quinta-feira, 21 de abril de 2016

Já não se pode fazer um elogio merecido e se alguém vislumbrar uma palavra desalinhada, cai o Carmo (ruínas) e a Trindade (Cervejaria ou Igreja?)


JORGE LAGE
Ao ler uns contos de um escritor da nossa praça, atrevi-me a dizer que, por vezes, linguagem era tão rude e rural que ultrapassava o falar popular falar da nossa gente. O autor espirrou à crítica e entendi que nunca mais devia pronunciar-me sobre um livro seu. O assunto, para mim, teria morrido aí se a bolha de bílis guardada não a largasse noutros momentos. Também, quando quis defender um simples flaviense com livro publicado e retocado por um amigo. E para demonstrar que a propriedade é de quem cria e não de quem executa ou retoca, dei, como exemplo, um grande pintor do século XX, que pagava a jovens para pintarem os quadros que ele criava. Azedaram e tentaram distorcer o que escrevi e o que os meus olhos viram, explicando que nem por sombra de pensamento o texto era para denegrir ninguém e muito menos um colosso de artista que tanto admirava e me orgulhava de ser da nossa região. Noutros casos tento elogiar e realçar o sucesso deste ou daquele e há quase sempre uma palavra ou um aspecto da vida que não gostam. Lembro-me de, ao tentar recuperar a imagem de um antigo Presidente do nosso Município, o filho insultou-me do piorio, porque numa ficha técnica, para o Dicionário dos Trasmontanos Ilustres, de Barroso da Fonte, não constavam os nomes de todas as pessoas que o filho julgava importantes e que estiveram presentes no seu funeral. Sobre um ilustre académico da nossa praça, ao falar do começo da sua vida simples e dura até chegar a Professor da Universidade, pediu-me para só constar a sua vida a partir da chegada a dar aulas no ensino superior. Não aceitei e resfriamos um pouco. Nunca mais me referi ao seu currículo pessoal e profissional. As pessoas tem que perceber que as histórias de sucesso enriquecem com pinceladas de uma vida subida a pulso ou com ajudas generosas. A maldade, está na cabeça de quem lê e não de quem escreve. Diz o povo: - quem não usa, não cuida.
Jorge Lage –jorgelage@portugalmail.com – 20MAR2016

Provérbios ou ditos:

      Enxame de Abril vem para o covil e o de Março para o regaço.
      Crescem os reboleiros, morrem os castanheiros.

      Os vinhos são como os homens: com o tempo, os maus azedam e os bons apuram (Cícero).

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