terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O Programa Nacional de Barragens a Norte – Jorge Lage


Jorge Lage
O Programa Nacional de Barragens a Norte – O Programa Nacional de Barragens prevê a construção de quatro novas barragens na bacia hidrográfica do rio Tâmega. Já existe a «Barragem do Torrão», junto à foz do Tâmega e que ancora até Amarante. A «Barragem do Fridão» junto a Amarante já está aprovada e vai submergir toda a zona ripícola, com imensa biodiversidade, até próximo de Ribeira de Pena. A «Barragem de Daivões» já em construção e que vai engolir as Terras Ribeirinhas de Pena. A «Barragem de Gouvães» da Montanha do Alvão e que vai alagar paisagens únicas de serrania e, paralelamente vão desviar o rio Olo, que estava previsto ser conduzido, em alguns troços, em estacas de cimento e agora passou para vala, cortando o acesso a grande parte do habitat a alguns animais e ao homem dificultando-lhe a passagem. Entre Ribeira de Pena e o Vidago vai surgir mais um mostrengo de betão que afoga grande parte da biodiversidade nesta zona e se vai fazer sentir até à cidade de Chaves. Foi suspensa ou cancelada, para já, a «Barragem de Padroselos», sobre o rio Beça, no concelho de Boticas. Se 50% da riqueza gerada por todas as barragens hídricas e e pelas torres eólicas fosse obrigada a ser aplicada no desenvolvimento da nossa região, decididamente seríamos das zonas mais atractivas de Portugal. É urgente criar um movimento autónomo que se bata pelo desenvolvimento da nossa região. Os nossos políticos locais acaçapam-se ou aparram-se em demasia ao triturador poder central. Ainda me recordo, quando José Sócrates visitou a barragem da Foz do Tua e disse para o Presidente da EDP que o que ali «era preciso era betão». Veio-me, então, à memória o que ouvi num café para os lados de Alcochete: eurão, nota viva em envelopão, em mão, do Smith(ão). Em vez de betão, «emparedão» e ver-nos-íamos livres de alguns «génios da política» que nos emparedaram num muro de miséria e se enroscam na toca ou regougam para confundir. Desculpem o surrealismo, mas a barragem do Tua é um grande espinho na minha alma e afoga parte da minha vida.


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