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segunda-feira, 3 de setembro de 2018
Oração a Nossa Senhora do Amparo, Padroeira de Mirandela
![]() |
| JORGE LAGE |
Quem diz que
os mirandelenses não ajudam ao desenvolvimento de Mirandela? Um grupo de
turistas lusos, amigos do Coronel Jorge Golias, faz, anualmente, visitas
demoradas a Mirandela. Entre eles está o distinto General Bento Soares, de
Meimoa – Penamacor, onde abundam por lá os Santuários Marianos (Sra. do
Almurtão – Idanha, Sra. da Póvoa - Penamacor e Sra. da Pena, entre outros).
Estas são algumas das Nossas Senhoras Raianas e que ajudaram a derrotar as
tropas de Mafoma e as Castelhanas. As guerras já lá vão, agora a guerra é de
alguma gente de pensamento único que aposta em destruir a família e rasgar a
nossa História. As férias já aí estão e as «Festas da Cidade» também e vão
atrair turistas e romeiros. Bendita Terra que os nossos antepassados nos
deixaram. Ouçamos quem nos visita e ainda tem tempo para criar o belo
poema/oração: POR TERRAS DO TUA
Cheguei à beira do Tua
Onde se reflecte a lua
Nesta noite de encantar.
Um outro reflexo eu vejo,
- Sempre que te dou um beijo -
No brilho do teu olhar.
E a nossa companheira,
Como fez a lavadeira,
Do rio se apoderou:
Com um tal calor ardente
Vai tão mansinha a corrente
Que o barco quase parou.
Dentro dele nossos sonhos
Tão alegres, tão risonhos
No peito vamos guardar.
Mesmo em vetusta idade
Alagados de saudade,
Havemos de recordar.
Os confrades já se vão
Tendo repartido o pão
Na maior fraternidade:
Gostam muito de comer,
Mas é preciso entender
Que a fome é de Amizade.
Ao deixarmos esta terra,
Já fruídos rio e serra
Queremos deixar um Voto
À Senhora do Amparo:
“Concedei Vosso reparo,
A quem, de Vós, é devoto”.
Mirandela, 25 a 27 de Junho de 2018
João Afonso (General Bento Soares)
Jorge Lage – jorgelage@portugalmail.com
–18JUN2018
Provérbios ou
ditados de Julho:
Está a lavar a roupa na água
das castanhas.
Janeiro gear; Fevereiro
chover; Março encanar; Abril espigar; Maio engrandecer; Junho ceifar; Julho
debulhar; Agosto engravelar; Setembro vindimar; Outubro revolver; Novembro
semear; Dezembro nasceu Deus para nos salvar.
Vinho turvo, madeira verde e
pão quente são três inimigos da gente.
Facadas no turismo em Portugal
BARREIROS MARTINS – Diário do Minho
(Prof. Cat. Emérito, Jubilado da Universidade do Minho)
Fala-se de “Descentralização” dos poderes lisboetas e de “Simplex”, mas
continuam a existir maus exemplos de centralização e o “Compliquex” ainda é
grande em muitos casos. Hoje trazemos um à colação um Complexo Turístico do
Centro do País.
É um projecto urbanístico cheio de ilegalidades que, em vez de atrair
turistas estrangeiros e nacionais, acaba por os afastar. Dizem que o
Empreendimento Turístico em causa foi licenciado pela entidade governamental
respectiva, centrada em Lisboa e a Câmara Municipal local, em coordenação.
Dizem-me também que tal Complexo Turístico resultou da concessão por
essas entidades de larga porção de terreno a uma importante Empresa Privada há
muitos anos. Em Agosto de 2018 estivemos lá com familiares em 4 apartamentos de
um ApartHotel de 4 (quatro) estrelas. Em nenhum desses 4 apartamentos existe
uma linha telefónica para o hóspede comunicar com a GESTÃO a indicar qualquer
anomalia, por ventura um início de incêndio ou uma inundação.
Trata-se de uma ilegalidade consentida pelas referidas entidades, pois,
desde há mais de ½ século que em Portugal como na União Europeia antes do uso
de qualquer apartamento, hoteleiro ou não, as entidades licenciadoras têm de
mandar técnicos competentes verificar se estão cumpridas TODAS as exigências
legais.
Só depois essas entidades podem passar a “Licença de Habitabilidade”. Mas
havia várias outras deficiências graves: as mesas de cabeceira dos quartos eram
partes de troncos de pinheiro polidas com base superior de 25x25cm !!! (sem
gavetas !!!). Resultado: a Esposa colocou um copo de água sobre a pseudo-mesa
de cabeceira para beber durante a noite.
Ao tentar apanhar o interruptor para acender a luz virou o copo que caiu
e se partiu espalhando água e vidros na frente da cama. Lá teve o marido de
arranjar maneira de apanhar todos os vidros, para ninguém se ferir com algum
pedaço de vidro não removido. Também não havia no quarto uma só cadeira de
qualquer espécie, nem uma secretária para se poder escrever qualquer carta ou
tomar quaisquer notas! No quarto de banho não havia um banco, indispensável
quando a pessoa sai do banho.
Ora tudo isto existe nos hotéis do Algarve e do Sul de Espanha onde
estivemos noutros anos. Fora do Hotel as ilegalidades também são muitas. A
localidade do Complexo Turístico, no verão, tem largos milhares de habitantes,
mas não tem uma Farmácia!, o que é uma aberração turística. E a grande maioria
dos restaurantes, que são muitos, não tem WC! o que é outra aberração
turística. Por sorte existe uma, e uma só, máquina ATM para se poder levantar
dinheiro.
A localidade só tem um local de venda de abastecimentos (um pequeno
“hipermercado”) onde até a água em garrafões acabou! Por baixo existe um parque
automóvel onde se paga 1,50€ por ¼ de hora de estacionamento. Mas, essa
localidade tem “milhentas” lojas onde se vende toda a sorte de “bugigangas”…
Junto à Direcção do Hotel anunciavam-se visitas guiadas a umas “Ruínas
Romanas”. Nós lá fomos nos nossos veículos. 5Km de estrada poeirenta tendo no
final as tais Ruínas. Ao lado destas uma bela praia. Mas só havia um pequeno
local de venda de sandwichs que não utilizámos, dados os níveis de poeira. Por
tudo isso, além dos nossos carros só havia mais dois.
Ao lado da estrada poeirenta havia uma estrada asfaltada que dava para um
acampamento militar (os militares não querem faltas), mas não para “Ruínas.
Será que, nem entidade governamental centrada em Lisboa, nem a Câmara Municipal
local conseguiam verbas para asfaltar aqueles 5Km de estrada ?!!! Isso
aumentaria de forma hiperbólica as visitas às “Ruínas Romanas” e à praia local.
Nesse caso, certamente que haveria restaurantes e outras formas de comércio de
grande interesse para as populações.
Discutindo todas estas questões com um eng.º civil da região, disse-me
ele que todas estas deficiências resultavam de que, nem a nem entidade
governamental centrada em Lisboa, nem a Câmara Municipal local, tinham técnicos
habilitados para fazerem as vistorias legais antes dos licenciamentos.
Por isso, todos os projectos e execução das Obras tinham ficado aos
“cuidados” dos arquitectos e engenheiros da Empresa concessionária. Portanto,
todas as culpas recaiam sobre o “mau da fita,” o dono da Empresa. Claro que se
trata de “desculpas de más Entidades Públicas” que não souberam (ou não
quiseram, sabe-se lá porquê) defender o Interesse Público.
Se, nem a nem entidade governamental centrada em Lisboa, nem a Câmara
Municipal local, tinham técnicos habilitados a fiscalizar projectos e execução
de Obras de Interesse Público, como tantas vezes acontece, porque é que não
requereram, ou ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), ou ao IST
(Instituto Superior Técnico) ou outro Laboratório de Engenharia Civil de uma
universidade do País, para darem “pareceres” antes de se fazerem os
licenciamentos ou mesmo antes dos projectos e execução das Obras?.
Note-se que, por minha experiência no Laboratório de Engenharia Civil da
Universidade do Minho, a melhor solução será sempre haver “Juntas Técnicas”
para cada caso, compostas por engenheiros (e arquitectos) do Laboratório da
Universidade X e de engenheiros (e arquitectos) da Entidade Privada
adjudicatária. Em geral, os técnicos não “brigam” uns com os outros.
Todos estão interessados em que as Obras sirvam os fins para os quais são
destinadas. Em Portugal há especialistas, reconhecidos internacionalmente, para
darem pareceres independentes, para garantia da qualidade de todas as Obras
acima referidas.
Há que consultá-los. Infelizmente vê-se que a maior parte das entidades
públicas estão longe deste “desiderato”. Metem-se constantemente “idealismos” e
“politiquices” em casos de Obras de grande interesse para o desenvolvimento do
País.
E, ironicamente, os meios de Comunicação Social andam todos atrás dos
“politiqueiros”. Há mais exemplos eloquentes a este respeito: Todos os anos na
Costa da Caparica o mar “come” a maior parte das areias e alguns restaurantes
que estão por perto.
Depois de cada desastre a respectiva câmara municipal paga uns largos
milhões de euros a uns “empreiteiros” que vão lá meter alguns milhões de m3 de
areia para “refazer” a praia. Milhões de m3 de areia que são “comidos” pelo mar
na invernia seguinte…
Ora, nós conhecemos um “Projecto de Obras Marítimas” elaborado por um
engenheiro que veio de Moçambique para uma grande empresa especializada em”
Projectos de Obras Marítimas”, à qual, por 1960, foi adjudicado um projecto
para resolver esse grande problema. Só que o governante responsável pelas Obras
Públicas nesse tempo, escreveu na 1ª página do tal projecto que lhe foi
apresentado: “É muito caro, ARQUIVE-SE”. E continua arquivado, mais de ½ século
depois…
domingo, 2 de setembro de 2018
As descobertas … e o seu museu (Lisboeta)
Nos relevos do templo de Deir el- Bahri, perto de
Tebas, existe uma inscrição que narra a viagem da rainha Makare Hatshepsut ao
país do Ponto. Essa inscrição refere que terá sido a primeira viagem naval dos
Egípcios a esse país. Não é verdade. O problema é que a rainha egípcia apenas
fez reabrir uma rota de que os Egípcios já se tinham esquecido.
As descobertas (e aqui referi-mo-nos, em maior grau,
aos conhecimentos geográficos) humanas nunca foram adquiridas de uma vez para
sempre. Foram obtidas, perdidas e reencontradas. Perdidas uma vez mais e
reencontradas de novo, durante os séculos e os milénios, devido a uma
multiplicidade de causas.
Mesmo hoje (com os satélites), o Homem não conhece
verdadeiramente o planeta. Tem ainda que descobrir e redescobrir certas zonas
do mesmo, embora lá haja gente a viver e tenha um conhecimento directo das
mesmas. Zonas geográficas como o Tibete, Sibéria, e até em África. E quando se
fala em descobertas, está-se a falar em relação à nação que empreende a acção.
Na verdade, as primeiras viagens dos Egípcios ao país
do Ponto estão registadas na Pedra de
Palermo, realizadas há cerca de 4.500 anos, pelo faraó Sahure! Mas os
Egípcios do tempo da rainha Makare Hatshepsut já se haviam esquecido delas.
Tinham passado 13 dinastias! E ter-se-iam esquecido das de Henenu, quando no
oitavo ano do reinado de Sankhkare Mentuhope III, com três mil egípcios deu
início a um dos mais fascinantes capítulos da história da descoberta da terra.
Terá sido Heneneu o percursor de todos aqueles que posteriormente se
sacrificaram pelo desejo de conhecimento, espírito de aventura, ou, ainda e
apenas, pelo sentido do dever, nas terras e nos mares do planeta.
Ainda no Egipto Antigo, temos notícia das viagens de
Harkhuf, na segunda metade do século XXII a. C., atingindo o lago de Alberto,
em direcção ao Equador, nas florestas do Congo.
No século VI a.C., o faraó Necao II seria o
protagonista de uma das mais extraordinárias aventuras exploratórias da
história marítima: a circum-navegação do continente africano, de Leste para
Oeste. Recordação transmitida por Heródoto (Histórias,
IV.42). Esta viagem envolta em mistérios ainda não resolvidos pela
historiografia, durou três anos e os marinheiros eram fenícios. Nos finais do
século II a.C., encontram-se nas águas africanas Eudóxio, o grego, figura
enigmática e de quem os contemporâneos contavam as mais diversas histórias.
Deste mundo antigo, fazem parte dois almirantes cartagineses que exploraram a
costa africana: Hanon e Himilcon. E cerca de um século e meio mais tarde
(finais do século IV a.C.) sobressaiu nestas viagens exploratórias de
descoberta outro grande navegador, o maior navegador do mundo Antigo: o grego
Pitea.
Quando os Portugueses se lançaram na expansão marítima,
todos estes navegadores antigos, e todos estes empreendimentos, faziam parte de
um mundo longínquo de que já nem a memória servia. Não havia recordação desses
feitos. Os textos que existiam estavam perdidos. E pouco ou nada sobre o
conhecimento dessas regiões, tinha sido registado. Havia uma informação aqui e ali que tinha sobrevivido na memória dos tempos por causas desconhecidas (ou conhecidas?).Quando os Portugueses se atiraram ao Atlântico, tudo era novo para a Europa. O que a Europa conhecia eram as rotas terrestres e até ao Golfo Arábico, via rota interior africana – porque era por essa rota que os genoveses comerciavam com os muçulmanos do Índico.
Tudo o que fazia parte da costa atlântica e da costa do Índico, até ao Golfo Arábico, era novo. Como era o Brasil, a América Central e a América do
Norte. Nesse sentido, os Portugueses descobriram algo de novo. Na verdade, à
época, para os europeus, os Portugueses descobriram, por exemplo, o Congo, ou
Angola. Porque para a Europa da época eram desconhecidos! Embora já lá
estivessem. E embora estivessem povoados pela sua gente.
Porque razão então, o país se viu a braços com a
polémica do nome do futuro museu lisboeta (das descobertas, ou dos
descobrimentos)?
Pura ideologia! E esta nada de bom trás ao
conhecimento.
E isto bastava para, num país decente, o dito museu se chamar das descobertas, ou dos descobrimentos. Como estamos no 5º país mais corrupto da Europa (ou do mundo), levanta-se uma polémica sem razão e fundamento.
Actualizado a 4 de Setembro de XVIII
Sabes muito...
Por baixo das vigarices do "sabes muito"
está sempre um desejo (precisamente) baixo.
Na expressão "sabes muito..." são as
reticências que mais falam. Porque em português não há elogios de borla. É verdade
que quando me dizes "sabes muito..." estás a confessar que ficaste
surpreendido com o muito que eu sabia e que isso produziu em ti um novo respeito
pelos meus conhecimentos.
Mas também estás a dizer que tu ainda sabes mais do
que eu e que é por isso que a minha tentativa de te ludibriar falhará sempre.
"Sabes muito...mas a mim não me enganas!"
O saber em questão é estritamente matreiro. É um saber
de golpes, fintas, encenações e aldrabices. São vinte seis volumes de manhas,
todos dedicados a métodos para enganar o próximo.
Este saber é muito valorizado - mais do que os outros
saberes. É por isso que tu sais-te melhor do "sabes muito..." do que
eu. Se o "sabes muito..." fosse colocado na primeira pessoa seria
"eu sei tudo o que há a saber sobre trapaças e fingimentos mas reconheço
que tu também não és nada mau nestas coisas".
O "sabes muito..." está relacionado com o
"perguntas bem" que em tempos já discuti. No "perguntas
bem" elogia-se a pertinência do perguntador, implicando que merecia uma
resposta à altura mas lamentando que o respondedor, infelizmente, não é capaz
de dá-la.
"A que horas abre o banco?" E responde-se
"perguntas bem. Não faço ideia".
Por baixo das vigarices do "sabes muito"
está sempre um desejo (precisamente) baixo. Enganas-me para me dar a volta,
para me seduzir, para disfarçar a tua preguiça ou ganância ou amor ao alheio.
E a inocência é saber pouco.
sábado, 1 de setembro de 2018
Venezuela – ninguém disse nada!
Hugo Chavez tomou o poder em 1998. E como em 1917, fez
o que fizeram os bolcheviques. Impôs a revolução socialista/comunista. Mas como
os bolcheviques, deu origem a um estado totalitário, irracional, agora
comandado por Maduro, não seguindo, a rigor, a lição de Marx. Para este judeu
alemão, autor d’O Capital, só quando
as sociedades atingissem um alto nível de desenvolvimento do capitalismo é que
poderiam dar o salto para o socialismo. Mas ninguém ouviu Marx a sério. Ou
seja, ninguém o leu devidamente. A verdadeira experiência do espírito marxista,
nunca foi implantada, nem pelos bolcheviques nem pelos da revolução
bolivariana.
Uma coisa é certa, tanto a sociedade bolchevique, como
a bolivariana entraram em colapso. E a fuga de cerca de três milhões de
venezuelanos, não deixa dúvidas a ninguém.
Há dois anos que o governo português apoia os residentes
portugueses na Venezuela; há dois anos que os portugueses fogem da Venezuela; há dois anos
que esta desgraça é conhecida, e só agora algumas televisões dão notícias
sobre o assunto [com o terror soviético, aconteceu o mesmo na Europa]. A dona Catarina do Bloco ainda
nada disse, o doutor Louçã, envergonhado, lá disse coisas que todos sabemos,
para Jerónimo nada se passa. Para ele e a Catarina, a culpa é da direita
(escumalha). O terror vermelho implantou-se neste país, e são poucos os jornais
como o El Pitazo, que denunciam,
todos os dias, os alarves do sistema.Centenário do “Terror Vermelho”: violência só pode gerar mais violência
José Milhazes – OBSERVADOR
Na Rússia, o ano de 1918, há 100 anos, ficou marcado
por uma série de acções violentas contra qualquer tipo de oposição, contra
qualquer greve ou manifestação anti-bolchevique.
No dia 2 de Setembro de 1918, o Comité Executivo
Central dos Sovietes (CECS), órgão supremo da ditadura bolchevique imposta
menos de um ano antes na Rússia, decretava oficialmente o “terror vermelho”
como resposta ao “terror branco”. Porém, o terror comunista começara antes,
precisamente no momento em que Vladimir Lenine e os seus comparsas tomaram o
poder no país, menos de um ano antes.
Segundo Iakov Sverdlov, presidente do CECS, essa decisão
foi uma resposta ao atentado armado contra Vladimir Lenine, que o feriu
gravemente, e o assassinato de Moisei Urittzki, dirigente da TCHEKA (Comissão
Extraordinária, polícia política soviética), de São Petersburgo. Os ataques
foram obra de socialistas revolucionários que dessa forma protestavam contra as
repressões bolcheviques.


Embora os bolcheviques tenham suspenso a pena de morte no dia a seguir ao golpe de Estado de 25 de Outubro/7 de Novembro, essa decisão nunca foi respeitada, pois, segundo os novos senhores da Rússia, a revolução tinha de se saber defender. Por isso, já em Dezembro do mesmo ano, são criadas comissões extraordinárias de combate à contra-revolução, que passaram a ser dirigidas por Felix Dzerjinski.
Lev Trotski, cujos seguidores em Portugal se
apresentam como defensores de todas e mais algumas liberdades, foi um dos
principais teorizadores do “terror vermelho”. No mesmo mês de Dezembro, ele
anunciava: “Devem saber que, dentro de menos de um mês, o terror adquirirá
formas muito fortes seguindo o exemplo dos grandes revolucionários franceses.
Não só a prisão, mas também as guilhotinas irão esperar os nossos inimigos”.
Em 1920, o mesmo Trotski publicava a sua obra
Terrorismo e Comunismo, onde fundamenta a política do “terror vermelho”. É de
assinalar que este foi o único escrito deste líder bolchevique que mereceu
rasgados elogios do seu mais directo adversário no interior do Partido
Comunista da Rússia (bolchevique): José Estaline. Muitos dos conselhos de
Trotski foram depois utilizados nas purgas estalinistas, nomeadamente contra os
trotskistas.
Para alguns historiadores, o primeiro acto do “terror
vermelho” ocorreu muito antes da proclamação da nova “justiça proletária”, mais
precisamente da noite de 6 para 7 de Janeiro de 1918, quando dois deputados do
Partido Constitucional Democrático (cadetes) foram assassinados num hospital
prisional de São Petersburgo, onde se encontravam internados com tuberculose.
A 21 de Fevereiro de 1918, o Conselho de Comissários
do Povo da Rússia publica o decreto “A pátria socialista está em perigo!”, que
ordena “o fuzilamento no local do crime dos agentes inimigos, especuladores,
assaltantes, arruaceiros, agitadores contra-revolucionários e espiões alemães”.
Todo esse ano ficou marcado por uma série de acções
violentas contra qualquer tipo de oposição, contra qualquer greve ou
manifestação anti-bolchevique. Em Agosto de 1918, Vladimir Lenine, outro mentor
da actual extrema-esquerda portuguesa, exigia perentoriamente: “Realizar terror
em massa e implacável contra os kulakes [camponeses ricos], sacerdotes e
guardas-brancos; os duvidosos devem ser fechados num campo de concentração fora
da cidade”.
Logo a seguir, Felix Dzerjinski e Vladimir Lenine
propõem fazer reféns entre a nobreza e a burguesia, justificando essa medida
como forma de travar a “contra-revolução” e garantir o não emprego da força
pelos adversários políticos.
Essas medidas eram de tal forma cruéis e ilegais que
foram alvo de críticas de alguns dirigentes bolcheviques, mas Lenine tinha
respostas para tudo e todos: “Raciocino de forma clara e categórica: é melhor
mandar para a prisão algumas dezenas ou centenas de instigadores, culpados ou
inocentes, conscientes ou inconscientes, ou perder milhares de soldados
vermelhos e operários? O primeiro é melhor. E que me acusem de todos os pecados
mortais e das violações da liberdade: eu reconhecerei ser culpado, mas os
interesses dos trabalhadores vencerão”.
A onda de terror vermelho provocou uma resposta dos
sectores anarquistas e socialistas revolucionários, que já tinham grande
experiência terrorista na luta contra o czarismo. A socialista revolucionária
Fanni Kaplan declarou, antes de ser fuzilada, que, ao disparar sobre Lenine,
pretendia vingar a dissolução da Assembleia Constituinte pelos bolcheviques, acrescentando:
“Disparei contra Lenine porque o considero um traidor. Por ele viver muito é
que a chegada do socialismo será adiada várias décadas”.
Leonid Kanneguisser, membro do Partido Operário
Popular-Socialista, justificou o assassinato de Uritzki para se vingar da morte
de um camarada seu às mãos da TCHEKA.
Quanto ao número de vítimas do “terror vermelho”, é
difícil calculá-lo. Alguns estudiosos falam em centenas de milhares, enquanto
outros apontam vários milhões.
A máquina repressiva não parou, pelo contrário,
continuou sem descanso. Depois dos “inimigos de classe”, chegaria a vez dos
“fraccionistas”, “desviados”. Por isso, muitos dos carrascos do “terror
vermelho” foram depois liquidados pelas purgas estalinistas.
P.S.: Alguns adeptos da teoria da conspiração e do
anti-semitismo acusam os judeus de terem sido os autores principais do golpe de
Estado comunista na Rússia, o que não passa de uma das muitas tentativas de
caluniar esse povo. Apenas fica aqui um exemplo: eram também judeus os dois
terroristas que atentaram contra a vida de Lenine e de Uritzki (o primeiro
tinha alguns judeus entre os antepassados e o segundo era filho de pai e mãe
judeus). Kanneguisser declarou: “Sou judeu. Eu assassinei um judeu-vampiro, que
bebia, gota a gota, o sangue do povo russo. Eu tentei mostrar ao povo russo que
Uritzki não é um judeu para nós. Ele é um traidor. Matei-o na esperança de
restabelecer o bom nome dos judeus russos”.
O fim da televisão
Para escrever sobre política, meus caros, é vital
ignorar aquilo que as televisões vendem no lugar da política: uma feira de
horrores sem o bálsamo do cuspidor de fogo.
Na semana passada, o ócio nacional resolveu debater o
salário de uma apresentadora televisiva. Porque seria ridículo, não vou sugerir
que desconheço a senhora. Porque seria mentira, também não me declaro
familiarizado com a respectiva obra. A verdade é que as escolhas profissionais
da dona Cristina Ferreira apenas dizem respeito à própria e às empresas –
privadas – que a contratam. Não me dizem respeito a mim, e para cúmulo não me
interessam. Excepto num ponto: o facto de ainda haver gente atenta à existência
da televisão como se estivéssemos em 1992. Ou 1972.
Se se procurar no Google, a frase “end of television”
devolve uma quantidade considerável de ligações, muitas para ensaios e palpites
acerca da morte, próxima ou consumada, de um “media” que definiu o século
anterior. A ideia geral é que, graças a múltiplas consequências tecnológicas,
económicas e sociais proporcionadas pela internet, a televisão não vai longe, e
isto admitindo que poderá ir a algum lado, além do museu onde jazem o fax, o
leitor de cassetes, a imprensa “tradicional”, a varíola e o arremesso de anões.
Não sei, não sou vidente.
Limito-me a confessar que, no início de Agosto, sofri
uma epifania. Foi durante aqueles dias de particular calor, num serão em que o
descuido ou o destino me levaram ao “zapping” pelos canais da paróquia. Os
“generalistas” em peso, leia-se os que não têm assunto, tratavam os 40 graus em
Agosto com a atenção e o pormenor antigamente reservados a um golpe de Estado
ou dois. Fascinado, vi repórteres interrogarem populares na praia, repórteres
interrogarem populares na esplanada, repórteres interrogarem populares na rua.
Vi depoimentos de figuras importantíssimas da Protecção Civil, que recomendavam
estratégias misteriosas para lidar com as temperaturas (vestir roupa fresca em
vez de quente, beber água ao invés de morrer à sede, etc.). Vi o ocasional
périplo pelos “focos de incêndio”. Vi o prof. Marcelo banhar-se num rio. E vi
todos os canais regressarem aos populares para nova ronda de pertinentes
questões. Uma hora depois, o exercício continuava a preencher os noticiários da
noite. E eu ali, de boca aberta. Comecei a tentar decifrar se aquilo
demonstrava a demência dos responsáveis pelas televisões ou a demência que eles
presumem no espectador médio. De repente, ocorreu-me: que importa? No dia
seguinte, liguei para a companhia de TV por cabo e cancelei a assinatura.
Suponho que para sempre.
Convém relativizar a decisão. Há um par de meses que,
distraidamente, não espreitava um programa português, ou sequer reparava na
“box” desligada. Porque não gosto de televisão? Pelo contrário: porque gosto
demasiado, as “plataformas” (bela palavra) “on line” satisfazem-me as
preferências sem contaminá-las com entulho. Noto, entre parêntesis, que o
entulho “audiovisual” não é exclusivo da televisão convencional. Recentemente,
dois pré-adolescentes, filhos de amigos, esforçaram-se por me iniciar no
encantador universo dos “youtubers”. Pelos vistos, se um pateta de vinte anos
se filmar regularmente a exibir a subtileza e o humor de uma criança de oito, o
pateta incorre numa carreira de “youtuber” e candidata-se a uns trocos. A
diferença é que, separado o lixo em prol do ambiente, na internet encontram-se
pequenas maravilhas ou produtos suportáveis. Na televisão convencional não se
encontra nada, ou nada que, em querendo, não se encontra na internet.
Quando em 1988 a Newsweek celebrizou o conceito de
“trash tv”, referia-se apenas a um subgénero emergente. Ao lado de Geraldo
Rivera, Jerry Springer e Oprah Winfrey, persistiam Carson e Letterman e
cozinhavam-se “Seinfeld” e “Os Simpsons”. Mesmo hoje, em que o horror dos
“reality shows” ocupa boa parte da televisão americana, sobra uma nesga para
séries toleráveis, o estertor do “Saturday Night Live”, os documentários da PBS
e, perdido algures, Conan O’Brien. Por cá, naturalmente, o subgénero lixo é o
único género em vigor. Se não estão a “auscultar” o “cidadão comum”, os
“telejornais” caseiros enchem-se de bola, “certames”, crimes, dramas,
sentimentos e enchidos nos sentidos gastronómico e “jornalístico” do termo.
Fora dos “telejornais”, julgo haver telenovelas, concursos, suburbanos
estridentes e, nas cinco ou sete horas que restam, bola, ou adultos sem receio
de guinchar em público pelo “clube do coração”.
Garantem-me que há igualmente programas de política, e
que quem escreve a propósito não os pode dispensar. Um erro típico. O que há
nas nossas (salvo seja) televisões não é política. É propaganda do “sistema”,
tão solícita que envergonharia o “sistema” caso este tivesse pingo de vergonha.
É prestação de serviços, disfarçada de “objectividade”, às espectaculares
figuras que mandam nisto. É um interminável rol de “comentadores” indignos de
comentário. É o descaramento dos “debates” desprovidos de contraponto ou
decoro. Às vezes, arrisca-se breve incursão por temas “internacionais”, espaço
reservado à condenação do sr. Trump e das “mudanças climáticas”, fora outros
desabafos assim profundos. Para escrever sobre política, meus caros, é vital
ignorar aquilo que as televisões vendem no lugar da política: uma feira de
horrores sem o bálsamo do cuspidor de fogo ou, se não incluirmos certas
activistas, da mulher barbuda.
A minha mãe diz que a televisão é uma companhia – das
más, esquece-se de acrescentar. Tarde, mas a tempo, o filho aprendeu a
evitá-las sozinho.
Nota de
rodapé
O cadastro das “personalidades” que querem enxotar
Joana Marques Vidal prova que a continuação da senhora no cargo não é apenas
relevante, mas decisiva para tentar manter o país do lado de cá da civilização.
Os que se lhe opõem passaram há muito para o lado de lá, que aliás está
pertinho. Alguns nasceram aí.
XXXII Congresso de Medicina Popular - Vilar de Perdizes
A mística aldeia de Vilar de Perdizes - concelho de Montalegre - volta a debater o oculto em mais um Congresso de Medicina Popular. Um evento que continua a gravitar em torno da figura incontornável do padre Fontes. Impulsionado desde 1983 pelo pároco barrosão, o congresso quer voltar a reforçar «o valor da medicina popular e o poder das plantas para combater doenças» ao mesmo tempo que mostra ser uma oportunidade de negócio para a hotelaria, restauração, comércio e uma atração turística de toda a região (Gabinete de Imprensa CM Montalegre).
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