quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O Natal e o joio de 2004


O acontecimento nacional deste Natal, foi o anúncio da demissão do então Primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes. À época o Presidente da República, Jorge Sampaio, a três dias do Natal, assinava o decreto de dissolução do parlamento e convocava eleições antecipadas. O Governo de então, note-se bem, era legitimo, e não havia razão consubstanciada para que fosse demitido. Contudo, o Presidente Jorge Sampaio justificava o motivo apenas pela “falta de credibilidade”do Governo de Santana Lopes, não a explicando, nem referindo que tipo de causas justificavam essa “falta de credibilidade". À época, Jorge Sampaio estava à vontade para tomar essa decisão. A comunicação social, onde sempre predominaram as opiniões de uma certa burguesia urbana (de “esquerda”), demolia a figura do então Primeiro-ministro. E a opinião de alguns energumenos e invejosos da sua área política, era vastamente difundida nos órgãos da comunicação social. O próprio Presidente da República estaria interessado numa governação do partido Socialista, do qual foi sempre partidário e associado.
Santana Lopes, com elevada conduta discordou profundamente da decisão, como muitos portugueses decentes. Preparado para as eleições, sabendo que as iria perder (pois estava o Mundo contra ele), Pedro Santana Lopes apelava aos dirigentes do PSD e do CDS para manterem “elevação no debate político” e pedia aos militantes para manterem a serenidade.
No meio desta patifaria o Banco de Portugal vendia 20 toneladas (!) das reservas nacionais de ouro. Entre 1999 e 2004, Portugal tinha-se desfeito de 125 toneladas de ouro!
A imprensa (o jornal Expresso, diga-se), manipulada pelos do costume, à época apontava em sondagem, que 43% dos portugueses consideravam que o agente político responsável pela crise económica, era Santana Lopes! Só os broncos iriam nesta cantiga. Mas o que é um facto, é que foram os broncos que venceram nesse tempo. Santana Lopes esteve no poder oito meses. Como era possível ser o responsável se de 1999 a 2004 se venderam 125 toneladas de ouro da reserva nacional?
Nessa altura Ricardo Salgado fazia manchetes nos jornais, dando-se ao luxo de não comparecer a uma reunião com o Ministro Saúde. E Mário  Soares no discurso dos 80 anos dizia: “... é preciso um acto de contrição para separarmos o trigo do joio”.


O facto que a História irá julgar, é o joio que estes cavalheiros elegeram em 2005: José Sócrates e a tralha que o acompanhou, como por exemplo, Maria de Lurdes Rodrigues. 
Santana Lopes, hoje é o que é, e o joio também.



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