terça-feira, 15 de março de 2016

Casas Transmontanas dão exemplos de solidariedade

 

BARROSO da FONTE
Decorreu no último sábado a eleição dos corpos sociais da Casa Regional dos Transmontanos e  Alto Durienses do Porto. Foi mais um pretexto para refletir os bons e os maus momentos da vida social de uma comunidade que é caraterizada pela capacidade de resistência, sobretudo durante as grandes crises políticas. Essa comunidade transporta-nos pelos tempos fora, como a saga dos novos refugiados, que deixam tudo para fugir da hecatombe. Os senhores da guerra, deliciam-se com os horrores das suas vítimas que acabam por nos chegar em imagens televisivas denunciadoras de que o planeta entrou aos trambolhões. Esse tipo de guerreiros universalizou-se e não se vislumbra antídoto para tamanha catástrofe. A comunidade Transmontana foi sempre vítima deste modelo de algozes. Apenas se manteve no seu terreno porque não tinha meios para a fuga, não teve países acolhedores, nem televisões para mostrar os seus dramas humanos.
  A comunidade Transmontana resistiu sempre à tirania dos opressores, foi esmagada com o desprezo social e político e foi-se arrastando com a fé de procissão, como dela escreveu Torga.
Alguns dos seus filhos mais ousados também sofrerem, fugindo de noite, por caminhos planálticos, íngremes e vazios de alimentação. Uns embarcaram,clandestinamente, em navios de carga, entre mercadorias, como coisa inútil. Outros extorquindo dinheiros e outros bens, a troco de serviços traiçoeiros que terminavam, quase sempre, ao primeiro sono.
O atraso social da comunidade Transmontana, à luz desta realidade humana foi evidenciada pelo Investigador Daniel Melo no artigo Aquém do Marão – O associativismo regionalista Transmontano em Portugal e na Diáspora, publicado na Revista  Sociologia, Problemas e Práticas, nº 50, 2006, pp. 67-87». Aí escreve que «originalmente, o associativismo regionalista surge no contexto de sociedade com forte componente rural e liga-se amiúde a fenómenos de migração  rural para grandes e distantes polos urbanos».
  Foi neste contexto que nasceu em Lisboa o Clube Transmontano em 1905. Em 16 de Janeiro de 1960, aquele Clube passou a chamar-se Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro. Desde aí foram criadas congéneres dessa centenária instituição no Brasil, em Luanda, Guimarães, Coimbra, Porto, Braga, Algarve e em Viana do Castelo.
A Casa do Porto nasceu em 30 de Outubro de 1984. Depois da de Lisboa, foi a do Porto que primeiramente comprou sede, na Rua de Costa Cabral. Como sócio Fundador nº 1, após a experiência da congénere de Guimarães, sabíamos quão difícil seria, passados os primeiros entusiasmos, conseguir meios para custear a renda. Chegaram a ser 2.100 aquelas e aqueles que aderiram. Hoje apenas cerca de 200 pagam quotas....Por ali desfilaram muitos e importantes eventos culturais, comerciais e de  índole turística. Alguns dos mais badalados eventos promocionais, como as feiras do Fumeiro em Montalegre, do Azeite e do Mel nos concelhos da Terra Quente, do Folar em Valpaços, do Vinho de Murça, etc. foram  apresentados aos audiovisuais nesse espaço associativo. Por ali passou em parceria com as restantes casas regionais a organização do III Congresso Transmontano (em Bragança, em 2002). Ali se teve a ideia e se formalizou a Federação das Casas Regionais, de tal maneira que o seu primeiro Presidente, fez questão de presidir à abertura e fecho desse acontecimento que a Câmara de Bragança, mais o seu Presidente Jorge Nunes, heroicamente, concretizaram.
 Nunca tanta gente, ao mesmo tempo e por tantos dias seguidos, esteve concentrada em torno da mesma causa, desde políticos a representantes das mais  importantes e diversificas instituições públicas e privadas. Dessa importância e das conclusões do III Congresso, escreveu quem mais, ao congresso deu: o Engº Jorge Nunes, o então Presidente da Câmara. Esse relato saiu a público na edição de 14 de Fevereiro ultimo (2016) do Jornal Nordeste. Três paginas que dão um exemplo claro, objetivo e isento, sendo que não refere mágoas que alguém lhe causou, injustamente, podendo, enquanto está vivo, acusar quem tudo fez para o ofuscar. Quem ler esse relato recordará que uma das conclusões foi repetir o Congresso de 5 em 5 anos. Já passaram treze. E nada, nem sequer mais se falou da Federação das Casas Transmontanas...
Retomo o fio da notícia sobre a posse dos órgãos Sociais da Casa do Porto.  Francisco Diogo Fernandes e Barroso da Fonte, continuam a presidir  à Assembleia Geral e Conselho Fiscal. A nova direção passou a ter: António Moreno, João Moura, Noémia Gonçalves, Francisco Aguiar, Urbano Azevedo, Agostinho Rafael, Mário Lage, Agostinho Barrias, Fernando Alves, Joaquim Morais e José Lhano. O ex-Presidente da Direção que completou dez anos (cinco mandatos) transitou para vice-Presidente da AG. A posse vai ser conferida dia 30 do corrente, após um almoço na Sede social com todos os ex-presidentes da Direção  vivos.
                                                                                             Barroso da Fonte

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