sábado, 28 de julho de 2018

O genocídio dos Romanov




P. Gonçalo Portocarrero de Almada – OBSERVADOR

Omitir a responsabilidade moral do regime que matou um casal inofensivo e os seus cinco jovens filhos é faltar à verdade e ofender a memória das vítimas.

O ano 2018 é o do centenário do fim da primeira guerra mundial, que foi a principal responsável pelo desaparecimento de quatro grandes impérios e respectivas dinastias: o russo, com a destituição do czar em 1917; o austro-húngaro, na pessoa do imperador Carlos I; o alemão, com a abdicação do kaiser Guilherme II, que depois se exilou na Holanda, onde morreu em 1941; e, por último, o otomano, cujo califa, Maomé VI, foi destituído a 1 de Novembro de 1922, embora a república da Turquia só tivesse sido proclamada a 29 de Outubro de 1923.
Curiosamente, tanto o kaiser Guilherme II como o czar Nicolau II – kaiser e czar são variações do título de César – eram primos direitos do rei Jorge V da Grã-Bretanha. Com efeito, o imperador alemão era neto da rainha Vitória, que também era avó de Jorge V. Este último era, por sua vez, primo co-irmão do czar Nicolau II, com quem aliás era muito parecido, mas por via das respectivas mães, que eram filhas do rei Cristiano IX da Dinamarca. Este soberano bem podia ser cognominado, a par da rainha Vitória, o avô da Europa, porque dele descendem os reis da Dinamarca, da Noruega, da Grécia, da Rússia, da Grã-Bretanha, da Suécia, da Espanha e da Roménia.
Destes quatro monarcas destronados, dois mereceram a coroa da santidade, bem mais valiosa do que a que, na terra, cingiram. Com efeito, Carlos I de Áustria, que faleceu na Madeira, foi posteriormente beatificado pela Igreja católica, estando também a caminho dos altares a sua falecida viúva, a imperatriz Zita de Bourbon Parma, filha da infanta portuguesa Maria Antónia de Bragança e neta materna de D. Miguel, irmão de D. Pedro IV de Portugal e primeiro imperador do Brasil. Por sua vez, o último czar da Rússia, Nicolau II, sua mulher e cinco filhos foram canonizados pela Igreja ortodoxa, que os venera como mártires, por terem sido assassinados pelos bolcheviques, em 1918, por ódio à religião cristã.


São conhecidas as circunstâncias dramáticas em que foi exterminada a família imperial russa, na madrugada de 17 de Julho de 1918, em Ecaterimburgo. Não só os soberanos foram mortos sem terem sido julgados, nem lhes ter sido dada nenhuma hipótese de defesa, à boa maneira comunista, como também os seus cinco filhos foram executados. Foram-no aliás sem dó nem piedade, não só porque eram absolutamente inocentes das eventuais culpas de seus pais, mas também porque, por inépcia dos assassinos, não tiveram uma morte imediata. Com efeito, depois da primeira série de disparos na cave onde a família imperial russa foi morta, levantou-se uma grande nuvem de pó e os executores saíram para fora, para melhor respirarem. Porém, ouvindo os gemidos das vítimas, que também incluíam alguns fiéis servidores da família imperial, entraram de novo na sala, para darem o tiro de misericórdia aos que ainda agonizavam. Só Deus sabe o que foi o sofrimento daqueles jovens, cuja única culpa era a de serem membros da família imperial russa: foram mortos depois de assistirem à execução dos seus pais e de padecer uma mais ou menos longa agonia, por incúria dos seus carrascos. Como é da praxe em todos os regimes ditatoriais, nunca ninguém foi responsabilizado por este hediondo crime, que contou com a aprovação de Lenin, que não era menos brutal do que o seu sucessor, Stalin.


Não foram apenas o czar Nicolau II, a czarina Alix de Hesse, e os seus filhos – as grã-duquesas Olga, Tatiana, Maria e Anastácia e o czarévitch Alexis – que foram mortos pelo regime de Moscovo. Na realidade, as autoridades bolcheviques tentaram exterminar toda a família. Praticamente só sobreviveram os Romanov que emigraram, pois todos os outros foram, pelo simples facto de serem parentes do deposto czar, eliminados pela ditadura do proletariado.
Image result for os bolcheviquesÉ impressionante a lista dos Romanov que os bolcheviques abateram, depois da revolução de Outubro de 1917. Para além do czar, da czarina e dos seus cinco filhos –com idades entre os 13 e os 22 anos – também foi assassinado o grão-duque Miguel, o irmão do czar que Nicolau II designou seu herdeiro e sucessor, na impossibilidade do czarévich herdar a Coroa, pela sua pouca idade e grave hemofilia.
Já o czar Alexandre II, avô paterno de Nicolau II, tinha sido vítima de um regicídio, em 1881; e um dos seus filhos, o grão-duque Sérgio morreu num atentado, em 1905, mas outro, o grão-duque Paulo, foi morto pelos bolcheviques em 1919. Dois sobrinhos de Alexandre II, ambos filhos do grão-duque Constantino, foram também executados pelos sovietes: Nicolau, em 1918; e Dimitri, em 1919. Deste Nicolau foi filho o príncipe Iskander, igualmente assassinado pelos comunistas em 1919, no mesmo ano em que também foi morto Boris, outro príncipe da família imperial. Também os filhos do grão-duque Miguel, irmão do czar Alexandre II, não escaparam à sanha marxista-leninista: seu filho Sérgio foi morto em 1918, enquanto os seus irmãos Nicolau e Jorge o foram no ano seguinte.
Não obstante a perseguição comunista contra a família imperial, os Romanov não se extinguiram. A sucessão da casa real russa foi assegurada pela descendência de Vladimir, tio paterno do último czar. Seu filho Cirilo sucedeu-lhe na chefia da casa e família imperial, intitulando-se, no exílio, czar de todas as Rússias. Dele foi filho, entre outros, o grão-duque Vladimir, que nasceu em 1917 e casou com uma princesa Bagration, que nas suas armas ostenta a harpa do rei David, de quem essa família diz descender. Deles foi única filha a grande-duquesa Maria, actual chefe da família Romanov e mãe do grão-duque Jorge, nascido em 1981. Será ele, algum dia, czar da Rússia? É certo que não lhe falta legitimidade dinástica, mas é duvidoso que Putin nele venha a restaurar, algum dia, o trono dos czares.
Milhares de russos, no centenário do assassinato de Nicolau II e da sua família, peregrinaram até à catedral da fortaleza Pedro e Paulo, em São Petersburgo, para venerarem os restos mortais dos mártires imperiais. A verdade histórica não permite que se esqueça que foram vítimas de uma ideologia imoral que, para alcançar os seus objectivos políticos, não teve pruridos em matar pessoas inocentes, nomeadamente mulheres e crianças. Não prestar, no primeiro centenário desta terrível tragédia, a devida homenagem ao czar e à sua família seria matá-los outra vez. Como seria ofender a sua memória omitir, por cobarde cumplicidade, a referência à responsabilidade moral do desumano regime que impunemente matou um casal inofensivo e os seus cinco jovens filhos.

A propósito dos manos Robles e de outros ...




O especulador Ricardo Robles

O prédio em causa, já vandalizado.
Depois admiram-se  que as revoluções aconteçam!


João Miguel Tavares -Jornal  Público

Aquilo que Robles fez é, pura e simplesmente, um desastre político e uma absoluta hipocrisia.

Nós já sabíamos que o Bloco era esquerda caviar, mas nunca antes tínhamos apanhado um bloquista com tanto caviar na boca. O caso Ricardo Robles seria sempre relevante e criticável quer ele fosse vereador do PS, do PSD ou do CDS. Sendo vereador do Bloco de Esquerda, e conhecendo todos nós a sua posição pública e a do seu partido acerca da terrível “especulação imobiliária”, aquilo que Robles fez é, pura e simplesmente, um desastre político e uma absoluta hipocrisia.
Vamos por partes. Primeiro, o desastre político. Classificar o negócio de Ricardo Robles como politicamente desastroso não depende sequer da sua cor partidária, nem do seu discurso contra os maus-tratos sofridos pelos pobres moradores dos bairros históricos, que estão a ser empurrados para fora dos centros das cidades devido à pressão horrível do turismo. A questão política é outra, e transversal a qualquer detentor de um cargo semelhante ao seu: deve um vereador de uma câmara municipal envolver-se, durante o seu mandato, em negócios imobiliários que envolvam aquisição de imóveis a entidades públicas, e a aprovação de obras de beneficiação por parte da mesma câmara onde desempenha um alto cargo executivo? A minha resposta é óbvia: não, não deve.


Robles só é vereador do Bloco desde 2017, mas já em 2013 era líder da bancada do partido na Assembleia Municipal de Lisboa. Ou seja, tinha as mãos na massa. Para mais, o prédio foi comprado em Junho de 2014 não a uma entidade privada, mas à Segurança Social, por 347 mil euros – um valor ridículo numa zona que naquela altura já era muitíssimo valorizada. Se o valor do imóvel conseguia ser facilmente multiplicado por 16 com algumas obras de reabilitação, como acabou por acontecer, isso significa que a Segurança Social fez um negócio miserável. E a Segurança Social somos todos nós. Mais: as obras no prédio tiveram um licenciamento muito rápido, ainda por cima com mudanças estruturais que envolveram o bónus de um piso extra, antes inexistente, através da ampliação das águas furtadas.
Robles tem mais um apartamento para arrendar em Lisboa — a 1300 euros
Ilegal? Talvez não. Muitíssimo desaconselhável? Sem dúvida. Ricardo Robles disse ao Jornal Económico que investiu um milhão de euros no empreendimento. Em 2017, o prédio foi avaliado em 5,7 milhões de euros por uma imobiliária. Ora, uma mais-valia de 470% em três anos tem um nome – e é nesta parte que entra a absoluta hipocrisia. Nas vésperas de sair a notícia, Ricardo Robles colocou no Twitter a foto de um protesto, onde se lia numa tarja: “No vocabulário do lucro não existe a palavra ‘compaixão’.” Já no vocabulário do Bloco o que mais existe é a palavra “hipocrisia”. No mesmo tweet, Robles declarava que os “lisboetas merecem ser defendidos perante o bullying e a especulação imobiliária”, e concluía: “Estamos do lado dos moradores.” Não, Ricardo, não estás. Tu estás do lado dos senhorios.
É esse o terrível perigo do moralismo – é necessário ser capaz de viver à altura das suas exigências. E é extremamente difícil. Ricardo Robles vendeu os princípios anti-especulação por 4,7 milhões de euros. Não foram baratos. Mas, depois de irem, já não voltam. Para quem, como eu, acredita que o Bloco está cada vez mais próximo do arco de governação e mortinho por assumir cargos de poder, esta é mais uma prova de normalização democrática à portuguesa. Com a entrada estrondosa de um dos seus mais destacados membros no campo das negociatas imobiliárias foleiras, o Bloco está um partido cada vez mais parecido com os outros. Os meus parabéns.

As vozes e os donos




Alberto Gonçalves - OBSERVADOR

Há sobretudo o aroma da doença que precede o fim, e a terrível impressão de que ainda estamos no princípio. Portugal tornou-se uma imensa exposição de fancaria que as vozes dos donos vendem aos berros

Um deputado do antigo PSD, Carlos Abreu Amorim, comparou os incêndios gregos aos portugueses e despertou a cólera das boas consciências. As boas consciências irromperam a rejeitar a utilização de uma desgraça para fins políticos. Uma obscuridade do PS classificou o comentário de “vergonhoso e indigno” (ao invés dos comentários vergonhosos e dignos). Uma moça do BE falou em “demagogia barata” (a do Bloco sai caríssima). E a sensível filha de Adriano Moreira afirmou que “não se pode descer mais baixo”. Ou pode?
Claro que sim. Trinta e cinco segundos após as patrulhas definirem os limites da linguagem e proibirem o aproveitamento da tragédia de lá para caluniar o governo daqui, passou-se à fase posterior. A fase posterior consistiu no aproveitamento da tragédia de lá para desresponsabilizar o governo daqui, exercício que, ao invés de fúria, suscita regozijo geral. Na ânsia de agradar aos chefes, numerosos serviçais da oligarquia desataram a explicar às massas porque é que os governos (socialistas, escusado acrescentar) não devem ser criticados quando as coisas ardem. Em prosa pungente, o novo director de um defunto diário evocou o calor, os ventos, as árvores, a humidade, as mudanças climáticas, a densidade urbana, o turismo, o sr. Trump e a pesca da solha para concluir, acho eu, que nenhum governante (salvo os de “direita”, suspeito) tem culpa dos incêndios.
Alguém disse o contrário? Entre gente civilizada, julgo que não. E os serviçais da oligarquia, as vozes dos donos, sabem. Não sendo demasiado iluminados, sabem o suficiente para saber que o problema não passa exactamente pelos incêndios, mas pelas vítimas que estes causaram. Sabem que a recente devastação na Suécia, provocada pelo “aquecimento global”, pelo Abominável Homem das Neves e pelo que se lembrarem, até ver não matou uma única pessoa. Sabem que os massacres portugueses e gregos de 2017 (em dose dupla) e de 2018 são dos fogos florestais mais mortíferos dos últimos 70 ou 80 anos, no Ocidente e não só. Sabem que os dois (ou três) exemplos constituem casos singulares de ineficácia do Estado no cumprimento da solitária missão que de facto lhe cabe. Sabem que pior do que apanhar o sacrossanto Estado em flagrante delito é, logo de seguida, apanhar as suas figuras gradas numa impecável exibição de mentiras, desorientação, sentimentalismo, desprezo, cinismo e crueldade. Sabem que, no auge da calamidade, um primeiro-ministro de férias em Espanha entra no território do grotesco. Sabem que a nossa gloriosa nação está nas mãos de criaturas cuja competência não as prepara para sequer gerir um galinheiro, e cujo carácter aconselha a que não sejam deixadas a sós com as galinhas.
As vozes dos donos sabem. E sabem que a vassalagem que prestam as torna menos recomendáveis do que os respectivos amos, e menos habilitadas a emitir palpites acerca das vítimas que manipulam a troco de uns trocos. E sabem que nós sabemos que as vítimas não importam e nunca importaram, excepto na medida – aborrecida, concedo –  em que obrigam a controlar eventuais danos na popularidade. Apesar de beatas e repulsivas, as vozes dos donos sabem. E não querem saber: a fim de defender a nomenklatura, são capazes de tudo.
Na verdade, porém, não precisavam de quase nada. Os esforços de propaganda das televisões em peso e da vasta maioria da imprensa (?) padecem de excesso de zelo e redundância. O país já se rendeu aos que nele mandam, sem condições e sem necessidade de sujeitar as vozes dos donos a semelhantes trabalhos. Quando o dr. Costa passeou o calção a mil quilómetros dos cadáveres de Pedrógão e não houve alcatrão e penas para o acolher no regresso, percebeu-se que desistimos em definitivo de nos assemelharmos a uma sociedade moderadamente higiénica e suportável. De então para cá, a pocilga fatalmente refinou-se, tal como a jovial resignação dos seus habitantes aos enxovalhos que lhes atiram para cima.
Hoje, a nomenklatura poderia cantar a “Casinha” no velório de falecidos à conta dos cortes hospitalares – e não sofreria qualquer remoque. Há amigos da saúde pública que se tratam na privada, e inimigos da especulação imobiliária que especulam com fervor. Há desastres sucessivos nas finanças e saques imparáveis no fisco. Há palco aberto aos fascistas das “causas”, crescentemente fanáticas e amalucadas. Há corrupção impune, pulhice recompensada, populismo em rédea solta. E isto sem consequências, sem escrutínio, sem dissensão, sem vergonha, sem esperança, sem remorso. Há, principalmente, o aroma da doença que precede o fim, e a terrível impressão de que ainda estamos no princípio. Portugal tornou-se uma imensa exposição de fancaria, que as vozes dos donos vendem aos berros.

Os manos Robles, as manas Mortágua e Catarina, a “loira”



Consta-se que o sr. Robles (que é vereador da Câmara de Lisboa pelo BLOCO) e a sua senhora irmã Lígia (que vive no estrangeiro – os bloquistas são assim, socialismo, socialismo, mas caviar à parte), fizeram um negócio.
Conta-nos ontem o Jornal Económico que o vereador da Câmara de Lisboa e a irmã compraram em 2014 à Segurança Social um prédio em Alfama por 347 mil euros, investiram 650 mil de euros e, em 2017, colocaram-no à venda por 5,7 milhões. Se o negócio se concretizar terá uma mais-valia de 4,7 milhões de euros, ou seja, uma rentabilidade de 470%.
É claro que os dois irmãos Trotskistas não fizeram nada de mais. Segundo as regras da vida, apenas fizeram um negócio. E, ao que parece, seguiram regras aceitáveis. Compraram um prédio decadente, restauraram-no e puseram-no à venda. E segundo parece não prejudicaram os arrendatários que lá viviam, seguindo, portanto, neste caso, uma aceitável conduta ética.
Ressalve-se, porém, que o imóvel não pertencia a um privado, mas sim à Segurança Social, sendo adquirido por um preço muito baixo, em relação aos praticados no mercado!
É claro que ter sido eleito por defender uma ideologia comunista (que até Cuba abandonou recentemente!) e logo a seguir tomar uma conduta capitalista (aquela que o seu partido detesta), em termos ideológicos e de coerência é um problema. Tanto assim é, que o próprio mano Robles, em Março de 2018 lamentou, em entrevista ao Diário de Notícias, que o problema da habitação se venha "a agravar em Lisboa". E disse ainda: "Os preços continuam a aumentar brutalmente e isto está a criar uma crise social. Encontrar casa, seja para arrendar seja para compra, apesar de o crédito para a habitação estar mais acessível, continua a ser proibitivo”. Mas disse mais: "Esta é uma cidade cada vez mais para ricos e menos para lisboetas e para quem quer viver na cidade, para trabalhar, morar, estudar.".
Contudo, o problema é outro.
Os manos Robles conseguiram, com a facilidade de quem come um ovo estrelado, legalizar uma transferência imobiliária, sem problemas, em três anos, coisa que outros não conseguem em décadas.
Há décadas que uma agremiação centenária, sediada em Lisboa, tenta adquirir um edifício sede que lhe dê vitalidade. A troco, propôs à Câmara lisboeta, quase o dobro daquilo que investiram os manos Robles. Todas as tentativas negociais, foram infrutíferas!
Sobre isto gostaríamos de saber o que tem a dizer Catarina, a “loira”. Nada! 
Tanto assim é que a mana Mortágua já veio defender o mano Robles num canal televisivo!
Mas que belo comunismo! Um comunismo próprio da aldeia lusa, uma das aldeias mais corruptas da Europa!

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Manifesto Académico em Defesa dos Direitos Civis na Catalunha


Saúde e LIberdade!

Després de la repressió l’1 d’Octubre d’Espanya contra els catalans i tota la involució democràtica que ha vingut després, demanem ajuda a tota la comunitat acadèmica internacional.
S’ha elaborat un manifest conjunt, desitjo t’hi vulguis afegir i ho puguis enviar als teus companys. 

Per qualsevol dubte, estarem encantats de respondre.
fins aviat,
Aleix

Avós



AVÓS

Ainda vou a tempo neste dia 26 de julho de prestar a minha homenagem a São Joaquim e a Santa Ana, padroeiros dos avós. Os meus parabéns a todos os avós. Conheço muitos e admiro sempre neles a SABEDORIA e a BONDADE. Todos podemos reconhecer que daa facto eles são um recetáculo de sabedoria e a experiencia da vida também os tornou mais tolerantes para com os outros, dando atenção especial à bondade na relações humanas.
BOM DIA DOS AVÓS.

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Avós  

Dia de São Joaquim
E de santa Ana.
Um casal, lindo assim,
Onde a santidade dimana
E em tudo está presente.
É de Deus, esta gente! (1)

São os conhecidos pais
Da Virgem Santa Maria.
Deles não falam os anais,
Mas, certamente, no dia-a-dia,
Educaram a menina para Deus,
Ela, dom infinito dos céus. (2)

Apresentam no Templo a menina.
Querem oferecê-la ao Senhor,
Dom do céu que sua vida ilumina,
Mas que devolvem ao céu, com amor.
Haverá mais tarde uma Anunciação.
Será Mãe de Deus! Treme-lhe o coração. (3)

Serão os avós do Menino de Belém.
Os Anjos dirão: “Um filho nos foi dado”. (2)
Dado a Maria, mas a nós também:
Enche-nos de graça e apaga o pecado.
N’Ele somos um povo, em tudo, feliz.
Mas é em Joaquim e Ana que está a raiz

Daquele que nos protege e redime.
Protegei os avós dos nossos tempos.
Sede sua força quando a noite decline
E ajudai-os em todos os momentos.
É grande o seu papel na sociedade
E na família. São sabedoria e bondade. (5)

Teófilo Minga
Roma, 26 de julho de 2018

1)      Hoje é o da festa litúrgica se São Joaquim e de Santa Ana. São quase sempre associados aos avós, já que são os avós do Menino Jesus. Daí o título deste poema que poderia ser muito simplesmente, “São Joaquim e Santa Ana”. Um casal santo! Nem era preciso que a Igreja reconhecesse publicamente a sua santidade para ter a certeza de que “esta gente” era de Deus, totalmente e em todo o tempo. Tiveram esse privilegio único de engendrar a “Toda Santa”  (a Pan Aghia), aquela que seria a mãe daquele que é “três vezes santo”, isto é, santo totalmente. Num ambiente assim de santidade, tudo se torna santo, tudo se santifica, tudo e santificante. Conhecemos os nomes dos pais da Bem-Aventurada Virgem através de um texto não canônico, o Protoevangelho de Tiago. Eles são citados na página que precede o anúncio do Anjo a Maria.
2)      Sem dúvida, Ana e Joaquim pertenciam ao grupo daqueles judeus piedosos que esperavam a consolação de Israel. E, na História daa Salvação, acabam por desempenhar um papel relevante: são escolhidos por Deus, para gerar a Imaculada Virgem Maria que, por sua vez, é chamada a gerar o Filho de Deus.
3)      Podemos imaginar quanto receberam dela estes pais, ao mesmo tempo que cumpriam o seu dever de educadores. (…) Mãe e filha estavam unidas não apenas por laços familiares, mas também pela comum expectativa do cumprimento das promessas, pela recitação multiforme dos Salmos e pela evocação de uma vida entregue a Deus. Conhecemos as palavras do Salmo 131, sobre a fidelidade de Deus à sua promessa: “O Senhor jurou a David: verdade da qual nunca se afastará “o fruto do teu ventre hei de colocar sobre o teu trono!” (vs 11). Sentimos nestas palavras do Salmo 131 um eco veterotestamentário do que acontecera na Anunciação. A cheia de graça, educada completamente dentro de Lei do Senhor, será a Mãe do próprio Deus que ocupará o trono de David. É através de Maria que Deus toma rosto humano em Jesus que pensando em genealogia humana, pode também ser chamado “Filho de David”.
4)      Expressão famosa de um texto do profeta Isaías que lemos na missa da meia-noite de Natal. É a Leitura Is 9, 2-7, onde, a um dado momento lemos: “Um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado”. Um eco desta leitura aparece na outra Leitura de missa da meia-noite, - Lc 2, 1-14 - onde Lucas retoma o pensamento do antigo profeta e escreve referindo-se aos pastores que se aproximaram da gruta de Belém e ouvem a voz dos Anjos nos céus: “Disse-lhes o Anjo: ‘Não temais porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor’”.
5)      Sabemos que na Sagrada Escritura, à velhice está associada a veneração da própria pessoa (cf. 2 Mac 6, 23). O justo não pede para ser privado da velhice e do seu peso; pelo contrário, ele reza assim: “Vós sois a minha esperança, a minha confiança, Senhor, desde a minha juventude… Agora, na velhice e na decrepitude, não me abandoneis, ó Deus, para que eu narre às gerações a força do vosso braço, o vosso poder a todos os que hão de vir” (Sl 71 [70], 5-18). Na sociedade de hoje em que os pais trabalham para o ganha-pão e sustento da família é reconhecido e pedido aos avos de desempenharem um papel cada vez mais importante na vida dos netos tanto na sua educação humana como religiosa. A Sociedade e a Igreja esperam deles esse papel ativo na educação integral dos seus netos. Ao mesmo tempo também se reconhece que com o andar dos anos os avós são pessoas, em geral, de grande sabedoria e bondade, dois valores importantes com que termino o poema. Mas certamente os avós também são excelentes na prática de outras virtudes que provêm da sua experiência de vida. Podemos pensar no acolhimento, na oração, na paciência, na escuta, na atenção à pessoa. Têm, pela sua experiência de vida uma “sabedoria acumulada” que devem pôr ao serviço da sua própria família, da Igreja e do mundo. Nunca é demais esperar muito dos avós. De um modo muito particular, no meu caso, têm a minha admiração e a minha estima. Às vezes não me canso de os ouvir, precisamente pela sua sabedoria e bondade.

Elogio ao vinho!

http://www.virgiliogomes.com/index.php/cronicas/921-elogio-do-vingo

“O Concelho de Murça na Grande Guerra”, documento a considerar para a História recente de Trás-os-Montes.

Dinis Costa, Hirondino Isaías, Armando Palavras e António Lopes

“O Concelho de Murça na Grande Guerra”, documento a considerar para a História recente de Trás-os-Montes.

Ontem, foi dia dos avós, e dia de mais um evento cultural na Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa: uma conversa sobre o livro de Dinis Serôdio da Costa.
Com a Grande Guerra como pano de fundo, o autor de Murça, num rasgo de enorme desprendimento, expressou perante o grupo que o recebeu (assim como ao seu editor – António Lopes), um conhecimento total sobre o assunto, apoiando-se no trabalho rigoroso transcrito no volume.
Um livro a divulgar. É certo que ontem não foi o melhor dia, por várias razões, mas foi o dia possível antes de férias da agremiação. Contudo, haverá outros dias.
O importante foi o encontro e o tema em debate. E a oportunidade de se conhecer pessoalmente, António Lopes (Sa Gué). O debate foi bastante produtivo, criativo e vivo.
Rigoroso e criativo, o autor dissertou, seguro, sobre o tema. Apresentou gráficos, esquemas e pequenas notas. Sem dúvida, uma intervenção memorável. Com a qual aprendemos pormenores que desconhecíamos, de um modo geral (sobre a Grande Guerra) e, sobretudo, de um modo particular: o elenco de homens do concelho de Murça que nela participaram. Nada escapou ao olhar atento do autor, e ao rigor da investigação – aspectos físicos, familiares, académicos … incluindo o nome dos navios que os transportaram.
Para a História recente de Trás-os-Montes, “O Concelho de Murça na Grande Guerra” é um documento a considerar.
Os dados apresentados pelo autor sobre as baixas em todos os concelhos da região, são os seguintes:



A tertúlia iniciou com texto de António Lopes, que se transcreve:

“É impossível separar a obra de um autor, esta é uma das minhas poucas verdades e nesta parece-me ainda mais evidente. Daí que falar deste binómio, obra/autor, separadamente me parece impossível. Tentarei fazê-lo em conjunto.
Assim, e antes de mais, e para que conste, eu e o autor somos camaradas de Armas. Ambos fizemos a mesma carreira militar, embora apenas nos encontrássemos nos cursos, nunca estivemos na mesma Unidade simultaneamente. A carreira militar tem esta particularidade, à medida que a ascensão hierárquica vai acontecendo, vão acontecendo os cursos respetivos e é sempre um período de reencontro de velhos amigos.  Portanto, apesar dos encontros serem esporádicos, alguns com longa duração, note-se, por tudo isto posso dizer que conheço bem o Dinis Costa. Conheço bem a capacidade de trabalho dele, conheço bem o seu espírito crítico e atento, conheço bem a sua frontalidade sempre que algo lhe parece não estar dentro do seu racionalismo, conheço bem seu espírito rigoroso e metódico e esta faceta de personalidade, talvez tenha contribuído, enormemente, para levar esta «Carta a Garcia», para utilizar gíria militar, na realização desta obra que, apesar de se poder revelar simples, há de ter sido um trabalho de investigação imenso, de muitas leituras difíceis, porque manuscritas, de muitas horas ganhas em volta de papéis bolorentos.


O Dinis Costa é assim, férreo, depois de iniciar algo é incapaz de voltar atrás, é incapaz de admitir que as dificuldades são imensas e que desiste. É assim que eu o vejo, é com esta capacidade de trabalho, que lhe reconheço, que conseguiu elencar todos os homens do concelho de Murça que estiveram envolvidos na 1.ª Guerra Mundial, elencar e extrair desses velhos documentos a informação que resgata a memória desses valorosos homens que deram tudo pelo País, um País que por várias circunstâncias históricas, que neste momento não importa analisar, os abandonou.
Obviamente que as palavras «elencar» e «registar» são pobres para se poder exprimir a densidade do trabalho. Elencar poderia significar apenas elaborar lista de todos eles. NÃO. Redondamente, NÃO. Voltou a fazer deles HOMENS que nasceram, viveram e morreram. Percorreu os arquivos Paroquiais e deu-lhe pai e mãe, avós, e até data e hora de nascimento.
Percorreu os arquivos militares e registou o percurso de cada um deles. Registou-lhe a morte, as doenças, as feridas, os louvores, as medalhas com que foram condecorados, tudo o que fizesse deles novamente HOMENS, repito, restituindo-lhes a dignidade que merece qualquer ser humano.
A partir daqui, depois deste exaustivo registo, podemos imaginar as alegrias que os animou, as tristezas que os deprimiu, as dores, os medos que sentiram quando enfrentaram o Inimigo ou que os fez fugir. Sim, porque entre a coragem e o medo, em situações de grande intensidade emocional, a diferença é mínima, dizem os entendidos.
Para mim são todos Heróis. Todos eles foram para além daquilo que a vida nos proporciona, por natureza, todos ultrapassaram as grilhetas da mera existência.
Termino com as palavras de um outro interveniente nesta obra porque creio que elas sintetizam todo este arrazoado que tenho estado a debitar.
Que este trabalho nos centre no seu conteúdo humano e pessoal, porque é exclusivamente de pessoas reais que trata, sem efeitos especiais ou ficção, sem enredos.
Prestemos-lhe então a merecida justiça e recordemo-los e orgulhemo-nos de quem, muitos de nós, descendemos.
Obrigado.
Disse.                  
António Sá Gué


Actualizado às 17 H 24 m 

Em tempo de férias desejo a todos



Por: Costa Pereira Portugal, minha terra
                        Falar disto e daquilo

Ande o frio por onde andar, se não for antes em meados de Julho o tempo quente aparece, e até meio de Setembro temos calor. Fora disso é sempre pouco seguro fazer projetos que envolvam gastos de vulto ao ar livre, sem antes consultar os mestres em meteorologia. O mesmo acontece com espetáculos de inverno pois nunca se sabe quando neva ou venta. Temos um país encantador, tanto de beleza natural, como na sua diversidade paisagística e patrimonial. Turisticamente merecia estar mais bem publicitado e apoiado pelas entidades encarregadas desse setor económico, com melhor informação sobre os muitos sítios e lugares dignos de serem visitados e dados a conhecer ao visitante. Deixar de ser as sedes de concelho ou distrito a interferir na programação das visitas, senão no que consta de indicar o que de interessante têm para mostrar na sua área de interferência. Se assim não for só a vila ou cidade é que tem turistas em a abundancia e as preferias esquecidas e o seu comércio também. Para mim a INATEL, com quem já viajei, é um bom exemplo, pois fazendo quartel-general em determinado local, não deixa de levar os clientes aos mais diversos pontos turísticos que lhe estão divulgados e ali se demoram dando tempo para fazer a visita e compras se quiserem. Mas deixamos que o bom senso aflore e com tempo as coisas se componham e vamos a gozar o tempo que Deus não dá para viver em paz e harmonia sem fazer muitas ondas e menos poluição moral e cívica, porque esta vida são dois dias e este já está na conta. Boas férias para todas as minhas amizades, e para os outros… também.