sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Onde é que tu estavas no tempo de José Sócrates?



José Miguel Tavares - Público

Não percebo como é que as mesmas pessoas que hoje têm tantas certezas sobre o futuro do Brasil tinham tão poucas certezas sobre o Portugal de 2009.

À boleia de Herman José, Baptista-Bastos ficou famoso pela pergunta “ouve lá, onde é que tu estavas no 25 de Abril?”. A bem da salubridade do regime e da decência política, há uma outra pergunta que urge ser transformada em pregão popular: “Ouve lá, onde é que tu estavas no tempo de José Sócrates?” Graças às eleições brasileiras e à quantidade espectacular de portugueses que se assumiram como defensores apaixonados da democracia, acusando todas as pessoas que se recusaram a escolher entre Haddad e Bolsonaro de cúmplices do fascismo, dei por mim a perguntar aos meus botões onde é que estava esta gente tão fogosa, clarividente e ciosa das instituições entre 2005 e 2011, quando um primeiro-ministro se dedicava todos os dias a dinamitar os alicerces do regime democrático português.
Eu até fui daqueles que confrontado com a hipótese académica de escolher entre Haddad e Bolsonaro admitiu votar Haddad, mas não me passaria pela cabeça passar atestados de menoridade democrática a quem se recusou a optar entre o delfim de Lula da Silva e um confesso admirador da ditadura brasileira. 
A opção estava muito longe de ser evidente, mas sendo ela tão evidente para tantos portugueses, eu não percebo como é que as mesmas pessoas que hoje têm tantas certezas sobre o futuro do Brasil tinham tão poucas certezas sobre o Portugal de 2009, quando José Sócrates tinha acabado de exterminar o espaço noticioso mais influente do país, estava a tentar comprar o canal de televisão mais visto de Portugal, tinha sob o seu controlo a CGD e o BCP (do BES ainda não se sabia a missa a metade), fazia o que queria na PT, era acusado de corrupção no caso Freeport, tinha atrás de si um rasto infindável de suspeitas nunca justificadas, perseguia professores por causa de anedotas, processava jornalistas por dá cá aquela palha, tinha os serviços secretos na mão, namorava Hugo Chávez e Khadafi, espalhava insultos e grosserias através de blogues amigos e ministros desbocados (hoje grandes referências institucionais da nação), manipulava informações via Câmara Corporativa, controlava a ERC de forma obscena, colocava o arquivador-mor na Procuradoria-Geral da República, e por aí fora.
Espantosamente, os escanções da democracia daquela altura degustavam tudo isto e não lhes sabia a azedo. Ataques ao Estado de Direito em Portugal? Violência sobre as instituições? Tentativa de controlo dos meios de comunicação social? No pasa nada! David Dinis escreveu no jornal online Eco um texto onde criticava as colunas de opinião do Observador, não por apoiarem directamente Bolsonaro (não apoiaram), mas por o “justificarem” e o “normalizarem”. Só que eu sei onde estavam José Manuel Fernandes e Rui Ramos no tempo de Sócrates – estavam do lado justo da barricada, a defender a democracia portuguesa. No PÚBLICO, Francisco Assis acusava ontem a direita nacional de se deixar “encantar pelos cantos de sereia” do extremismo. Mas eu sei onde estava Assis no tempo de Sócrates – estava a defendê-lo no Parlamento, como líder da bancada do PS.
Digam cobras e lagartos de Bolsonaro, que eu junto-me já ao coro. Mas todos aqueles que em 2009 colocaram uma cruzinha no PS, tenham, ao menos, algum pudor em atirar-se aos que agora decidiram não escolher entre Bolsonaro e o PT. Preocuparmo-nos apenas com a qualidade dos regimes políticos abaixo do Equador não é ser democrata – é ser turista da democracia. Um campo em que a esquerda portuguesa mais parece a Agência Abreu.
Jornalista

O Povo é fascista




55% dos eleitores brasileiros optaram e votaram pelo “fascismo”, no pobre e primitivo entender da esquerda radical. O líder-sombra do BE, na televisão, ainda insinuou que os votantes em Bolsonaro eram a classe média e daí para cima! É extraordinário como mentes brilhantes se enganam a si mesmas tão facilmente! É extraordinário como o sectarismo pode cegar mais do que a real doença da cegueira! A esquerda, não só radical, não percebe nada

Michele Bolsonaro até pode ajudar



Por: Costa Pereira Portugal, minha terra

Já disse e repito que não sou favorável ver os nossos políticos intervir contra ou a favor dos seus similares de países amigos de Portugal ou dos portugueses. Caso por exemplo dos países de expressão portuguesa. Quando se não tem bem para dizer, o melhor é não se dizer nada. Claro que isto não se aplica no caso de estar em jogo interesses nacionais ou atentados aos direitos humanos, bem como contra a liberdade de pensamento. Mas aqui só com provas demonstradas e confirmadas, como realidade incontestada.
Não é o que aconteceu em relação a Jair Bolsonaro, e que fez mobilizar figuras destacadas do PS para ir fazer campanha desfavorável contra o agora eleito Presidente da Republica Brasileira. O eurodeputado socialista Francisco Assis, assim o deu a entender, mostrando-se muito triste com a vitória de quem ganhou. Temos que saber comportarmo-nos como cidadãos honestos, responsáveis e coerentes. Por isso li com agrado um comentário, onde alguém da ala esquerda comentava perceber e aceitar as felicitações que Marcelo Rebelo de Sousa endossou àquele que no dia 1 Janeiro de 2019 tomará posse como presidente do Brasil, mas mostrou certa surpresa que António Costa se atrevesse a fazer o mesmo.
O fingimento nos políticos são uma constante. De seu nome completo Jair Messias Bolsonado, este cidadão brasileiro nasceu a 1 de Março de 1955, em Glicénio-São Paulo. Militar, aposentado, com o posto de capitão da Arma de Artilharia, serviu o Exército do Brasil desde 1977-1988. Altura em que entrou na política ativa, onde entrou como vereador e depois deputado federal pelo Rio de Janeiro. Casado e divorciado, tem 5 filhos. Diz-se católico, apostólico, romano, e tem a Bíblia como livro de preferência. Se bem a interpretar temos nele um excelente PR. Oxalá não desfralde as intenções de quem nele votou confiante no bom caminho que os brasileiros desejam e o Brasil tem condições de dar e exportar … E nisto a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, até pode ajudar.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Formação ou propaganda?




Paulo Guinote – publico

A “formação” de professores confunde-se hoje com uma variante de comício, com direito a discursos sem contraditório e aclamação de pé.


Ao longo dos últimos 15 anos, por entre as numerosas queixas feitas em relação ao desinvestimento em algumas áreas da Educação Não-Superior, uma das menos publicitadas, embora muito comentada em debates da especialidade, é a relacionada com a “Formação Contínua” dos educadores e professores. Depois de um período em que os apoios comunitários permitiram o seu florescimento (anos 90 do século XX) a um ponto que levantou reservas sobre a qualidade de parte da oferta disponível, sucedeu-se um período de “racionalização” que se traduziu na redução das verbas para os formadores e numa reconfiguração da rede de Centros de Formação, que antes tinha uma base local ou mesmo municipal mas que se foi “racionalizando” até a generalidade dos Centros servir, fora dos grandes centros urbanos, as escolas e agrupamentos de pelo menos dois concelhos.
Com óbvias e admiráveis excepções, a par de novas práticas formativas de excelente qualidade, cristalizaram-se muitas rotinas de outrora. Ou, mais grave, a oferta formativa de muitos Centros ficou dependente das modas e humores dos decisores políticos, perdendo autonomia e cedendo a estratégias passageiras, com escassa coerência a médio prazo. Tivemos, a esse respeito, diversas derivas em que a “formação” se começou a transformar em outra coisa. Quem não se lembra da febre da formação em quadros interactivos ou em supervisão pedagógica (que está de volta)?
Em simultâneo, com a revisão do Estatuto da Carreira Docente, foi eliminada a possibilidade de os docentes faltarem às actividades lectivas para participarem em iniciativas fora das formações “oficiais”, nomeadamente em congressos, colóquios ou seminários relacionados com a sua actualização nas áreas científicas de origem. Foi ridículo acompanhar muita retórica sobre a necessidade de “aprendizagem ao longo da vida” enquanto se retirava essa possibilidade aos próprios professores. Enquanto no Ensino Superior boa parte da avaliação dos docentes passa pela prática da investigação, da produção científica, da participação em eventos de intercâmbio de conhecimentos nas suas áreas de formação inicial e de docência, no Ensino Básico e Secundário instalou-se um modelo assente na mera replicação da ideologia dominante e em formações de tipo doutrinário.
O relativo desinteresse em relação à Formação Contínua por parte de muitos professores neste período resultou do facto de, durante cerca de uma década de congelamento da progressão na carreira docente, a realização de acções de formação não ter qualquer impacto concreto na sua vida profissional. Perante uma avalanche de sucessivas macro e micro-reformas nas mais variadas áreas (do currículo à gestão escolar, das regras da avaliação aos apoios para os alunos com problemas de aprendizagem), a maioria dos docentes concentrou quase todo o seu esforço em simplesmente sobreviver perante sucessivas vagas de um discurso político e mediático hostil e que, de forma soez, os acusava de falta de “mérito”.
Os anos da austeridade, associados à estagnação da carreira e à manutenção de regras restritivas que deixam às direcções o poder arbitrário para aceitarem ou não as faltas dos docentes para participar em formações durante o período lectivo, foram demolidores nesta matéria.
Com a nova situação política, anunciada como de reversão e repetindo o refrão da “valorização” da classe docente, seria de esperar uma inflexão. Que aconteceu, é verdade, mas no sentido de transformar quase toda a formação em momentos de propaganda em torno das crenças pessoais de uma clique político-académica. E passou a existir uma vaga de “formações” (ou algo apresentado como tal) em que avulta a presença de um governante ou de um dos seus emissários mais próximos em digressão pelo país a espalhar a palavra dos novos decretos (mesmo antes da sua aprovação). Sendo que nem existe a liberdade de escolha acerca da frequência, porque surgem em forma de convocatória de presença obrigatória, por vezes extensiva a parte dos alunos.
A “formação” passou a confundir-se com uma variante de comício, com direito a discursos sem contraditório e aclamação de pé, a menos que se aspire ao index local. A par da proletarização docente, aposta-se numa desqualificação profissional, desprezando-se a actualização dos conhecimentos científicos, de acordo com uma ideologia que volta a promover um pretenso saber “holístico” em construção. Associada à ruptura geracional que já se verifica no recrutamento docente, esta opção terá graves efeitos a médio prazo. Porque, ao contrário de certos chavões simplistas, só pode ensinar quem sabe.

Professor do 2.º ciclo do Ensino Básico


Comentários:

1 - Se a realização de acções de formação não teve qualquer impacto concreto na sua (deles) vida profissional, só podia ter acontecido por falta de qualidade dessa formação. Ou tirou alguma formação que não tenha melhorado a sua preparação para sua vida pessoal ou profissional, apesar da qualidade? Ah! Está falar das progressões na carreira, que só não eram automáticas porque exigiam o cumprimento de algumas formalidades...
E as formações de curta duração que apenas servem o lobby das editoras? Que impacto visível tem a formação contínua na prática pedagógica quando, muitas vezes, nem os pares sabem que foi feita? Valorização profissional de cada um/a, é certo, mas que, não sendo partilhada e, muitas vezes, não aplicada, de nada serve para o bem comum. Além disso, a formação contínua ao nível científico-pedagógico pura e simplesmente não existe. O que atualmente existe é o que refere Paulo Guinote: lavagem ao cérebro com as modas ministeriais! E os Centros de Formação têm de alterar os seus objetivos, deixando de se guiarem por modas!
A formação em Portugal é uma farsa, mais uma, independentemente da área. Queres aprender ao longo da vida? Acho muito bem. Sê autodidacta, estuda por ti, aplica-te todos os dias naquilo que queres aprender, ou inscreve-te e frequenta um curso a sério. Formações só servem para pôr no curriculum uns "diplomas" ocos.

2 – Como há muito vinha dizendo o ministro da economia de Passos Coelho, Álvaro Santos Pereira, para que o país crescesse era necessário fazer-se formação, e não pseudo-formação.

Concentração de professores, amanhã, na Assembleia da República


Concentração 
Próxima sexta-feira 
2 de novembro de 2018 - 15 horas  Lisboa - Assembleia da República

Os professores têm a falta justificada da parte da tarde com a Lei Sindical - Plenário das 15h às 18h, e obviamente, que o tempo de deslocação até Lisboa também  - Como é uma falta previsível, caso tenham aulas de tarde e queiram participar, devem avisar o diretor(a) e serviços por escrito, utilizando o email ou através da entrega de informação escrita na secretaria e guardar cópia carimbada da entrega, dizendo que vais faltar ao abrigo da Lei Sindical. Em Lisboa, receberão a declaração para justificar a ausência.
 O Governo e o Ministério da Educação pretendem apagar 6 anos e 7 meses do trabalho docente!
  Não se  tolerará esta discriminação e utilizar-se-ão TODOS os recursos  para repor justiça.  

Na próxima sexta-feira, dia 2 de novembro, pelas 15 horas, inicia-se a apreciação do Orçamento de Estado na especialidade com a presença do Ministro da Educação.

O SIPE juntamente com todas as organizações sindicais de docentes estará em frente à Assembleia da República.    

OE 2019: que formosa aparência tem a falsidade!



SANTANA CASTILHO - Público

Nenhum dos principais problemas da Educação encontra resposta neste orçamento, que se limita à gestão corrente do que existe.


O título deste escrito cita Shakespeare. A formosa aparência dos 0,2% de défice é vista como uma falsidade pela Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), que descobriu discrepâncias entre vários documentos referentes ao OE 2019. A mais citada resulta de haver uma diferença de 590 milhões de euros entre a proposta de lei e o relatório, o que originaria um défice de 0,5% em vez de 0,2%. A explicação radica na circunstância de os orçamentos serem sempre exercícios previsionais. Centeno pede ao Parlamento, na proposta de lei, autorização para gastar mais 590 milhões. Mas considera-os, no relatório, cativos sobre consumos intermédios. Para ele, o que importa é o 0,2% de défice. Se as receitas crescerem para além do previsto, talvez os gaste. Se não, não gasta. Mas, aprovada a proposta, já tem a despesa autorizada, porque não gosta de orçamentos rectificativos e não quer falhar os 0,2%. É por isso, e para entreter os parceiros da “geringonça”, que dá uma formosa aparência à falsidade orçamental. É assim que funciona a ditadura financeira de Centeno, visceralmente incompatível com qualquer necessidade social que ameace o défice. O OE 2019 apresenta-se, assim, apenas positivo para as finanças, inibidor para a economia e politicamente negativo.
As chamadas despesas excepcionais representam mais de 10 mil milhões de euros, de que não resultam quaisquer benefícios para o cidadão comum. Outrossim, vão directos para os grandes grupos financeiros e económicos. Aí estão inscritos 1750 milhões para os bancos, 4000 milhões para as participações de capital, 1200 milhões para a Parpública e 1518 milhões relativos a rendas de parcerias público-privadas rodoviárias, quando a UE (Eurostat) estimou que o seu valor actualizado não devia ser superior a 337 milhões.
Com a realidade a definir mais tarde, as aparências do OE 2019 são suficientes para perceber o papel da Educação nas prioridades de Costa e Centeno, que o Governo conta pouco e o ministro da Educação vale zero. Como referi antes, um orçamento é sempre um exercício previsional, cujo rigor só é sindicável quando, mais tarde, for cruzado com a respectiva execução. Assim, se a verba prevista para o ensino não superior cresce 248 milhões de euros quando comparada com a inicialmente prevista no orçamento anterior, já quando a comparamos com o que efectivamente se prevê gastar em 2018, o crescimento reduz-se a 82 milhões, isto é, três vezes menos. Se passarmos de valores absolutos para indicadores relativos, salta à vista que o OE 2019 coloca o peso da Educação a evoluir abaixo do que o crescimento económico permitiria. Com efeito, em percentagem do PIB, esse peso vai valer 3,10% em 2019, quando valia 3,14% em 2015, 3,72% em 2011 ou 5,1% em 2002.
Nenhum dos principais problemas da Educação encontra resposta neste orçamento, que se limita à gestão corrente do que existe, que não à consideração do que era preciso mudar. Particularmente grave e incompreensível, face ao já assumido, é a intenção de diminuir 4% dos gastos com recursos humanos.
No ensino superior, se o normativo que regula a atribuição das bolsas de estudo aos estudantes não for alterado, a descida de 212 euros no valor máximo da propina não passa de uma ideia demagógica e perversa. Com efeito, as bolsas estão condicionadas actualmente a um rendimento anual per capita igual ou inferior a 7930,40 euros. Esse valor resulta da soma do valor máximo da propina (1068 euros) ao produto por 16 do valor do Indexante de Apoio Social (428,90 euros). Se baixar a propina como previsto, o rendimento per capita subsidiável passa para 7718,40 euros e muitos estudantes, com bolsa hoje, não a terão amanhã. Entretanto, todos os ricos pagarão menos 212 euros, num país que apresenta uma taxa de 23,3% de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social.
Um argumento sólido de oposição ao que acabo de afirmar é dizer que os serviços públicos, se não puderem ser gratuitos, devem ter o mesmo preço para todos, já que a redistribuição da riqueza e a justiça social são feitas pela natureza progressiva dos impostos. Mas só me parece inteiramente válido este argumento se a receita fiscal recolhida pelos impostos for suficiente para fazer face ao custo de todos os serviços públicos para todos os portugueses.
A medida representará 50 milhões de euros e aplicar-se-á a 200 mil estudantes. Não seria socialmente mais adequado melhorar as bolsas de estudo aos 50 mil que delas carecem, particularmente aos mais pobres e aos deslocados? Ou investir o dinheiro na construção de residências? Ou, eventualmente, isentar de propinas os que estudam nos politécnicos do verdadeiro interior?
Portugal continua a não ver definidas estratégias e prioridades para o seu desenvolvimento económico, permanecendo no espectro sombrio das políticas financeiras restritivas e empobrecedoras da sua população, agindo sob o peso de fenómenos e de ocorrências que não controla. As medidas que vão sendo tomadas surgem sem a garantia de que são as mais adequadas, porque não se estudam e discutem racionalmente alternativas possíveis. António Costa age sob a força das circunstâncias, pressionado, desarticulado e revelando um elevado grau de incerteza quanto à amplitude e profundidade das medidas que o Governo decide.
A economia portuguesa tem características negativas evidentes: défice crónico, dívida pública elevada, baixos salários, alto desemprego jovem e reduzida produtividade, quando comparada com a dos países com os quais competimos. Com efeito, o celebrado crescimento do emprego em percentagem superior ao crescimento do PIB, sendo intrinsecamente positivo, mostra, por outro lado, uma redução da produtividade (trabalho extensivo versus acréscimo de valor ao que fazemos e vendemos). E, do mesmo passo que o discurso oficial incensa os nossos indicadores de crescimento, omite que 20 dos 28 países da UE crescem mais que nós e que a maioria dos portugueses deixou de poder comprar casas nas suas próprias cidades mais importantes.
No que toca à Educação, as teorias sobre o funcionamento do mercado têm capturado as teorias sobre o funcionamento da Educação, substituindo os interesses da Pedagogia pelos interesses do dinheiro e da economia que o serve. A ideia de uma Educação competitiva, tendo a competitividade dos mercados por modelo, está cada vez mais presente, assim como a ideia segundo a qual a escola deve ser um instrumento de formação de “capital humano”, útil à economia global.
Centenas de edifícios junto ao mar vão ser demolidos. Autarcas pedem reunião ao Governo
A incontornável economia de mercado vai-nos, assim, paulatinamente transformando numa sociedade de mercado, isto é, numa sociedade rendida ao valor implacável do dinheiro, em que tudo se compra e tudo se vende, cada vez mais insensível a valores sociais e à solidariedade entre gerações.

PS: Que formosa aparência de Estado tem a falsidade de felicitar o presidente eleito do Brasil, um fascista declarado que chega ao Planalto cavalgando o ódio e a ignorância, prometendo discriminar os brasileiros pela orientação sexual, pela cor e pela classe social de origem.

Professor do ensino superior

"Portugal devia ter vergonha de não ser um país de topo mundial"

Sem comentários! Sobre as afirmações de Steen Jakobsen, e sobre a atitude fascista de um meio de comunicação que devia pugnar pela democracia e pelo pensamento independente de HOMENS LIVRES!


OBSERVADOR.PT
País teve "conjugação sortuda de fatores" para economia crescer o que cresceu. Mas foi pouco – e o governo "reclama louros" p...
caution-traingle
Esta publicação desrespeita os nossos Padrões da Comunidade, pelo que só tu a podes ver.

A grande balbúrdia, a que chamam inclusão


no Público
3 de Outubro de 2018

por Santana Castilho

No início deste ano lectivo, ecoam os violinos líricos da inclusão, das metodologias diferenciadas e da flexibilidade a galope. Porém, para a geração dos “professores do século XIX”, sarcasticamente ferrados de “mortos” pelo iminente pedagogo da Escola da Ponte, tudo fede a coisa já vista (área-escola, área de projecto, gestão flexível do currículo e projectos curriculares de turma) e falhada. As aulas expositivas, proscritas pela modernidade bacoca de João Costa e dos seus prosélitos, estão longe de ser recurso único da geração mais velha dos professores portugueses. Quem guarde memória de tempos menos frenéticos, viu-os sempre empenhados em actividades transdisciplinares, mobilizadoras de saberes diversos e geradoras de inovação. Fossem eles simplesmente “passadistas”, como se teria chegado à era digital? Quem os pretende domesticar hoje com algoritmos pedagógicos toscos e absurdas flexibilidades, deveria considerar esta perspectiva. 

Das festividades fátuas actuais sobressai um excelente diploma sobre educação inclusiva. O que o atrapalha é a realidade: as escolas que temos, os meios que não temos e os alunos que existem com necessidades educativas especiais (assim continuarei a designá-las). Dito de outro modo, se o modelo tivesse sido pensado a partir das realidades, que não de abstracções e de teorias diletantes, teríamos melhorado o que existia. Assim, retrocedemos. Embora habituados, custa. 

Ter todos dentro da escola é um excelente princípio, que nenhum civilizado contesta. Mas os demagogos iludem, em nome do populismo pedagógico, a necessidade de dotar a escola dos meios, humanos e materiais, para que ela seja uma via de inclusão. E mais que isso (ou pelo menos a par disso), a dura realidade da vida impõe que reconheçamos que uma escola igual para todos é uma abstracção utópica, inconciliável com a circunstância de termos muitos, à entrada, que nunca poderão ser iguais aos outros, lá dentro. Trabalhar a diversidade supõe, numa escola forçosamente orientada para as massas, sair, em situações extremas, dos ambientes de homogeneidade, voltando a eles quando seriamente for viável. Isso é perseguir a integração possível. Outra via, qual seja a de fingir que determinados alunos podem dar respostas que sabemos que nunca poderão dar, pedindo do mesmo passo aos restantes que fiquem parados, é (afirmação politicamente incorrecta) promover a exclusão dupla. 

Ou a inclusão é pensada a partir das realidades dos alunos, ou a inclusão é pensada a partir do discurso dos teóricos. No primeiro caso, cabe à escola descobrir soluções. No segundo basta-lhe aceitar imposições. Difere o grau de responsabilidade política quando o que se faz é por ignorância ou por consciente demagogia. Mas a consequência para os que nasceram diferentes é a mesma: ficam para trás, em nome de uma falsa inclusão. 

Recentemente, foi tornado público o caso de um aluno do 10º ano, com problemas do foro físico e psíquico, que originam dificuldades severas de aprendizagem. Este aluno, no contexto anterior, estava a tempo inteiro numa sala de actividades consideradas adequadas ao seu quadro, na sede do agrupamento a que pertence, acompanhado por uma equipa de Educação Especial (terminologia agora proscrita) e só era integrado na turma correspondente nas aulas de Educação Física. O que mudou para ele este ano e até ao momento? Foi “integrado” na turma “normal” do 10º ano da escola secundária respectiva, onde o confrontam com disciplinas que nunca teve, nada lhe dizem, nem podem dizer. O apoio pedagógico é-lhe agora dado por um professor de Educação Inclusiva (terminologia do século XXI) que, por mais competente e esforçado que seja, não pode contar com o vínculo relacional e afectivo, extremamente crítico nestes casos, que já ligava a anterior equipa a este jovem. Deixou de frequentar as anteriores sessões de equitação terapêutica, determinantes para o seu equilíbrio psíquico. O aluno está revoltado, chora e começou a recusar a escola. Eu, do século passado, compreendo-o bem. Mas os normativos modernos dizem que é por aqui que vamos. 

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

As mais lidas do mês de Outubro



Posts
Entry
Pageviews
Oct 29, 2018, 3 comments
1467
Oct 20, 2018
1001
Oct 18, 2018
969
Oct 21, 2018
867
Oct 13, 2018, 2 comments
810
Feb 20, 2015
403
Oct 7, 2018, 6 comments
335
Oct 5, 2018
291
Oct 12, 2018
211
Oct 9, 2018
188
Pages