sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Fui Pastor em Trás Os Montes... - Silvino Potêncio





Por Jorge Lage









 Fui Pastor em Tràs Os Montes...

No azul do céu da minha Terra,
Eu viajei e me perdi lá longe no espaço.
Levei para o infinito as lembranças da guerra,
E voltei para cá, com os versos que eu faço!

Subi Montes e desci Vales,
Era eu ali ainda uma criança,
Senti as dores de tantos males,
Que eu guardei como lembrança!

Não tenho rancor nem nostalgia
Que me cure esta grande paixão,
De voltar à Terra onde um dia,
Eu fundeei a raiz do meu coração!

Lancei ancora em mar de montanhas,
Fragosas são as pedras do meu caminho,
Como doces são as tuas castanhas,
Cozidas, assadas... ou com rosmaninho!

Naquele longínquo magusto da Eira,
O Meu Pai traçou a parte do meu Destino.
Vai-te embora! Aqui não podes ganhar a “jeira”!
Por troca de um simples copo de vinho!

Deixa ficar os cordeiros lá no Lameiro,
- Porque alguém os há-de guardar...
Tenta a tua sorte no Estrangeiro,
O teu destino, meu Filho, é Emigrar!...

Silvino Dos Santos Potêncio, in “Antologia de Autores Trasmontanos e Alto-durienses e Beira Transmontana”. 


Silvino Potêncio é de Caravelas e emigrante mirandelense no Natal – Brasil, desde 1979.
Nota: Este belo poema honra todos os trasmontanos, mais os que deixaram o seu terrão e partiram à procura duma vida melhor, erguida com mares e montanhas de sacrifícios sobre-humanos.

Jorge Lage – jorgelage@portugalmail.com –28JUL2018

Provérbios ou ditados de Agosto:
A folha do castanheiro, enquanto verde não roje.
         Cavar e estercar em Agosto, ao lavrador alegra o rosto.
         Perde-se o que se tem na mão, não se perde o que se tem no coração.

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