terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Televisão pública anda pelas ruas da amargura

                                     

Barroso da Fonte
Dia 2 de Dezembro foi inaugurado um complexo hospitalar no concelho de Vila do Conde que poderia ter contribuído para reconfortar, sobretudo, o angustiado norte do país, em termos de saúde pública. Esse conjunto de 8 edifícios autónomos tem capacidade para 549 camas, oferecendo serviços médicos ao nível dos padrões mais avançados nas áreas da pediatria, geriatria, neurologia e psiquiatria. Vai garantir emprego estável para 865 pessoas que foram recrutadas em conformidade com as técnicas concursais, privilegiando candidaturas dos vizinhos concelhos de Vila do Conde e de Póvoa de Varzim. Neste substancial número de empregos contam-se: 14 directores, 16 chefes de serviço, 136 médicos e farmacêuticos e 227 enfermeiros e técnicos de enfermagem, o que soma 393   empregos de pessoal qualificado. Os restantes 472 serão seleccionados de entre candidatos que possuam, no mínimo, o 12º ano de escolaridade. Todo o pessoal destinado a este empreendimento pioneiro em Portugal foi e/ou está a ser seleccionado com uma antecedência mínima de três meses em relação à data de início da actividade e receberá apoio de entidades formadoras especializadas. Os quadros médios e superiores terão que receber conhecimentos na área da gestão; todos os colaboradores recebem formação comportamental; e, haverá formação técnica especializada, para as funções que cada um venha a desempenhar. Este investimento implica 95 milhões de euros e, numa altura de crise profunda e generalizada, com um desnorte político, social e cultural, como nunca se terá vivido, à escala global, só um empresário genial, excêntrico no melhor sentido do termo e desprendido de interesses terrenos e das vaidades humanas seria capaz de assumir.
Há cerca de seis anos, na qualidade de jornalista, fui convidado para o lançamento da primeira pedra deste mesmo empreendimento. Muitos dos que ali fomos para ver e ouvir, esse empresário e alguns técnicos que confirmavam as palavras do pioneiro, pudemos ver na freguesia de Touguinhó, junto à auto-estrada Famalicão-Vila do Conde - Póvoa de Varzim, uma enorme planura com uma pequena elevação ao centro, sobressaindo meia dúzia de pequenas árvores e uma nascente de água que mais parecia um milagre do Senhor do Bonfim, para regar todo aquele terreno que daria para fazer dois estádios de futebol. Alguns de nós torcemos o nariz ao ouvir que iriam ali ser construídos 8 edifícios autónomos, em dois corpos: um hospital Geral – com o Bloco operatório e um Centro Neurológico, mais uma unidade residencial, uma unidade de serviços de ambulatório que oferecerá serviços de consulta em todas as especialidades médicas. E ainda mais quatro unidades autónomas: capela, cozinhas centrais, restaurante, armazéns gerais, farmácia, portaria e recepção. A área total de construção é superior a 45 mil m2. Seis anos depois, os jornalistas que lá haviam estado e outros que estiveram dia 2 de Dezembro, puderam acreditar, como Tomé. E esta boa notícia deveria ser levada longe, bem longe, para que as gentes da Lusofonia, da Diáspora ou daquele que foi o Império Português, saibam que - apesar de estarmos quase no charco social, cultural e, sobretudo, político, ainda há HOMENS da estirpe de Afonso Henriques, de Nuno Álvares Pereira, de Vasco da Gama, de Fernão de Magalhães, de Camões e de Pessoa. Esses que levaram longe a Língua Portuguesa, a Bandeira e a Civilização, deixaram por lá os vestígios da Raça que falam por si através da Língua que nos tornou lusófonos.
 Por cá ainda há alguns Portugueses de fibra e dessa Raça. Manuel Agonia é um desses bravos heróis que fez a ligação entre o Séculos XX e XXI. Entre 1918 e 2004 tivemos António Champalimaud que foi o abano de família de muitos lares portugueses. Ainda hoje a Fundação que tem o seu nome é um exemplo mundial. Manuel Agonia tem vindo a ser o Champalimaud dos nossos tempos. Depois da rede de unidades de saúde conhecidas pelo nome de Clipóvoa que foram utilíssimas e modelares, para o centro e norte do país, ressurge, agora, com este complexo que as Gentes do interior do país, devem  conhecer nas suas valências médicas.
 O intuito dos diversos canais televisivos, mormente da estação pública, deveria consistir na pedagogia deste tipo de pessoas e de projectos. Muita gente estava à espera que a RTP mostrasse aos ricos e aos pobres esse empreendimento que a todos irá ser útil. Afinal o que mostrou a RTP nesse dia? O primeiro ministro a falar mais do mesmo e uma centena de agitadores profissionais a protestar contra o novo serviço de saúde. Não mostrou  e nada disse desse complexo hospitalar. Lamentavelmente os jornais regionais que o povo lia e guardava, emudeceram. Os diários falam dos políticos e dos famosos. Só aquilo que as televisões mostram é notícia. Primam elas por mostrar repetidas vezes as mesmas pessoas, os mesmos assuntos, o futebol e as telenovelas que tão maus exemplos levam a casa de cada um. A televisão pública que todos continuamos a pagar nas facturas da luz é o pior canal informativo. Só mostra o que não deve: desgraças, má língua, comentadores políticos, insultando-se uns aos outros, entrevistas recíprocas, um forrobodó que nos revolta em vez de nos libertar e distrair. Pobre povo...
                                                                                                Barroso da Fonte

                   

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