Inocêncio Pereira faleceu: Um herói da imprensa regional
Faleceu dia 23 de Março o jornalista transmontano Inocêncio Augusto Pereira, director do semanário «Mensageiro de Bragança».
O signatário
desta nota cronológica beneficiou do saber e do fazer de ambos. De Pinto Soares
(falecido em 2017) herdou-lhe o epíteto de «Decano dos jornalista portugueses
vivos». Colaborou muitos anos neste seu jornal. E do Inocêncio Pereira
herdei a amizade, a experiência e o telurismo.
Do Dicionário
dos mais ilustres Transmontanos e Alto Durienses respigámos a sinopse
biográfica de Inocêncio Pereira:
Entre
1981 e 1983 orientou o curso de Jornalismo no Seminário de S. José de Bragança.
Em 1985 promoveu e lançou a Associação de Jornalistas e Homens de Letras do
Nordeste Transmontano, de que foi Presidente. Em 1984 promoveu e realizou o II
Encontro de Escritores e Jornalistas de Trás‑os‑Montes. Em 1987 foi louvado pelo
Secretário de Estado da Comunicação Social pelos "serviços relevantes
prestados à C. S. e pela sua dedicação permanente ao Jornalismo e à
Informação". Em 1995 editou a Biografia do Director da Emissora Católica
de Angola ‑ P.e José Maria Pereira, falecido no Brasil e sendo um benemérito
de Angola. Igualmente em 1995 historiou os 20 anos de Emissora Católica em
Angola ao serviço do Povo Angolano. De 1947 a 1956 fez vários cursos, nomeadamente
em Turim, Itália, e em Paris, a
especialidade em Artes Gráficas. Em 1957 e 1975 leccionou na Escola
Profissional de Santa Clara de Vila do Conde, na Escola Profissional de Santo
António de Izeda, no Instituto Mouzinho de Albuquerque na Namaacha (Moçambique)
e no Colégio de Santa Teresinha (Luanda). De 1976 até 1997 lecionou na Escola
Secundária Miguel Torga, em Bragança.
Depois
de acabar o noviciado e o magistério (1950-1955) e depois de ter trabalhado em
diversas Casas Salesianas do continente e do então Ultramar Português, pediu
dispensa de votos, mantendo-se membro da Família Salesiana.
Sempre
o Prof. Inocêncio Pereira, com o seu sentido prático da vida, esteve do lado
bom daquilo que urgia implementar. Ao longo de décadas, no Mensageiro de
Bragança e noutros órgãos de informação, foi o guerreiro de todas as horas.
Tive
conhecimento de que foi injustiçado, depois de 28 anos de dedicação ao Mensageiro
de Bragança, onde foi, sucessivamente, chefe de redação, administrador,
diretor adjunto e diretor. Sei que pegou no Jornal em 1976, quando estava
falido e sem instalações. A pedido de D. Manuel, Bispo de Bragança, assumiu a
reabilitação, comprou instalações, adquiriu viaturas, equipamento informático,
criou 10 postos de trabalho e legou, à sua saída: 650 mil euros!
Talvez
ninguém estivesse em tão favoráveis condições para elaborar o historial desses
75 anos como o Prof. Inocêncio Pereira. Animado por alguns sacerdotes da
diocese que não anteviam voluntários para levar a cabo tão árdua tarefa,
produziu a obra que custou 2.500 euros. Ainda soube que a Câmara adquiriu mil
euros de exemplares. E a União de Freguesias da Diocese colaborou com 250
euros. O resto saiu do seu bolso.
O
provérbio diz que a moralidade, deve começar por nós, para podermos ser úteis
aos outros. De certeza esses baixos não ocorreram nos 28 anos de dedicação
exclusiva do Prof. Inocêncio Pereira.
O
esforço do falecido jornalista Inocêncio Pereira merece encómios a todos os
títulos. E oxalá que Bragança coloque, na praça pública, o nome de Inocêncio
Pereira. E que nunca faça como a Câmara de Matosinhos, que esqueceu,
injustamente, o saudoso Dr. Eduardo Pinto Soares, que fundou este jornal,
condignamente continuado pelo filho João e demais Família, criando postos de
trabalho, dando voz aos a essa cidade e enriquecendo culturalmente os seus
habitantes.
Barroso da Fonte
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