sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A lista dos cúmplices da tragédia da Venezuela também inclui o Bloco, Sócrates e Portas


José Manuel Fernandes - OBSERVADOR

Nestes dias em que só o PCP e Boaventura Sousa Santos dão o peito às balas pela deriva autoritária na Venezuela é bom lembrar a adesão entusiasmada do Bloco e de Sócrates ao regime do "amigo" Chávez.
A Venezuela tem possivelmente as maiores reservas de petróleo do mundo. Porventura maiores do que as da Arábia Saudita. E tem menos de 32 milhões de habitantes. Como podem faltar bens essenciais nas prateleiras dos mercados? Como pode haver tanta pobreza e exclusão?
A Venezuela é, na América Latina, um dos países com uma das mais antigas e ininterruptas experiências de vivência democrática, tendo chegado a contar com um sistema político pluralista onde os principais partidos se reivindicavam da democracia cristã e da social democracia. Como foi possível chegar à actual deriva autoritária, quase ditatorial? Como é possível tantos dias de protestos gigantescos e de enormes greves e, ao mesmo tempo, o poder não dar qualquer sinal de ceder à vontade popular?
Estas interrogações seriam suficientes para duvidarmos da bondade do governo de Nicolás Maduro. Mais: deveriam levar-nos a questionar toda a herança do “chavismo”, que dura desde 1999. Não deveria ter sido necessário o espectáculo grotesco da farsa eleitoral do passado fim-de-semana – manipulação da representação proporcional, voto sob coacção, fraude descarada na contabilização dos votos, criação de um sistema que, à partida, garantia quase um terço dos lugares na Assembleia Constituinte a grupos controlados pelo regime – para finalmente separar águas e se pensar em sanções. Mas foi isso que aconteceu.
Quem esteve atento à forma como em Portugal quase todos se relacionaram com a Venezuela de Chávez e Maduro sabe que o actual isolamento do PCP, a única força política que insiste em defender o regime, é que é a novidade. A verdade, a triste verdade, é que ao longo de quase duas décadas Hugo Chávez foi recebido em Portugal como “um amigo” e, à esquerda, o chavismo era visto por quase todos como um exemplo a seguir. Até à direita teve as visitas respeitosas de Paulo Portas. Hoje quase só o PCP considera que as denúncias da imprensa e das organizações de direitos civis não passam de “uma das mais miseráveis campanhas de patranhas da comunicação social ao serviço do grande capital e do imperialismo” ou que os manifestantes mortos são produto da “violência fascista” desses mesmos manifestantes. Mas eu recordo-me bem de, há uma dúzia de anos, ter sido quase linchado num debate sobre o chavismo em que participei na Associação 25 de Abril (foi Vasco Lourenço que se impôs à assembleia e permitiu que eu falasse). E quem lá estava não era o PCP (que até desconfiava do populismo de Hugo Chávez, pouco ortodoxo e pouco marxista para o gosto dos comunistas) ou Boaventura Sousa Santos – quem lá estava era sobretudo a nossa “esquerda festiva” e muito pouco tolerante.
Por isso devo dizer que aprecio mais a frontalidade do sociólogo de Coimbra quando este sai em defesa do regime de Nicolás Maduro do que a hipocrisia do Bloco de Esquerda, que agora se apressa a gritar “vade retro satanás”. É que Joana Mortágua, ao escrever que “a esquerda de que faço parte nunca foi ambígua sobre a condenação de regimes que oprimem o povo e sufocam a democracia”, nem repara na contradição em que cai, pois algumas linhas antes garantira que a sua actual revolta resultava de o chavismo ter passado “de projeto do povo a ditadura de caudilho” quando, na verdade, o que o chavismo perdeu foi o seu caudilho, pois há muito que deixara de ser uma democracia respeitadora dos direitos civis.
Mas antes de irmos a essa discussão vale a pena ocuparmo-nos um pouco da grande mistificação alimentada por gente como o “cientista social” Boaventura. Tomemos esta passagem do seu quase manifesto em defesa do chavismo e do “madurismo”: “As conquistas sociais das últimas duas décadas são indiscutíveis. Para o provar basta consultar o relatório da ONU de 2016 sobre a evolução do índice de desenvolvimento humano. (…) De 1990 a 2015, o IDH da Venezuela aumentou de 0.634 para 0.767, um aumento de 20.9%”.
O que me chamou a atenção nesta passagem foi a escolha do ano de referência: porquê 1990 se Hugo Chávez só chegou ao poder em 1999? Uma parte da resposta está na frequência com que esses relatórios da ONU eram produzidos nessa época: há um para 1990 e outro para 2000. Ou seja, não temos nenhum para 1999, o “ano Chávez”. Mas é uma explicação insuficiente, pois há outra bem melhor: se tomarmos o IDH de 2000 verificamos que ele foi de 0.775 e que a Venezuela estava então no lugar 69 do ranking. Ou seja, um ano depois de chegar ao poder e numa altura em que dificilmente se poderia considerar o efeito da sua governação num índice que integra, por exemplo, a literacia de toda a população, algo que não se muda de um ano para o outro, o IDH registado foi superior ao contabilizado depois de 15 anos de chavismo, 0.775 contra 0.767. Mais: a Venezuela caiu nestes 15 anos do lugar 69 para o lugar 71. Não é muito, mas é seguramente uma “grande conquista social”.
Todos sabemos que os números podem ser “torturados”, arte em que os políticos são mestres, mas aqui estamos a falar de um texto de um “cientista social” que, para mais, já se encontra também reproduzido no site de uma instituição científica do Estado, o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.
Mesmo desmontando esta tosca falácia de Boaventura Sousa Santos não cairei na armadilha de defender que não houve evolução social na Venezuela nestas últimas duas décadas. Houve, mas é necessário saber a que custo e com que consequências para o futuro do país e, sobretudo, para o futuro daqueles que estão mais desprotegidos.
Primeiro que tudo: a Venezuela não é nem nunca foi o “regime do povo” que nos venderam anos a fio. Tomemos, por exemplo, um indicador sempre muito apreciado pela esquerda que venerou e ainda venera Hugo Chávez: o coeficiente de Gini, uma das melhores formas de medir o grau de desigualdade existente numa sociedade. Em 2013 esse coeficiente era de 44,8, o que significa que era bem mais elevado, logo bem pior, do que o medido em Portugal (34,5) nesse tempo em que estávamos no auge da crise e, na linguagem da mesma esquerda, sofríamos as consequência de um desalmado neoliberalismo. Qual era o coeficiente de Gini em 2000 na Venezuela? 42,0. Ou seja, ao fim de 15 anos de chavismo o país está mais desigual.
Contudo, por uma questão de honestidade intelectual, é necessário reconhecer que neste intervalo de tempo o coeficiente de Gini diminuiu, registando um mínimo de 39,0 em 2011. Porque é que se começou a agravar depois dessa altura? A resposta é simples: o “milagre social” do chavismo, a “distribuição de renda” promovida pelo bolivarianismo, só foi possível enquanto o rendimento do petróleo gerou receitas suficientes para pagar tudo e mais alguma coisa. Faltavam médicos? Oferecia-se petróleo a preço de amigo a uma Cuba esfomeada e recebiam-se em troca legiões de médicos. Era preciso erguer bairros sociais? Telefonava-se ao amigo Sócrates e este despachava o Grupo Lena.
O método foi sempre o mesmo: em vez de aproveitar o rendimento de um petróleo com preços inflaccionados para construir uma economia sustentável, distribuíram-se esses milhões e milhões por aquela parte da população que acabaria por reeleger e reeleger um Hugo Chávez que, entretanto, retirara da Constituição o princípio da limitação de mandatos. Muitas pessoas saíram da pobreza? Sim, saíram. Mas mal os preços do petróleo começaram a cair, a pobreza e a desigualdade regressaram em força. Afinal de contas Chávez morreu em 2013 – e é precisamente de 2013 o coeficiente de Gini que referi atrás. Os males não chegaram com Nicolás Maduro, já lá estavam com Chávez. O problema não foi, ao contrário do que escreveu Boaventura, “liderança carismática de Chávez” não ter sucessor – o problema foi o modelo de Chávez não ter saída quando se acabou a ilusão dos petrodólares.
Pior: o chavismo não falhou apenas por não ter criado uma economia menos dependente da renda do petróleo, falhou porque destruiu a economia que existia, combateu como pode os “capitalistas” e fez da Venezuela, de acordo com a The Heritage Foundation e Wall Street Journal, o país tem o pior regime do mundo no que respeita à protecção dos direitos de propriedade (um registo de 5,0 numa escala de 100). Ora quando os direitos de propriedade não estão protegidos ninguém investe, os capitais fogem e só fica quem, como muitos comerciantes portugueses, não tem mesmo para onde ir, mesmo assim correndo o risco de ser preso por especulação apenas por ir ajustando os seus preços à hiperinflacção (que chegou aos 700%).
Mais: se considerarmos o chamado “índice de miséria”, verificamos que a Venuzuela ocupa o último lugar entre 89 países (dados de 2013). Este não é um índice de pobreza ou riqueza, antes um indicador que integra variáveis como a inflação, as taxas de juro, o desemprego e o crescimento económico, reflectindo por isso sobretudo a percepção de ter pela frente um futuro difícil – e ninguém duvida como isso foi verdade de 2013 para cá, neste tempo de Nicolás Maduro onde até a comida está racionada
Não é por isso pois chegar ao que é obsceno, como os excessos parisienses da família de Maduro (já aqui recordados por Maria João Marques), ou o nascimento de uma nova e próspera oligarquia chavista no mundo dos negócios (excelente a reportagem do Financial Times sobre esta nova “burguesia bolivariana”), ou ainda às ligações perigosas do “amigo Chávez” com José Sócrates e Ricardo Salgado, pois há pistas do dinheiro ainda por revelar – basta ficar no que toda a gente sabe para perceber que só um supremo desprezo pela democracia justifica as dores do PCP e os amores de Boaventura.
Mas então e o Bloco? E aqueles sectores do PS que andaram de braço dado com o comandante? E até de Paulo Portas, que não desdenhou negócios venezuelanos? E então a posição do governo português, mais renitente à aplicação de sanções, mesmo depois de alinhar com a União Europeia no não reconhecimento da eleição fraudulenta para a Assembleia Constituinte?
Deixemos de lado as razões de Estado – que são atendíveis e, no nosso caso, não podem ignorar o destino de centenas de milhar de portugueses que vivem na Venezuela – para irmos apenas ao que há muito era visível mas muitos não quiseram ver: a deriva autoritária do chavismo.
É curioso ouvir Catarina Martins dizer que “o BE nunca confundiu a democracia com o acto formal de voto” não interessa apenas recordar como o partido elogiava Chávez e a sua “luta contra o imperialismo e o FMI”, interessa sublinhar que ela, como muitos socialistas portugueses, ou não sabem o que é uma democracia, ou fizeram de conta que não perceberam o que há muitos, muitos anos se estava a passar na Venezuela.
E o que se estava a passar na Venezuela era a transição de uma democracia plena, onde eleições justas coexistem com limitações ao poder executivo, protecção da liberdade e do pluralismo e ainda mecanismos de pesos e contrapesas, para aquilo que os estudiosos designam como regimes híbridos, onde continuam a realizar-se eleições mas tudo o resto vai desaparecendo, sendo substituído por práticas autoritárias. É nesses regimes que deixa de ser possível cumprir o critério primeiro para saber se uma democracia é mesmo uma democracia, que não é haver eleições livres e justas, é sabermos que os governos podem ser substituídos de forma pacífica, na célebre definição de Karl Popper. Ora aquilo que Chávez fez e Maduro prosseguiu foi criar um regime que permitisse a sua eternização no poder – enquanto houve dinheiro do petróleo comprando com ele a popularidade, quando deixou de haver dinheiro do petróleo, recorrendo à repressão pura e dura. Esse processo de “legalismo autocrático” está muito bem descrito por um estudioso da realidade venezuelana, Javier Corrales, que nos mostra como tudo começou logo em 1999, com uma nova Constituição desenhada à medida de Chávez e que aumentava os seus poderes. Ou como tudo prosseguiu com a mudança de natureza do poder judicial através da nomeação de juízes favoráveis ao regime: basta pensar que das 45.474 decisões tomadas pelo Supremo Tribunal entre 2005 e 2015 nenhuma foi desfavorável ao regime. Se a isto acrescentarmos os ataques à liberdade de informação, incluindo as “conversas” de horas de Chávez a ocupar todos os canais de televisões, ou as dúvidas sobre a ocorrência de fraudes nalgumas disputas eleitorais mais apertadas, temos uma pequena ideia do que foi a deriva de um regime que Sócrates bajulava, o Bloco aplaudia e a quem até Portas pedia uns tostões.
Não tenhamos pois dúvidas ou hesitações, como o nosso governo parece continuar a ter. Neste momento o caminho a seguir é aplicar sanções aos líderes do chavismo, como Maduro à cabeça, congelando as suas contas. Como já disseo insuspeito Felipe Gonzalez, que depois de comparar a actual situação à da “democracia orgânica de Franco”, acrescentou que os dirigentes chavistas desviaram milhões para o estrangeiro não passando de “revolucionários de pacotilha que traíram o seu país e levaram para o exterior o seu dinheiro à custa da fome dos venezuelanos”.
Chega, não acham?

Antologia CTMAD - 59 - MGen António Manuel Felícia Rebelo Teixeira

Miradouro de Santa Bárbara - CUMIEIRA - Santa Marta de Penaguião
O MGen António Manuel Felícia Rebelo Teixeira nasceu na Cumeeira, concelho de Santa Marta de Penaguião, distrito de Vila Real, a 22 de Outubro de 1956. É filho de Guilhermino Manuel Teixeira e de Maria da Piedade Rebelo Felícia.
O MGen Rebelo Teixeira incorporou em 05 de Setembro de 1977 no Regimento de Comandos e ingressou na Academia Militar em 1979, tendo sido promovido a Alferes em 1984 e sucessivamente a Tenente (1985), Capitão (1988), Major (1993), Tenente-Coronel (1998), Coronel (2005) e a Major-General em 04 de Julho de 2013.
O MGen Rebelo Teixeira está habilitado com o Curso de Infantaria da Academia Militar, o Curso de Promoção a Capitão, o Curso de Promoção a Oficial Superior, o Curso de Estado-Maior e o Curso de Promoção a Oficial General. Possuiu ainda no âmbito da qualificação profissional o Curso de Comandos, o Curso de Operações Irregulares, o Estágio de Operações Especiais, o Curso de Informação Pública da Escola da NATO (Oberammergau – Alemanha) e o Curso ACE CAX Planners em Haia na Holanda, entre outros.
No âmbito da formação académica civil possui o Curso do Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Empresas do Porto.
Ao longo da sua carreira prestou serviço em várias Unidades e Órgãos do Exército, nomeadamente no Regimento de Comandos, Escola Prática de Infantaria, Regimento de Infantaria nº 13 (RI 13), como Subalterno e Capitão, tendo nesta última Unidade comandado a Companhia de Apoio de Combate e o Batalhão Operacional para além da chefia de áreas do Estado-Maior do Regimento. Como oficial superior desempenhou funções no Estado-Maior do Exército na área dos Recursos Humanos e ainda no Gabinete do Tenente-General Comandante do Pessoal e na Direção de Administração e Mobilização do Pessoal.
Ainda como Major e no quadro da cooperação técnico-militar bilateral entre Portugal e Angola integrou o projeto de apoio ao Ministério da Defesa e ao Estado-Maior General das Forças Armadas de Angola (FAA), entre Janeiro de 1997 e Janeiro de 1998, tendo ainda nesse período lecionado no Instituto Superior de Ensino Militar das FAA.
Como Tenente-Coronel comandou o 1º Batalhão de Infantaria da Brigada Ligeira de Intervenção e o Agrupamento Charlie no Kosovo, integrado na Força Internacional KFOR, de Fevereiro a Agosto de 2000, após o que foi nomeado 2º Comandante do RI 13, funções que exerceu até Maio de 2002.
Em 2001, por despacho do General Chefe do Estado-Maior do Exército, integrou o Grupo de Trabalho para a reorganização do Exército.
Ainda como Tenente-Coronel serviu na European Operational Rapid Force (EUROFOR), em Florença - Itália, como Chefe da Repartição de Relações Públicas, de Agosto de 2002 a Julho de 2005. Participou na primeira operação militar da União Europeia – Operação Concordia – de Setembro a Dezembro de 2003 como porta-voz e PIO (Public Information Officer) da Força Europeia (EUFOR), em Skopia – FYROM.
Como Coronel comandou o Regimento de Infantaria nº 2 em Abrantes e o Regimento de Infantaria nº 1, na Carregueira, de Outubro de 2005 a Fevereiro de 2007. Em Março de 2007 assumiu as funções de Chefe de Gabinete do Tenente-General Comandante do Pessoal em acumulação com as de Chefe de Estado-Maior do Comando do Pessoal.
Ainda como Coronel e a partir de Junho de 2009, integrou a missão da União Europeia nas funções de chefe dos conselheiros militares da missão da União Europeia para a reforma do sector de defesa e segurança da Guiné-Bissau (EUSSR GUINEA-BISSAU), até ao seu encerramento em 31 de Maio de 2010.
Após a frequência do Curso de Promoção a Oficial General, como Coronel Tirocinado, foi nomeado para o exercício das funções de Subdiretor da Direção de Administração de Recursos Humanos do Comando do Pessoal, funções que exerceu desde 01 de Agosto de 2011 e que acumulou com as de Chefe de Estado-Maior do Comando do Pessoal, desde 29 de Novembro de 2011, ambas até 15 de Julho de 2012.
Ainda como Coronel Tirocinado, no quadro da cooperação técnico-militar bilateral entre Portugal e Moçambique, liderou o projeto técnico de apoio à Organização Superior da Defesa e das Forças Armadas, de 15 de Julho de 2012 a 22 de Julho de 2013.
Como Major-General foi nomeado Director da Direção de Obtenção de Recursos Humanos do Exército em 17 de Julho de 2013, funções que exerceu até 31 de Agosto de 2014.
Em 01 de Setembro de 2014 tomou posse como Director Coordenador do Estado-Maior do Exército, funções que exerceu até 21 de Outubro de 2015, data em que por imperativo estatutário transitou para a situação de reserva.
Da sua folha de serviços constam dezoito (18) louvores, sendo três (3) pelo General CEMGFA, dois (2) pelo General CEME, oito (8) por Oficiais Generais e cinco (5) por outras Entidades Militares. No que respeita a condecorações, foi agraciado com a Ordem Militar de Avis (Grau Grande-Oficial), Ordem Militar de Avis (Grau Cavaleiro), cinco (5) medalhas de Serviços Distintos (grau Ouro, grau Prata com palma, e três (3) grau Prata), três Medalhas de Serviços Distintos grau Prata (uma com palma), as Medalhas de Mérito Militar de 1ª, 2ª e 3ª classe, as Medalhas D. Afonso Henriques Mérito do Exército, 1.ª e 2ª Classe, as Medalhas de Comportamento Exemplar grau Ouro e Prata, a Medalha NATO/OTAN/KOSOVO e as Medalha Comemorativas Serviços Especiais Angola 1997, Kosovo 2000, EUROFOR 2002-2005, FYROM 2003, EU SSR GUINEA-BISSAU 2009-2010 e Moçambique 2012-2013.
Possui alguns trabalhos publicados no âmbito da Arquitetura de Paz e Segurança Africana.
O MGen Rebelo Teixeira é casado com Esbela Carlota Alves Correia Mourão Teixeira e tem dois filhos.

Enviou para a Antologia texto sobre África

A Importância de Escrever e Divulgar em Mirandês



quarta-feira, 2 de agosto de 2017

NOTICIAS da CASA de TRÁS-OS-MONTES e ALTO DOURO de LISBOA



Com votos de boas férias, a Antologia de Autores da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro está na recta final. Cinquenta e quatro autores entregaram já os seus trabalhos. A Antologia abrirá com texto de sua Exª o Senhor Presidente da República, Professor Marcelo Rebelo de Sousa, dirigido aos transmontanos, durienses e beirões transmontanos. Noticias sobre a mesma podem ser consultadas no Noticias da Casa de Trás-os-Montes de Lisboa que acaba de sair a público -  AQUI.



"Mirandela Outros falares" em destaque no Diário do Minho


Outros Falares foi
 divulgado no Portal ALUMNI.
JORGE LAGE
JORGE LAGE Livro, «Mirandela Outros Falares», apresenta-se - Com a publicação do livro «Mirandelês», em 2010, encabeçada por Jorge Golias e em 2011, «Falares de Mirandela», parecia que estava feito todo o levantamento dos nossos falares concelhios. Mas, como diz o povo, «não há duas sem três», fui ao longo de seis anos pesquisando, registando notas e remexendo o meu baú da memória e mais nomeadas, mais ditos, mais expressões e mais palavras foram avolumando a minha recolha. Impunha-se a publicação de um novo livro sobre a memória imaterial etnolinguística do concelho de Mirandela. Por isso, vem a público mais um livro que completa a trilogia desta memória imaterial de Mirandela, muita dela ausente de registos e assim aparece o novo livro «Mirandela Outros Falares». Na «Nota Introdutória» o Presidente, António Branco, refere: «Percorremos estas páginas com ansiedade e surpresa por vezes juvenil, qual criança à descoberta de um novo tesouro ou adulto em busca e rebusca das suas mais felizes memórias. Ninguém consegue ficar indiferente. Na memória coletiva dos mirandelenses, na memória das actuais e vindouras gerações, Jorge Lage e as suas obras serão sempre referências incontornáveis de uma forma de ser e amar Mirandela». Por sua vez, Jorge Golias no «Prefácio» diz-nos: «Este livro, «Mirandela, Outros Falares», é uma festa da memória dos hábitos rurais mirandelenses, das práticas agrícolas, das pequenas histórias, e de alguma grande história, das canções antigas, dos sons de um carro de bois ou de uma nória e, sobretudo, do falar local. (…) E fá-lo com a emoção à flor da pele, muitas vezes se desnudando, como quando conta pormenores da vida doméstica onde interagiam os membros da família num espaço limitado, cumprindo regras não escritas, em harmonia com a natureza, onde o binómio homem-animal era uma cultura específica e muito forte. A humanização do animal, sobretudo do boi, é uma marca forte aqui deixada.»  Este trabalho foi-me imposto por um desassossego interior, como refiro na «Nota Explicativa». «Como visco que se me prende à memória imaterial, herdada dos meus antepassados, fui tomando notas e do alçapão das recordações «balorentas» continuaram a surgir vocábulos e expressões que me deixaram mais desassossegado. Habitualmente surgia a interrogação para os meus botões: – nunca mais me tinha lembrado disto!»
Tome nota amigo leitor:
Apresentação em Mirandela - dia 03 de Agosto, Quinta-feira, pelas 18H00, «Mirandela Outros Falares» vai ser apresentado pelo Presidente do Município, António Branco, no Centro Cultural de Mirandela.
Apresentação na Torre Dona Chama - dia 15 de Agosto, Terça-feira, pelas 15H30, «Mirandela Outros Falares» vai ser apresentado pelo Vice-Presidente do Município, Rui Magalhães, na Galeria da Junta de Freguesia da vila da Torre Dona Chama.
Estão convidados, para estes dois eventos culturais, todos os mirandelenses, amigos de Mirandela e da Torre Dona Chama e amantes da cultura.

Nota das fotos: Vista de Mirandela na capa do livro, Imagem antiga da Senhora do Amparo – padroeira de Mirandela e última foto Pelourinho e Berroa da Torre Dona Chama na contracapa.

Jorge Lage – jorgelage@portugalmail.com – 15JUN2017
Provérbios ou ditos:
Júlio (mais tarde Julho), de início chamava-se «quintilis» (o 5.º mês) o Imperador Júlio César, quis ter o seu mês, passando a ser o sétimo mês do ano e o seu sucessor, Octávio Augusto não se lhe quis ficar atrás e instituiu, também, o seu próprio mês ou de Augusto. Augusto, era «sextilis», o sexto mês, evoluindo para Agosto, o oitavo mês do ano.
      Quem come do pão que ganha, come sempre do pão que tem; mas quem guarda mais do que ganha, come sempre o pão de alguém.
      A castanha tem de vir dormir ao ouriço dia três de Agosto.
      P’la Senhora de Agosto às sete o sol é posto.
Jorge Lage – jorgelage@portugalmail.com– 15JUL2017


Livro: «Poemas simples para corações inteiros»


JORGE LAGE
 Acompanho o percurso de escrita da Virgínia do Carmo há uns quinze anos e foi a clareza e a criatividade da sua escrita que me cativaram. Foi com expectativa que soube da edição do seu novo livro, «Poemas simples para corações inteiros», na «Colecção Poesia», da «poética edições». O livrotem desenhos do filho Bernardo e foi apresentado, na Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro em Braga, dia 17 de Junho, pelas 17H00 e contou com uma brilhosa assistência. A poetisa, Lídia Borges, fez uma brilhante e detalhada apresentação, com leitura de alguns poemas, acabando por contagiar os restantes participantes e muitos (mesmo crianças, leram vários poemas. O livro está dividido em duas partes, «Do mundo de mim» com dezasseis poemas e «Do íntimo» com vinte e nove poemas. É um livro com um «universo poético feito de raízes num solo de afectos fecundo» que mexe com os leitores. Actuou o Grupo de Cavaquinhos desta Casa Regional em caloroso convívio e com jantar ao jeito e sabor dos santos populares. Parabéns à organização e em especial à Virgínia por mais este bom livro! Pode ser consultado em poeticaedicoes.blogspot.com e pedido nas livrarias ou a geral@poetica-livros.com .

Jorge Lage – jorgelage@portugalmail.com – 15JUN2017

Provérbios ou ditos:
Junho provém de «Iunius» porque os romanos dedicaram este mês à sua deusa «Juno», protectora da mulher e deusa do lar.
      Chuva de Julho, por Santa Marinha, vem com a cabacinha; por São Tiago traz o canado.
      De castanhã em castanhã se faz a má manhã (Os maus hábitos vão entrando aos poucos).
      Pelo São Tiago, na vinha acharás bago; se não for maduro, será inchado.

O Medo *

Tenho medo de chegar tarde.
Medo de tudo já ter acontecido à minha
porta antes de eu própria habitar a minha casa.

Tenho medo que o medo me ate as mãos
enquanto durmo. Tenho medo de chegar
cedo e que nada mais chegue depois.

Tenho medo que me caia dos bolsos
esse papel gasto onde escrevi
à pressa
a morada da alegria
enquanto corro para fugir da tristeza.

E tenho medo das cicatrizes dos outros.
E do útero seco de um mundo sem lágrimas.

Tenho um medo tão cheio de medos dentro
que receio afundar-me com o peso dos sustos.

* Virgínia do Carmo, in «Poemas simples para corações inteiros», Abril 2017,
Jorge Lage – jorgelage@portugalmail.com – 05JUL2017


O passa-culpas é uma das piores caraterísticas da governação


BARROSO da FONTE
Quem o disse foi António Barreto, quem o pratica é o governo que perdeu as eleições. E quem goza com esta situação, consentindo-o, descaradamente, são os pequenos partidos da geringonça que, para chegarem ao poder, dobraram a espinha e a espinhela, seduzidos pelo bruxo-mor que nessa jogada luxuriante, passou de besta a bestial.
Com essa jogada titubeante, a política portuguesa entrou num redemoinho fantasmagórico. O derrotado virou herói, o herói, virou derrotado, a coerência antagonizou-se e o que hoje é verdade, amanhã já é mentira. Sem tirar nem por. Branco é, galinha o põe.
A política passou, numa espécie da noite de bruxas, de  ideal democrático para exercer a justiça, a ordem, a paz, a uma oportunidade quixotesca de assaltar o poder.
O ano de 2015 ficará na história, como a armadilha pirotécnica, capaz de inverter tudo e todos, em tempo recorde e com total desfaçatez pela ética, pelos valores morais, pela justiça, pela ordem e pelo primado da vida humana.
Os fenómenos cósmicos de Pedrogão Grande nunca se tinham, sequer, imaginado. As trovoadas secas eram suposições cavernosas, nunca vistas e por isso, inimagináveis, num verão em que o derrotado feito herói, para mais ateu declarado, foi bafejado pelo chifrudo, Belzebu. Nada de anormal para quem foi herói à força da geringonça que desta forma virou tudo do avesso.
A norma diluiu-se com o calor da fibra do SIRESP, porque em vez de seguir a sua marcha subterrânea, por mais fácil e muito mais lucrativa, falhou rotundamente a sua missão. Afinal, 44 ou 45 cadáveres (para o chifrudo) tanto importa. Outros incêndios se seguiram, com tudo o que acontecera, como se nada tivesse acontecido. Alijó, Mangualde, Viana do Castelo e outras florestas, empobreceram o país, causaram vítimas às dúzias, prejuízos aos milhões. Mas não rolaram cabeças porque, a ministra até chorou no ombro dos enlutados. O ministro, nem fez nem desfez, porque a política não pode responsabilizar fenómenos anormais. Nem roubos escandalosos. É mais fácil gastar 700 milhões em armas do que apressar a situação das vítimas de Pedrogão Grande que perderam vidas inocentes, viram os seus haveres reduzidos a cinzas...  e o capataz desta geringonça, estribado no silêncio da rapaziada que não quer fazer ondas, para manter os apoios do poder que nada custou a ganhar, arrasta-se na lama dos caminhos como se nada fosse com eles.
 Perante esta lassidão, António Barreto diz que «António Costa não foi carne, nem foi peixe». Para ele e para os seus ministros, assessores e diretores gerais «qualquer problema grave e sério é culpa do governo anterior. Isto é uma mediocridade política, de uma falta de honradez, de honestidade e de uma covardia chocante».
Mas com esta serenidade, esta calmaria, esta lassidão da irreconhecível juventude da esquerda, o primeiro ministro irrita-se com a Atice porque não gosta dos emigrantes que a gerem. Maltrata os investidores, talvez porque um deles é de Vieira do Minho e fala um português afrancesado. Mas pragueja e manda praguejar a sua gente, contra um candidato à Câmara de Loures por este dizer verdades como punhos. Avisa ele que se ganhar a Câmara vai acabar com subsídios a ciganos e outros que por ali moram e vivem com vida faustosa, ao lado de outros que trabalham honestamente, não roubam, não passam drogas, não se metem com a vizinhança e auferem salários inferiores.
Toda a esquerda, em uníssono, diabolizou o candidato que teve a coragem de anunciar que vai manter a sua opção. Não é hipócrita, diz aquilo que se passa na sociedade portuguesa, sejam em relação aos ciganos, seja em relação a quantos agem como eles.
 É público e notório que uma grande parte, sobretudo desse tipo de gente, tem vivido em Portugal de maneira encoberta, sombria e nada transparente. Chega a constituir um paradoxo indecifrável aquilo que os sucessivos governos fazem: os marginais, através de esquemas excêntricos, vivem melhor no desemprego do que muitos que trabalham honestamente, trabalhando e cumprindo as regras cívicas. Aqueles não trabalham, não cumprem a normalidade, fomentam vícios e desordens. Uns auferem os subsídios sociais, sob a capa de cursos de formação que ninguém controla, nem conhece. Outros têm casas de renda social que não merecem e as mordomias municipais relacionadas com esse estatuto. Os governos sabem que assim é. Mas viram a cara para o lado. Comprometem as polícias que tem de apagar os incêndios que os políticos geram. Depois de serem esses agentes da autoridade a impor a ordem, mesmo que haja algum exagero, são os políticos que vêm acalmar os desordeiros, responsabilizando quem deu o corpo às balas. Anda tudo invertido com esta classe, sem eira, nem beira, que não quer trabalhar, não quer aprender, não sabe viver em sociedade. Cria as desordens, gera a perturbação, amedronta constantemente a vizinhança, não declara os seus rendimentos e, na hora de averiguar os desacatos, em catadupa, caluniam, ameaçam e reclamam inocência.


Quem não atura este primeiro ministro é o seu camarada Henrique Neto que acaba da anunciar a sua desfiliação do PS, afirmando: «António Costa tem a maior carga de responsabilidade pelo que fez e pelo que não fez. É para mim óbvio que só me resta a decisão de me demitir de militante do Partido Socialista".

                                                                   

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Missa de Corpo Presente - Teófilo Minga

Lisboa, 1 de agosto de 2017

Queridos amigos,
Ontem estive presente a uma missa de Corpo Presente. É um momento de dor porque é um momento de separação radical. Mas na perspetiva cristã já me habituei a ver as duas faces de uma mesma moeda: MORTE/RESSURREIÇÃO. A Sexta-feira santa só faz sentido porque há um Domingo da Ressurreição. Celebramos o mistério da Paixão, da morte e da Ressureição do Senhor. No fundo é o que acontece na celebração da passagem (da Páscoa) de cada cristão.

A foto mostra o Cristo ressuscitado no convento dos Carmelitas de Avessadas, Marco de Canaveses, Porto, e eu em alegria total junto a ele depois de um retiro. Tocando o Ressuscitado e pedindo-lhe, para que viva já, tanto quanto é possível, como um homem da ressurreição, destinado à ressurreição (passando pela morte, claro está). Essa é a nossa fé. É o que partilho convosco neste poema.
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Enterro / Ressurreição  

Solidariedade cristã,
Em gesto de fé,
Ontem, hoje e amanhã,
Com Jesus de Nazaré
A tornar-se o nosso CENTRO,
A habitar em nós, cá dentro! (1)

Ele é a Ressurreição,
É também a verdadeira vida,
A certeza de todo o cristão,
Amor sem medida
Que vence a morte
E a todos dá o verdadeiro norte! (2)

Procissão de enterro
Com o Terço a Maria
Para que depois deste desterro
Seja ainda causa da nossa alegria
E nos apresente a seu Filho
No eterno e celestial brilho! (3)

No cemitério, é certo,
Um sentimento de dor,
Mais que solidão no deserto,
Mas que encontra no Teu amor
O sentido e a esperança,
Mesmo quando a dor fere e avança! (4)

À terra se devolve o corpo
Depois do sacramento da vida!
Ali junto a Jesus, o morto
Não tem apenas uma despedida!
É a certeza da Ressurreição,
Desde o primeiro momento da Criação! (5)

Teófilo Minga
Lisboa, 1 de agosto de 2017

1)      Poema inspirado na participação de uma missa de corpo presente. A falecida, era irmã de um colega meu de profissão religiosa, e por uma feliz coincidência, de passagem em Lisboa, pude acompanhá-lo a este ato derradeiro de solidariedade cristã: celebrar a sua passagem deste mundo à morada que o Pai lhe preparou (assim líamos no Evangelho da missa) lá nos céus. Era a missa de corpo presente da Senhora Maria Trindade, na freguesia de Lagoa do Furadouro, concelho de Ourém.

2) Era a certeza da fé que se via naquela assembleia cristã que enchia literalmente a igreja da aldeia. Uma linda eucaristia em que toda a aldeia se associava à dor da família, mas sobretudo à esperança da ressurreição que ali celebrávamos. Um ato comunitário que mostrava de um modo excelente a fé desta comunidade que acompanhava a Senhora Dona Maria Trindade à última morada. Uma linda manifestação de fé que certamente ainda se vê nas nossas aldeias por esse Portugal fora. Acreditamos em Cristo que é a Ressurreição e a Vida!

3)      Depois da missa, procissão de enterro para o cemitério da aldeia ainda bastante distante da Igreja paroquial. Uma procissão que deu tempo para recitar os mistérios dolorosos do Terço. O que me admirou também foi que ninguém arredou da procissão. Todos, absolutamente todos os habitantes da aldeia que estavam na Eucaristia, participaram com muita dignidade, respeito e atitude religiosa que demonstrava uma grande fé, nesta procissão da igreja ao cemitério, rezando o Terço. Continuava a manifestação de fé que eu tinha visto na Eucaristia. Muito embora sabendo que um momento de morte é um momento em que mais facilmente exprimimos a nossa solidariedade cristã para a família enlutada, este “estar em massa” diríamos de toda a aldeia não deixou de me impressionar profundamente.

4)  Também ali no cemitério esteve presente “todo o povo” até ao fim das orações, isto é, até ao específico momento do enterro em que o corpo era devolvido à terra donde tinha vindo como dizem as orações do ritual das exéquias.

5)  Esta é a verdade central do cristianismo: a certeza da Ressurreição. Era o que aquele povo afirmava a li com a sua presença. Já o Evangelho nos diz: “Porque procurais entre os mortos Aquele que está vivo?”. Em duas ou três vezes que tive a ocasião de fazer a homilia numa missa de corpo presente, eu comecei-a com essas palavras que são a centralidade da fé cristã. E São Paulo diz também algures: “Se Cristo não ressuscitou a nossa fé é vã!”. Parece-me que a gente simples das nossas aldeias, neste caso concreto a gente da freguesia da Lagoa do Furadouro, sem ser, certamente, perita em alguma teologia dogmática ou bíblica, compreende perfeitamente essa afirmação central da fé cristã. Foi o que eu pude notar nesta eucaristia de corpo presente, nesta procissão ao cemitério e nas orações finais antes do enterro propriamente dito. Foi um grande testemunho para eu fortalecer também a minha fé. A fé de cada um de nós fortalece-se e consolida-se na fé da comunidade cristã.

Afinal, quem quis ir para além da troika?


 M. FÁTIMA BONIFÁCIO - Jornal Público

A enorme dose de austeridade que Costa impôs ao país, e que este engoliu sem dar por ela, era em parte totalmente desnecessária.

Já tudo foi dito e escrito sobre a irresponsabilidade, a incompetência, a mendacidade, as contradições e as omissões a que nas últimas semanas assistimos por parte do Governo e seus agentes a propósito da tragédia dos incêndios e do inconcebível desleixo que abriu as portas do paiol de Tancos. Não obstante, muitas das perguntas dirigidas ao primeiro-ministro, sobretudo as “mais parvas”, ficarão para sempre sem resposta cabal. Prova disso é a repetida afirmação de António Costa de que “tudo já foi esclarecido”, afirmação logo proferida quando a procissão ainda ia no adro e tudo estava por apurar.
Pouco importa. Desde que, em Portugal, as vacas desataram a voar, abriu a época da caça à verdade dos factos. Dantes, todos tinham o direito às suas opiniões; hoje em dia, todos têm o direito aos seus factos! Estes, enquanto tais, deixaram de contar; conta apenas a percepção pessoalíssima que cada um de nós tem deles. Em linguagem já proverbial: apenas contam as narrativas sobre os factos. E o que as tornará convincentes? A racionalidade que lhes preside? A plausibilidade que o senso comum lhes confere? Nada disso. Uma “narrativa” é tanto mais convincente quanto, muito pelo contrário, evitar ou dispensar a mobilização dessas capacidades cognitivas, limitando-se a falar aos sentimentos, a despertar afectos e emoções e a dizer o que as turbas desejam ouvir. Não se esqueça que vivemos em pleno pós-modernismo, de si mesmo um hiper-romantismo que, actualmente, galgou mais um patamar e ascendeu ao mais desbragado hiper-subjectivismo, que valida os chamados “factos alternativos”: entrámos na era da “pós-verdade”.
Desde o anúncio das vacas voadoras, se não já antes, o país vive descontraído e contente, imerso numa consoladora fantasia. Porquê? Porque as vacas voaram mesmo, o milagre da quadratura do círculo aconteceu pelas mãos do habilidoso António Costa e do seu acrobático ministro das Finanças. A generalidade do povo português não dá pelas falhas na engrenagem da “geringonça” e menos ainda se apercebe das patranhas que lhe impingem. A “narrativa” oficial apregoa que, apesar das reversões e reposições de tudo e mais alguma coisa, a “geringonça” conseguiu fechar o ano com um deficit de 2,1%, o mais baixo desde 1974, três décimas a menos do que fora estimado e prometido a Bruxelas. E, sobre esta proeza, a economia também se mexeu, tendo o PIB crescido 1,4% — principalmente graças ao turismo.
Durante a campanha eleitoral e mesmo depois dela, já no Governo, António Costa prometia que este milagre seria cumprido com base em duas coisas: o aumento do poder de compra resultante das reposições, e o investimento público. Ora nenhuma destas duas coisas se verificou: o consumo privado não disparou, e o investimento público — 1,6% do PIB — foi “o mais baixo desde 1995”, desde há 21 anos (PÚBLICO, 25.03.17, p.29). Porém, fontes governamentais, a começar pelo próprio Costa, continuaram a afirmar que a (suposta) quadratura do círculo se devera à aplicação da velha receita keynesiana, tão mal tratada pela aberração do neoliberalismo.
Ora, no mesmo PÚBLICO, S. Aníbal e P. Crisóstomo explicam a verdade dos factos. O que permitiu aquele histórico deficit, apesar de algumas “derrapagens” na despesa do Estado e de uma ligeira diminuição dos impostos indirectos? Antes de tudo, o célebre PERES – Programa excepcional de regularização de dívidas ao Fisco e à Segurança Social, que rendeu ao Estado 588 milhões de euros, um encaixe que muito ajudou a baixar o deficit dos 2,4% inicialmente previstos e prometidos a Bruxelas em Outubro, para os 2,1% alcançados no fim do ano.
Mas, se o PERES foi importantíssimo, “o principal contributo” para a diminuição do deficit “veio do investimento público”, que na propaganda socialista e da sua cauda de radicais seria a grande alavanca para o crescimento económico e consequente aumento do emprego. Ora o corte violento do investimento estatal “acabou por ajudar as contas do deficit em 0,3%” — três décimas a menos do que a troika exigira!
Mas temos ainda o que em Março não se sabia, ou estava no segredo dos Deuses: as cativações, cativações em doses maciças e nunca vistas — praticamente o dobro do que era habitual, representando ao todo uma poupança para o Estado de quase mil milhões de euros! Os serviços públicos, incluindo escolas e hospitais, queixaram-se de que lhes faltavam meios financeiros para cumprirem os seus encargos. Centeno ignorou os protestos dos serviços e manteve os cortes inalterados.
Tudo isto — PERES, corte radical no investimento público e cativações brutais de verbas inscritas no Orçamento para 2016 —, tudo isto constitui os ingredientes principais e decisivos da enorme austeridade que a “geringonça” continuou a impor ao país. E o país, largamente infantilizado, geralmente desinformado e alegremente ludibriado pela narrativa do governo, canta hossanas ao cocheiro da “geringonça”, António Costa. A avaliar pela candura da entrevista concedida ao PÚBLICO de 27 de Julho pelo líder parlamentar do Bloco, este acólito do Governo de Costa finge-se indignado com a dimensão das cativações aplicadas por Centeno, declarando com manifesta estultícia que “o Governo não tinha mandato político para fazer cativações deste nível”! O Bloco não lhe concedera poderes para tanto! Infelizmente, o ridículo não mata.
A enorme dose de austeridade que Costa impôs ao país, e que este engoliu sem dar por ela, era em parte totalmente desnecessária: Bruxelas apenas exigiu um deficit de 2,4%, mas Costa quis ir para além da troika e mostrar mais serviço do que lhe pediam — um deficit de 2,1%.

Nuno Nozelos


Por: Costa Pereira - Portugal, minha terra


Foi com tristeza que soube da morte do poeta e prosador Nuno Nozelos, um escritor transmontano e alto - duriense por quem tinha muita estima e admiração. Natural de Fradizela (Mirandela), onde nasceu a 15 de Novembro de 1931; faleceu agora, a 18 de Julho, em Torre de D. Chama, com 85 anos. De seu nome completo Nuno Álvares Pereira da Conceição Nozelos, este brilhante escritor foi além disso conceituado conferencista e destacado colaborador em diversos jornais e revistas, como Noticias de Trás-os-Montes e Sílex – Revista de Letras e Artes. Mirandela tinha por este seu filho, e vai manter e eternizar, uma profunda admiração a modos que em 2016 a Câmara Municipal instituiu o “Prémio Literário do Conto Nuno Nozelos”, ao mesmo tempo que Torre de D. Chama deu o nome do escritor a uma rua da vila. São atitudes de louvar, e que só dignificam quem as toma. “Gente da minha terra” foi uma das suas obras que li primeiro, a última foi Contos Nordestinos do Natal. Mas além de notável contista, o autor de “Iniciação” também na poesia se destacou. Com boa formação salesiana, Nuno Nozelos formou-se em Filosofia e posteriormente frequentou o Instituto Superior de Psicologia Aplicada. Era funcionário no Ministério da Saúde, ligado à área jurídico-administrativa. Regionalista empenhado, com ele privei muitas vezes na Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Lisboa, onde sempre que podia se deslocava. Após a sua aposentação os ares da terra natal levam-no ser ainda mais transmontano e poeta que até da prosa fazia poesia. A ultima vez que me encontrei com ele foi no dia 29 de Maio de 2015, na Livraria Ferin, Rua Nova do Almada, na apresentação do livro Memórias e Divagações, do nosso comum amigo e comprovinciano João de Deus Rodrigues. Ficou mais pobre Mirandela, a nossa região, e dum modo geral a literatura portuguesa. A modos de Jorge Lage, digo também : “ Até sempre Nuno amigo, vais continuar com todos os que admirávamos o teu talento e a tua humanidade e simplicidade”. Que Deus te guarde.