sábado, 24 de março de 2018

BRASIL - Uma vítima entre 60 mil




Alberto Gonçalves - OBSERVADOR

Dado que Marielle Franco partilhava uma religião que se limita a considerar a vida dos fiéis e a desprezar as vidas restantes, o barulho selectivo e sonso em volta da sua morte é inteiramente adequado
Há dias, o homicídio de uma vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, causou particular consternação em Portugal. Da indignação nas ponderadas “redes sociais” a votos de pesar no parlamento, o assunto dominou a actualidade durante os dois ou três dias da praxe. Porquê? O que distinguia uma vítima de quem, suponho, 99,95 dos portugueses nunca ouvira falar?
Não foi o facto de ser brasileira. Em termos quantitativos, o Brasil é, com impecável avanço, o país com mais assassínios no mundo, e o décimo quarto qualitativamente. A cada ano, mais de 60 mil pessoas são por lá mortas a tiro ou métodos alternativos, sendo o Rio um lugar bastante prolífico na matéria. A circunstância de o Brasil possuir, desde o sr. Lula, uma legislação altamente restritiva no que respeita à posse de armas de fogo é apenas um pormenor, decerto irrelevante. Relevante é a habitual ausência de comoção deste lado do Atlântico.
Não foi o facto de o crime ter tido uma provável motivação política. Na vizinha Venezuela, são frequentes as matanças por razões “ideológicas”, com ou sem aspas, e nenhuma comove os portugueses “oficiais”. Mesmo no Brasil, e mesmo no universo da política municipal, só em 2017 foram abatidos perto de 40 autarcas, de filiações diversas e por motivos sortidos. Nem um suscitou a atenção da Assembleia da República.
Não foi o facto de a dona Marielle ser “favelada”, impostura repetida nos obituários e desajustada a uma cidadã que trepou pela escada social e pela política. Além disso, “favelados” a sério são alvos preferenciais da cultura de violência predominante no Brasil e não consta que estimulem vigílias em Lisboa.
Não foi o facto de a dona Marielle ser, conforme lembraram os “media” com curioso frémito, “mulher, negra e lésbica”. Entre as resmas de cadáveres baleados ou esfaqueados no Brasil, é estatisticamente impossível não haver milhares pertencentes a mulheres, muitas delas negras, algumas lésbicas, cujo triste fim não mereceu lamentos de cançonetistas e homenagem de deputados. Além disso, seria grotesco que, nestes “inclusivos” tempos, o género, a “raça” ou a orientação sexual influenciassem a piedade ou a indiferença das massas.
Não, senhor. O homicídio da dona Marielle provocou rebuliço porque a senhora era “activista”, suave código para “comunista” e autorização, ou ordem, para luto carregado. Uns mandam e, por convicção, medo, contágio ou perturbação, os demais obedecem. Tivessem as balas atingido um democrata comum, dos que prezam a liberdade e ninharias afins, o caso passaria à obscuridade com discrição e a ajuda de dois terços da AR: a unanimidade fúnebre abençoa unicamente os que combatem injustiças discutíveis em prol de injustiças inomináveis. Absurdo? Nada. Dado que Marielle Franco partilhava uma religião que se limita a considerar a vida dos fiéis, e a desprezar as vidas restantes, o barulho selectivo e sonso em volta da sua morte é inteiramente adequado.

Notas de rodapé:

1. Depois do ministro das Finanças, soube-se que o dr. Costa também pediu bilhetes para a bola. Em paragens menos folclóricas, o pedido seguinte seria o de desculpas, e talvez o de demissão. Por cá, é uma tradição respeitável, um pretexto para gracejos no parlamento, um pormenor imune a juízos de valor, uma simples pincelada na vasta aguarela da portugalidade. O mistério nem é tanto o sermos governados por burgessos, ou os burgessos se divertirem à nossa custa. O mistério é nós gostarmos.
2. É como a história do sujeito que faleceu com um resfriado agravado pelo camião que lhe passou por cima. Já sabíamos que os incêndios do ano passado haviam sido provocados por um raio despropositado, eucaliptos imaginários, a perfeita “tempestade de fogo” (?), alterações climáticas, agiotas da madeira, o sr. Trump, a incúria das populações, maluquinhos da aldeia, o governo de Passos Coelho, a ausência de cabras “sapadoras”, a seca, a desdita, etc. Soube-se agora de uma insignificância que é capaz de ter qualquer coisa a ver com o assunto: entre Março e Outubro, o governo recusou total ou parcialmente sete avisos da Protecção Civil para a necessidade de mais bombeiros e aviões no terreno. No meio destas curiosas desavenças burocráticas morreram cento e tal pessoas, fora trocos materiais. Das que sobreviveram, e a julgar pelas sondagens, uma boa parte continua a apoiar o PS, e outra parte rechonchuda apoia as seitas que apoiam o PS (PSD “moderado” incluído). São livres disso. Não se livram é de confundirmos os lamentos pela tragédia com um cinismo cruel e até um bocadinho demente.
rosas.jpg3. Ao contrário de alguns, não me parece mal que uma criatura como o sr. Fernando Rosas ande a tossir palavreado pelas televisões e pelos jornais. Para ser sincero, até acho pedagógico: a presença dele ilustra na perfeição o caldo de subserviência e miséria a que chegou o chamado “espaço mediático” nacional. A título de exemplo, há dias o sr. Fernando Rosas decidiu que o CDS só tem um dirigente gay porque “é moderno”. Dos portentos intelectuais do BE, uma pessoa habitua-se a ouvir quase tudo. Porém, nunca tinha ouvido que, à semelhança da cor dos suspensórios do sr. Fernando Rosas, a homossexualidade é uma questão de moda. A ser verdade, há sujeitos que, embora propensos a entusiasmar-se com a Amy Adams, resignam-se ao apresentador Malato porque as tendências Primavera/Verão assim obrigam. A ser mentira, não é, apesar de tudo, das maiores proferidas por cabecinhas do BE. Claro que, na boca de um político de “direita”, a frase seria uma exibição de ódio e intolerância. Na boca do sr. Fernando Rosas, à solta na coutada do macho esférico, a atoarda passou, salvo por uns exaltados que no Facebook exigem a punição da personagem. Esquecem-se de que, dia a dia, hora a hora, instante a instante, a personagem já sofre o pior dos castigos: ser o sr. Fernando Rosas.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Delírio de Opinião

Delírio de Opinião

por Diogo Noivo - Delito de Opinião
Na sua intervenção na Universidade de Coimbra, José Sócrates brindou o auditório com alguns comentários que são puro delírio. Ir a todos, ponto por ponto, daria origem a uma série de posts interminável. Porque a vida não me dá o tempo necessário para fazê-lo e porque a atenção a dispensar a José Sócrates deve ser moderada (sob pena de deixar mazelas psiquiátricas), deixo aqui apenas um singelo gráfico sobre a evolução do desemprego em Portugal – cortesia da página de facebook de Fernando Alexandre.
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Da observação do gráfico, e tendo presente que o Governo de Pedro Passos Coelho tomou posse em Junho de 2011, há dois argumentos de Sócrates que são rapidamente desmentidos: (i) a culpa da crise é da austeridade de Passos Coelho – aliás, bastava olhar para o calendário e perceber que foi José Sócrates, e não Passos Coelho, a chamar a Troika e o correspondente Programa de Assistência Económica e Financeira, mas adiante; (ii) o desemprego foi um problema do governo de Passos Coelho - como é fácil de ver, a taxa de desemprego começa a sua clara trajectória ascendente com José Sócrates e é durante o governo liderado por Passos Coelho que o número de desempregados começa a baixar.
Outros gráficos, como o da evolução do défice, poderiam ser apresentados e as conclusões seriam as mesmas. Mas, por um lado, a atenção dispensada a Sócrates tem de ser comedida e, por outro lado, o delírio de opinião é impermeável a factos

Sobre a "peça", suspensórios e a História

Sobre a "peça", suspensórios e a História

por João Villalobos - Delito de Opinião
rosas.jpgÉ óbvio que Adolfo Mesquita Nunes só poderia responder com a ironia e o savoir-faire que se lhe conhece à inanidade proferida por Fernando Rosas. Rosas é um cromo perigoso. À medida em que outros melhores do que ele foram falecendo, tornou-se - através de um caminho das pedras mediático - porta-voz de uma pseudo-realidade passada que nunca aconteceu. O PC despreza-o. Perdeu inúmeros compagnons de route pelo caminho que o abandonaram, em particular entre os anos 70 e 80, e tornou-se um divulgador de fake news sobre o que passou quando era novo e já poucos se recordam. Agora, decidiu falar de modernidade e criticar um político que assumiu a sua opção sexual. Ele - Fernando - lá saberá o que faz, porque o faz e etc. Quanto a mim, o Adolfo tem toda a razão. Não fazendo subir o senhor Rosas até ao palanque do debate inteligente, foquemo-nos nos suspensórios. E, já agora, também no título que acompanha este cartaz; "As peças que acompanham a História". A peça já é conhecida. Se ele a acompanha, à História? Tenho sérias dúvidas. Quanto a que contributos deu, dará ou tira a essa "História", isso, um dia, ainda será objecto de tese. 

Sírios aguardam em Zaatari - Jordânia


No 2º maior campo de refugiados, na Jordânia, em ZAATARI, os Sírios esperam o fim da guerra.



quinta-feira, 22 de março de 2018

Abre os olhos zé vesgo


 Por: Costa Pereira - Portugal, minha terra
O 25 de Abril deu para isto: com a liberdade o país e nação perdeu tudo quanto de prestigiante tinha. E ninguém venha dizer o contrário porque mente. Apontem lá quem tinha coragem de no fim de uma catástrofe como aquela que se abateu em Pedrógão Grande aproveitar o momento para saquear em seu proveito o muito ou pouco que na Câmara Municipal havia? E depois queixam-se que o António da Calçada ordenasse que gente desta fosse gozar férias em Peniche, no Tarrafal e em outros lugares azados para esta gentinha apanhar sol. Aqui não incluo os puramente políticos, nem devo.
Já estou a ver quem me acuse de fascista, e não sei de que outros apelidos mais, mas eu tenho as costas largas e posso bem com a carga toda. Não estou aflito estou é com pena das lacunas que a Comissão Técnica Independente encontrou e recomendou corrigir muitas das quais foram responsáveis pela morte de tantas pessoas e bens patrimoniais. Como também lamento que no caso do fogo de Oliveira do Hospital passado quase meio ano ainda haja aldeias sem telefone fixo, telemóvel e luz elétrica. É pena que isto aconteça e os gatunos continuem a medrar e a terem quem todo satisfeito os defenda e lhes bata palmas, se não é parece. Que dizer ao ver um Sócrates feito palestrante na mais conceituada Universidade do país, senão pensar assim! Já me não admiro nada se daqui a dias sair doutorado de Coimbra.
Outra moda que nos trouxe o 25 de Abril foi essa de por tudo e por nada distribuir sorrisinhos e palmadinhas nas costas, muitas vezes mesmo sem se saber porquê e a que titulo. Mas adiante, Ao que consta foi agora detido um chefe de divisão da Câmara Municipal de Pedrogão Grande e aprendidos mais de 400 mil euros, lê-se em noticia de 21 de Março, e segundo a PJ para além deste estão também envolvidas uma tesoureira e um contabilista. 
É nisto que os portugueses devem ter respeito pelo governo do Dr. Passos Coelho porque além de honesto pôs a justiça em funcionamento e sem preconceitos meteu nas grades caça graúda, que não é fácil apanhar, e pelo tamanho e peso, de carregar com ela… Abre os olhos zé vesgo

A justiça e o jornalismo ao serviço da democracia


BARROSO da FONTE

No dia 15 de Março decorreu na biblioteca Raul Brandão, em Guimarães, um debate muito oportuno sobre o Jornalismo e a Justiça. A iniciativa foi do Gabinete de Imprensa, aqui fundado, em 3 de Março de 1976. Serviu para refletir os 42 anos do setor, entretanto decorridos. Para abordar o tema foi convidado o deputado socialista Pedro Bacelar de Vasconcelos, também professor de direito constitucional, na UM e cronista da Praça da Liberdade, rubrica do JN que às quintas-feiras expõe a sua opinião, em meia página de leitura, para mim obrigatória. Esser Jorge, presidente do GI, já em 7 de Outubro de 2016, tinha promovido outro debate, na Sociedade Martins Sarmento e com o mesmo fim. António José Seguro, ex-secretário geral do mesmo partido, veio aos 40 anos do GI falar de «Transparência e reforma eleitoral». Ao longo dos 42 anos de vida, desta primeira associação desde o 25 de Abril de 1974, já fizera sócios honorários alguns dos mais sonantes jornalistas  da imprensa regional, nomeadamente: Antonino Dias Pinto de Castro, José Casimiro da Silva, Abílio Gouveia, Abel Pinto e outros.
Do GI nascera o IPIR (Instituto Português da Imprensa Regional) e, de associados destas duas instituições de utilidade pública viria a nascer uma terceira: a UNIR. Estas e outras foram reforçando a necessidade de valorizar os jornais e os jornalistas que, até aí, apenas podiam exercer a sua profissão, através do sindicato. Mas também faltava regulamentar os cursos médios e superiores de comunicação social, criando-os e dotando-os de formadores e de legislação democrática e técnica. Apareceram, desta exigência, os cursos médios, através do GI e do FAOJ (Fundos de Apoio  aos organismos juvenis), que tiveram nove Câmaras do distrito de Braga, como campo de experimentação e simultaneamente. Foram – que se saiba – dos primeiros cursos de formação profissional, ministrados por profissionais da jornalismo e da rádio.
  Neste debate de 15 do corrente partiu-se do exemplo nacional do GI e dos seus 42 anos, para as sementes que produziram efeito imediato, com medidas políticas de que foi exemplo o Despacho Normativo 367/82 do Secretário de Estado Sousa Brito que criava o Cartão de Acreditação, equiparado àquele com que o Sindicato credenciava os seus associados. José Alfaia, Marques Mendes e Arons de Carvalho, prosseguiram essa caminhada com a reconversão tecnológica, o Estatuto do Jornalista, o Código Deontológico, a revisão da Lei da imprensa.
À cabeça desta panóplia de profundas e indispensáveis alterações esteve o GI que ainda está vivo e que, agora reafirmou, com o anúncio de novas exigências formativas. Quem assistiu a este debate integrado no 42º aniversário do GI, ficou ciente de que se deram passos de gigante no sentido prático da cidadania. Vinha-se de um regime caraterizado pela sujeição da liberdade à censura. Sem a liberdade cívica não poderia haver democracia. Daí a superação democrática.
 Coincidentemente o Povo de Fafe, completou 77 anos na data em que o G.I foi fundado. O signatário representava o JN no concelho de Guimarães. Zona industrial, com sindicatos, comissões de moradores, arruaças, que o PREC exigia dos correspondentes mais trabalho do que compreensão. O JN era o diário mais lido e mais influente, sobretudo para a esquerda revolucionária do tempo. Os correspondentes tinham que agradar a todos, sob pena de desmentidos ou direitos de respostas. Tínhamos os mesmos deveres dos sindicalizados, mas quase nenhuns direitos e nem sequer dispúnhamos de cartão de acesso. Destas maleitas sofriam os representantes do Comércio do Porto, do 1º de Janeiro, do DN etc. Para suprir essas insuficiências tivemos a criar um ponto de encontro, onde  trocássemos experiências, solidariedade e apoio. Como pai da ideia coube-me o nº1; o nº 2 era o Simão Freitas, do CP, o Américo Borges do Janeiro, o Fernando Tavares, do DN etc. O convite  seguiu pelos diretores dos órgãos locais e regionais; depois, pelos colaboradores. Como a «necessidade cria o órgão», posemos as ideias em prática. «Das tripas fizemos coração». Formação, aprendizagem, espírito de entre-ajuda, mesmo respeitando as ideias de cada um. O GI foi pioneiro e único no País. Enquanto não se instituiu a Carteira Profissional, o GI provocou aquele Despacho Normativo que substituía o Sindicato. Em 1982, o GI pariu o IPIR, para zelar pelos órgãos de informação que também não dispunham de defesas. Chegámos onde era preciso: ao diálogo com o poder. O poder reconheceu o nosso trabalho. Chamaram-nos o «cabouqueiro-mor da imprensa regional». Três anos bastaram para sermos parceiro do poder político, entre 1982 e 1985. Hoje temos todos os meios indispensáveis ao exercício democrático. A Justiça manda e comanda. O jornalismo faz de «furão». Os tribunais exercem o seu papel institucional. Há liberdade, existem leis para controlar essas liberdade e  há respeito. O jornalismo tem-se afirmado como elemento indispensável à sobrevivência cívica.  Quem discordar é injusto. 
Se não houvesse liberdade de imprensa não se conheceriam processos macabros como esses que criaram novas classes: banqueiros falidos a quem nada falta e gente comum que amealhou em vidas  inteiras, para  morrer pobre e revoltado contra aqueles lhes sugaram o suor e assistem a tudo, de cima do seu trono, porque o dinheiro compra tudo e até algumas consciências.
Mas que seria da sociedade nos tempos que passam sem jornalistas a denunciar os crimes públicos e sem a justiça a validar essas denúncias?
                                                                

A alteridade e fenomenologia em Nomes Próprios de André Veríssim


Este pensador Barrosão enveredou pelos caminhos da filosofia e, conscientemente, deixou-se enfeitiçar pela fenomenologia religiosa, quando elegeu para tese de mestrado O tempo e o outro de Husserl a Levinas, passando pela publicação da Intriga Ética bem como muitos outros escritos (Emmanuel Levinas 1906-1995 – Uma vida entre parêntesis; A Crise do Homem - uma ética do tempo comum; Sociedade Complexa – teorias da comunicação; A Intersubjetividade com Deus como forma histórica, intramundana – como separata do Congresso Internacional As Confissões de Santo Agostinho 1600 anos depois: presença e actualidade; Ética Judaica I – Hermenêutica Elementar; e co-autor de diversos Livros entre os quais Dor e Sofrimento – Uma perspetiva Interdisciplinar com a contribuição Sofrimento e Shoah, 23 páginas em torno de Hans Jonas; bem como outros tantos ou mais livros), sendo um dos mais recentes o livro Nomes Próprios Vol. I (Vol. II já em vias de publicação) dessa mundividência declarativa. Alguns dos mais incisivos mentores desta confraria fenomenológica.
A filosofia é essencialmente uma ciência dos começos verdadeiros, das origens, dos inícios da sociedade pensante. Husserl disse que «a ciência do radical tem que proceder também radicalmente, e sob todos os respeitos. Sobretudo ela não deve descansar antes de ter chegado aos seus inícios, isto é, aos seus problemas absolutamente claros, aos métodos delineados no próprio sentido desses problemas, e ao campo ínfimo da elaboração das coisas de apresentação absolutamente clara».
Como mãe de todas as ciências, a Filosofia tem de responder e corresponder a todas as dúvidas que se levantem à alteridade. O outro tem sempre direito às explicações que suscita e que a ciência tem o direito e o dever de dar no espaço e no tempo.
André Veríssimo é um filósofo, escravo das questões com que se confrontou, quer como ser religioso, como moderador de consciências, quer mesmo como pedagogo e cidadão preocupado com a cidadania da alteridade em que nasceu e vive. No seu já longo percurso de viandante, questionou-se e questionou os outros. Os tais que constituem «o princípio da alteridade» com que inicia a introdução desta obra, a que chamou os Nomes Próprios Vol. I (ver p. 12). Aí define esse princípio como «movimento de alocentridade em Levinas como na ética judaica e pós estrutural percebemos esse veículo de indícios sublinhados por Jacques Derrida que nos habilita à escuta do grande moralista de feição husserliana do século XX».
A já longa experiência de André Veríssimo, quer teórica quer prática, é um somatório afirmativo que serve de alavanca aos 45 capítulos distribuídos por seis partes (ou estações da via-sacra fenomenológica), a saber: ética, retórica, filosófica, teoria política, pedagogia e crítica.
Na contracapa deste mais recente livro afirma André Veríssimo que a «maioria dos moralistas contemporâneos apresenta a ética moderna como a destruição de toda a moralidade, um nihilismo mortal, o nascimento de um mundo sem ética (…). A realidade humana é confusa e ambígua e também as decisões morais, diversamente dos princípios filosóficos éticos abstratos, são ambivalentes». Estas tendências do menor esforço, são causa direta do laissez-faire, muito na moda do deixa andar. Quando se pretende minimizar o papel dos «filósofos angustiados que não conseguem conceber moralidade sem princípios, sem fundamentações, demonstramos dia a dia, que podemos viver, ou aprender a viver ou tentar viver num mundo desse tipo, embora poucos de nós estejamos preparados para expressar...»
André Veríssimo ao trazer a público o primeiro volume de Nomes Próprios, enuncia um esboço temático de mais nove tomos, através dos quais tentará explicar-se e explicar aos seus leitores. Faz essa promessa na Introdução, na abordagem Do humanismo à modernidade sem ilusões. Num primeiro item convida o «outro, em que o outro não está mais aí e que, por isso, devo assumir a sua falta – é o momento no qual a obra se mostra mais viva e, também por isso é quando a vida pode mostrar-se obra.» Neste âmbito, conjugando o pensamento de Jacques Derrida com Levinas, dois pensadores mais próximos de nós, faz crer que em Totalidade e Infinito, podemos principiar por ver a obra pensada como «fecundidade», mesmo quando invoca a Epifania da morte que para Derrida é o momento que me falta o outro.

Um prefácio suavizador de Milena de Barros

A meia dúzia de itens que desfilam nas trezentas e quarenta páginas deste livro, enunciados no título e desenvolvidos nos 45 capítulos, merecem tratamento suave, mas corajoso, nas pp 10 e 11 e à luz da visão da jurista Milena de Barros. O direito é, como todas as ciências, filha da filosofia. E reconciliam-se, admiravelmente, neste tratado, numa síntese de duas páginas, em postura concordante, como aí se lê: «com o rigor e a profundidade a que habituou os seus leitores, vem o Filósofo, Investigador, Professor, Ensaísta e Autor, guiador da perplexidade em temas humanos e problemas sociais – André Veríssimo - presentear o seu auditório com este livro» que se lê e relê num ápice.
 À laia de síntese deixa ao cidadão um entusiasmante convite: «O leitor traça o seu próprio trajeto, podendo fazer visita às terras descobertas ou a descobrir, que entender e na ordem que entender». Quem se questiona perante a realidade cósmica que nos rodeia, nos toca e nos assusta, por cada fenómeno estranho que acontece, precisa de ler e de compreender as teorias científicas desta panóplia de pensadores que desfilam nesta passarelle: ensaios de ética, retórica, filosofia, teoria política, pedagogia e crítica.

Rebeldes da Síria fazem acordo com governo para saída de Ghouta.


Um acordo mediado pela Rússia determinou a retirada de um grupo rebelde sírio de uma cidade de Ghouta Oriental. O primeiro pacto do tipo no último bastião rebelde remanescente próximo da capital.
Combatentes do grupo rebelde Ahrar al Sham que controlam a cidade sitiada de Harasta concordaram em depor as armas em troca da saída segura rumo ao noroeste do país, comandado pela oposição, e de uma oferta de perdão nos termos de uma reconciliação com as autoridades para aqueles que quiserem permanecer, disseram as fontes.





quarta-feira, 21 de março de 2018

Árvores que se recusam a morrer


 
JORGE LAGE
Apesar da brutalidade e superficialidade com que o primeiro-ministro e ajudantes têm tratado as árvores, com uma insensibilidade e ignorância confrangedoras. Os GTF deviam ser os únicos a passar a informação à população e não este ou aquele organismo. O que é que a GNR percebe de árvores? Pouco mais que o primeiro ministro. Então as folhosas não são uma barreira natural contra a proguessão dos incêndios? E que dizer das árvores e vegetação repícolas e dos lameiros? Uma ignorância dos políticos e técnicos de gabinete que fazem as leis e que deitam boca fora atoardas.
As árvores não são coisas, são seres vivos e, em certos aspectos, superiores ao homem. Seres vivos que sofrem com as agressões de que são alvo, em especial as árvores em espaços urbanos.
Aproximando-se o dia da Árvore e da Floresta resolvi partilhar as imagens abaixo com os/as amigos/as, na expectativa de que uma mensagem menos cruel comece a passar para a população.
Apesar de parecer casual, nas diversas curiosidades, podemos ver manifestações ou demonstrações de inteligência. Um dia a sua forma de comunicação poderá ser descodificada pelo homem.









"Carrazeda de Ansiães - Um Município do Douro" em LISBOA

Cara/o Associada/o,

A Direção da Casa de Trás-os-Montes e Alto-Douro tem o prazer de a/o convidar para assistir ao lançamento  do Livro: "Carrazeda de Ansiães - Um Município do Douro", Estudo sobre o Concelhoda autoria do Dr. Fernando Augusto de Figueiredo, apresentado pela Srª. Deputada Drª Edite Estrela,   no próximo dia 22 de Março , quinta-feira, pelas 18.30horas , a realizar na sua Sede,Campo Pequeno, N.º 50, 3º Esq., em Lisboa.

Contamos com a sua presença,
A Direção
Saudações Transmontanas e Durienses
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Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro
Campo Pequeno, 50 - 3º Esq.
1000-081 Lisboa