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| JORGE LAGE |
Decorreu nos primeiros dias do mês de Junho o festival
literário de Mirandela e terá sido de arrasar pela nota divulgada e
fotografias.
Com nomes sonantes da cultura lisboeta e de valor televisivo. O
município não deixa os créditos em mãos locais não consagradas da cultura. A
cultura da globalização fala mais alto. Esta iniciativa terá deixado frutos no
concelho, como os demais, em ermamento acelerado. Se aparece por cá alguém a
falar em «Street Art» ou «Green-week», em vez de usar o bom português, «arte de
rua» ou «semana verde», provoca elevação cultural do município. Como a Câmara
expressou no boletim, a cultura (da capital com os bestseller) «conquistou a
sociedade mirandelense». Melhor dizendo, nomes locais e regionais como M.ª
Augusta Ribeiro, Henrique Pedro, Virgílio Tavares, P.e Lourenço Fontes, Barroso
da Fonte, Pires Cabral, Rentes de Carvalho ou Hirondino Fernandes talvez
empalidecessem o cartaz do «Palavrarte» 2019. Só o nome artístico do festival
já esmaga a nossa cultura local. Por certo, noutras iniciativas similares
surgirão mais nomes sonantes dos media.
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