terça-feira, 3 de outubro de 2017

Elogio não fúnebre


PEDRO PASSOS COELHO

Maria João - OBSERVADOR

“Uma decisão destas toma-se sozinho”, disse-me Passos no domingo. O futuro? "Não sei, mas não sou de grandes necessidades". Convites? "É complicado convidar um ex-primeiro-ministro para trabalhar."

1. Esperava más noticias, teve as piores. “Veremos”, disse para si mesmo domingo à noite, no intervalo entre a expectativa de o PSD passar o cabo de 2013 e a certeza de que ficaria aquém. Depois, face à devastação nacional, reflectiu: partiria.
A decisão foi solitária, como ele. “Uma decisão destas toma-se sozinho”, disse-me Pedro Passos Coelho na madrugada de domingo, quando tentei apurar a devastação e descodificar-lhe o discurso. Deixaria a liderança e o parlamento e tudo o mais em nome “da sua responsabilidade” no desaire, apesar do carácter “local” destas eleições. Quando? “O mais breve possível”.
Tinham passado sete implacáveis anos de pressão sobre ele.
A costela transmontana forneceu-lhe a resistência, a dureza, o valor da palavra, o papel do esforço, o aço da convicção. Por de trás do olhar esverdeado e do sorriso cortês há mais razão que coração mas morou sempre, da intenção ao gesto, uma férrea vontade e uma imensa dose de auto-controlo.
Como na noite de domingo. Como certamente ontem, na Rua de S. Caetano, face a uma plateia para a qual olhou como sempre até aqui, sem réstea de ilusão. Se há coisa que em absoluto o distingue, e não é de hoje, é o nunca ter sido capaz de alimentar – ou sequer ter – qualquer ilusão sobre a natureza humana.

2. Talvez por se ter entregue totalmente ao país, tinha menos para dar ao PSD. Talvez por ter ganho duas legislativas seguidas contra tudo e todos (e da segunda vez sem proveito), enganou-se nos vaticínios. Tropeçou nos timings, errou nas apostas de insucesso do adversário sem nunca lhe ocorrer desistir da coerência do discurso e da sobriedade da atitude. Preferindo quiçá a sua antiga pele de chefe da governação, não soube abrir o PSD ou não foi capaz de cuidar dele de forma partidariamente mais sedutora e politicamente mais eficaz. Adequada ao estado do país e ao momento do mundo. Com mais gente e outra gente.
Talvez que saltar da “Europa”, com ou sem aspas, e das suas grandes tribulações; talvez que trocar o mundo e as suas desafiantes questões pelas distritais, concelhias, grandes intrigas e pequenos umbigos de um partido na oposição, seja bem mais difícil do que supõem os críticos de bancada. Mesmo assim. Estranhou-se a falta de candidatos presidenciais, permanecem um inteiro mistério os bastidores destas eleições. Que se passou? A verdade é que o seu cuidado no país e (aparentemente) menos no seu partido, a fé na sua estratégia oposicionista, a propensão natural para não abrir janelas nem frequentar o mundo, a imposição de uma “distância” que podia intimidar ou confundir, foram fazendo estragos: no PSD, nas sondagens, na militância, e não se sabe se nele próprio: a oposição – armadilhada, ainda para mais – estava a transformar-se numa inutilidade.
Pedro Passos Coelho cansou-se, desgostou-se, desiludiu-se? (Se é que algumas destas coisas ocorreu de facto). O certo é que, apesar da cabeça invariavelmente bem arrumada, da lucidez na escala das prioridades, da experiência e da resistência, a partir de certa altura alguma coisa pareceu interpôr-se entre um dos seus mandamentos – saber sempre o chão que pisava – e a sua vontade política. No caso, a sua vontade partidária.
Tentei aperceber-me deste último mistério (doloroso como nos rosários) eleitoral: “Mas então eu havia de inteferir nas escolhas autárquicas dos dirigentes locais? Eleitos para saberem, decidirem, escolherem?”. Pausa. Insisto. E as “suas” escolhas? “Candidatos fracos? Era perguntar a algumas das estrelas do PSD, sondadas ou convidadas, se estavam disponíveis… Não estiveram”.

3. As pessoas sérias lembram-se, reconhecem, algumas agradecerão – gostem ou não dele – a determinação meticulosa e corajosa, racional e resiliente como em 2011 ele se instalou no olho de todos os furacões. E o venceu. Quatro anos e meio de pressão non stop e massacres vários, desde a obrigação governamental de acertar as contas e prestar provas delas lá fora, até delirantes humilhações à base de manchetes falsas, irrevogáveis certezas de “segundos resgastes”, coelhos enforcados nalguns sítios por onde passava, ódios orquestrados. Nada disso distraiu nunca ou sequer comoveu este cavalheiro e ainda menos lhe esmoreceu o ritmo ou confundiu o rumo. Pelos vistos ao eleitorado também não: as últimas legislativas exibiram a vitória improvável da seriedade política sobre os massacres, das contas certas sobre falsas certezas, de uma sólida herança sob a forma da “folga” de alguns milhões (que muito confortou e serviu os vindouros).
As pessoas mais distraídas já não se lembrarão, e há outras que ainda hoje não se lembram mas um dia (a vida é assim, a política também), muitos recordarão aquele tipo decente que com uma equipa e uma boa metade dos portugueses salvou o país de catástrofes várias. Com sobriedade e boas maneiras, ainda para mais.
Haverá melhor passaporte para o futuro?
Mesmo que tudo isto agora lhe pareça, caro leitor, uma mera conversa de “passista” com ranço, olhe que não é. É muito mais que isso: é um elogio não fúnebre. Tive muita sorte em ter sido testemunha (sentada na primeira fila de tudo) da passada política de Passos. Vi muito, sei algumas coisas, apercebi-me de outras, lembro-me de tudo.

4. Não há como não antecipar o porventura agora ainda mais irrelevante futuro que espera o PSD. Nenhuns dos nomes de que se fala e dos que se pode ainda vir a falar unirá o partido, argumento pesado sempre incessantemente disparado sobre Passos Coelho, como um certificado de fracasso. Entre os que de fora querem a destruição, o sumiço, o apagamento da marca PSD e os que de dentro irão tecer a sua irrelevância, resta um débil sopro de esperança chamado ruptura geracional. E mesmo assim.
Também não há como não prever a glória desta ou outra geringonça socialista, o vento está-lhe de feição e o país, visivelmente comovido com ela (mesmo que inconscientemente endividado).
Também me surge como irresistível não pensar na alegria – pessoal, tanto quanto política – de Marcelo, mesmo que ele deteste e (muito) tema vir a lidar com Rui Rio. E claro, há ainda o inimaginável, de tão amplo, alívio de Costa. Marcelo e Costa foram, não se duvide, dois dos grandes obreiros (há outros) da teia onde desde há seis anos se tenta asfixiar politicamente o agora ex-líder do PSD e o próprio PSD.

5. E agora? Agora, Pedro Passos Coelho volta para casa. Amargura? Olímpico: “Que ideia!” O futuro: “Não sei, mas não sou de grandes necessidades”. Convites? “É sempre complicado convidar um ex-primeiro-ministro para trabalhar. Não sei se teria o feitio…”. Projectos? “Acabar o meu livro, que gostaria que já estivesse terminado”.
Com uma coisa ele irá, sem dúvida, poder contar : com ele próprio. Como assinatura e retrato, se não houvesse mais já não era modesto.

"Estrelas" convidadas falharam ao líder social democrata


OBSERVADOR

O líder do PSD não se recandidata. Disse a Maria João Avillez que convidou "estrelas" do PSD que recusaram ir às autárquicas. Explicou à direção que não que continuar a ser a "argamassa" da esquerda.

Pedro Passos Coelho não se vai recandidatar à liderança do partido, anunciou na Comissão Permanente de manhã e à tarde na Comissão Política Nacional, segundo apurou o Observador junto de várias fontes presentes nestes órgãos nacionais. O líder do PSD tinha dito que não se ia “pôr ao fresco” se houvesse uma leitura nacional das eleições autárquicas, mas acabou por ceder. A derrota foi muito mais pesada do que inicialmente o líder do PSD esperava — em Lisboa e no Porto. Mas ainda havia quem na sede fizesse contas de modo a interpretar os dados de forma menos catastrófica e quem falasse para o país todo a sentir o pulso aos dirigentes locais e distritais. O líder do partido passou 48 horas em “reflexão aprofundada” e concluiu que não devia recandidatar-se.
Entre os argumentos que Passos apresentou à direção do partido estava a perceção de que ir à luta poderia prejudicar o PSD mais do que beneficiar. Segundo apurou o Observador, o presidente do partido agora demissionário convenceu-se de que a sua manutenção aos comandos da São Caetano levaria a um ambiente de fogo cruzado, externo e interno, que dificultaria muito o seu papel no combate político. Criticado interna e externamente, poderia ser o “inferno” a que se sujeitava e que foi identificado por Luís Marques Mendes num comentário na SIC logo na noite eleitoral. Na sua “reflexão profunda”, Passos terá concluído que a sua continuidade concentrava uma conjugação de esforços à esquerda contra o partido que ele entendeu agora que devia evitar. Terá dado como uma das justificações não querer continuar a ser a “argamassa da maioria”, que não lhe daria sossego.
Segundo a conversa de Passos Coelho com Maria João Avillez, a decisão de sair foi solitária. “Uma decisão destas toma-se sozinho”. O líder do PSD justificou a sua criticada estratégia eleitoral de deixar as concelhias e distritais em roda livre, exatamente com o argumento da não interferência: ” Mas então eu havia de inteferir nas escolhas autárquicas dos dirigentes locais? Eleitos para saberem, decidirem, escolherem?”, disse à jornalista e colunista do Observador. A seguir atirou àqueles que mais o criticam: “Candidatos fracos? Era perguntar a algumas das estrelas do PSD, sondadas ou convidadas, se estavam disponíveis… Não estiveram”.
Depois de, durante a manhã, Passos ter comunicado ao seu núcleo duro que não se recandidatava (os seus vice-presidentes, na Comissão Política Permanente), perto das cinco da tarde anunciou na alargada Comissão Política Nacional. Depois disso fará o mesmo no órgão máximo entre congressos, o Conselho Nacional. Isto é uma saída anunciada, mas não é uma demissão, já que o líder levará o mandato até às próximas diretas, cumprindo quase todo o tempo do mandato para qual foi eleito em abril de 2014: dois anos.
Com o anúncio da não recandidatura, o Conselho Nacional desta noite acaba por se esvaziar. Passos Coelho poderá ouvir algumas críticas, mas o mais provável é esta ser uma reunião de entronização do futuro ex-líder e de agradecimento pelos serviços prestados ao país e ao partido.
Toda a campanha autárquica de Pedro Passos Coelho foi feita no pressuposto de que a liderança não estaria em causa com uma derrota. Não se previa a magnitude da derrota, mas sabia-se que o resultado não ia ser bom. Era isto que Passos dizia cinco dias antes da noite da derrocada: “Claro que se o PSD tiver um mau resultado autárquico é mau para a liderança do PSD. Mas a liderança do PSD não está em jogo com o resultado destas eleições”, dizia numa entrevista à Rádio Renascença. E acrescentava: “As pessoas conhecem-me, sabem e já me ouviram dizer várias vezes que as eleições autárquicas não servirão nem para eu me pôr ao fresco nem para eu fazer provas de vida dentro do PSD.”
Se não se pôs ao fresco, também agora não fará prova de vida num concurso eleitoral interno. Na mesma semana também disse: à TSF: “Claro que não é irrelevante se Leal Coelho ficar atrás de Assunção Cristas.”
A somar às razões políticas, motivos pessoais e familiares — como a doença prolongada da mulher — terão contribuído para Passos Coelho atirar a toalha ao chão no partido. No entanto, fontes próximas do líder do PSD contrariam esta tese, porque Passos passou anos a lutar nestas duas frentes, familiar e partidária e não foi esse o motivo da sua decisão, eminentemente política. No entanto, numa conversa com Maria João Avillez, Passos reconheceu aquilo que o Observador escreveu inicialmente neste texto.Q ue não é fácil recomeçar uma vida profissional: “Convites? ‘É sempre complicado convidar um ex-primeiro-ministro para trabalhar. Não sei se teria o feitio…’. Projectos? “Acabar o meu livro, que gostaria que já estivesse terminado?”.


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Uma tentativa falhada e antiga


Esta tentativa execrável, por parte de “jornalistas”, “intelectuais”, aburguesados, nababos, corruptos, afins e certos “senadores" do Partido, nesta sociedade terceiro-mundista ( e CORRUPTA), para destruir o Partido Social Democrata (PSD) e os seus líderes do momento, é antiga; tem décadas!
Nem as legislativas de 2019 estão perdidas para o PSD, com estes resultados das autárquicas de 2017 (como não estiveram as de 2015 com os resultados de 2013), nem o presidente do partido está em questão.
É óbvio que tanto o Partido, como o líder, devem reflectir sobre a questão. Mas a demissão de Pedro Passos Coelho é, para nós, a alternativa última. Aliás, no seu lugar, apresentaríamos candidatura para disputarmos as legislativas de 2019.
A este assunto que hoje não podemos desenvolver, voltaremos no fim de semana, com opinião detalhada.

APELO DO PAPA FRANCISCO

Teófilo Minga

APELO URGENTE
VAMOS TODOS RESPONDER AO APELO DO PAPA FRANCISCO

Hoje, às 21h, o Papa Francisco chama a todos ao redor do mundo, não importa onde você esteja, nem o credo ou religião a um momento de meditação ou de oração pela paz na Síria e no resto do mundo. Todo o planeta será unido em oração pela paz.Se puder encaminhá-lo, junte-se a nós em oração urgente, porque o grupo radical islâmico acaba de tomar Quaragosh, a maior cidade cristã do Iraque. Onde há centenas de homens, mulheres e crianças cristãs que estão sendo decapitados. Está pedindo cobertura de oração. Por favor, tome um minuto e ore por eles. Passar a mensagem para todos os seus contatos, não cortar a cadeia.Nós fomos convidados a orar, por favor, passe para outros.





Nota:


Ainda há bem pouco tempo, um grupo étnico muçulmano, na Birmânia, esteve sujeito a genocídio – os Rohingyas.


Actualizado a 3 de Outubro XVII

A Universidade Livre de Coimbra

Em festa dos Anjos da Guarda


Por: Costa Pereira Portugal, minha terra

Foi a 2 de Outubro de 1928, que por inspiração divina o padre Josemaria Escrivá, um aragonês de Barbastro (Espanha), em dia da festa dos Anjos da Guarda, fundou o Opus Dei. Os anjos são os seres celestiais mais próximos dos humanos e “são responsáveis por nos proteger e nos guiar para o melhor caminho. Quando eles estão ao nosso lado, podemos senti-los através de sinais muito sutis”. Instituição da Igreja Católica, ao serviço da Igreja, das Almas e do bem comum. Com implantação universal em todo o espaço cristianizado e não só, o Opus Dei ou a Obra, como também é conhecido, preocupa-se na santificação dos seus membros, fieis normais da Igreja apenas se comprometidos no preocupar fazê-lo mediante a presença de Deus nas atividades de cada dia, no trabalho, na família, no serviço aos outros, no relacionamento social e no cumprimento das obrigações religiosas e cívicas. 

«Oratório dos Montes Claros, Rua 
Vera Lagoa, 5-C,1600-2028 
Lisboa (Metro Jardim Zoológico, Linha azul)»

Beatificado, por João Paulo II, a 17 de Maio de 1992, 10 anos depois foi Canonizado por esse mesmo Santo Padre, a 6 de Outubro de 2002. Faleceu a 26 de Junho de 1975, na presença de uma imagem de Nossa Senhora, de quem era fervoroso devoto e que figurava no seu gabinete de trabalho Nessa ocasião já a Obra contava com mais de 60.000 membros, espalhados por 80 nacionalidades. Portugal foi dos primeiros países onde o Opus Dei se implantou, 1946, e que São Josemaria por várias vezes visitou pois era um grande devoto de Nossa Senhora de Fátima, onde muitas vezes rezou. Na devoção a este santo a Oração, reza:
“Ó Deus, que por mediação da Santíssima Virgem concedestes inúmeras graças a São Josemaria, sacerdote, escolhendo-o como instrumento fidelíssimo para fundar o Opus Dei, caminho de santificação no trabalho profissional e no cumprimento dos deveres quotidianos do cristão, fazei com que eu também saiba converter todos os momentos e circunstancias da minha vida em ocasião de vos servir, com alegria e simplicidade, a Igreja, o Romano Pontífice e as almas, iluminando os caminhos da terra com a luz da fé e do amor.
Concedei-me por intercessão de São Josemaría o favor que Vos peço ( peça-se) . Ámen.

Pai Nosso, Ave Maria, Gloria”.

domingo, 1 de outubro de 2017

As últimas testemunhas


Quebrando o pacto de não-agressão, assinado entre nações, a Alemanha nazi invade a União Soviética a 22 de Junho de 1941. Em 1945, no final da Guerra, haviam morrido três milhões de crianças. Só na Bielorrússia, viviam 27 mil em orfanatos.
Quarenta anos passados, os relatos desses orfãos foram passados a livro por Svetlana Alexievich.
É uma visão diferente da Guerra. Testemunhada por crianças e não por soldados e historiadores. São testemunhos sinceros, narrados pelos mais injustiçados. São relatos autênticos, comovedores e impressionantes sobre uma tragédia mundial.
Sobre estes relatos o El País diz-nos: «Os relatos daquelas crianças, sem cortes ou opinião de Svetlana, compõem uma obra anti-guerra de uma eficácia demolidora, tendo como fio condutor a profunda tristeza de uma centena de homens e mulheres a quem a guerra roubou a infância.»


Leva tudo ao pormenor


Por: Costa Pereira - Portugal, minha terra

Já tinha saudades de visitar o Sr. Padre Abel e a D. Rosa. Calhou no passado dia 23, graças à Sãozita sempre disponível para atender quem carece do seu generoso apoio social que dá mesmo em prejuízo das horas destinadas ao descanso e lide da casa. Mas nisso é já bem conhecido e reconhecido pela comunidade bajouquense.
No sábado, dia 23, foi mais uma demonstração dessa virtude sua, ao convidar e por ao dispor dos tios a sua viatura de transporte pessoal e vai de marcar uma deslocação a Fátima para as 14h30. Pouco passava dessa hora e lá estava o carro ao portão, com mais duas penduras como nós, a Madalena e a Bela.
Com carro de sete lugares, dois tinham que ficar reservados para dar boleia aos dois amigos que estiveram na origem desta visita. Os quais tinham de ser transportados com ida e volta entre um e outro local, o escolhido para conversar um pouco.
Sempre que se visita o Sr. Padre Abel tem que haver almoço ou lanche, desta vez foi lanche servido numa pastelaria denominada a “Aldeia dos Sabores”, que fica nos Cardosos,  na estrada de Leiria para Fátima.
 A escolha foi ao gosto da Saozita, e além dessa surpresa foi outra: Quando nos preparávamos para dar por concluído o lanche-convívio surge um bolo recheado de frutos e uma vela onde constava o numero 80. Era o assinalar dos 80 anos da ti Saudade, minha esposa, feitos em Junho e aos quais o Sr. Padre Abel e a D. Rosa não se puderam associar por compromissos anteriormente assumidos. Esta minha sobrinha é excepcional. Leva tudo ao pormenor 

Os autocarros do amor


Alberto Gonçalves - OBSERVADOR

Felizmente, à revelia da propaganda que tenta “vender” os transportes públicos a título de amigos do ambiente ou da circulação urbana, há jornalistas sem medo de os denunciar como os amigos do deboche

Só entravam nele passageiros, jovens bem bonitos e solteiros
Logo a seguir noutra paragem, entrou uma moça na viagem
Olhando para todos perguntou, que carro é este em que eu vou?
É o autocarro do amor, logo respondeu o revisor
O Autocarro do Amor (Os Taras e Montenegro, 1969)


Uma candidata à câmara de Lisboa propôs a segregação de “géneros” no metro local e, sem cedência a falsos pudores ou à hipocrisia, destapou um dos maiores dramas nacionais: o abuso sexual das mulheres nos transportes públicos, pelo menos nos da capital. Corajosa, Joana Amaral Dias não hesita em imitar métodos usados, para fins raciais, na África do Sul do apartheid ou no Alabama de 1950. Democrata, Joana Amaral Dias concede que a utilização dos lugares “protegidos” seja facultativa – as senhoras sérias escolhem-nos; as galdérias, se assim quiserem, permanecem na zona da pouca-vergonha.
Naturalmente, um assunto desta gravidade não podia ficar por aqui, para cúmulo quando a gravidade raia o inominável. A polémica, como é típico das polémicas, instalou-se. E, de acordo ou em desacordo com a segregação, os testemunhos pungentes sucederam-se. Nas “redes sociais”, uma arguta jornalista de investigação, célebre por ter namorado com um trapaceiro sem suspeitar de nada, escreveu: “quero q (sic) as miúdas (sic) d (sic) 11 possam andar na rua sem lhes pedirem broches. não (sic) quero q (sic) andem em autocarros so (sic) p (sic) meninas. quero (sic) q (sic – tenham paciência) a lei as proteja”. Em resposta a este apelo angustiado, outra alegada jornalista, filha do presidente da Assembleia da República (juro), acrescentou: “Quero que andem de autocarro sem receio de que um gajo qualquer se encoste a elas para se vir entre uma paragem e outra.”
Embora não penetre (vade retro) um autocarro desde 1989, não me passa pela cabeça duvidar de gente séria. Parece-me evidente que alguma coisa medonha acontece na Carris e similares, cujos veículos estão aparentemente repletos de exibicionistas apreciadores de fellatio e ejaculadores precoces. Não me parece evidente a maneira de as referidas jornalistas chegarem a informação tão detalhada. Sugiro duas hipóteses. A primeira é o recurso a fontes qualificadas: as senhoras nunca entram em autocarros, mas convivem diária e proximamente com depravados que o fazem com propósitos sórdidos e, desculpem o jargão científico, heterobadalhocos. A segunda hipótese é a observação directa: as senhoras frequentam os ditos autocarros e são, elas próprias, alvo dos pervertidos agora denunciados. Em qualquer dos casos, as senhoras deviam rever o rumo das respectivas vidas. Em qualquer dos casos, os poderes políticos deviam actuar com a pressa e o vigor adequados.
Falo, evidentemente, da abolição dos transportes públicos. Mesmo sem a presença de maluquinhos desejosos de repetir as proezas do filme erótico da CMTV da noite anterior, viajar encostado a resmas de desconhecidos é actividade assaz desagradável e avessa a uma existência sadia. Na presença dos maluquinhos, então, torna-se uma aventura de alto risco, que urge erradicar. Por mim, sempre desconfiei que o lóbi dos transportes públicos, que berra há décadas contra o bom e velho automóvel, era coisa de tarados. Não imaginava que o fosse literalmente.
Perante isto, é ainda mais assustadora a simpatia que o citado lóbi colhe junto de governos, autarquias, energias “renováveis” e activistas “verdes” ou maduros. Se já deprimia o empenho fiscal e legislativo e policial com que se tenta demover os cidadãos de viajar na propriedade privada e na privacidade devida, é grotesco que semelhante empenho esteja, afinal, ao serviço de líbidos desarranjadas. Felizmente, à revelia da propaganda que procura “vender” os transportes públicos a título de amigos do ambiente ou de amigos da circulação urbana, há jornalistas sem medo de os denunciar como os amigos do deboche que de facto são.
Convém mostrar-lhes que não estão sozinhas. De hoje em diante, sentarmo-nos ao volante do nosso carro deixará de ser um simples pormenor quotidiano. Será, sobretudo, um gesto de solidariedade para com as mulheres assediadas e de resistência aos vastos interesses do assédio, desses que se movem na sombra ou debaixo da gabardina. No sossego do Audi ou do Fiat, os únicos tarados – ou, em prol da igualdade, taradas – são aqueles que convidamos. E as únicas vítimas são as que pagam impostos.

Notas de rodapé

1. Não me aborrece viver num país cujos governantes abandonam entrevistas à primeira pergunta “incómoda”, como agora aconteceu com o sr. Costa na Rádio Renascença. Mas é triste viver num país cujos jornalistas ainda comparecem a entrevistas com espécimes assim. Refiro-me, claro, aos jornalistas que mantêm uma réstia de vergonha. Os restantes cumprem exacta e escrupulosamente o papel deles.

Image result for porto editora2. A propósito da “polémica” dos livrinhos de exercícios “para o menino” e “para a menina”, recentemente aberta por analfabetos funcionais, o gabinete de comunicação da Porto Editora enviou-me um e-mail a esclarecer que os ditos livrinhos voltaram às livrarias, “no quadro”, cito, “do exercício pleno da liberdade de expressão da autora e das ilustradoras, bem como da liberdade de edição, respeitando estes valores fundamentais numa sociedade livre e democrática”. Fica a nota, o aplauso à Porto Editora e a suspeita de que a referência à sociedade livre e democrática é força de expressão. Nem tudo está bem quando acaba bem, sobretudo se começa demasiado mal.

Benefícios do Ensino Superior em Portugal

Num dia de "reflexão", decidi reflectir sobre outra coisa que não as eleições: o valor dos estudos em Portugal. Não sendo um especialista com acesso a dezenas de bases de dados nem com tempo para passar meses de volta de folhas de cálculo, fiz uns quantos rápidos baseados em dois dados: os rendimentos brutos anuais de acordo com o grau máximo de educação atingido (valores de 2014 do INE) e os valores de IRS a pagar de acordo com cada escalão.

Munido destes valores decidi descobrir qual o valor monetário de um grau académico. Há ressalvas a considerar:
- Apenas considerei como valor base o de pessoas com o secundário (a actual escolaridade mínima obrigatória). Os valores abaixo são ignorados.
- Considerei as seguintes durações: secundário sem reprovações até aos 18 anos de idade; o bacharelato como sendo de 3 anos (sem anos extra); a licenciatura de 5 anos (1 ano extra); o mestrado de 5 + 2 anos (2 anos extra); e o doutoramento de 5 + 2 + 4 anos (3 anos extra).
- A reforma chega aos 67 anos de idade (necessária para estimar os rendimentos e contribuição totais).
- Considerei que os alunos de mestrado e doutoramento recebem um salário anual do grau abaixo (de mestrado com salário de licenciado, de doutorado com salário de mestrado). Há um erro mas é a aproximação que decidi fazer.
- Para o salário anual de mestrado (não explícito nos dados do INE) estimei a média entre licenciatura e doutoramento.
- O valor que retirei dos dados do INE é médio para o resto da carreira contribuitiva. Isto é duvidoso especialmente porque é muito provável que alguém com mestrado obtido hoje acabe a aumentar significamente os seus rendimentos à medida que, ao longo das décadas, o valor da sua educação aumente. Mas é a aproximação que me foi possível.

Ressalvas feitas, vamos aos valores.

Valor do grau académico
No gráfico 1, está o valor dos rendimentos brutos totais que uma pessoa pode auferir ao longo da sua carreira contribuitiva. Também adicionei a diferença que se obtém em relação a uma educação a terminar no secundário.

rendimentos brutos totais portugal.jpg
Figura 1: rendimentos brutos totais ao longo da carreira profissional.

O valor de um grau académico em Portugal salta de imediato à vista. Um simples bacharelato aumenta em 65% os rendimentos. Curiosamente, ter uma licenciatura não ajuda muito, com os anos extra necessários à mesma a reduzirem os rendimentos totais (a diferença anual entre bacharelato e licenciatura é de apenas 250 €/ano). A partir do mestrado obtém-se paridade em relação ao bacharelato e com o doutoramento atinge-se o valor mais alto, embora não por valores muito elevados (cerca de 1.000 €/ano).

rendimentos liquidos totais portugal.jpg
Figura 2: rendimentos líquidos totais ao longo da carreira profissional.

E se optarmos por olhar para os rendimentos líquidos? Nesse caso a situação piora para os licenciados e mestres. A vantagem sobre o bacharelato chega apenas com o doutoramento e, em termos líquidos, é de apenas 450 €/ano. Em perspectiva, pagará os cafés diários.

Com base nestes valores parece claro que o melhor grau académico para a carreira profissional será o bacharelato. Em 3 anos está terminado, o que significa que a independência financeira está mais próxima, e ao longo da carreira não é muito pior que ter um doutoramento. Claro que aqui não está contabilizado o maior valor de reforma que o doutorado terá, mas num ponto de vista estritamente de carreira profissional, o bacharelato parece ter a melhor relação custo/benefício (quando o custo é o esforço pessoal e de tempo e o benefício os rendimentos).

Valor contribuitivo para o Estado
Fala-se sempre do benefício do grau académico, mas não olhamos muito para aquilo que ele oferece ao Estado do ponto de vista contribuitivo. Ora, se alguém tem rendimentos superiores, irá também pagar mais impostos (até devido à subida nos escalões). No que resulta isso?

contribuicao fiscal corrigida portugal.jpg
Figura 3: impostos pagos por cada indivíduo de acordo com a educação atingida (reflectindo rendimentos durante mestrado e doutoramento).

O que vemos aqui é que, um indivíduo que tenha um grau académico acabará a pagar ao longo da sua carreira contribuitiva essencialmente mais do dobro que alguém que tenha apenas estudos secundários. Ter um bacharelato faz entrar no cofre do estado tanto em valores extra como alguém com o secudário ao longo da sua vida. ou seja, um bacharel paga ao estado mais de 3.500 €/ano por ter estudado. Um licenciado um pouco menos. Um mestre e um doutor pagam ao estado pelo privilégio cerca de 4.00 e 4.500 €/ano extra, respectivamente (em relação ao bacharel).

Só que esta não seria a contribuição total. Idealmente adicionaríamos também o valor do IVA pago ao fazer compras. Aqui decidi fazer novas aproximações:
- A taxa de IVA escolhida foi a intermédia (13%), para reflectir que muitos dos gastos são com bens a IVA reduzido. O valor pode estar errado (não encontrei informação sobre taxas médias de IVA na minha busca rápida) e certamente será diferente de acordo com os rendimentos disponíveis (indivíduos com menores rendimentos gastarão uma maior percentagem dos mesmos em bens d eprimeira necessidade a uma taxa mais baixa). Seja como for, é a aproximação escolhida.
- O valor do IVA foi aplicado sobre a totalidade dos rendimentos líquidos. Isto estará novamente errado (haverá quem faça investimentos ou poupanças), mas é a aproximação que escolhi.

contribuicao fiscal corrigida portugal + IVA.jpg
Figura 4: Impostos toais pagos com IVA adicionado.

Os valores aqui não alteram o cenário relativo da figura 3, apenas aumentam em termos absolutos. Dessa forma podemos calcular o valor acrescentado que os graus académicos trazem ao estado: aproximadamente 4.500 €/ano para bacharelato e licenciatura, 5.000 €/ano para o mestrado e 5.500 €/ano para o doutoramento. Podemos colocar isto em perspectiva ao olha para o custo de um aluno do ensino superior em Portugal (figura 5, retirado da página 275 da tese de doutoramento de Maria Luísa Machado Cerdeira, "O Financiamento do Ensino Superior Português: A partilha de custos").

custo por aluno.jpg
Figura 5: Custo anual para o estado de cada aluno no ensino superior. Valores apenas até 2008.

Mesmo aceitando que o valor para o Estado era de apenas 3.610 €/ano/aluno em 2008 e que estes tenderiam a aumentar durante a recessão, podemos ver que a contribuição fiscal acrescida graças á posse do grau académico compensa largamente esse custo aos cofres do país. Imaginando um valor máximo de 4.438 €/ano/aluno (valores de 2001) e adicionando mil euros, uma licenciatura (aceitando 5 anos de estudos mais um ano extra) seria paga em sete anos e meio, com o resto da vida contribuitiva a ser lucro. No caso de bacharelatos, mestrados e doutoramentos, o curso universitário seria pago ainda mais depressa. Mesmo que se adicione um ano extra para compensar quem estuda e não contribui da mesma forma (porque não pode trabalhar, saiu do país ou abandonou os estudos antes de os concluir), parece óbvio que o estado beneficia financeiramente de oferecer a educação superior.

Obviamente que este retorno do investimento não leva em conta o valor acrescido que, esperamos, os indivíduos com graus superiores trarão à sociedade, seja do ponto de vista de eficiências, seja através de novos negócios que gerem riqueza. Estes benefícios deveriam ser então traduzidos em maiores receitas fiscais do lado do IRC (através do aumento de lucros) ou também do IRS (através de maior emprego). Não é linear, obviamente, mas seria esse o princípio.

Conclusões
E que concluir destas 3-4 horas de procura e escrita (e uns 10 minutos de leitura)? Bom, primeiro que nada que os estudantes pouco beneficiam de estudar para lá do bacharelato. As empresas portuguesas parecem não valorizar os dois anos extra de estudos através de salários mais elevados. As razões disso não conheço, apenas constato os valores. Por outro lado parece que ter mestrado e/ou doutoramento será benéfico, mesmo que por pouco. onde os graus mais elevados provavelmente se traduzirão em benefícios será no tecto salarial máximo que se pode atingir ao longo da carreira, o qual provavelmente aumentará com o nível de ensino atingido. Apesar disso, isso só será realidade em alguns casos.

Por outro lado, o Estado parece ter benefícios financeiros claros em oferecer os estudos. Dado que as propinas constituirão 20-25% dos custos por aluno, é possível argumentar que se o Estado tornasse o ensino completamente grátis não perderia muito. Dado que haverá certamente estudantes que decidem não seguir para o ensino superior devido ao custo das propinas (a que acrescem os de alojamento, alimentação, materiais de estudo, viagens, etc) e que alguns desistirão dos mesmos porque deixam de ter meios para os pagar, poderia muito bem suceder que um ensino 100% gratuito aumentasse a base de recrutamento de estudantes, o que só beneficiaria a qualidade.

Conclusão final? O país não valoriza os estudantes do superior como deveria mas beneficia imenso deles. Apesar das ineficiências, haverá certamente poucas áreas do estado onde haja tantas vantagens entre o serviço prestado e o benefício retirado. Ou, noutras palavras, o Ensino compensa. E muito.