas da sua multímoda criação.
No Prelúdio, a
autora escreveu: “A história, a nossa história de vida é um complexo
e contínuo entrelaçado de aprendizagem dos verdadeiros e puros ensinamentos
da honra, da lealdade, da amizade, da verdade, da justiça, do amor, do
humanismo e da dignidade” (p.15).
O recurso ao determinante possessivo “nossa” remete-nos para uma cumplicidade entre ambos que Manuela anuncia em plena biografia: “Assim, quero adiantar que vou focar-me nos últimos quinze anos que o nosso casamento durou e que foram os últimos anos da sua vida terrena” (p.30). Na abertura deste “livrinho” o sujeito poético anunciava: “Chegaste! / Radiante de alegria,/ tuas mãos carregadas/ de espigas…” O recurso à antonomásia é símbolo da riqueza que entrou na vida da sua amada – a aparente surpresa de “chegaste” transforma-se no romance de amor (que vivificou Manuela, após a perda do seu marido) confessado: “A tua pele / com o sabor/ da flor do sal,/ é quente e húmida/como desejo/do nosso primeiro beijo/ na recatada noite sob o luar…” – as sinestesias abundantes exteriorizam a profusão de sentidos e sensações provindas deste novo luzeiro amoroso.
Mas afinal
quem foi Espiga Pinto? Na impossibilidade de recontar pormenorizadamente a
sua história de vida (que cada um dos leitores poderá apreciar no
seu âmago) vou realçar os aspetos mais importantes e caracterizadores da
sua carreira, evocando algumas palavras da escritora: José Manuel Espiga
Pinto viveu apenas, e só, setenta e quatro anos de idade. Nasceu no dia
dezasseis de Março, de mil novecentos e quarenta, às três horas e quinze
minutos, na freguesia de São Bartolomeu, em Vila Viçosa. (p.31). Apesar de o
terem fadado para arquitetura, o seu destino guiou-o para Escultura e
Pintura, talvez pela influência da infância, pelas paisagens alentejanas,
pelo seu espírito livre e imaginação criadora – estes predicados, a
juntarem-se à curiosidade de descobertas e ao gosto do conhecimento – um florilégio
de talentos que fizeram dele não apenas e somente um artista português, mas
do mundo. Contribuíram também os grandes mestres que encontrou em Évora,
no liceu (entre vários, Vergílio Ferreira) e, em Lisboa, que lhe
facultaram a amizade com grandes artistas: Mestre Resende, Fernando
Lanhas, António Telmo, Almada Negreiros, entre muitos outros.
A sua Obra é
composta de várias modalidades, informa-nos a autora:” na Escultura,
na Pintura , no Desenho, nas moedas para a Casa da Moeda e das Colecções
Philae, em prata e em ouro, em Medalhas Comemorativas, nos Troféus, na
Cerâmica, na Gravura, em Serigrafia, nos Vitrais, nas inúmeras Capas para
livros, no Cinema para a RTP, na Tapeçaria, nos Murais de grandes
dimensões para o espaço urbano, em Logotipos para muitas empresas desde 1967
(a mais conhecida é o logo da Valentim de Carvalho). E, também no Logotipo
da Editora Tartaruga.
Recebeu uma
bolsa de estudo para investigação do Espaço Urbano, para a Suécia e
em França, da Fundação Calouste Gulbenkian” (p.51) As Exposições do seu
trabalho foram muito variadas.
Em 1972, em
Portugal, realizou no Porto, o 1º Happening Perfomance “Egotemponirico”,
ritual e instalação, com o apoio da Galeria Alvarez, no Porto. Foram
muitas as participações artísticas e os cenários impressionantes que
rechearam a vida deste Ser Invulgar. O gosto pela Geometria e pelos
números eram sinais de um perfecionismo ingente que alvorava na sua obra.
Tive a honra de testemunhar os seus gestos e de assimilar algumas ideias,
quando estive sentada ao seu lado, para a elaboração dos desenhos para o livro
de Florbela Espanca, Asa no Ar, Erva no Chão, de Concepción Delgado
Corral. Fiquei impressionada, quando o vi puxar de um pequeno caderno de
desenho e rascunhar desenhos geométricos, parecia em papel milimétrico, e
a executar, com a agilidade das suas mãos delgadas, um complexo campo de
traços e de números, formando círculos e lembrando raios de luz. Sem
dessonelizar o efeito, pareciam-me imagens provindas do outro mundo, mas
com a certeza de que nasceram ali e que encaixavam neste segmento textual:
“A descoberta extraordinária da Geometria Sagrada continha a incursão na
decifração e descodificação essencial da sua Arte. Desde sempre, o Espiga
pintava ou esculpia a sua Obra com símbolos ou características geométricas,
a “razão de ouro” e elementos da Astronomia.” (p.39).
Esta biografia
surgiu de um compromisso fechado entre o casal: "Prometi velar pelo
seu nome e pela sua Obra. Nada ou ninguém demoverá este compromisso de
honra que estabelecemos no momento de dizer adeus, até que as minhas
forças o permitam… (p.76)" e a autora acrescenta na mesma
página:" Passados mais de dez anos do seu falecimento, o
meu compromisso é para com a sua memória e a defesa da sua Obra para não
cair no
esquecimento.
Os milagres operam maravilhas na grandiosidade da nossa dedicação
e entusiasmo! “(p.76)
A tematização
da obra baseia-se, sobretudo na paisagem alentejana, nas searas ao vento,
nos cavalos, na mulher, nos animais, no sol e nas fases da lua; ressaltam
também aspetos
tipicamente
portugueses – esteios da sua identidade – a calçada portuguesa, as caravelas e
os escritores – caso de Camilo Castelo Branco, no livro Camilo Castelo
Branco em Santo Tirso de
António Jorge
Ribeiro. Manuela Morais explica-nos os seus símbolos: os animais
quase pareciam pinturas rupestres. As imagens vinham, desde menino, do seu
Alentejo entranhado e
disponível na
sua memória. A figura feminina preenchia também esse memorial (…) até
os Cantos de Os Lusíadas surgem nos seus inteligíveis e humanos traços.
A espiga do
trigo tem uma simbologia muito forte ligada à prosperidade, ao pão que nos
sustenta e que contribui para nos fortalecer; mas a espiga concentra em si
também um halo sagrado, associado ao ciclo da natureza e adicionado ao
amor e à saúde. O nosso homenageado reuniu em si estas características que
lhe deram força, resistência e humanismo para que o seu “celeiro” nunca
desiludisse ninguém: fascinava, mesmo em silêncio, e, quando soltas, as
palavras tinham um sabor a espiga que floresceu em Espiga.
O corpo
franzino do artista e a sua vontade de trabalhar/esculpir a pedra,
com perfeição, excedendo as suas forças, lembra-me, muitas vezes, o texto
de Padre António Vieira, pregando : “Arranca o estatuário uma pedra destas
montanhas, tosca, bruta, dura, informe; e depois que desbastou o mais
grosso, toma o maço e o cinzel na mão e começa a formar um homem primeiro,
membro a membro e, depois, feição por feição, até à mais miúda. Ondeia-lhe
os cabelos, alisa-lhe a testa, rasga-lhe os olhos, afila-lhe o nariz, abre-lhe
a boca, torneia-lhe o pescoço, estende-lhe os braços, espalma-lhe as mãos,
divide-lhe os dedos,
lança-lhe os
vestidos. Aqui desprega, ali arruga, acolá recama. E fica um homem perfeito,
e talvez um santo que se pode pôr no altar.” (Sermão do Espírito Santo).
Espiga Pinto
fica na história artística e humana pela sua enorme capacidade
de trabalho, pelo seu excelente sentido de humor, pela candura do seu
sorriso, pela maneira fabulosa de surpreender, pelo amor que sabia tão bem
demonstrar, e por toda a grandiosidade de uma magnífica Obra que nos
deixou… (p.154)
E termino com
os versos da sua amada Manuela
Saudade/sente/
quem caminha/no silêncio/ do luar…
Levo-te/a ti/
meu amor, que continuas / a sorrir/ para mim…” (p.158)
Júlia Serra
Publicada por Tartaruga Editora à(s) 10:55 Sem comentários:
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
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Um artigo lúcido. Quanto à PGR, conforme a lei (feita pelos políticos), temos muitas dúvidas se se lhe podem atribuir culpas. Pelo contrá...



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