quinta-feira, 3 de maio de 2018

Homenagem ao escritor Nuno Nozelos

JORGE LAGE e A.M. PIRES CABRAL


JORGE LAGE
Nuno Nozelos
Luís Guimarães e esposa Celeste, Isabel Nozelos,
a viúva Celeste Nozelos, Ricardo e a mãe M.ª José
Ainda não passou um ano sobre a morte (2017) do escritor, Nuno Nozelos, e já o Grémio Literário Vila-realense e o Município de Vila Real, no dia 16 de Março (data de nascimento de Camilo Castelo Branco, patrono do Grémio), pelas 21H30, «Dia das Letras Trasmontanas e Alto-Durienses», homenageava o escritor trasmontano e mirandelense, Nuno Nozelos, nascido (1931) na Fradizela e muito ligado à Torre Dona Chama, onde tinha a segunda residência e muita da família. A família não faltou a este elevado momento, tendo estado presentes a viúva, Dona Celeste, a irmã Isabel Nozelos, uma cunhada e um sobrinho. O Município de Mirandela esteve representado pelo Presidente da Assembleia Municipal, Luís Guimarães, com quem tive o prazer de conversar. Concordámos que esta homenagem podia ser replicada em Mirandela ou na Torre Dona Chama. Assim, depois de se colocar esta hipótese ao Município de Vila Real/Grémio Literário Vila-Realense, o responsável e escritor Pires Cabral disponibilizou-se de imediato. Fica o caminho aberto para o Município de Mirandela avançar quando e onde achar oportuno. Isto é, o momento de evocação ou reconhecimento, tanto poderá ocorrer na vila da Torre como na cidade de Mirandela. A Homenagem contou com a apresentação de um powerpoint sobre a vida e obra do escritor, duma publicação «In Memoriam de Nuno Nozelos» e de um licoroso d’honra, havendo significativa assistência, em noite climatérica muito desfavorável. A publicação contém dezoito textos sobre Nuno Nozelos, abrindo com um texto da Dona Celeste, seguindo-se alguns familiares, a Presidente do Município, o Presidente da Assembleia Municipal, o Presidente da Junta da Freguesia da Fradizela e vários autores, na sua maria de Mirandela ou da região. O texto da Dona Celeste foi encurtado em três parágrafos e a seu pedido aqui se reproduzem: «Aproveito para narrar, que o escritor Nuno Nozelos sempre que foi distinguido e homenageado se sentiu muito comovido e algumas vezes lhe vi lágrimas nos olhos. Por este motivo, lembro os últimos eventos realizados em sua homenagem – criação do prémio literário do melhor conto, intitulado “Prémio do Conto Nuno Nozelos”, e, a colocação do seu nome na toponímia local – eventos estes, devido aos anteriores vereadores e ao seu Presidente Eng.º António Branco que presidia à Câmara Municipal de Mirandela e à Junta de Freguesia de Torre de Dona Chama, representada pelo anterior Presidente, Dr. Fernando Mesquita, a quem estou muito grata por terem realizado estas cerimónias em vida. Também não posso esquecer o “Grémio Literário Vila-Realense” que se tem identificado muito com o trabalho desenvolvido pelo ilustre Escritor António Pires Cabral, a quem devo o meu sincero agradecimento, pelas suas iniciativas inovadoras que continuam que continuam em permanente actividade, realizando estes eventos para estimular e valorizar as Letras e as Artes. Espero que o nome “Nuno Nozelos” se pronuncie na Literatura Portuguesa, como sempre se pronunciou, porque o amor está na alma e não morre, e o elo que o unia às letras nunca se quebrará.» Fica assim reproduzida a parte omitida que preocupava a Dona Celeste. Também, por lapso, o texto que me foi pedido para este livro de homenagem não foi publicado e que sairá, segundo promessa, numa próxima revista Tellus. Eu próprio tenho intenção de o dar a conhecer aos leitores do Notícias de Mirandela, em próxima edição. Quando tenho compromissos com as pessoas, por vezes, corro riscos. A minha presença na homenagem ao Nuno Nozelos obrigou-me a uma deslocação, de ida e volta, debaixo de temporal com chuva e neve. Pelo túnel do Marão, Braga fica a pouco mais de um tiro espingarda. (na primeira foto, da esquerda para a direita: Luís Guimarães e esposa Celeste, Isabel Nozelos, a viúva Celeste Nozelos, Ricardo e a mãe M.ª José; na foto a seguir: Jorge Lage e A. M. Pires Cabral).

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Feira do Livro de Salamanca





A Lema d'Origem Editora estará presente, pela primeira vez, na Feira do Livro de Salamanca. Dia 12 de maio (sábado) pelas 12h00 será apresentada a obra Vida incompleta de Montserrat Villar González e, nesse mesmo dia, pelas, 13H00, Jardin(e)s excedidos de Maria Ángeles Pérez López. Ambas as obras são bilingues.

comunicação da Tertúlia João de Araújo Correia


«Caros associados e amigos


No âmbito do seu plano de atividades, a Tertúlia João de Araújo Correia vai efetuar uma sessão de divulgação da vida e obra do seu patrono, em Amarante, Casa da Granja, no próximo dia 5 de Maio. Esta casa que foi adquirida pelo pai de Amadeo de Sousa Cardoso para o seu filho viver (o que não chegou a acontecer), é agora sede da Associação para a Criação do Museu Eduardo Teixeira Pinto, um grande fotógrafo de Amarante. A Tertúlia e esta associação têm vindo a desenvolver um interessante trabalho de parceria, nomeadamente no âmbito do projeto CulturaQueUne (Galiza/Norte de Portugal). 
Assim, venho convidar todos para essa sessão. Em anexo segue o cartaz e texto informativo.
Cordialmente
Helena Gil»

CÂMARA MUNICIPAL DE VILA REAL

Grémio Literário Vila-Realense

terça-feira, 1 de maio de 2018

IV Congresso Trás-os-Montes e Alto Douro - FICHA de INSCRIÇÃO



É esta a ficha de inscrição para o IV Congresso de Trás-os-Montes e Alto Douro, validada pela sua Comissão Organizadora. 
Pede-se agora a todos os Transmontanos, Alto-durienses e Beirões Transmontanos que a divulguem junto de Amigos e conhecidos, para que o Congresso triunfe, pelo bem comum, pelo bem geral, por Trás-os-Montes e Alto Douro - Pelas REGIÕES PERIFÉRICAS!



Nota: 
A ficha que segue supra é o modelo. Muito dificilmente alguém lá conseguirá escrever, a não ser que a consiga transformar em Word. Contudo, para se inscreverem, basta enviarem um e-mail para o geral da agremiação ( geral@ctmad.pt), ou telefonarem ( Tel.: 217 939 311                Móvel: 916 824 293  ). Podem ainda pedir a ficha em Word a este Blogue (Tempo Caminhado), ou, no caso dos Autores Transmontanos, ao criador do mesmo.

Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro
Campo Pequeno n.º 50, 3.º Esquerdo
1000-081 Lisboa
Tel.: 217 939 311
Móvel: 916 824 293

E-mail: geral@ctmad.pt

...Na profissão em que eu falhei.



Por: Costa Pereira Portugal, minha terra

O Alvão que antes de inventarem aquele que identifica o Parque Natural desse nome, onde ficam situadas as Fisgas de Ermelo e Lamas de Olo, já eu o conhecia bem. Saí da minha aldeia, por Travassos, Covelo, Macieira, Lamas de Alvadia, Pinduradouro e chegamos a Goivães da Serra pelo fim da tarde. Era Inverno, mês de Janeiro. Deixou-me ao cuidado de um lavrador chamado Sr. Esteves e ali vivi uns tempos. Já nessa ocasião tinha apanhado o gosto da leitura, e Camilo Castelo Branco foi durante muitos anos o meu escritor preferido, de modo que fiquei seduzido por aquele planalto, onde na Lixa do Alvão Camilo recebeu lições do Padre António Azevedo, como relata em dedicatória no romance O Bem e o Mal. Foi-me confiada a guarda de um rebanho de 220 cabeças entre ovelhas e cabras, com dois cães especialistas em escorraçar os lobos. Entretive-me por lá até que se fartaram de aturar as minhas incursões por meio das pedras e descuido na guarda do rebanho, e o resultado foi devolver-me à procedência. Mas foi uma experiência que me marcou e recordo com saudade.


Goivães da Serra era na altura o modelo do aldeamento serrano e do interior, com as casas feita de granito e cobertas de colmo ou lousa. Costumes recordo que foi a primeira vez que comi em comum a mesma ração da ceia, batatas cozidas no pote juntamente com talhadas de carne de porco que depois de cozidas são tiradas para um alguidar, no qual são depositadas. E noutro mais pequeno, ao lado, se deita uma ou duas colheres grandes de água da cozedura e despeja azeite que fica à tona. À volta da lareira se juntam todos e com garfo ou à mão toca a comer, cada um debulhando as batatas que come e comendo a talhada de carne que lhe cabe. Foi outra novidade para mim. Na altura esta freguesia era formada pelos lugares de Goivães da Serra, Pinduradouro e Povoação, e uma área de 15,37 km2 e apenas 133 habitantes, distante da sede do concelho, Vila Pouca de Aguiar, 10km. Extinta por lei de 2013 foi integrada numa recém criada área administrativa designada por Alvão composta por: Afonsim, Goivães da Serra, Lixa do Alvão e Santa Marta da Montanha; com sede em Afonsim. São assim os nossos políticos, sem respeito pela história de cada terra e lugar, a seu bel-prazer, quando lhes dá na gana atiram do seu apalaçado palácio de São Bento, alfacinha, para fora coisas destas e piores. Doutorice, em muitos casos, deformada que certamente, resultaria melhor se tivessem sido aproveitada na profissão em que eu falhei.
PS. o brasão de Afonsim é de Sérgio Horta, e a foto de Goivães tirei-a eu em visita de romagem no dia 9/8/2010.

Convites por atacados? Não?



JORGE LAGE
A UTAD, leia-se Universidade de Vila Real, comemorou, dia 23 de Março p.p., o seu 32.º aniversário, e fez uma «Sessão Solene Comemorativa», que este ano homenageou a grande escritora, Agustina Bessa-Luís. Para minha surpresa, que agradeço, chegou-me um convite a que chamo «de atacado» e que não valorizo. Aliás, todos os convites não personalizados nem os valorizo. Sem indicação do nome da pessoa a quem se destina, pode ser para qualquer pessoa. Acho que são uma forma de quererem ser simpáticos, mas que geram algum desconforto a quem os recebe na caixa de correio electrónico. O que digo para este caso serve para qualquer convite que me faça alguma Junta de Freguesia, Associação ou Município. Mesmo pessoal, só costumo dizer sim, quando lobrigo o motivo do convite. Em muitos casos, cruzo informação e depois decido.

Dor de alma com a Floresta

  
JORGE LAGE
O nosso Município mudou de Equipa autárquica nas eleições locais. No Portugal rural muitos recebem mal algumas críticas e sugestões. Há mais de década e meia, durante a apresentação dum livro meu na «Feira da Castanha, de Carrazedo Montenegro», o então Presidente de Valpaços, Francisco Tavares, ao apresentar-me à assistência, disse que eu era «um trasmontano inconfundível». Classificava, assim, as críticas que eu fiz ao «intocável» Primeiro-Ministro, Cavaco Silva e aos municípios, quando oportunas. O Governo de Cavaco tinha mandado carregar a GNR sobre os agricultores que se opunham à plantação de eucaliptos em terras de castanheiros e nogueiras. Claro que em circunstância alguma, perante isto, Cavaco teve um voto meu. Também, na apresentação do meu livro, «Mirandela Outros Falares», no Museu da Oliveira e do Azeite, o ex-Presidente, António Branco, aludiu a críticas que fiz à sua gestão autárquica. Recentemente, sobre a limpeza dos matos e árvores junto às habitações e povoados, fui duro com o actual Primeiro-Ministro. E não era para menos. Só se deve falar do que se sabe. Continua a ser triste ouvir os governantes dizerem o que não devem e sem bom senso. Neste saco entra muita ignorância de alguns GIPSE/GNR, Bombeiros, ICNF e, até, da comunicação social, como se deve fazer a redução dos matos e árvores junto às casas e povoados. Claro que dói a quem, como eu, voluntariamente, serviu mais de vinte anos (com muitos milhares de horas) a nobre causa pública da Floresta e da Biodiversidade. Todos opinam e asneiram e quem devia falar e aconselhar são os Municípios através dos Técnicos dos Gabinetes Técnicos Florestais. Assim, não podia calar a voz da consciência cívica. Quando manifesto a minha discordância, apenas quero que os actores façam melhor. Só para dizer bem e bater palmas ninguém conte comigo. As discordâncias pouco representam, porque o geral é os que nos governam fazerem o que devem.

Eventos em Mirandela esquecem-se das aldeias?



JORGE LAGE
O Município de Mirandela é bastante mais que a cidade e se em alguns casos se realizam boas iniciativas nalgumas aldeias, noutras são mais esquecidas. A melhor forma de se ter algum desenvolvimento sustentável ao concelho é não se esquecer do todo. Se numa feira ou «festival» se promove o queijo e o azeite é «obrigatório» convidar para estar presente a Escola Profissional Agrícola (EPA)de Carvalhais. Esta tem um excelente queijo de cabra e de ovelha, bem como um óptimo azeite. Há anos, ofereceram-me um garrafão de azeite da EPA. Achei que era mais um. Repousou na garagem, um ano e quando o abro, sem entusiasmo, sou apanhado de surpresa, por um excelente azeite que parecia ter acabado de sair do lagar. Era um azeite aromatizado, perfumado até, que me fez salivar. Uma maravilha divina! Soube, mais tarde que era da variedade de azeitona verdeal. Também, sou um apreciador exigente de pão (centeio, trigo, bôla calcada, bôla de ovos e bôla de azeitonas). Consumo, habitualmente, pão do concelho de Mirandela. Sou, tal como o, Celestino Reis, capaz de ir de Braga a Mirandela para comprar o melhor pão. Por uma questão de saúde e para não ter problemas de azia em minha casa, compro o centeio na «Padaria Zelita» (na Placa da Bouça - 278339160) e, às vezes, na «Padaria Guerra» (em S. Pedro Velho - 278312144). O último pão centeio que comprei na Bouça causou-me uma felicidade imensa, tal era a qualidade. O trigo costumava-o comprar na «Padaria Seramota» (278263245) e fico com os olhos abertos para o seu bom trigo das alheiras, que quase não aparece à venda. Ali, aconselho a bôla calcada, a bôla de azeitonas, os doces económicos e a bôla de azeite e ovos. A minha «perdição» é pela bôla calcada e os económicos. A minha irmã serviu-me, à merenda, uma bôla de azeite e ovos de uma senhora de Suçães!... Se a «padeira» lhe meter ovos de galinheiro, pode aproximar-se da que se fazia há 50 ou 60 anos. Parece que esta «padeira» só faz as bôlas por encomenda. Mas, eu queria «denunciar», como outrora denunciei, fazerem-se «feiras do livro» sem serem convidadas as livrarias locais ou regionais, lembro ao município para convidar as padarias Zelita e Guerra, para as feiras em que entre pão ou que o nosso melhor pão possa estar representado. Um bom pão compra-se sempre e as pequenas padarias de qualidade das aldeias têm que ser estimuladas e desafiadas. É tempo de as equipas municipais olharem mais para as nossas aldeias. Ganham as pequenas empresas, o concelho e o público consumidor. Suponhamos que se abrem maiores desafios para essas pequenas unidades de produção? Mirandela está para as aldeias, como o poder central estão para o Portugal Interior. O Município tem de se preocupar sempre com a coesão municipal.

O Pai da Revolução é transmontano



Por    BARROSO da FONTE


Jorge Golias nasceu em Mirandela, em 1941. Fez o antigo 7º ano de liceu, em Vila Real. Entre 1972 e 1974, prestou serviço na Guiné. Fez parte do MFA e, talvez porque não quis protagonismo, ao contrário de outros  seus pares, fez formação na Arma de Transmissões, licenciando-se em Engª Eletrotécnica. Nunca reivindicou promoções e, talvez por isso, o poder militar quase se esqueceu dele. Não obstante estar sempre do lado daqueles que pretendiam uma revolução sem sangue e reconciliadora. Só recentemente foi promovido a Coronel,  por pressão de um movimento de camaradas que não concordavam que um daqueles que mais certo estava e nada pretendia em troca, era o único que continuava como Tenente -Coronel.
A revista da A. 25 de Abril, «O referencial» ed. 128, referente a Jan/Março na rubrica «Almoços com História» deu voz  a dois coronéis pacifistas: Jorge Golias e Rosado da Luz.
António Chaves fez-me chegar online esta edição.  Ambos, mais velhos, estávamos do outro lado da barricada, como milicianos. Entretanto conhecemos o investigador Jorge Golias que com o seu notável livro: a Descolonização da Guiné-Bissau e o Movimento dos Capitães, nos convenceu. O Transmontanismo gerou três amigos.  E a Academia de Letras  de Trás-os-Montes, confirmou essa solidariedade cívica, cultural e telúrica. Mal eu sabia que o também amigo comum, José Manuel Barroso, que conheci nas lides jornalísticas e que ainda recordo com sincera admiração, tinha sido o autor do epíteto que me encheu de júbilo, referindo-se a Jorge Golias: «foi um autêntico trator de muitas movimentações na Guiné (…) o pivô essencial da movimentação política quer antes, quer depois do Movimento dos Capitães», ponto de vista logo corroborado pelo cor. Faria Correia: «considero que  o Golias foi o Pai da Revolução».Eis a chave que busco, desde 1974: além de Jaime Neves, também  Jorge Golias, zelava pelos valores da Lusa-Gente.
O amigo comum Jorge Lage, já me tinha confirmado, de viva voz e na sua prosa jornalística, que este seu conterrâneo e valoroso militar, era um HOMEM de antes quebrar que torcer. Que foi o Pai da Revolução eu não sabia. Mas essa certeza aproxima a Associação Nacional dos Combatentes do Ultramar, com a Associação 25 de Abril. Aquela nascera por causa desta. E ambas estão vivas, não obstante  o abismo material que as separa, Para cimentar esta clareza ideológica em relação ao golpe militar do 25 de Abril de 1974, tomo a liberdade, de reproduzir aqui, mais algumas ideias e reflexões deste discreto mas influente militar que se chama Jorge Golias, Mirandelense de corpo e alma, de quem o Coronel Faria Correia, disse, para valer, como testemunho vivo e nunca desmentido:

 “considero que o Golias foi o pai da revolução”. Na qualidade de capitão de Abril, Jorge Golias apresentou uma comunicação estruturada em três elementos: i) Formação na Academia Militar e no Instituto Superior Técnico; ii) descolonização na Guiné-Bissau; iii) o Movimento dos Capitães e episódios do PREC. Daí, haveria de salientar: “Uma revolução tem isso tudo que sabemos hoje, asneiras, traições, saneamentos injustos, etc., que não nos deve envergonhar, antes pelo contrário, porque isso é mesmo assim e foi a dinâmica que se gerou que produziu um extraordinário saldo positivo de conquistas, aprendizagens democráticas, dessacralização do poder, sabença na reivindicação de direitos, soma positiva que ainda hoje é património do 25 de Abril. E é neste caminho da compreensão dos momentos mais dramáticos da revolução, que hoje percebemos melhor, que vamos fazendo a sua catarse e nos vamos pacificando”. E, a concluir, diria: “chegado o momento da verdade, em que o País se podia estar a encaminhar para uma guerra civil, a solução saída do 25 de Novembro, em que os camaradas mais sensatos evitaram maiores retaliações, hoje vejo este episódio histórico como um golpe contrarrevolucionário que teve o alto mérito de evitar uma guerra civil”.
Não conhecia eu a revista da Associação 25 de Abril. Vou arquivar esta edição que me trouxe nuances, bebidas noutros protagonistas, que se adiantaram ao tempo que deve tolerar-se até pousar a poeira da confusão. Cedo começaram os auto-elogios dos mirones que temiam ficar fora da História. Essas edições sobrepuseram-se à literatura séria que os livreiros foram  arrumando com medo de chegar uma emboscada que trocasse a verdade pela mentira, o luar pelo sol, o discreto pelo bizarro. Essa maluqueira foi esboçada nalgumas escolas, em bibliotecas públicas e só o bom senso prevaleceu. Mas casos houve em que as doutrinas marxistas povoaram as estantes da Cartilha Maternal, dos Lusíadas e da Bíblia.  

Cova da Moura


JÁ À VENDA! Livro 'Cova da Moura nos títulos de imprensa'.
Um livro das ciências socias, transversal às areas da comunicação, jornalismo, sociologia,
construção social da imagem e cultura.
Tudo o que não sabe sobre o bairro, as suas gentes e a imprensa... e gostaria de saber!

Também na FNAC Almada, Livraria Culsete (Setúbal) e vamos estar na Feira do Livro de Lisboa.
- Programa 'As horas extraordinárias' RTP https://vimeo.com/203013662
- Reportagem RTP: https://vimeo.com/249537562