sábado, 4 de novembro de 2017

Não sabe o que quer, mas sabe o que não quer


Por: Costa Pereira  Portugal, minha terra

Sempre resultou em alguma coisa a voz do Sr. Presidente da Republica se ter alterado, e do coração das Beiras dar um safanão no seu pupilo que tanto tem protegido, e até tomando a dianteira ao aparecer nos locais onde a falta dele foi notória. Como por exemplo nos fogos de Pedrógão Grande e concelhos limítrofes, onde além dos prejuízos materiais perderam a vida mais de seis dezenas de seres humanos, e depois em Outubro, onde o governo que temos acabou por se afundar pelo desinteresse em proteger o que é mata nacional, ou propriedade privada. Neste último foram contabilizados mais de quatro dezenas de vidas perdidas que são razão suficiente para dizer “não” a um governo que tem por PM um aluno muito fraco em relação ao Professor Marcelo Rebelo de Sousa que foi seu mestre. Mas por incrível que pareça bastou o Sr. Presidente erguer mais alto a voz, quando de visita a um dos cenários da tragédia dos incêndios que foi Oliveira do Hospital, para logo o jornal oficial do PS vir acusar o Presidente de “populismo” e de estar a seguir uma “caminhada preocupante e perigosa”. Logo previ que isso iria acontecer e em partilha que fiz, comentei: “Ai, aí que isto está a aquecer…”. E em força, aconteceu dado que a treta estendeu-se para além do discurso presidencial. Ainda as próximas eleições estão afastadas e já a campanha do PS começa com este remate: “António Costa no lugar de primeiro-ministro. Ninguém o vai trocar por Rui Rio e, muito menos, por Santana Lopes! “. Esta gente tem certezas ou é bruxa. Ainda que o PCP, a minar a sua sepultura, e o BE a tentar convencer os sonhadores se deixem enrolar por acomodação ou conveniência, estou mais que convencido que as próximas legislativas não vão ter nada a ver com as autárquicas. O povo não sabe o que quer, mas sabe o que não quer.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

COLÓQUIO NÚMERO E MEDIDA NA ARQUITECTURA RELIGIOSA EM PORTUGAL

COLÓQUIO
NÚMERO E MEDIDA NA ARQUITECTURA RELIGIOSA EM PORTUGAL 

Direcção científica: Virgolino Jorge
MOSTEIRO DA BATALHA
10-11 de Novembro de 2017
NÚMERO E MEDIDA
NA ARQUITECTURA RELIGIOSA
EM PORTUGAL

A euritmia arquitectónica resulta de um desenho assente em factores conjugados de número e medida. As pesquisas efectuadas em diferentes exemplos de antigas construções religiosas no país – catedrais, mosteiros e conventos – testemunham a aplicação atenta e consciente desses preceitos básicos de racionalidade e estética no seu traçado morfológico.
Como propósito deste colóquio temático, visa-se suscitar o interesse por um saber técnico específico do domínio da Arquitectura, ainda pouco valorizado e explorado em Portugal e a exigir maior debate e aprofundamento críticos. A determinação da métrica adoptada num edifício de outrora é de importância decisiva para o investigador da Construção. Na sua utilidade e imprescindibilidade, o conhecimento e o respeito pelos princípios geométricos essenciais (regularidade, ordem e proporção) possibilitam um acertado juízo da obra e garantem conclusões significativas acerca da integralidade e coerência tridimensional dos espaços gerados. Auxiliam, como ferramentas de trabalho, a fixar os pontos necessários para eventuais e ponderadas intervenções de restauro ou de projectos de reconstrução histórica ou de ampliação contemporânea.
A análise e a discussão especializadas desta matéria congregam estudiosos de diversas áreas disciplinares, sobretudo arquitectos, engenheiros e historiadores.
O colóquio é organizado pelo Mosteiro da Batalha e tem a coordenação do Prof. Doutor Virgolino Jorge.


PROGRAMA

Sexta-feira, 10 de Novembro de 2017
09.30 h Saudação e abertura
Casos de estudo: catedrais
Moderador: Joaquim Ruivo
10.00-10.30 h Funchal
Ana Barbosa | Paula Amendoeira | Victor Mestre
10.30-11.00 h Silves
Florinda Lixa | Paula Amendoeira | Desidério Batista
11.00-11.30 h Pausa para café
11.30-12.00 h Évora
Virgolino Jorge
12.00-12.30 h Debate
12.30-14.00 h Intervalo para almoço
Casos de estudo: mosteiros cistercienses
Moderador: Pedro Redol
14.00-14.30 h Águias
Marta Ataíde | Tiago Antunes
14.30-15.00 h Cós
Manuela Rosa | Paulo Charneca
15.00-15.30 h Portalegre
Domingos Bucho
15.30-16.00 h Debate
16.00 h Visita guiada ao Mosteiro da Batalha

Sábado, 11 de Novembro de 2017
Casos de estudo: conventos franciscanos
Moderador: Virgolino Jorge
10.00-10.30 h Covilhã
Marta Vale | Sónia Rapaz
10.30-11.00 h Estremoz
Inês Fonseca | Mariana Ferreira | Milena Dneboská
11.00-11.30 h Pausa para café
11.30-12.00 h Lisboa
Teresa Duarte | Jorge Repolho
12.00-12.30 h Debate
12.30 h Encerramento

Entrada livre no Colóquio, mediante inscrição prévia
Contactos: Tel. 244 765 497 | E-mail geral@mbatalha.dgpc.pt

II Festa da Literatura de Chaves De 8 a 11 de novembro de 2017

II Festa da Literatura de Chaves
De 8 a 11 de novembro de 2017
Organização: Clube dos Amigos do Livro de Chaves
(Instituição fundada pelo Rotary Club de Chaves)

Programa

Dia 8 – Quarta-feira:
17:00 – Cerimónia de Abertura da FLIC II - Presidente do Rotary Club de Chaves, Fernando Nogueira
Abertura da Exposição coletiva de Arte (Escultura e Cerâmica)
Visita à exposição
Momento Teatral: Os Malefícios do Tabaco, Tchekov, Teatro Experimental Flaviense, Actor: Rui Pinto
18:00 - 1ª Mesa de trabalho: - Salão Nobre do R.C. de Chaves
Caminhos da Arte: paralelismo ou convergência.
Intervenientes: Carneiro Rodrigues; João Madureira. Paulo Duarte, Sérgio Almeida.
Moderador: Jorge Melo
Dia 9 – Quinta-feira
10:30 - 2ª Mesa de trabalho - Escola Secundária Júlio Martins
Tema - Literatura: alavanca para a literacia e o conhecimento.
Escritores intervenientes: Manuel Araújo – Hercília Agarez
Moderadora: Ana Lídia Lopes

10:30 - 3ª Mesa de trabalho - Escola Secundária Fernão de Magalhães
Tema - Literatura: alavanca para a literacia e o conhecimento.
Escritores intervenientes: Áurea Justo – Sónia Feijó
Moderadora: Emília Nogueira

10:30 - 4ª Mesa de trabalho - Escola Secundária António Granjo
Tema - Literatura: alavanca para a literacia e o conhecimento.
Escritores intervenientes: António Sá Gué - Ernesto Salgado Areias
Moderadora: Anabela Almeida

14:15 - 5ª Mesa de trabalho - Estabelecimento Prisional de Chaves
Tema – Literatura e inclusão.
Escritores intervenientes: Armando Ruivo – Gilberto Bandeira – Isabel Seixas
Moderador: António Teté Pereira

14:15– 6ª Mesa de trabalho - Regimento de Infantaria de Chaves
Tema – Literatura e terra de ninguém.
Intervenientes: Ernesto Salgado Areias; José Leon Machado
Moderadora: Manuela Rainho

17:30 - 7ª Mesa de trabalho - Salão Nobre do Rotary C. de Chaves
Tema: Poesia. Sonho e Marginalidade
Momento de Poesia: Atuação do Grupo de Jogais da USR (Prezadas Pessoas Presentes)
Moderadora: Maria das Neves
Escritores intervenientes: Angélica Carvalho; Isabel Seixas; José Maldonado; Jorge Medeiros;
Odete Ferreira;
Momento de Bailado pela Escola de Dança Ent’Artes

19:00 – 8ª Mesa - Biblioteca de Verín
Tema: Fronteira: identidade e inspiração literárias.
Escritores intervenientes: Manuel Araújo; José Leon Machado
Moderador: Ernesto Areias

Dia 10 – Sexta-feira
16:00 - 9ª Mesa - Salão Nobre do Rotary C. de Chaves
Tema: De pequenino se torce o pepino.
Intervenientes: Áurea Justo; João Madureira; Sílvia Alves.
Moderadora: Beatriz Martins /Marília Ruivo (?)
Momento Musical: Atuação do Quarteto de Saxofone da Academia de Artes de Chaves.

17:30 – 10ª Mesa -Salão Nobre do Rotary C. de Chaves
Tema: Do outro lado da literatura
Intervenientes: Pedro Emiliano Casteleiro; António Sá Gué, Alfredo Ferreiro; João Miranda
Moderadora: Manuela Rainho
21:00 – Noite dos Poetas - Salão Nobre do Rotary Club de Chaves
Com a presença de Angélica Carvalho, António Roque da Costa, Armando Ruivo; Elvira Santos; Gilberto Bandeira, Isabel Seixas, José Maldonado, Odete Ferreira, Jorge Medeiros; Sónia Feijó; Alfredo Ferreiro, Pedro Emiliano Casteleiro; Áurea Justo, António Sá Gué.
Recital de Poesia: Pontas Soltas e outros

Dia 11 – Sábado
10:30 – Pedy-paper literário
Leitura de excertos de romances e de poemas dos autores presentes nos cafés e lugares da cidade.
15:30 – Apresentação de livros
Alfredo Ferreiro
António Sá Gué
João Miranda
Pedro Emiliano Casteleiro
17:00 – 11ª Mesa – Salão Nobre do R.C. Chaves
Tema: Língua comum: espaço, memória e afetos.
Intervenientes: Alfredo Ferreiro; Lídia Machado dos Santos; Manuel Araújo; Leon Machado, Pedro Emiliano Casteleiro
Moderadora: Emília Nogueira.
Momento Musical: Actuação da CinquenTuna da U.S.R.
Encerramento
Comemoração do XVII aniversário da Tuna da Universidade Sénior de Rotary de Chaves
Chaves de honra

Escritores convidados:
Angélica Carvalho
Armando Ruivo
António Roque da Costa
António Sá Gué
Áurea Justo
Ernesto Salgado Areias
Gilberto Bandeira  
Hercília Agarez 
Isabel Seixas  
João Madureira 
João Miranda
Jorge Medeiros
José Leon Machado
José Maldonado
Lídia Machado dos Santos
Manuel Araújo
Odete Ferreira
Sílvia Alves
Sónia Feijó
Alfredo Ferreiro - Corunha
Pedro Emiliano Casteleiro - Corunha

Moderadores
António Teté Pereira - a.tete.pereira.@sapo.pt
Beatriz Martins
Emília Nogueira
Manuela Rainho  
Jorge Melo
Ana Lídia Lopes
Anabela Almeida
Maria das Neves

Artistas
Carlos Monteiro
Carneiro Rodrigues – pintor - cfideles@sapo.pt
Fernando Castro –
Flavigrés
Hélder Carvalho
Paulo Jorge dos Santos Duarte senapduarte@gmail.com
Rui Paiva (Ceramista, escultor)
Sérgio Almeida – 936 170 081 sergioedualmeida@gmail.com

Grupos participantes
Ent’Artes Escola de Dança
Grupo Jograis da Universidade Sénior de Rotary de Chaves
Grupo Pontas Soltas
Grupos da Academia de Artes de Chaves
Tuna Académica da Universidade Sénior de Rotary de Chaves
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Instituições participantes
Academia de Artes de Chaves
Biblioteca Municipal de Chaves
Biblioteca Municipal de Verín
Chaves FM
Clube dos Amigos do Livro de Chaves
Clube de Leitura de Verín
Escola de Dança Ent’Artes
Estabelecimento Prisional de Chaves
Flavigrés
Jornal a Voz de Chaves
Livraria Traga-Mundos
MACNA Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso
Produções Indieror
Rádio Macedo (Macedo de Cavaleiros)
Regimento de Infantaria de Chaves
Revista Digital Palavra Comum (Galiza)
Revista Raízes (Mirandela)
Rotary Club de Chaves
Teatro Experimental Flaviense
Universidade Sénior de Rotary de Chaves

São Martinho em Maçores - Torre de Moncorvo


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O Estado (português) contra a Sociedade Civil



Mário Pinto - OBSERVADOR

Razão têm os ex-ministros Roberto Carneiro, Marçal Grilo, Oliveira Martins e Nuno Crato, quando defendem que as escolas privadas podem e devem também ser integradas no serviço público de educação.

1. Este artigo, que corresponde a um convite honroso para participar nesta coluna semanal do jornal Observador, dedicada às questões da educação, teve esboçada uma versão anterior, focada na defesa da liberdade de escola e na não-discriminação negativa dos alunos das escolas privadas relativamente aos alunos das escolas do Estado — porque (no respeito da liberdade de escolha garantida pela Constituição) a todos é igualmente devida a gratuitidade do ensino obrigatório, e não apenas aos alunos das escolas do Estado.

Mas depois de ter visto e lido sobre o discurso do presidente dos Bombeiros Voluntários, que, em sessão pública, discursou rispidamente contra o primeiro ministro, em defesa da autonomia dos bombeiros voluntários e, no fundo, contra a sua nacionalização como «bombeiros profissionais» — isto é, funcionários do Estado —, pareceu-nos que havia uma analogia problemática, que valia a pena preferir como tema, a saber: a guerra do Estado Português contra a Sociedade Civil. Vejamos.

2. Tudo terá começado com o surgimento do Estado, quando a sociedade «primitiva», a sociedade sem Estado, se dividiu, ou foi dividida, entre a Sociedade Civil e o Estado, entendido este segundo a moderna definição sociológica de instância de poder (político) físico constritivo irresistível sobre a sociedade. Marx explicou esta divisão entre a sociedade e o Estado dizendo que foi a sociedade civil que primeiro se dividiu em duas classes sociais; e uma delas, a classe dominante porque proprietária, gerou depois o Estado contra a outra classe. Por isso, a sua proposta revolucionária visava o fim da extinção definitiva da propriedade privada e do Estado, para que renascesse (já muito mais evoluída técnica e economicamente) uma «sociedade terminal» sem classes e sem Estado. Se bem que era começando pela conquista violenta do Estado, para depois, e através de uma ditadura, acabar com a propriedade privada e a classe proprietária — contradição que Bakunine lhe objectou, dizendo-lhe que o Estado nunca se extinguiria a si próprio, o que a história confirmou, até ao presente.

3. Muito interessante é que, contra a tese de Marx, um famoso antropólogo e etnólogo nosso contemporâneo (infelizmente já falecido), o francês Pierre Clastres, autor de estudos de referência dos índios sul-americanos, designadamente os Guayaki, Guarani, Chulupi e Yanomami, defende e comprova uma tese oposta à de Marx. Ele explica que foi o surgimento de uma chefia com poder político constringente (pela força) sobre a sociedade, que a dividiu em classes. Isto ocorreu quando a chefia tradicional da sociedade primitiva, que não tem poderes constritivos de comando, ganhou esses poderes. É aí que surge o Estado, a divisão entre governantes e governados, de que depois nasce a divisão entre classes sociais. Clastres descobriu, nas sociedades primitivas que estudou, uma permanente resistência contra uma eventual chefia de comando constritivo. E daí o título do seu livro de referência: «A sociedade contra o Estado» («La societé contre l’État»). Na sua tese, a sociedade primitiva foi sempre, enquanto pôde, contra o surgimento do Estado, pela oposição a que o chefe tradicional ganhasse poderes de comando constritivo.

4. Ora, nós podemos hoje dizer que o receio das sociedades primitivas é justificado; porque a verdade é que, depois de ter nascido, o poder político constringente (Estado), embora variável na sua organização, foi de facto, por milénios e milénios, contra a sociedade civil. E só desde há cerca de duzentos anos, a gloriosa Revolução Liberal abriu uma nova era, verdadeiramente à escala da humanidade. Mas nem por isso ficou inteiramente resolvida, de uma vez para sempre, a questão do conflito entre a Sociedade Civil e o Estado. Longe disso: a questão das relações entre a Sociedade Civil e o Estado permanece como questão nuclear da teoria e da praxis constitucional e de toda a vida política contemporânea.

5. Apenas alguns flagrantes do Estado Português contra a sociedade civil (citando de memória sobre registos precisos). Veio não há muito na comunicação social, sem desmentido, que o ex-ministro da Saúde que criou o Serviço Nacional de Saúde, aliás com muito mérito, disse, num discurso público, em Coimbra, que era inadmissível que o sector privado da saúde fizesse concorrência ao Serviço Nacional de Saúde do Estado. Pouco tempo antes, numa entrevista a um jornalista da Rádio Renascença, o secretário geral da Intersindical, que é uma voz considerada como representativa do «centralismo democrático», defendeu que o chamado sector social, que é da iniciativa livre e democrática dos cidadãos, aliás previsto na Constituição, devia ser apenas supletivo da função social do Estado. Por seu lado, a actual equipa do Ministério da Educação, que se tem destacado por mudar o que vinha do Governo anterior com tanta pressa que nem sequer tem tempo para, como devia por lei, consultar o Conselho Nacional de Educação, privilegia ostensivamente a monopolização estadual do ensino escolar obrigatório gratuito, sem atender para nada ao direito de os pais escolherem a escola para os filhos, sem por isso sofrerem discriminações (que está garantido na Declaração Universal dos Direitos do Homem e também na nossa Constituição); nem ao direito e liberdade de escola dos cidadãos, ainda aqui sem discriminações da parte do Estado, e ainda por cima desleais. Depois de ter reduzido os contratos de associação, com isso provocando um largo despedimento de professores nas escolas privadas, agora readmite e consolida milhares e milhares de professores nas escolas do Estado. Trata-se de uma claríssima preferência em favor das escolas do Estado e dos professores do Estado, contra as escolas privadas e os seus professores, que ofende a Constituição, porque o Estado não pode discriminar entre cidadãos em função das suas legítimas iniciativas e escolhas. Algum tempo atrás, a secretária de Estado da Educação, em terras de Leiria, chegou ao ponto de, acerca do modo como investia no sistema educativo estadual e desinvestia nas escolas privadas com contrato de associação, se exprimir como se fosse proprietária do tesouro público e o seu poder arbitrário de investir fosse igual ao de um magnata capitalista. Compreende-se que no Governo a tenham mandado calar; mas não é certo que a tenham corrigido no que anda a fazer.

6. Mesmo nestes últimos dias, tivemos uma outra declaração governamental, simultaneamente a mais infeliz e a mais eloquente de todas, do secretário de Estado da Administração Interna, quando recomendou (citando sempre de memória e em resumo) que os cidadãos deveriam eles cuidar da sua própria segurança, isto falando no contexto dos incêndios florestais. Ora, como é sabidíssimo, a segurança pública (é dessa que se trata no combate aos incêndios florestais, e é dessa que o Ministério da Administração Pública trata), compete em exclusivo ao Estado, como função de soberania que é. E imaginemos. Se o dito secretário de Estado, em vez de ser da Administração Interna, fosse da Educação Escolar, área esta que não pertence ao monopólio do exercício de poderes de soberania, alguém admite que ele, por exemplo perante uma falha de escolas, recomendasse que os cidadãos deveriam eles próprios cuidar da rede escolar, suprindo as falhas do Estado? Conclusão. Aqui, em matéria de segurança pública, que entra nas funções de soberania, os cidadãos são estimulados a competir com o Estado. Ali, em matéria de educação escolar, que não é monopólio de soberania, o Estado discrimina negativamente a iniciativa dos cidadãos e discrimina-a ostensivamente. E nem se diga que o referido Secretário de Estado é uma voz isolada e dissonante. Parece que partidos que entre nós se arrogam como os mais estrénuos defensores do Estado social, se sentem agora algo indecisos sobre a cobertura financeira da solidariedade social devida aos que sofreram terrivelmente com os incêndios.

Perante esta evidência, poderá alguém dizer, à primeira vista: há aqui uma contradição. Pois bem, a contradição é apenas aparente, porque afinal esconde uma coerência, que é a da guerra do Estado contra a Sociedade Civil. No primeiro caso, é guerra pela negativa, quando nega ou regateia o que sabe que só ele pode dar: a segurança pública. No segundo caso, é guerra pela positiva, quando impõe ou privilegia a iniciativa estadual contra a iniciativa dos cidadãos, que aqui também a podem tomar, de direito e de facto: a educação escolar.

7. Este ponto merece reflexão crítica. Com efeito, só o Estado pode exercer as funções soberanas de segurança e de justiça públicas. Para isso, cobra impostos. E o que vemos? Que nem a segurança pública nem a justiça pública são bastantes e são inteiramente gratuitas. O Estado tem vindo a externalizar (é o termo) a prestação destas funções, na medida do que lhe é possível. Hoje, os chamados serviços de segurança privada (se bem que não exerçam poderes públicos) suprem, em medida significativa, a insuficiência da segurança pública, que é dever do Estado garantir inteira e gratuitamente. Quanto à justiça legal pública, alguém pode dizer que é totalmente gratuita? E que, por não ser suficientemente pronta, é suficiente? O que tem vindo a suceder é que o próprio Estado também aqui facilita uma externalização da justiça, designadamente por via da instituição das comissões de arbitragem. Os privados, sabedores das delongas, e dos imensos custos correspondentes, na justiça pública civil, que aliás não é inteiramente gratuita, optam pelas comissões de arbitragem, assim custeando e suprindo em parte as funções estaduais da justiça pública.

Entretanto, é raro o dia em que os partidos e sindicatos do estatismo não reivindiquem mais Estado e menos iniciativa privada nas prestações sociais do sistema nacional de solidariedade social, a ponto de, até na linguagem corrente, este sistema, se chamar «Estado social» — quando, na verdade, na Constituição e na realidade, ele é um sistema da República toda inteira, nas suas três fundamentais esferas: privada, pública e estadual, grosso modo (mas significativamente) em correspondência à esfera da família, da sociedade civil e do Estado. Anote-se que são aqueles três os domínios da República, segundo os melhores constitucionalistas do chamado neo-constitucionalismo, ou do Estado Constitucional, por exemplo, o alemão Peter Häberle e o italiano Paolo Ridola. E não apenas dois, como dizemos no discurso corrente entre nós, que distingue o privado para a Sociedade Civil e o público para o Estado. Reside aqui uma questão determinante da nova teorização constitucional, que se foca na relação entre a Sociedade Civil, que é constitucionalmente pluralista, e o Estado Constitucional «neutro». Rigor e razão têm, por isso — diga-se em aparte — os ex-ministros da Educação, Roberto Carneiro, Marçal Grilo, Oliveira Martins e Nuno Crato, quando defendem publicamente que as escolas privadas podem e devem também ser integradas no serviço público de educação escolar. Porque a esfera pública da educação escolar pertence à Sociedade Civil, não é a esfera estadual.

8. O princípio da subsidiariedade. Ora, é precisamente aqui que o princípio da subsidiariedade social entra como princípio regulador das iniciativas, quer sejam pessoais-privadas, pessoais-civis-públicas, ou entidades-políticas-estaduais, quando visam cumprir a justiça e a solidariedade entre membros da Sociedade republicana. Para que não suceda, com o Estado, como no caso do escuteiro que obrigou a velhinha a atravessar a rua para ele cometer uma boa acção. Pior ainda se, paradoxalmente, como no caso dos incêndios recentes, o Estado diz aos cidadãos que tratem de si mesmos, quando isso, como no caso, lhes é impossível em medida decisiva.

9. A exposição geralmente considerada como a melhor para definir o princípio da subsidiariedade social é a do Papa Pio XI, na sua Encíclica “Quadragesimo Anno” (de 15 de Maio de 1931), que diz assim: «Tal como é injusto subtrair aos indivíduos o que eles podem efectuar com a sua própria iniciativa e trabalho, para o confiar à colectividade, do mesmo modo é uma injustiça, um grave dano e perturbação da sociedade e da boa ordem social, passar para uma sociedade maior e mais elevada o que comunidades menores e inferiores podem realizar. O fim natural da sociedade e da sua acção é coadjuvar os seus membros, e não destruí-los nem absorvê-los». E desta definição retirou o mesmo Papa uma recomendação à superior autoridade pública, para que respeite o princípio de deixar ao cuidado preferencial das associações inferiores, na escala da vida civil e política, o que elas podem fazer, desse modo se realizando a si próprias e libertando-se assim a instância política mais elevada, o Estado, de questões que a absorveriam e a impediriam de desempenhar mais livre, enérgica e eficazmente «o que só a ela compete, porque só ela o pode fazer», por exemplo, regular superiormente, superintender, vigiar, estimular e reprimir, conforme os casos e as necessidades requeiram. E conclui a recomendação por estas palavras: «Persuadam-se todos os que governam que quanto mais perfeita ordem hierárquica reinar entre as várias associações, segundo este princípio da função subsidiária [sublinhado nosso], tanto maior serão a autoridade e a eficácia sociais, e tanto mais feliz e fecundo será o estado na nação».

Assim enunciado, não é difícil compreender o princípio da subsidiariedade social na sua fundamental razão de ser, isto é, como princípio regulador de todas as acções de cooperação, de solidariedade e de autoridade, tendo sempre em vista a finalidade primacial entre todas, que é sempre a promoção respeitosa do direito fundamental de auto-realização de cada pessoa humana. Que implica que ela possa não apenas usufruir dos seus direitos fundamentais, mas também cumprir os seus deveres fundamentais — garantida e apoiada, sim, mas sem ser desnecessariamente impedida nem substituída pelo Estado, nem numa coisa nem noutra.

10. Na Constituição Portuguesa, o princípio da subsidiariedade foi consagrado pela revisão de 1997. Mas, apesar desta consagração constitucional, ele continua quase clandestino na vida pública portuguesa. Ao contrário do que, por exemplo sucede em Itália. Neste país, que com a Alemanha tem merecido à escola jurídica e constitucional portuguesa uma grande e merecida consideração, teve lugar (em 2001) uma importante revisão constitucional, manifestamente já num quadro doutrinário mais avançado de Estado Constitucional. A nova redacção do Título V da Constituição, que é dedicado à organização política e administrativa («Le Regioni, le Province, i Comuni»), veio inovar substantivamente pela consagração do princípio da subsidiariedade. Merecem destaque duas novas orientações constitucionais.

Uma, a que a doutrina italiana chama de «subsidiariedade vertical», reconhece aos municípios uma competência de certo modo prioritária, precisamente em função do princípio da subsidiariedade. Diz assim: «As funções administrativas são atribuídas aos Municípios (Comuni) salvo quando, para lhe assegurar o exercício unitário, sejam conferidas a Províncias, Cidades metropolitanas, Regiões e Estado, na base dos princípios de subsidiariedade, diferenciação e adequação» (art. 118, § 1).

E outra, a que a doutrina chama de «subsidiariedade horizontal», nestes termos: «Estado, Regiões, Cidades metropolitanas, Províncias e Municípios favoreçam a iniciativa autónoma dos cidadãos, singulares e associados, para o desenvolvimento de actividades de interesse geral, na base do princípio da subsidiariedade» (art. 118º, § 4). Isto é: a começar pelo Estado e a acabar pelos municípios, todas as instituições políticas da República devem observar o princípio da subsidiariedade, dando prioridade à iniciativa dos cidadãos e dos corpos da Sociedade Civil.

11. Aqui fica um exemplo muito inspirador de incorporação, mais forte constitucional, do princípio da subsidiariedade, aliás em desenvolvimento da doutrina constitucional da União Europeia. Designadamente contida no artigo 5.º, n.º 3, do Tratado da União Europeia (TUE), que diz assim: «3. Em virtude do principio da subsidiariedade, nos domínios que não sejam da sua competência exclusiva, a União intervém apenas se e na medida em que os objectivos da acção considerada não possam ser suficientemente alcançados pelos Estados-Membros, tanto ao nível central como ao nível regional e local, podendo contudo, devido às dimensões ou aos efeitos da acção considerada, ser mais bem alcançados ao nível da União.» «Mutatis mutandis», o que vale no âmbito das relações entre a União e os Estados membros, vale nas relações políticas internas dos Estados membros, porque o princípio é universal, em função da dignidade da pessoa humana. E um Estado honesto não pode ser adepto deste princípio, que é universal, só quando «lucra» com ele.

Professor Catedrático Jubilado do ISCTE e da Universidade Católica Portuguesa.
‘Caderno de Apontamentos’ é uma coluna que discute temas relacionados com a Educação, através de um autor convidado.

PRÉMIO PEN CLUBE DA NARRATIVA PARA ERNESTO RODRIGUES


O romance Uma Bondade Perfeita (Lisboa, Gradiva, 2016), de Ernesto Rodrigues (Torre de D. Chama, Mirandela, 1956), foi o vencedor do Prémio PEN Clube Português na categoria de Narrativa. Este prémio tem o apoio da Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB).
De notar que o romance já se encontra traduzido em romeno. Tem como pano de fundo o drama dos refugiados e constitui um apelo à paz de consciência, a uma visão ética da vida e à bondade.
Ernesto Rodrigues é professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e director do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias (CLEPUL), na mesma Universidade. Foi jornalista e leitor de Português na Universidade de Budapeste.
            Além de poeta e romancista, Ernesto Rodrigues é ensaísta, tradutor, prefaciador, organizador de antologias e editor de textos.
Da obra de ficção, são de realçar os romances Torre de Dona Chama (1994), O Romance do Gramático (2011), Passos Perdidos (2014) e o agora premiado Uma Bondade Perfeita.

CÂMARA MUNICIPAL DE VILA REAL
Grémio Literário Vila-Realense

COMUNISMO - A Revolução russa teria um fim diferente se Trotski vencesse Estaline?


José Milhazes - OBSERVADOR

As tentativas de branquear Trotski, como as de Francisco Louçã, em nada diferem das de branquear Lenine ou Estaline. Todos viam o futuro da URSS sem democracia e sem as mais elementares liberdades.

Nas vésperas do centenário da revolução comunista de 1917, alguns políticos e académicos tentam convencer-nos que, se Lev Trotski vencesse a guerra pelo poder depois da morte de Lenine, os destinos da União Soviética teriam sido outros. É uma afirmação que em nada corresponde à verdade e apenas visa branquear um acontecimento que deu início à morte de milhões de pessoas. O teórico do “terror vermelho” não iria ser mais tolerante ou aberto do que o ditador Estaline.
“Mesmo na preparação da Revolução de Outubro, ao passo que Trotski insistia na necessidade de respeitar a legalidade soviética – era o presidente do Soviete de Petrogrado, em que tinha sido formado um Comité Militar Revolucionário CMR), a que obedeciam os sovietes de soldados –, Lenine preferia uma simples decisão partidária. Acabou por ser vencido nesse tema, sendo o Comité Militar Revolucionário, e não o partido diretamente, a organizar a insurreição na noite de 25 de 25 para 26 de Outubro (ou de 6 para 7 de Novembro no calendário ocidental)”, escreve Francisco Lousã, professor catedrático do ISEG e teórico do Bloco de Esquerda.
Como se depreende das palavras deste académico, Trotski era um líder mais democrático e legalista do que Lenine, o que é pura falsificação da história tendo em conta os factos posteriores.
Primeiro, o CRM não passava de um órgão dependente e manipulado pelo Partido Social-Democrata Russo (bolchevique), por isso essa medida de Trotski visou apenas “legitimar” mais um pouco o golpe de Estado (nome que os bolcheviques deram inicialmente à revolução) desferido não contra o czarismo (Nicolau II já havia renunciado em Março de 1917), mas contra um governo provisório democrático que pretendia convocar uma Assembleia Constituinte para traçar o rumo da Rússia. Recorrendo a um paralelo, pode dizer-se que se a extrema-esquerda tivesse vencido em Portugal a 25 de Novembro de 1975, este golpe seria considerado por ela uma revolução contra o 25 de Abril de 1974, que não teria passado para os comunistas de uma “revolução burguesa”.
O mesmo académico fala de “legalidade soviética”, sem explicar o que isso é, porque simplesmente não existiu também por obra de Trotski e companhia.
À frente do CMR, Trotski impunha assim a sua “legalidade”: “Dizem que não se pode estar sentado nas baionetas. Mas sem elas não podemos passar. Precisamos da baioneta aí para estarmos sentados aqui… Toda essa canalha pequeno-burguesa que hoje não é capaz de se colocar nem de um lado, nem de outro, passará para o nosso lado quando souber que o nosso poder é forte… A massa pequeno-burguesa procura força a quem sujeitar-se. Quem não compreende isto, não compreende nada no mundo, muito menos no aparelho de Estado”.
Entretanto, a 21 de Novembro de 1917, o Comité Militar Revolucionário cria uma “comissão para o combate à contra-revolução”, um antecedente da tenebrosa polícia política soviética Tcheka, NKVD, KGB. Por ordem de Trotski, o CMR encerrou uma série de importantes jornais russos, sempre em conformidade com a “legalidade soviética”.
Mas para os que não compreenderam ainda este conceito, Trotski explicou-o bem em 17 de Dezembro de 1917: “Devem saber que dentro de um mês, o mais tardar, o terror tomará formas muito fortes a exemplo dos grandes revolucionários franceses. A guilhotina, e não só a prisão, espera os nossos inimigos”.
O professor Louçã “esqueceu-se” também que o conceito de “terror vermelho” foi formulado por Lev Trotski na obra “Terrorismo e comunismo”, como “arma empregue contra a classe condenada à morte, que não quer morrer!”.
Claro que toda esta retórica cruel pode ser “justificada” com a necessidade de derrotar os “inimigos de classe”, a burguesia, mas o facto é que, durante a mortandade que foi a guerra civil (1917-1922), as teses defendidas por Trotski serviram para esmagar também as forças de esquerda que ousavam criticar o bolchevismo. Este já não precisava de aliados.
O levantamento de Kronshtadt, de 26 de Fevereiro de 1921, foi realizado por marinheiros de várias correntes políticas de esquerda, nomeadamente militantes que tinham abandonado o partido bolchevique e anarquistas.
Eles não exigiam a restauração do capitalismo, mas apenas eleições livres para os Sovietes, liberdade de expressão e imprensa para “operários e camponeses, anarquistas, partidos socialistas de esquerda”. No fundo, eles queriam que fosse respeitada a palavra de ordem lançada por Lenine em 1917: “Todo o poder aos Sovietes!” e fosse posto fim à “ditadura dos bolcheviques”.
E qual foi a resposta do dueto Lenine-Trotski? O esmagamento implacável da revolta, com um resultado que se iria tornar habitual na história soviética: milhares de mortos e de feridos de ambos os lados. Depois, os vencedores, para darem mais uma lição aos que ainda não tinham compreendido a “legalidade soviética”, fuzilaram 2103 pessoas e 6459 foram condenadas a diversas penas de prisão.
Por isso as tentativas de branquear Trotski em nada diferem das de branquear Lenine ou Estaline. Todos eles viam o futuro da URSS sem democracia, sem as mais elementares liberdades, embora estivessem escritas em todas as constituições soviéticas.
Lev Trotski pode-se ter mais tarde arrependido de muitos dos seus erros (crimes), mas já estavam feitos, e de forma metódica e consciente.
José Neves, professor da Universidade Nova de Lisboa, escreve: “Comunistas como Trotski, por exemplo, viram logo no estalinismo a antítese de Outubro. Em 1936, antes mesmo dos terrivelmente célebres Processos de Moscovo, já escrevia um livro sugestivamente intitulado A Revolução Traída”. Ora, a revolução comunista não foi traída, mas continuada da única forma possível: através da violência. Sem a repressão o regime soviético não sobreviveria muito tempo. Prova disso foi que a URSS ruiu logo que Mikhail Gorbatchov permitiu uma frincha no sistema repressivo.
Branquear a revolução comunista significa justificar o fim dos mais elementares direitos humanos em prol de uma utopia que teve sempre resultados tenebrosos, independentemente do país onde se tenha tentado a sua realização.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Tenha vergonha!


Santana Castilho - Público

Para onde quer que nos viremos desde 2005, resta sempre a menorização dos professores e a visão instrumental da Educação.


“A lucidez é um sorriso triste”
Mário Pinto de Andrade

Toca-me a pouca sorte de ter que estar atento ao breviário de cordel que Tiago Brandão Rodrigues vai escrevendo. Na Gulbenkian, durante uma conferência internacional, referiu-se ao plano que teve o computador Magalhães por estrela, classificando como errada a decisão que lhe pôs fim e criou, assim o disse, “um défice oculto nas competências de muitos dos nossos alunos”. Longe do país na altura dos factos e arredado dos problemas da Educação como sempre esteve e continua, o ministro debitou vacuidades sobre o que desconhece.
Assim o deixaria, talhando a sua simplória “escola-alfaiate”, não fora a mentira que propalou à margem da conferência, quando teve o topete de garantir que a carreira dos docentes não será prejudicada em relação aos demais funcionários públicos. Como se permitiu afirmar que no Orçamento do Estado para 2018, o mesmo que reserva 211 milhões de euros para o descongelamento das carreiras dos funcionários públicos e mais de mil milhões para continuarmos a pagar as falências do BES, Banif e BPN, “não há nenhuma excepcionalidade em relação aos professores”? Como se permitiu fazer tal afirmação, sabendo que aos professores foram roubados cerca de dez anos de trabalho? Quem assim demanda sem pudor a “lã” alheia tem que ser tosquiado na praça pública com o vocativo que a indignação não consegue calar: tenha vergonha!
Para onde quer que nos viremos desde 2005, resta sempre a menorização dos professores e a visão instrumental da Educação. Pouco, demasiado pouco, para desenvolver o país e humanizar o Estado. Mas enquanto nos ministérios de Lurdes e Crato sempre fui acompanhado nas críticas por muitos analistas e por manifestações relevantes dos professores, tudo mudou, a partir de 26 de Novembro de 2015, data em que a esquerda assumiu o poder.
Sobre Educação, as primeiras 55 propostas de intervenção, a que António Costa chamou “o primeiro capítulo do programa de Governo”, eram um repositório de banalidades. Analisei-as nesta coluna em 6 de Maio de 2015. O programa eleitoral limitou-se a recuperar tristes conceitos de Maria de Lurdes Rodrigues e a expressar pouca consideração pelos professores portugueses. Critiquei-o em artigos de 12 de Agosto e de 9 de Setembro desse ano. E se dúvidas tivesse quanto à desvalorização da complexidade dos problemas do sistema de ensino por parte de António Costa, dissiparam-se por completo quando nomeou para a pasta um jovem de 38 anos, que viveu no estrangeiro desde os 23, sem nunca ter escrito uma linha ou expressado publicamente uma ideia sobre Educação. Ora, apesar de ter evidenciado o seu ímpeto revanchista e a sua impreparação bem cedo, a verdade é que professores e sindicatos assistiram aos seus erros e à sua errância com uma complacência surpreendente, enquanto eu, quase isoladamente, os fui denunciando de modo sistemático e fundamentado. Parecem, finalmente, acordados. Bem-vindos à realidade!
Quando se escreve sobre o que aconteceu, depois de amadurecida reflexão, acaba-se acrescentando algo ao analisado. É isto a crítica. Mas se até em ciência as verdades são sempre provisórias, que dizer das “verdades” que a análise crítica propõe? Todavia, quando o tempo confirma que tínhamos razão ao interpretar o que ia acontecendo, temos legitimidade para sorrir. Ainda que seja triste o sorriso com que lemos a balança da razão.
E agora, depois da greve, o que vai acontecer? Continuaremos tolhidos pelas mentiras e pelo medo? Como mudar isto se a maioria se move na defesa dos seus interesses, sem perceber que os defenderiam melhor se defendessem os interesses de todos os professores, sejam eles do privado ou do público, novos e velhos, do básico ou do secundário, dos quadros ou contratados? O que me é caro nesta utopia de união é a certeza de que dela depende a defesa duradoura dos interesses dos alunos.

Professor do ensino superior
Actualizado a 3 de Novembro de XVII

De Confúcio a Xi Jinping


Quem ajudou José Sócrates e apoiou a bancarrota de 2011?


Em 2005 a oligarquia que comanda o país, constituída por gente sinistra, para defender o seu umbigo, colocou José Sócrates como primeiro-ministro da Nação. Através de um processo conhecido por todos. Houve logo gente decente que denunciou as questões de carácter do então primeiro-ministro. Mas não teve força para que as denúncias chegassem ao conhecimento do povo. São várias as razões que para isso contribuíram. O sr. Sócrates e a sua quadrilha fizeram o que todos sabemos, e os seus apaniguados (pelo menos alguns, como o actual líder da frente esquerda) sabiam disso. Contudo, a imprensa tem muita força, e a imprensa séria que foi denunciando a coisa, foi muito pouca. Nela estava Manuela Moura Guedes, o Correio da Manhã e o jornal Sol. A restante estava toda comprada. E nela participavam (como participam) sujeitos sinistros de certas seitas e grupelhos (como o sr. do Livre, que, pelos vistos, já desapareceu). E foi essa a razão porque chegamos aqui. Vamos dar alguns exemplos dessa gente.
Miguel Sousa Tavares defendeu-o com unhas e dentes, sobretudo quando tinha que zurzir nos professores. O sr. Tavares nunca entendeu que, na época, se estava a fazer uma “reforma” em meses, que para resultar teria de demorar uma década! E nunca se apercebeu que a mesma estava a ser copiada pelo Chile! Nunca reflectiu porque razão os modelos não eram os países nórdicos!
No campo do comentário temos ainda os senhores Pedro Adão Silva, que foi mandatário de José Sócrates e Pedro Marques Lopes que nunca teve o que queria da parte do PSD! Durante uma década, na boca destes indivíduos, o sr. Sócrates foi um herói.
A dona Constança Cunha e Sá foi uma sua admiradora. Durante essa década, babou-se com as patifarias da quadrilha.
A dona Clara Ferreira Alves delirou com o homem. Escreveu narrativas que davam romances. Chegou a escrever em parceria com a filha do sr. Vara. Com os seus comparsas daquele programa Eixo do Mal, fartaram-se de idolatrar os bandoleiros. Aliás, um programa de 4 ou cinco amigalhaços para manipular os papalvos.
Mas também nos não podemos esquecer da senhora Campos Ferreira no seu programa Prós e Contras. Também manipulou, e muito, a opinião sobre a quadrilha.
Mas há muitos colegas desta gente nos jornais como o Público (a bloquista Bárbara Reis, por exemplo), Diário de Noticias (a dona Fernanda Câncio, entre outras e outros), Expresso, e por aí adiante que bem merecem referência nesta matéria.
Esta gente apoiou o bando de Sócrates, contribuindo em muito para a BANCARROTA de 2011. O que lhes aconteceu? Nada. Continuam nos mesmos programas, nos mesmos jornais.
Sobre isto o papalvo luso nada diz. Não é por acaso que a Nação, em média, de dez em dez anos entra em falência técnica – BANCARROTA!