segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Sócrates, mais uma vez


Maria Filomena Mónica - EXPRESSO
18.11.2017

Em 2005, quando Sócrates ascendeu a primeiro-ministro, reparei que a personagem era sinistra. Por ter outras coisas para fazer, não passei os dias a anotar os seus gestos, mas, de forma inconsciente, fui confirmando a impressão original. Até que, em 2009, escrevi um artigo, onde sistematizava as aldrabices por ele usadas para chegar até onde chegara. Isto há oito anos, quando a procissão ainda ia no adro.
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 Como foi, o artigo, publicado originalmente no Expresso

Actualizado em 30 do 11 XVII

Prémio INATEL/TEATRO - NOVOS TEXTOS 2017/2018

O Concurso Fundação INATEL/TEATRO NOVOS TEXTOS tem como intuito estimular novos autores para a escrita de textos originais em língua portuguesa promovendo e divulgando novos valores literários na área do Teatro.

O presente concurso rege-se pelo seguinte regulamento:
1.     O Concurso INATEL/TEATRO-NOVOS TEXTOS realiza-se na presente edição com a atribuição de dois prémios:
- Grande Prémio Fundação INATEL               2.000,00 €
- Prémio Miguel Rovisco                                   1.000,00 €
             - Caso o júri delibere conceder uma menção honrosa, será atribuído uma estada de duas noites para duas pessoas, regime APA, em época média ou baixa numa unidade hoteleira da Fundação INATEL, à escolha, a usufruir até final de 2018. 
1.1.   Não serão atribuídos prémios ex aequo.
1.2.   O Prémio “MIGUEL ROVISCO” destina-se a galardoar o melhor trabalho de jovens autores até 25 anos de idade que, expressamente na folha de rosto do texto, a ele indiquem concorrer
1.3.   Os critérios para atribuição dos Prémios são da responsabilidade do Júri, reservando-se a este o direito de não atribuir algum ou ambos os prémios, se a qualidade dos trabalhos apresentados assim o impuser.
1.4.   Os Prémios, uma vez atribuídos, serão comunicados no sítio Internet da Fundação INATEL e entregues aos premiados, em sessão pública. Apenas os premiados serão notificados.
2.     As obras premiadas serão publicadas em 1ª Edição pela Fundação INATEL.
3.     Podem concorrer autores de qualquer nacionalidade, desde que os trabalhos sejam redigidos em língua portuguesa.
4.     A admissão das obras a concurso pressupõe o pagamento de uma taxa de inscrição no valor de 10€ para Associados INATEL e de 20€ para Não Associados.
4.1   – O pagamento da taxa de inscrição poderá ser feito em dinheiro, caso os trabalhos sejam entregues numa Unidade Orgânica INATEL, ou através de transferência bancária para o IBAN PT50 0033 0000 00 180 680810 77, se enviados via CTT para a Sede da Fundação, sito na Calçada de Sant’Ana, 180 - 1169-062 Lisboa.
4.2   -O prazo de entrega dos mesmos será até ao dia 31 de janeiro de 2018.Os textos enviados a concurso devem ser acompanhados por 2 envelopes:
4.2.1 - Envelope fechado, indicando, no exterior, o respetivo pseudónimo, nome da peça e nome do prémio a concurso; e no interior, a identificação do autor (nome, morada e contacto telefónico) bem como uma fotocópia do Bilhete de Identidade / Cartão do Cidadão caso esteja a concorrer ao Prémio Rovisco, como comprovativo que tem 25 anos à data de entrega da obra a concurso.
4.2.2 – Envelope fechado, indicando, caso não seja associado INATEL, para a emissão de fatura /recibo, os seguintes, dados:
- Nome Completo
- Morada
- Número de Cartão de Cidadão
- NIF
No caso de ser Associado deverá enviar uma cópia do cartão como comprovativo. Apenas o Departamento de Cultura terá acesso aos dados acima referidos. Em ambos os casos se optar pela transferência bancária deverá anexar o comprovativo da mesma com os restantes documentos solicitados.
4.3   -O valor da inscrição é correspondente a uma só obra, pelo que caso sejam apresentadas várias obras por autor, cada uma corresponderá a uma inscrição.
5      Cada pseudónimo deve corresponder a uma só obra. As várias obras do mesmo autor devem corresponder a pseudónimos diferentes.
6      Os trabalhos apresentados terão de ser inéditos, podendo tratar-se de textos individuais ou em coautoria, não podendo, até à decisão do Júri do Concurso, ser levados ao conhecimento do público sob quaisquer formas (Encenação, edição, etc.).
7      Os originais a concurso podem ser de qualquer género teatral e de tema livre, devendo, no entanto, permitir pela sua extensão, a realização de um espetáculo de duração não superior a 90 minutos.
8    Cada autor deverá apresentar três (3) exemplares da obra, assinados com pseudónimo e dactilografados com formatação específica: em formato A4, com tipo de letra Arial (12), espaçamento de 1,5 entre linhas, encadernação em argolas ou prensagem a quente e devidamente numerados. 
9      As candidaturas apresentadas são avaliadas por um Júri nomeado pela INATEL e composto por três (3) membros:
- Cucha Carvalheiro (Encenadora /Atriz)
- Maria João Luiz (Encenadora / Atriz)
- Rui Pina Coelho (Dramaturgo /Critico)
10    As decisões do Júri são irrecorríveis.
11    Os originais não reclamados no prazo de 30 dias após a data da divulgação dos prémios serão inutilizados a fim de se preservar a característica do ineditismo.
12    Serão excluídas todas as candidaturas que não preencham os requisitos solicitados nos pontos anteriores, comprometendo-se os autores a concordar com as condições apresentadas neste regulamento.
13    Os casos omissos neste regulamento serão apreciados e decididos pelo Conselho de Administração da Fundação INATEL e da sua decisão não haverá recurso.

CÂMARA MUNICIPAL DE VILA REAL
Grémio Literário Vila-Realense



Faleceu o Dr. Artur Couto


Cara(o) Consócia(o),


Foi com natural tristeza e profundo pesar que recebemos a notícia do falecimento nosso respeitado Consócio Dr. Artur Couto, ontem pelas 19h30!

O Dr. Artur Couto além de ter sido um sócio da Nossa Casa bastante participativo nas diversas atividades, fez parte da Direção e do Conselho Regional da CTMAD.

O corpo do nosso querido Conterrâneo e Sócio da CTMAD irá está presente na Igreja de Arroios a partir das 14h00 de hoje.

Para terminar, a Direção da CTMAD endereça à família enlutada os seus sinceros sentimentos pela perda deste seu ente querido.
Que descanse em Paz!
Saudações Transmontanas Durienses,

                Hirondino Isaías

                   919 674 044





Comentários:


Barroso da Fonte
27/11

Doutor Armando Palavras: Soube pela Casa de Trás-os-Montes de Lisboa que
faleceu ontem o Dr. Artur Monteiro do Couto que nasceu em Sapiãos, Boticas
e que colaborou nesse seu Jornal e no Ecos de Boticas. Foi um Transmontano
de 5 estrelas.Por intermédio dele muitas coisas se conseguiram para Boticas
e sua Região. Nomeadamente trouxe a Boticas o Prof. José Hermano Saraiva,
como o realizador dos Horizontes da Memória (que fora seu professor).Creio
que foram realizados diversos vídeos por causa dessa ligação.
Fui colega dele (mais novo).E soube que foi dos ex.alunos aquele que mais
se distinguiu.Resolvi
 mandar ao seu cuidado estes dados que constam no site da Associação dos
Antigos Alunos.

Um grato abraço do Barroso da Fonte





Costa Pereira

27/11

Vou rezar por este inesquecível amigo com quem privei muito de perto. Ainda há uns 15 dias nos comunicamos virtualmente. Grande barrosão de Boticas. Muito obrigado, triste noticia. 

 Actualizado a 28/11

domingo, 26 de novembro de 2017

Excentricidades


Fernando Leal da Costa - OBSERVADOR

A trapalhada sobre o INFARMED revela o que há de pior na forma que o primeiro-ministro usa para encontrar desculpas, fabricar ilusões e desviar atenções. O estilo pegou e o Governo vai atrás do chefe.

Entendi que me devo pronunciar sobre a deslocalização do INFARMED porque é uma instituição que conheço bem, onde trabalho há cerca de 25 anos, e porque este episódio, que provavelmente não passará disso, demonstra o que há de pior na circunstância de termos um primeiro-ministro incompetente, mentiroso, inseguro e inconsequente. São adjetivos fortes, reconheço, que me custa escrever, mas são muito aparentes. O tempo está a encarregar-se de mostrar o que cada um é. O problema nem está na coligação social-comunista, está mesmo em que o dr. António Costa nem para capataz das esquerdas unidas serve. A trapalhada sobre o INFARMED revela o que há de pior na forma que este primeiro-ministro usa para encontrar desculpas, fabricar ilusões e desviar atenções. O estilo pegou e o Governo, quase todo, vai atrás do chefe. Desta vez, outra vez, calhou ao ministro da Saúde ver-se embrulhado num assunto que de nada lhe serve, nem para escamotear os apertos em que tem estado, e apenas o diminuiu intelectualmente e na credibilidade. O dr. Campos Fernandes não precisava de mais esta e deveria ter-se colocado de lado e nunca ao lado de tão tamanho embuste como o da mudança do INFARMED.
Em agosto de 2016, numa outra revista para onde vou escrevendo, já eu tinha alertado para que a luta com o intuito de conquistar a sede da EMA deveria ter começado nesse verão. Não foi assim. Posteriormente, há a decisão do Governo, ratificada no Parlamento, de iniciar um processo de candidatura com a intenção de trazer a EMA para Lisboa. Não se conhecem os pressupostos que levaram o ministro da Saúde a propor essa localização. Talvez nem existissem. Sendo assim, começou o disparate. Logo de seguida, aproveitando a impreparação do Governo, com o habitual toque de provincianismo que move a política autárquica, surgiram uns indignados a sugerirem o Porto. Poderia ter sido Braga, Coimbra ou Santarém. Porque não? Não têm aeroporto? Estão longe da administração central? Mas a verdade é que não foram equacionadas, nacionalmente, alternativas.
O Governo, para dar uma mão ao candidato do PS no Porto que tinha sido expulso da coligação com Rui Moreira, decide, sem nenhuma racionalidade prévia que se conheça, que o Porto é que será. Nomeia, muito bem, um distinto portuense, de quem tenho o gosto de ser amigo, para liderar o processo de candidatura do Porto à sede da EMA. Estou certo de que o dr. Eurico Castro Alves fez o seu melhor. A diplomacia esforçou-se, esforça-se sempre muito, mas com tempo limitado e meios desiguais. O Porto não era, de facto, uma boa alternativa e, devemos aceitá-lo, Lisboa talvez não tivesse melhores hipóteses de lutar contra Amesterdão, Milão ou Copenhaga, locais desde logo apontados, até na literatura médica, como os mais indicados para albergar a sede da EMA. O Porto não foi escolhido. Não perdeu coisa nenhuma, porque não se tratava de um campeonato e é absurdo vir alguém dizer que foi excelente porque ficou em 7.º ou seja lá que lugar tenha tido nas votações. Deve até dizer-se que o processo final de escolha para a cidade da sede, entre Milão e Amesterdão, não abona nada sobre as instituições europeias. Uma agência da importância da EMA não poderia ter a decisão sobre a sua futura localização em resultado de um sorteio. E, sejamos sinceros, ambas as cidades têm os seus aeroportos principais, embora bem servidos de ligações, bem longe dos centros urbanos. Aí, pese embora a hora ser a de Londres e isso ser crítico para quem está longe da Europa central, Lisboa bate todos. Aeroporto mais central, é difícil.
Assunto encerrado. Há mais coisas importantes para tratar. O Porto tem o que tem e pode ter orgulho nisso. O Porto não precisa da EMA para ser o Porto, a cidade portuguesa de que todos gostamos e a quem o País tanto deve. Não saiu diminuído, nem engrandecido, com o processo da EMA que correu mal e nunca poderia ter decorrido de outra forma. O Governo nem estava muito preocupado com isso. Se ganhasse, perfeito, o Costa é um iluminado, perdendo, não faz mal, já que “a Europa nem sempre faz boas escolhas”. Não é?
Não. Não é. Logo no dia seguinte, cedo pela manhã, o nosso ministro da Saúde, sem antes nada ter dito a mais ninguém, provavelmente de conluio com o chefe, liga ao dr. Rui Moreira e comunica-lhe que a sede do INFARMED vai para o Porto. “Não tens EMA mas tens INFARMED”, em jeito de prémio de consolação que, na lotaria, se diria ser a terminação.
O facto de nunca se ter escrito que o INFARMED iria para o Porto em nenhum documento, já haver um plano estratégico do INFARMED que pressupõe a manutenção da sede onde ela está, não existir nenhum estudo conhecido que demonstre vantagens em mudar a localização do Instituto, ignorar a opinião da senhora presidente do INFARMED, não ter procurado antecipar a reação dos trabalhadores, não mencionar custos, nada disto teve qualquer importância.
Mas o desnorte, na busca do Norte, não ficou por aqui.
A decisão que estava tomada, acompanhada da arrogância ministerial que afirmou não precisar dos técnicos que estão em Lisboa porque encontrará outros no Norte, face à repulsa manifestada pela esmagadora maioria dos trabalhadores e agentes políticos, transformou-se numa intenção “política”, redundou numa comissão que ainda vai estudar o assunto, numa mudança de parte da estrutura, numa medida que ainda pode ser totalmente revertida e, mais recentemente, numa decisão tomada há muito tempo.
Se a localização da EMA no Porto dependia da mudança do INFARMED, nunca ninguém o disse. Se a proximidade das duas agências, EMA e INFARMED, era fator determinante, a localização ideal, em Portugal, seria Lisboa. Parece cristalino. E argumentar com a ERS não tem sentido. A Entidade Reguladora da Saúde está no Porto porque o primeiro presidente que foi escolhido era do Porto. Foi essa a razão técnica. Se houvesse vantagem em ter as reguladoras a 300 Km do Governo, como se isso fosse a garantia de maior independência de reguladores escolhidos pelos ministros que vão ser regulados, todas elas, não só a ERS, estariam já entre a Cedofeita e a Boavista. Vá lá, uma em Gaia para que ninguém fique triste.
Entre a trapalhada e a mentira, não sei o que é melhor. Afinal, não tendo nada contra a verdadeira descentralização, para Portugal qual é a vantagem em ter a sede do INFARMED no Porto? Quanto vai custar a mudança? Que acréscimo, depois da mudança, haverá nos custos operacionais? Quantos trabalhadores terão de ser contratados? Quais os custos da formação de novos técnicos? Como vão recolocar os que se recusarem a ir? Haverá lugar a indemnizações? Temo que o anúncio extemporâneo e extravagante da mudança da sede não teve em conta estas perguntas.
É certo que o INFARMED é autossustentável e não depende do OE. Não me revejo nas críticas aos gastos com manutenção, que apenas duplicarão com a multiplicação de estruturas em dois ou mais polos, nem com o acinte manifestado contra gastos em viagens. O INFARMED é uma grande agência internacional, não somente nacional, pelo que é comum haver muitas deslocações de pessoal técnico, o que nada tem a ver com a deslocalização de famílias inteiras em moldes permanentes. Mais interessante seria a construção de raiz de uma agência de avaliação de tecnologias da saúde, em Coimbra ou no Porto, elemento fundamental e ainda ausente do panorama da administração da saúde em Portugal.
A política não é estados de espírito, nem é um jogo de distribuição de sedes. Logo, dizer que a decisão de deslocalizar a sede “é política”, é apoucar a política e gera-me muita desconfiança sobre outras decisões já tomadas ou por tomar. Pobre País, o nosso, onde se decide politicamente, argumento final e irrefutável, e se manda estudar depois.
A descentralização não é deslocalização de sedes. Mudar de sítio é só uma excentricidade. O Porto não merecia a desconsideração de se ver arrastado para uma polémica que só serviu para demonstrar a superficialidade dos nossos líderes. Muda-se uma agência central de primordial importância entre as torradas e o café da manhã?
Talvez seja o tempo, virada a página da austeridade, apesar de o primeiro-ministro ter agora dito que afinal as ilusões que pregou eram mentira, para se pensar em fazer uma nova capital. Uma Astana, Brasília ou Naypidaw? Uma Costopolis em Vila de Rei, bem no centro geodésico? Talvez mesmo com uma estátua do grande líder, o AC, em dourado amaurotizante, sobre pedestal móvel que lhe permita acompanhar o Sol no seu deambular diário. Não seria original. Há uma em Ashgabat que foi descentralizada, mudada para a periferia, pelo líder que sucedeu ao estatuado. O mais recente presidente, depois de remover a estatuária incómoda, aproveitou, sendo dentista, para mandar fazer um hospital, em forma de dente. Imaginem, se a moda pegasse, a retoma continuasse e o nosso ministro da Saúde tivesse uma especialidade mais ligada à reprodução. A extravagância não tem limites. O INFARMED que o diga. E o Governo não se esqueça de que o ridículo mata.

A Lição de Salazar


Para assinalar os dez anos de governo de Salazar, é editada, em 1938, uma série de sete cartazes intitulada " A Lição de Salazar", distribuída, por todas as escolas primárias do país. Estes cartazes integravam uma estratégia de inculcação de valores por parte do Estado Novo.
A escola é o palco privilegiado para a inculcação dos valores transmitidos pelo Estado Novo. Os manuais escolares, livros únicos para o então Ensino Primário, criteriosamente seleccionados pelo Ministério da Educação Nacional e adoptados por vários anos, revelam múltiplos exemplos desses valores: a glorificação da obra do Estado Novo e do seu líder, Salazar;  papel subalterno da mulher, limitada à função de esposa e mãe; caridade, a catequese, a história gloriosa da pátria, que transforma Portugal na mais bela nação do mundo.
Estes cartazes fizeram parte de uma estratégia de transmissão de valores por parte do Estado Novo, destinando-se a glorificar a obra feita até então, reorganizção económica e financeira após a 1ª República, criação de infra-estruturas e vias de comunicação bem como a melhoria paisagística e o incentivo à produção agrícola, pacificação do país em termos sociais, reforço no âmbito da defesa da Nação e do Império, o corporativismo como meio para atingir a harmonia social, as obras públicas, a trilogia da educação nacional. Para acentuar a importância do Estado Novo, os cartazes partem de uma imagem mais pequena no canto superior esquerdo, representando o período antes da obra realizada por Salazar, enquanto que o “depois” da obra de Salazar nos aparece colorido, organizado, moderno.
As "Lições" eram sete: Pinhais, searas e estradas, As Finanças, Renascimento do património histórico e artístico, Cais de Portugal,  Dignificação do Trabalho e da Justiça Social, Defesa da Nação e do Império e Deus, Pátria e Família.

Cápsula do Tempo


‘Cápsula do Tempo’ para abrir daqui a vinte anos
Obra tem a assinatura dos artistas plásticos Cláudia Nair (Marias Paperdolls) e Victor Escaleira e é apresentada ao público, dia 27 de novembro, no Pavilhão Municipal de Valongo.

Tony Carreira, os plágios e as fugas ao fisco


BARROSO da FONTE
As revistas são hoje como as moscas: nascem, mordem, emporcalham e enojam quando caem na sopa. Diz o povo que foi Judas que, antes de morrer, pagou com moscas os dinheiros que eram de Cristo. Há revistas boas e más. São os conteúdos que fazem a diferença. Umas divulgam a ciência, as artes e o desporto. Outras alimentam a má língua, propagam os mexericos e cultivam a crença dos horóscopos, dos signos, dos bruxedos. Um terceiro grupo ocupa-se da pornografa, da prostituição, da nudez, da infidelidade, do crime e afins.
As primeiras fazem falta porque educam, esclarecem, formam e informam. As segundas entretêm as crianças, promovem a beleza feminina e consolam os sonhos de quantos acreditam no seringador.
Antes da revolução dos cravos eram poucas. Mas a emigração e a guerra do ultramar tiveram nessas publicações, clientes fiéis, porque privilegiavam folhetins romanescos, os aerogramas das madrinhas de guerra e as estórias narradas por desertores que se manifestavam de qualquer maneira para alimentar a insurreição.
As chamadas revistas cor-de-rosa proliferam hoje por geração espontânea. Mesmo assim, de vez em quando, inserem notícias que servem para denunciar situações anómalas da sociedade civil.
Um exemplo elucidativo.
A TV7dias de 19/11 traz em manchete na 1ª página, a foto de Tony Carreira que está a ser investigado por «Fuga ao Fisco. Depois do escândalo dos plágios, é agora a vez das Finanças, caírem em cima do cantor». A denúncia revela suspeitas de evasão fiscal em mais de 25 milhões de euros».
No interior, pp. 124/127, diz-se que «pelo menos nos últimos 8 anos consecutivos, faz evasão fiscal sistemática quando atua para Comissões de festas e entidades privadas que não querem pagar IVA. E quando são celebrados contratos com as câmaras municipais».
Os canais televisivos têm programas, quase diários, com cantores portugueses (e não só). Quim Barreiros, Tony Carreira, Marisa, Toy, Ágata, etc desfilam, diariamente, por esses palcos da fama. E muito bem, porque a música é uma arte, quase divina. E, quando bem interpretada, deve ser aplaudida porque cumpre a sua função social. Mas essas exibições devem ser pagas e faturadas, porque como profissionais da música, os cantores têm direito a ser remunerados, tal como devem, descontar os impostos instituídos. Por semelhança devem ser remunerados nos espetáculos públicos, contratados pelas autarquias, comissões de festas, ou outros eventos.
Sobretudo em anos de eleições, como foi este ano que corre. As autarquias do interior do país contrataram, alguns desses artistas mais populares, provavelmente pelos políticos em exercício e com vista a cativar aderentes.
Tony Carreira que anda nas bocas do mundo por ser um artista popular, anda também, nesta dupla geringonça que lhe ofusca o mérito, fora da lei, ao abusar dos direitos de autores alheios e de fuga ao fisco.
 Em 12 de Agosto propiciou um espetáculo que marcou a abertura da campanha eleitoral em Montalegre. De lá até ao momento, nunca mais houve paz social no concelho. Juntamente com as festas do Senhor da Piedade, no Parque de Merendas, onde se fez a apresentação dos candidatos. O que sucedeu neste concelho fronteiriço  do norte do país, terá acontecido, em muitos outros, e com todos os executivos municipais, sejam de direita, de centro ou de esquerda. Nem apontamos aqui este exemplo por razões clubistas. Mas por conhecer bem este caso em particular e por termos assistido ao espetáculo que teve muito público. É que este tipo de encargos não aparece descriminado na contabilidade municipal. É, pois, um tema  de cariz político que merece ser tratado com rigor pela transparência que se exige aos gastos da qualquer comunidade.
 Não pode exigir-se ao cidadão comum que pague iva pelos produtos que consome, no dia a dia, e fecha os olhos a esquemas contratados à margem das leis, por autarquias, comunidades ou comissões de festas, que exercem a sua influência sobre  quem presta serviços remunerados.
  É muito difícil, nos dias que passam, controlar a autoria de músicas, letras, de textos. Essas dificuldades tornam-se cada vez mais difíceis de evitar.
Tony Carreira caiu em desgraça quando plagiou onze músicas e letras, de autores estrangeiros que souberam do abuso e aplicaram a lei. São erros que se pagam caro e que fragilizam a personalidade de quem os comete.
Os serviços públicos tão exigentes com os indefesos, devem ser responsabilizados pelo incumprimento na aplicação da lei. É por essas e por outras que a sociedade portuguesa anda desacreditada. E esse descrédito começa no primeiro ministro e acaba no mais ingénuo cidadão.
A justiça que deveria ser rápida, igualitária, proporcional e cega, acompanha, por mais incrível que pareça, a ineficácia, a incoerência e a lentidão.
 Os mais hediondos crimes, os mais flagrantes exemplos e as mais bizarras sentenças, são  tomadas a destempo, contra o senso comum e, algumas, tão desajustadas que acabam por irritar quem merecendo justiça, se vê injustiçado, perante a pena suspensa, do infrator confesso.

                                                                                                        

Pesava mais que o ciclista


Por: Costa Pereira Portugal, minha terra

Não foi ver o “Dragão”que na passada 3ª¬feira, dia 21, foi à Turquia empatar (1-1) com o Besiktas, onde joga o nosso Quaresma, mas antes a Tunes para se entreter com alunos no Liceu Sadiki a falar de futebol com Cristiano Ronaldo por tema. Foi uma aula de futebol e de fado dada em Tuines, por quem tem jeito para dar música aos de fora e aos de cá, onde ensinou que :“Portugal tem uma grande influência do árabe na sua língua: Todas as palavras começadas por ‘al’, ou palavras como azeite e azeitona. Temos ainda grande influência islâmica na nossa arquitetura”. Quem é que sabia isto?!!! Era a 4ª Cimeira Luso-Tunisina, que no dia 20 de Novembro deu ocasião a que 12 dos 38 alunos que frequentam as turmas de português no Liceu Saddiki, instituição fundada em 1875, fosse recebidos por António Costa. Se se entenderam ou não só eles sabem. Nós por cá todos temos muita dificuldade para o entender, mesmo quando está calado
Mas esse dia 20 ficou também assinalado por uma data importante que há sete dezenas de anos ocorreu. Foi o casamento da Rainha Isabel II, então ainda princesa Isabel, com o duque de Edimburgo. Acontecimento que fez parar o mundo. Ás 10h30, de braço dado com o pai, o rei George VI, Elizabeth, entra na Abadia de Westminster, em Londres. Uns 5 anos depois voltaria a entrar ali agora para suceder, antes do tempo, ao homem que lhe dava o braço naquela manhã de Novembro de 1947. Estava-se a 2 de Junho de 1953, era ela coroada rainha de Inglaterra. Cerca de cinco anos depois da coroação, a rainha Isabel II e seu marido, o duque Filipe de Edimburgo, vem a Portugal em visita oficial, visita que decorreu de 18 a 23 de Fevereiro de 1957. Em dia soalheiro, fui assistir à  partida da soberana de regresso ao seu paí¬s na tarde de 23 de Fevereiro ao aeroporto de Pedras Rubras. Bons tempos, fiz essa viagem ao pedal, numa "pasteleira" pesava mais que o ciclista.

sábado, 25 de novembro de 2017

E a Tecnoforma? Não falas da Tecnoforma?


João Miguel Tavares - jornal Público

Eu falo da Tecnoforma com todo o gosto. Mas notem bem, queridos leitores de esquerda: não confundo uma formiga com um elefante.



Desde que José António Cerejo assinou no PÚBLICO um novo artigo sobre o caso Tecnoforma (“Comissão Europeia e Ministério Público chegaram a conclusões opostas no caso Tecnoforma”) que os meus queridos leitores de esquerda não têm parado de me azucrinar. Se escrevo sobre os professores, perguntam-me nas caixas de comentários: e a Tecnoforma? Se escrevo sobre o Infarmed, perguntam-me no Facebook: e a Tecnoforma? Suponho que se hoje escrevesse sobre a performance de Ronnie O’Sullivan no open da Irlanda do Norte também me iriam perguntar pela Tecnoforma.
Portanto, este texto entra na categoria de discos pedidos, embora com uma nuance importante, à qual chegarei mais à frente. Em primeiro lugar, um lamento. Diria que por esta altura os meus queridos leitores já deveriam ter percebido que estou bastante ciente – não é um pensamento particularmente original – de que uma aldrabice é uma aldrabice, quer tenha sido praticada por um militante do PS ou do PSD, e que um corrupto é um corrupto, quer tenha cartão laranja ou cor-de-rosa. Escrevi mais do que uma vez sobre o caso Tecnoforma desde que surgiu em 2013, e não tenho a menor dúvida de que Passos Coelho se embrulhou em explicações manhosas, nem de que a Tecnoforma, mais o Centro Português para a Cooperação, se envolveram em esquemas criativos para sacar umas massas aos fundos da União Europeia. Também tenho fortes suspeitas, tendo em conta a percentagem louca de fundos do programa Foral que foram parar aos bolsos da empresa, que Miguel Relvas, enquanto secretário de Estado da Administração Local (2002-2004), poderá ter desempenhado o costumeiro papel de “facilitador” nesse processo.
Aquilo que já não é fácil de perceber, e muito menos provar, é até que ponto esses esquemas (refiro-me aos concursos em si, e não ao carrossel financeiro da empresa e às manipulações de custos também denunciados por Cerejo no seu artigo) eram efectivamente ilegais, ou se seriam apenas imorais. Quer dizer: estourar fundos a ensinar funcionários camarários a operar em aeródromos e heliportos vazios seria sempre uma absoluta e inadmissível vergonha – só que pode ser uma vergonha sustentada por concursos legais. Mais. Como ninguém acusou Miguel Relvas de sacar dinheiro para o seu próprio bolso, o único crime que lhe poderia ser imputado era o de abuso de poder, crime esse que está prescrito desde 2009. Portanto, o resumo do caso Tecnoforma é este: uma enorme trapalhada que atingiu Passos Coelho, acabou com a sua fama de governante absolutamente impoluto, e em relação ao qual nunca apresentou boas explicações.
Mas agora vem a nuance final, que não pode ser esquecida. Mesmo tendo Passos Coelho esta nódoa no currículo, não é minimamente aceitável quaisquer comparações com Sócrates, Dias Loureiros e companhia limitada. Não existem virgens em política, nem ninguém chega a primeiro-ministro sem fechar os olhos a muita coisa. Mas os políticos não são todos iguais. A Tecnoforma não é uma mini-Operação Marquês. Por muitos pecadilhos que Passos Coelho possa ter cometido, não é intelectualmente honesto confundi-lo com a tralha socrática. Foi graças a Passos e a Paula Teixeira da Cruz que voltámos a ter um Ministério Público independente. Foi graças a Passos e a Maria Luís Albuquerque que o BES caiu com estrondo e o estado do regime ficou exposto diante de todos. Eu falo da Tecnoforma com todo o gosto. Mas notem bem, queridos leitores de esquerda: não confundo uma formiga com um elefante.
Jornalista

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Os Pafianos e os outros

Lembram-se do foguetório e do fandango que acompanhou todo o ano de 2016 e grande parte do de 2017?
Depois de António Costa ter perdido as eleições em Outubro de 2015, a oligarquia arranjou uma forma de libertar os folgazões lusos da tirania da PAF. Mais concretamente do malandro do Passos Coelho, como dizia a frente esquerda. Porquê? Porque esse malandro tinha tido a coragem de dizer não a Ricardo Salgado, e não tinha embarcado nas aldrabices de José Sócrates e do seu bando. Pela primeira vez, um primeiro ministro tivera essa coragem. E a continuar assim, a vez de muitos oligarcas chegaria.
Entretanto, as raparigas do BLOCO, atiçadas pelo agora beatificado Louçã, folgavam entre o foguetório e o fandango, acompanhadas por Costa, com Jerónimo mais recatado. Anunciavam o fim da austeridade em altifalantes mais poderosos do que os das festas populares. Seria um fartote. Tudo o que o malandro do Passos havia tirado, diziam sublinhando, eles iriam repor. Porque, acrescentavam, havia outras alternativas. E assim foram enganando os papalvos durante, pelo menos, ano e meio.
A economia a subir e o desemprego a descer, já desde 2015 (processo natural depois de um reajustamento), contribuía para o delírio exacerbado da frente esquerda e seus acólitos.
O malandro do Passos que tinha pegado no país em falência técnica (BANCARROTA), com 75 biliões às costas, fruto de um empréstimo socialista, e dos quais só se iria servir para salvar o país, através de tranches trimestrais, tinha, diziam sobretudo as manas e Catarina, mentido aos portugueses. Manipulando e anestesiando o indígena luso, as Mortágua, Catarina, Jerónimo e Costa, iriam dar tudo a todos, inebriando os acólitos que salivavam como cães raivosos. Tinham aprendido bem as lições leninistas, trotskistas e estalinistas.
Entretanto, os papalvos atiravam palavrinhas de estimulo ao dr. Costa: “Deixem o homem que a coisa está agora a correr bem”, diziam alguns populares que haviam recebido um aumento de um euro e 25 cêntimos nas pensões, nos holofotes das televisões, manobradas pelos mesmos que andaram uma década a defender e a apoiar incondicionalmente José Sócrates.
No Facebook o regabofe atingia o limite que se permite a alguém instalado num Conde Ferreira ou Júlio de Matos. Os sensatos, acusados de Pafianos ou liberais, liam os disparates de todos os dias publicados por algum cliente de Freud.
Depois vieram os incêndios, o roubo de Tancos, as férias de Costa, e por aí adiante.
A semana passada com as reivindicações sindicais, o dr. Costa sentiu necessidade de acalmar as hostes, despertando-as para a realidade. Disse:tudo para todos já é uma “ilusão”. O Presidente Marcelo seguiu no mesmo tom, explicando ao autóctone luso que não se pode “voltar ao ponto antes da crise”. E o ministro Centeno aponta o dedo aos funcionários públicos, dizendo que não basta exigir, têm de “merecer” [é óbvio que as reivindicações do funcionalismo público, em especial os professores, não são uma exigência, são uma questão de justiça, que abordaremos noutro escrito].
Tanto o dr. Costa, como o Presidente Marcelo e o ministro Centeno estão agora mais Pafianos e, sobretudo, mais Passistas. Porque a realidade é o que é. E a realidade é que não há dinheiro!
Mas quem diz que as hostes lhes seguem o rumo? Ainda ontem a dona Mariana, em entrevista, dizia que o ministro Centeno havia utilizado uma retórica da direita”.
A Comissão Europeia já veio avisar outra vez para os perigos das reivindicações sindicais. O teatro do costume a que o autóctone luso se vai habituando. E,  sobretudo, adaptando. Dirão uns tantos, como já se tem ouvido: "bardamerda para a Comissão Europeia"!
Pois é, mas o Dr. Passos Coelho que alegava o que hoje alegam Costa, o Presidente Marcelo e o ministro Centeno, era um neo-liberal, e na boca de alguns até era apelidado de fascista!
Mudam-se os tempos …