quarta-feira, 20 de março de 2013

ONU comemora o primeiro Dia Internacional da Felicida



O Dia Internacional da Felicidade é assinalado hoje pela primeira vez. A data, 20 de Março, foi definida em resolução da Assembleia Geral aprovada no ano passado, reconhecendo a relevância da felicidade e do bem-estar como objectivos universais.
Numa mensagem sobre o dia, o Secretário-Geral da ONU destacou que a «busca pela felicidade é um elemento essencial do esforço humano».
Ban Ki-moon lembrou que, em todo o mundo, as pessoas aspiram viver uma vida feliz e plena, livre de medos e em harmonia com a natureza.
O mestre em Psicologia pela Universidade de São Paulo e autor de uma pesquisa sobre a felicidade concorda: todos buscam esse estado de espírito.
Em entrevista à Rádio ONU, Luciano Espósito Sewaybricker explica que não existe um segredo para a felicidade, mas é preciso a pessoa conhecer-se muito bem.
«Cabe a cada um descobrir a forma ideal de viver e que faz sentido para si. Acredito que o autoconhecimento é fundamental e é ele que vai garantir que a felicidade não seja tão banalizada, no sentido dos outros poderem dizer o que é felicidade para si. Porque então compra a felicidade em pacotes prontos e pré-programados. Entendo que a felicidade depende dessa introspecção, desse autoconhecimento, mas, ao mesmo tempo, de se estar aberto para se relacionar com outras pessoas», salientou.
O psicólogo sublinha que o conceito mudou ao longo do tempo.
«Actualmente, ser feliz tornou-se um peso. ´Temos` que ser feliz. E quanto mais as pessoas querem ter a felicidade, mais elas se vão sujeitar a uma felicidade simplista. E esse movimento é potencializado face ao contexto em que vivemos, de uma sociedade que se organiza em torno do consumo».
O bem-estar material é também citado pelo Secretário-Geral da ONU. Ban Ki-moon notou ser uma meta «difícil de ser alcançada pelas pessoas que vivem na pobreza extrema» e por aqueles que enfrentam as ameaças das crises socio-económicas.
Ban defendeu um maior compromisso com o desenvolvimento humano inclusivo e sustentável. Quando «contribuímos para o bem-estar comum, ficamos enriquecidos» e a «compaixão promove a felicidade e irá ajudar na construção do futuro que queremos», frisou.
A Rádio ONU está a perguntar no Facebook: «O que te faz feliz?». Entre os ideais de felicidade citados pelos ouvintes estão a família, saúde, bons amigos, esperança e a própria vida.



ONU assinala pela primeira vez Dia Internacional da Felicidade
Tags: Sociedade, Mundo, Notícias, ONU
20.03.2013, 09:57, hora de Moscou
                           
© Flickr.com/Neal./cc-by
Esta quarta-feira, a ONU celebra pela primeira vez na história o Dia Internacional da Felicidade, realizando no âmbito do calendário uma série de eventos.
Em sua mensagem por ocasião do Dia da Felicidade, o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, ressaltou que "a felicidade está na base de desejos humanos". Ao mesmo tempo, lamentou que "o bem-estar material básico ainda não estivesse acessível para um número grande de pessoas que vivem na extrema pobreza".
A resolução que declara 20 março como Dia da Felicidade foi aprovada pela assembleia-geral em 12 de julho de 2012.


                            

terça-feira, 19 de março de 2013

Dia do Pai, Dia de São José

Murillo - A Fuga para o Egipto
 São José


José, esposo da Virgem e pai alimentício de Jesus, é fugazmente mencionado em três dos Evangelhos canónicos. Marcos ignora-o. Os evangelhos apócrifos, especialmente o Proto-Evangelho de Tiago e a História de José, o Carpinteiro, escritos coptas do século IV, colmataram esta lacuna com detalhes pitorescos, retirados de episódios do Antigo Testamento. Mais tarde transcritos e acrescentados na Lenda Dourada[1].
Nestas narrativas descobre-se a estirpe davídica de Jesus que em nada se relaciona com a humilde vida de carpinteiro de São José, fabricante de jugos, arados e ratoeiras. Apesar de outra tradição menos difundida o assimilar a um ferreiro.
Teria mais de oitenta anos quando se casou com a Virgem, com catorze[2]. A natureza do seu matrimónio foi longamente debatida pelos teólogos medievais. Se teria sido marido, se apenas protector da Virgem. Debate levado ao extremo pelos Doutores da Igreja[3]. A tradição, fundamentada nas narrativas apócrifas, atribuía-lhe numerosos filhos da sua primeira esposa. Pelo contrário, Tomás de Aquino era de opinião que o santo se havia mantido sempre casto.
Depois de acompanhar o Menino na fuga para o Egipto, para o trazer, de novo, para Nazaré após a morte de Herodes, desaparece de cena. Ignora-se a festa da sua morte. Contudo, uma antiga lenda converteu-o num patriarca centenário. Supõe-se que terá morrido antes da Paixão de Cristo, na medida em que não está presente nas Bodas de Caná e está ausente na Crucificação, no Descimento da Cruz e no Sepultamento, concluído por José de Arimateia.
Sobre São José não existem relíquias pessoais. A figura de São José nem sempre foi bem amada. Na Idade Média, ao mesmo tempo que se exaltava a Virgem, escarnecia-se de São José. Nos autos sacramentais do teatro religioso, foi muito pouco respeitado. Chegou mesmo a ser enxovalhado como um velho tonto[4].
Com o tempo converteu-se num dos santos favoritos da devoção popular. Terá sido Jean Gerson, o conselheiro da Universidade de Paris o seu maior promotor. Assim como a ordem das carmelitas (servitas) e os pregadores populares. A sua festa foi introduzida entre 1471 – 1484, na liturgia da Igreja Romana pelo papa franciscano Sisto IV.
São José - Tecto da igreja de Gouvinhas - Alijó -
 Trás-os Montes e Alto Douro
No século XVI, o dominicano Isolano, popularizou em Pavia o relato apócrifo da Morte de José ao redigir um Sumário dos dons de São José, a quem atribuiu os sete dons do Espírito Santo. A sua popularidade expandiu-se após o concilio de Trento. Muito tarde. Embora se fale em Belém de uma igreja, dedicada em sua honra, por Santa Helena no século IV e se presuma que o seu culto nas igrejas orientais estivesse generalizado desde o século IX. A sua festa foi introduzida no breviário romano no século XV por Sisto IV, um século depois o grande impulso à devoção deste santo seria dada por Santa Tersa de Jesus, por vários teólogos e imperadores, designadamente Fernando III, Leopoldo I da casa de Habsburgo e pelo rei Carlos de Espanha. Em 1621, o papa Gregório XV instituiu a sua festa a 19 de Março, data em quem é também celebrado o Dia do Pai.
As corporações que o reivindicaram são as que estão associadas aos carpinteiros. Converteu-se no patrono da boa-morte porque, como conta a tradição, Jesus havia-o assistido durante a sua agonia e ter-lhe-ia enviado Gabriel e Miguel para recolher a sua alma espreitada pelo demónio. Por isso era invocado pelos moribundos.
Na Idade Média, o casto esposo da Virgem, era representado como um ancião de cabeça calva e barba branca. A partir do século XVI foi rejuvenescido, aparentando a figura de um homem de quarenta anos. Após a Contra reforma foi representado, ora como carpinteiro, ora como pai alimentício de Jesus. No primeiro caso tem como atributos os utensílios do seu ofício: uma serra, um esquadro, um machado e uma plaina. No segundo caso é reconhecido pela vara florida que alude à sua vitória sobre os pretendentes da Virgem, transformada em caule de lírio, símbolo do seu matrimónio virginal.[5] Juntamente com a Virgem da Imaculada Conceição, é o tema preferido de Murillo.
Armando Palavras




Costa Pereira
Aconselha-se a leitura deste site


E, já agora, um poema de António Passos Coelho (Materrial Humano, ed. Grémio Literário, Vila Real), outro de Miguel Torga ( Diário I ( 1941)  ), ainda outro de Silvio Teixeira e um extracto da Ilíada, de Homero.


Miguel Torga















Bucólica


A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduldas
Pelo vento;

De casas de moradia
Caídas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais

De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai a erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha.

Miguel Torga, Diário I ( 1941)





DIA DO PAI

Com São José, o Pai é lembrado,
Pelo menos uma vez por ano,
Por seus filhos sempre adorado,
Da família é o decano.

O nosso pai devemos respeitar,
Por ser bem o nosso progenitor,
Neste dia há que manifestar,
O maior e mais profundo amor.

Saber o nosso pai honrar,
Dever de consciência,
Todos os dias saudar,
Com grande permanência!

Ave Pai,
Eu te adoro tanto!

Sílvio Teixeira
VILA REAL - PORTUGAL








[1] VORÁGINE, Santiago, op. cit., pp. 962-963.
[2] Segundo Epifânio teria 89 anos. Alguns dos seus defensores como Jean Gerson, opinavam que no seu casamento com a Virgem teria cinquenta anos.
[3]RÉAU, Louis, Iconografia del arte Cristiano (Iconografia de los santos), Tomo 2, Vol 4, p. 163.
[4] Cf. Réau, Tomo 2, Vol 4, p. 164-165.
[5] A vara florida é também o atributo de Aarão, com quem José é muitas vezes confundido.

Marranos em Trás-os-Montes - Judeus-Novos na Diáspora - O caso de Sambade

  

Registo Biográfico

António Júlio Andrade nasceu em Felgueiras, concelho de Torre de Moncorvo em 10.12.1947, no seio de uma família modesta de lavradores. Estudou nos seminários de Vinhais, Bragança e Braga onde concluiu o 2º ano de teologia. Em Outubro de 1969 iniciou a vida de professor no colégio Campos Monteiro, matriculando-se no curso de filosofia da universidade do Porto, como estudante trabalhador. Vida interrompida para cumprir o serviço militar obrigatório em Mafra, Lamego e Funchal, antes de embarcar para o Norte de Angola onde serviu como alferes miliciano durante 2 anos, com louvor do comandante da Região Militar. De regresso a Trás-os-Montes, retomou a vida de professor provisório do ensino secundário, desenvolvendo em paralelo actividades nos campos sindical e político, com incursões no jornalismo. Depois de uma breve passagem pelo centro de documentação da Ferrominas EP, entrou para os quadros da câmara municipal de Torre de Moncorvo como funcionário e ali continua como técnico especialista na Biblioteca Municipal. De 1997 a 2005, foi director do jornal Terra Quente, quinzenário onde, em parceria com Fernanda Guimarães, continua assegurando a publicação regular de uma página dedicada ao estudo dos judeus e marranos do Nordeste Trasmontano, iniciada no ano de 2000 De parceria com a mesma investigadora tem publicado diversos trabalhos, em várias revistas e colectâneas, bem como os seguintes livros:
* Subsídios para a História da Inquisição em Torre de Moncorvo.
* Carção Capital do marranismo.
* Jacob de Castro Sarmento.
* A Tormenta dos Mogadouro na Inquisição de Lisboa.
No ano de 1987 foi o vencedor nacional dos prémios Ford de conservação da natureza e do património cultural, patrocinados pelas secretarias de estado do ambiente e da cultura, com um projecto de salvaguarda e recuperação de um lagar comunitário da cera existente na sua aldeia natal. E sobre a sua aldeia e o seu concelho, publicou vários trabalhos monográficos, nomeadamente:
* Conhecer Felgueiras.
* Boletim da Comissão de Festas de Santa Eufémia – 4 edições.
* Torre de Moncorvo Notas Toponímicas.
* Quadros Militares da História de Moncorvo.
* Arquitectos, Mestres de Obras e Outros Construtores da Vila de Moncorvo.
* Torre de Moncorvo (1890 – 1905) Vida Política, Cultural e Recreativa.
* História Política de Torre de Moncorvo 1890 – 1926.


Maria Fernanda Guimarães é investigadora  na área dos  estudos sefarditas, nomeadamente das comunidades  de criptojudeus transmontanas.
Colaboradora da Catedra de Estudos Sefarditas  “Alberto Benveniste”,  desde as suas primeiras actividades,  tendo contribuído com investigação para o “Dicionário Histórico dos Sefarditas Portugueses – Mercadores e Gente de Trato – Direcção Cientifica A.A. Marques de Almeida -  Campo da Comunicação – 2009.
Colaboradora,   na área da investigação,   na construção do “Genome Project”  da  família do Arquitecto  canadiano Richard George Henriques.
Colabora, na área da investigação,    para  Quinzenário “Terra Quente” onde é responsável pela página “Entre o Cristianismo e o Judaísmo” desde 1999.


Trabalhos dos autores

Caminhos Nordestinos de Judeus e Marranos – página do Jornal Terra Quente de Mirandela desde  15-04-1999.
Rota dos Judeus – A Voz do Nordeste de Bragança.
Poderá a Fenix Renascer? Contributo para definição de uma “Rota de Judeus” no Nordeste Transmontano – Tese apresentada  ao III Congresso Transmontano – Bragança- 2002
Percursos  de Francisco Lopes Pereira e Gaspar Lopes Pereira, cristãos-novos de Mogadouro – Caderno de Estudos  Sefarditas, n.º 5 2005 – Cátedra de Estudos Sefarditas “Alberto Benveniste” – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
O Dr. Francisco da Fonseca Henriques e a sua família na Inquisição de Lisboa - Brigantia – Revista de Cultura – Volume de homenagem ao Dr. Belarmino Afonso – 2006.
Subsídios para a História da Inquisição de Torre de Moncorvo – Câmara Municipal de Torre de Moncorvo 2007.
Os Távoras e os cristãos-novos no progresso de Mirandela  - Actas da IX Jornadas Culturais  de Balsamão - Centro Cultural de Balsamão 2007.
Carção – Capital do Marranismo – Edição da Associação Cultural dos Almocreves de Carção – Associação CARAmigo – Junta freguesia de Carção – Câmara Municipal de Vimioso – 2008.
Contribuição dos judeus e cristãos-novos no progresso de Vila Flor – Retalhos da História de Vila Flor – XI Jornadas  Culturais de Balsamão – 4 de Outubro de 2008.
A Tormenta dos Mogadouro na Inquisição de Lisboa – Editora Nova Veja – Lisboa – Câmara Municipal de Mogadouro – 2009.
Jorge Lopes Henriques  de Carção e alguns familiares processados pela Inquisição. – Revista Almocreve  - Edição da Associação Cultural dos Almocreves de Carção 2009.
Entre a Sede da Inquisição e o Convento das Portas do Céu de Telheiras – Cadernos Culturais de Telheiras , 2.ª série, n.º2 Novembro de 2009.
Notas para um Catecismo Marrano  - – Revista Almocreve  - Edição da Associação Cultural dos Almocreves de Carção 2010 .
Tefillah cotidiano – Um caderno de Orações marranas  -  Cadernos Culturais de Telheiras , 2.ª série, n.º 2 Novembro de 2010.
Os Isidro – Uma família de cristãos-novos de Torre de Moncorvo.

A aguardar publicação

Os Almeida Castro - Uma família de cristãos-novos de Izeda.
Quintela de Lampaças -  Uma missa judaica.
Vimioso anos de 1650 – Uma rede de passadores de judeus  desmantelada pela  Inquisição de Coimbra – II Jornadas de História Local – “Judaísmo e Marranismo. Duas faces  de uma identidade” – Câmara Municipal de Vimioso – Maio de 2009.



I Encontro Luso Brasileiro de Teatro Popular de Bonecos De 15 a 30 de março

Encontro Luso Brasileiro de Teatro Popular de Bonecos
Cinco cidades pró boneco
             
Céu Coutinho
             
De 15 a 30 de março, diversos palcos acolhem este festival que vai mostrar teatro de marionetas de origem nacional e brasileira. Em Montemor-o-Novo, Évora, Sintra, Lisboa e Odivelas os bonecos vão dar espetáculo para toda a família. Com entrada completamente grátis (sujeita à limitação das salas).
             

Marionetas populares para toda a família

A Alma d'Arame, com sede em Montemor-o-Novo, é a principal promotora de um evento dedicado ao teatro de marionetas. O I Encontro Luso Brasileiro de Teatro Popular de Bonecos vai chegar a várias cidades portuguesas e conta com a participação de espetáculos de cinco companhias portuguesas e quatro brasileiras, para além de um Seminário sobre o Teatro Popular de Bonecos.

Dirigidos a um público infantil e às famílias, as peças vão estar em cena em vários locais. Assim, em Montemor-o-Novo os palcos serão o Cine-Teatro Curvo Semedo e o Mercado Municipal, entre outros. Évora recebe o festival no Teatro Garcia de Resende e em Odivelas as marionetas apresentam-se no Centro Cultural da Malaposta. Na área de Lisboa, poderá assistir às peças programadas para o Teatro Nacional D. Maria II e para a Vila Alda – Centro Cultural, em Sintra.

Todos os espetáculos têm entrada livre, limitada à lotação das respetivas salas.

Consulte aqui a programação completa.

I Encontro Luso Brasileiro de Teatro Popular de Bonecos
De 15 a 30 de março
Montemor-o-Novo
Évora
Sintra
Lisboa
Odivelas



No meio da tempestade e da guerra politica


No meio da tempestade e da guerra

Quem é que no meio de uma tempestade consegue prever que a próxima vaga irá atirar ao mar sete ou oito dos doze marinheiros que constituem a tripulação de uma traineira? Ou quem é que numa batalha consegue prever o número de homens que irão morrer no primeiro embate? Ninguém. Quanto muito, poderão precaver-se, tanto o comandante como o general, do rumo a tomar para que os danos sejam menores. Mais nada.
Como é que agora, certos cavalheiros querem assacar responsabilidades ao ministro das finanças porque os números não foram os previstos, no meio da tempestade ou da guerra, provocadas pelos dois governos anteriores e pela contextualização europeia? Quando no mesmo barco estão vários técnicos, igualmente habilitados, das várias instituições europeias que compõem o conjunto dos credores. E quando são os próprios credores a delinear as estratégias.
Razão tinha o Governo em querer livrar-se o mais rapidamente possível da Troika. Mas foi criticado pelos do costume que achavam um absurdo e pediam mais tempo. Que agora repelem. Ou seja, não sabem o que querem.
Como razão tinha o Doutor Salazar quando dizia que tinham de se apressar porque o povo português não tinha muita paciência.




Franklin Delano Roosevelt

Oito dias depois de ter tomado posse e de ter declamado o discurso (4 de Março de 1933) onde proferiu a famosa citação [“A única coisa de que devemos ter medo é do próprio medo”], Franklin Delano Roosevelt tinha delineado (e posto em prática) um pacote de leis que dariam corpo ao famoso New Deal, programa que tinha como objectivo combater todas as sequelas da Grande Depressão. Teve, no entanto, uma grande força de bloqueio: o Supremo Tribunal. Onde viu morrer muitas das suas propostas.
Franklin contornou a situação, e o que o Supremo lhe havia recusado pela força, acabou por lho dar de livre vontade. Mas houve consequências. E se não tivesse surgido a Grande Guerra, muito provavelmente o programa teria falhado por causa do Supremo. A guerra contribuiu para dar emprego a milhões de desempregados.
O que acontece em Portugal? A investigação à possível cartelização bancária iniciou-se em 2013 e terminará em 2015. Mas Portugal não é a América. O sistema político é bem diferente. E assacar responsabilidades ao governo português é uma verdadeira “tontaria”. Como o será (e apenas opinamos como cidadão comum, os juízes farão, cremos, o que terá de ser feito), um possível bloqueio do Supremo.

Porque não trilham o caminho do general? Aqui temos um homem justo

Golpe de Estado dos intocáveis

Nem quisemos acreditar! Como é que certos cavalheiros defendem que o Primeiro-ministro do Governo de Portugal deve ser substituído? Assim como o Ministro das Finanças? Mais. Defendem que deveria ser escolhido um novo Primeiro-ministro, na mesma área da maioria. Porque a haver eleições (antecipadas) não haveria maiorias! Isto é de loucos!
Será que o país anda mesmo louco como no tempo da primeira República? Estes cavalheiros julgam-se donos do país? São eles as únicas cabeças pensantes?
Pelos vistos, não foi por acaso que levaram o país à bancarrota. Quando viram o país a afundar-se, calaram-se, agora que alguém o tenta tirar do abismo gesticulam.
A acontecer o que esses cavalheiros preconizam, está-se perante um golpe de Estado! E a subverter as regras mais elementares (BÁSICAS) da Democracia!
Felizmente o povo português não irá nisso, porque não é estúpido. Nem a Europa (ou seja, o Sacro Império Romano!).
Que razões levarão os ditos a alardearem tanto? Como se adivinha, foram-lhes ao bolso. Houve sempre, em Portugal, um certo número de “intocáveis”. A quem se não podia “mexer”. Pagavam os do costume (o povo, o Zé pelintra, os desprotegidos, os deserdados da sorte), livravam-se os do costume (os intocáveis). Desta vez não se safaram porque a senhora do Sacro Império não vai em futebóis.
Vale a pena lembrar a estes cavalheiros que, além de todas as patifarias (realizadas entre 2005 e 5 de Junho de 2011) que arruinaram a vida de milhões de portugueses, a nossa desgraça se deveu, em grande parte, à fuga de capitais, ocorrida entre Abril de 2010 e Abril de 2011, que tiraram do país 78 mil milhões, devido às politicas desastrosas até aí desenvolvidas. Pedro Passos Coelho e Vítor Gaspar só tomaram posse a 5 de Junho de 2011!


Chipre

O que nos mostra o caso de Chipre é que a crise já identificou os verdadeiros culpados. Em Portugal, os bandidos que nos levaram ao desastre continuam a pavonear-se nos melhores restaurantes, e por aí fora, enquanto nas sociedades civilizadas vão sendo presos. O caso do ministro inglês que irá para a gaiola por ter conduzido a uma velocidade não permitida, diz bem da diferença.
Mas também mostra outra coisa. A chanceler alemã, ao contrário do que certos Chicos – espertos querem fazer crer, é uma mulher muito inteligente. Com a medida de congelar as contas bancárias evitou que fossem os seus contribuintes a pagar aquilo que foi provocado por dinheiros de origem duvidosa como o dos oligarcas russos.
Mas a medida onde parece ter já havido recuo para os pequenos montantes, foi um rombo tremendo para a União, porque precipitada, põe em causa princípios que deviam ser intocáveis.
A Europa está a trilhar caminhos perigosos. Ao congelar contas bancárias e quando mexe nos salários, principalmente nos dos mais desfavorecidos.
Armando Palavras


segunda-feira, 18 de março de 2013

Tragédia nos Açores

 

O temporal que se registou na quarta-feira nos Açores provocou um deslizamento de terras na ilha de São Miguel, do qual resultou a morte de três homens. O arquipélago está quase todo sob aviso vermelho devido à previsão de chuva forte.
O deslizamento de terras ocorreu cerca das 23h30 no lugar do Burguete, freguesia do Faial da Terra, concelho da Povoação, e atingiu três casas. O corpo de um homem de cerca de 50 anos foi encontrado ainda na quarta-feira à noite, numa das casas, onde estava também a mulher e três filhas, com cinco, oito e 16 anos. Estas foram resgatadas com vida e sem ferimentos.
Às 6h locais (7h em Lisboa), foi encontrado outro corpo e às 9h (10h em Lisboa) as equipas de socorro encontraram o terceiro. Estes últimos eram dois irmãos, de cerca de 30 anos, que moravam numa das casas que ficou completamente soterrada.
No terreno estavam, ao início da manhã, mais de 50 bombeiros e 16 viaturas e a Protecção Civil municipal. As equipas têm estado a remover entulho e a cortar troncos de árvores que caíram sobre as casas. Entretanto, as operações foram suspensas devido à "instabilidade da falésia e à intensidade da chuva, que aumenta risco de novas derrocadas", informou o Serviço Regional de Protecção Civil. As autoridades estão a impedir os moradores de entrarem nas suas residências
O presidente da Câmara da Povoação, Carlos Ávila, disse à Lusa que a zona é “propícia” a deslizamentos de terras, por ser “muito montanhosa”. Segundo o autarca, as três casas afectadas são “construções muito antigas”, com cerca de cem anos, que estão na base da encosta.
Segundo a Protecção Civil regional, o temporal provocou, além dos danos pessoais, “danos em algumas infra-estruturas”.
Na ilha Terceira, na freguesia de Porto Judeu, uma pessoa ficou ferida e foi transportada para o hospital. A Protecção Civil dá conta ainda da existência de 30 desalojados, entretanto acolhidos por familiares. Ficaram danificadas 23 habitações, sendo que três delas estão inabitáveis, refere esta autoridade num comunicado publicado na sua página de Internet.
O Governo regional decidiu suspender as aulas de todos níveis de ensino nesta quinta-feira, nas sete ilhas dos grupos central (Terceira, Graciosa, S. Jorge, Pico e Faial) e oriental (Sta. Maria e S. Miguel), que se encontram sob aviso vermelho até à meia-noite.
As previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) para esta quinta-feira apontam para a continuação de chuva forte, sobretudo nas ilhas daqueles dois grupos.
Além da chuva forte, está previsto vento forte no grupo central, com rajadas que podem ir até 80 quilómetros por hora, diminuindo de intensidade para a noite. No grupo oriental, o vento vai soprar com rajadas até aos 70 quilómetros por hora.
No grupo ocidental (ilhas do Corvo e Flores), que está sob aviso amarelo, o IPMA prevê céu muito nublado, períodos de chuva e vento leste forte a muito forte, até aos 90 quilómetros por hora. O mar estará também agitado.
No resto do país não foram accionados quaisquer avisos para esta quinta-feira, à excepção dos distritos de Portalegre e Guarda, que estão sob aviso amarelo devido à persistência de valores baixos da temperatura mínima, até ao meio-dia.



 


Feira do Folar em Valpaços - 2013

 
Feira do Folar Valpaços 2013 - Programa e Informações
Com Entradas Livres nos dias 22, 23 e 24 de Março, vai acontecer em Valpaços mais uma edição da Feira do Folar 2013 - Produtos da Terra e seus Sabores
A decorrer no Pavilhao Multiusos de Valpaços, trata-se da XV Feira e quem visitar Valpaços poderá encontrar muita gastronomia regional, tabernas típicas, orquestras musicais, bandas filarmónicas e ranchos folclóricos
São dezenas de expositores, que vão colocar em destaque, o melhor que a tradição conservou dos saberes antepassados em termos de gastronomia no concelho valpacense.
Do azeite ao vinho, passando pelo bolo podre, mel, compotas, azeitonas, frutos secos e, claro está, o tradicional folar, nada irá faltar durante o certame que deu vida á fama de “Valpaços - Capital do Folar”
Com muitos expositores, restaurantes, produtos e animação à disposição do visitante, certamente este será uma feira que não deve perder
Organizada pela Câmara Municipal de Valpaços, a Feira do Folar de Valpaços é considerada um dos certames mais importantes realizados no Interior do País, que durante três dias tem à disposição muita animação, mostra de produtos e actividades socioculturais.
 
 


O ano transacto (2012) relatava-se assim este evento:

Feira do Folar deatrai enchente no fim-de-semana de Ramos
 
Entre os próximos dias 30 e 31 de Março e 1 de Abril, todos os caminhos vão dar ao Pavilhão Multiusos de Valpaços, que acolhe a XIV edição da Feira do Folar, evento que concentra num só espaço o melhor que o concelho tem para oferecer na gastronomia e produtos locais.
São cerca de 70 expositores que mostrarão aos milhares de visitantes esperados a qualidade e as particularidades de uma série de produtos, onde o destaque vai para o Folar.
Organizada pela Câmara Municipal de Valpaços, a Feira do Folar de Valpaços é considerada um dos certames mais importantes realizados no Interior do País, que durante três dias tem à disposição muita animação, mostra de produtos e actividades socioculturais.
Espectáculos que vão desde a música tradicional ao folclore, entre outras actividades paralelas, complementam o saborear de produtos que só as gentes de Valpaços sabem fazer. A gastronomia regional assume o reconhecido lugar de destaque, por isso a promessa de servir nas Tasquinhas Regionais o melhor da gastronomia da região, enquanto se assistem aos espectáculos e animação permanente na tenda montada todos os anos para o efeito. Aos milhares de visitantes vindos de todo o País é oferecido dos mais representativos pratos da rica tradição gastronómica de Valpaços.
Os principais objectivos da realização do evento, que este ano assinala a XIV edição, continuam a ser a preservação da cultura local e a valorização dos produtos regionais, desde o artesanato, gastronomia, produtos agrícolas, entre outros. “A comercialização desses produtos junto dos visitantes e a formação de uma mentalidade empreendedora levam ainda o Município a apostar num espaço cada vez mais dinâmico e que favoreça a oportunidade para novos negócios, contribua para a dinamização do comércio local e do turismo aumentando a notoriedade do território”.
 

O tintol de Miguel Esteves Cardoso






Aconselha-se a leitura deste site:

http://tempocaminhado.blogspot.pt/2013/03/vinho-tinto-prolonga-vida-e-protege-da.html






SILVA LOPES À TSF: “EXTORSÃO É O RENDIMENTO QUE ATRIBUÍRAM A FILIPE PINHAL”

 
SILVA LOPES: “EXTORSÃO É O RENDIMENTO QUE ATRIBUÍRAM A FILIPE PINHAL”

March 16, 2013     · by Sílvia de oliveira     · in Entrevistas.    ·

Entrevista publicada em Dinheiro Vivo, transmitida na TSF, ao sábado depois das 13h00, e publicada ao sábado no DN e no JN.

Entrevista feita com Hugo Neutel

Fotografia de Diana Quintela

Foi governador do Banco de Portugal de 1975 a 1980, fez parte dos primeiro quatro governos do pós-25 de Abril e foi ministro das Finanças e do Plano em 1978. Trabalhou para o FMI e para o Banco Mundial, foi deputado entre 1985 e 1987 pelo Partido Renovador Democrático (PRD), sempre de olho numa coligação com o PS, e mais tarde foi presidente do Conselho Económico e Social. Antes de se reformar presidiu ao Montepio Geral. José da Silva Lopes é economista, tem 80 anos, dois filhos e quatro netos.

Disse, mais do que uma vez, que Portugal não tem alternativa a esta austeridade imposta pela troika. Quase dois anos e sete avaliações depois, o país continua assim, sem alternativa?

Infelizmente continua. Só temos duas alternativas à austeridade: ou conseguimos que nos emprestem mais dinheiro ou conseguimos que aumentem bastante as exportações. A austeridade tem aqueles custos terríveis, como o desemprego, as pessoas que não têm o suficiente para viver decentemente, etc., mas o problema é que o país tem, neste momento, para gastar quase 20% menos do que tinha em 2008, antes de começar a crise. Hoje produzimos 8% menos do que produzíamos nessa altura, pagamos mais juros ao estrangeiro das dívidas que acumulámos – cerca de 2% – e também reduzimos o recurso ao endividamento externo. Produzimos menos, já não nos podemos financiar lá fora para gastarmos cá dentro, por isso, hoje os portugueses têm, em média, 18% menos para gastar.
 
Não há alternativa a Passos Coelho e a Vítor Gaspar?

Temos, neste momento, menos 18% de dinheiro para gastar do que tínhamos antes da crise. Isto significa que tivemos de cortar muito nas despesas, o consumo das famílias baixou pelo menos 12% nestes anos, o Estado gastou cerca de 6% menos, isto a preços constantes, e o investimento veio por aí abaixo. Cortámos quase 50% no investimento. Para sairmos disto era preciso haver mais dinheiro, que só pode vir da troika, dos mercados ou das exportações. Já cortámos muito nas importações, devíamos começar a importar mais, sobretudo bens de equipamento, porque o país está a perder capacidade produtiva, o que se vai refletir em crescimento muito difícil daqui a uns anos. Com estas condições todas, não vejo solução

Não há alternativa a estas políticas?

haverá algumas. Não sou grande entusiasta das políticas do governo. O que se passa em Portugal depende mais da senhora Merkel do que do doutorº Passos Coelho. Neste momento, não temos instrumentos nem capacidade para, sozinhos, traçarmos o nosso destino. Infelizmente o nosso destino é hoje traçado na União Europeia, na Alemanha – a senhora Merkel é que decide se nos empresta mais dinheiro e se impulsiona ou não as nossas exportações. Uma coisa trágica é que os alemães, os holandeses, os finlandeses, em vez de estarem a expandir as suas economias – têm espaço para o fazer -, estão também a apertá-las. Apertando a procura na Alemanha é claro que exportamos menos para a Alemanha, e os espanhóis também exportam menos, e como os espanhóis exportam menos, nós exportamos menos para Espanha. Este ciclo vicioso podia ser rompido se esses países, que são capitaneados pela Alemanha, adotassem outras políticas. Infelizmente, esta conjugação de governos europeus nos países mais poderosos acham que restringir é que é bom. Portugal tinha de ter austeridade, não podia deixar de a ter, mas podia ser menos grave, menos dolorosa se a Europa tivesse uma posição mais pacífica.

Portugal acaba de ganhar mais um ano para atingir a meta de 3% de défice. É suficiente? Ganha-se alguma coisa com mais este ano?

Pelo menos não temos de tomar medidas tão drásticas imediatamente. Agora, põe-se o problema de saber como é que se vai pagar, porque, se temos mais um ano para cumprir o défice, temos mais um ano para pagar e a troika não vai dar mais dinheiro. Há a grande esperança de que tudo se vai resolver com o mercado. A Irlanda fez agora uma emissão que foi um sucesso.

Conseguiu colocar o dobro.

E com uma taxa de 4,5%. Quem nos dera… A Irlanda teve um sucesso louco e anda-se a fazer o possível para que Portugal também vá ao mercado. Hoje, temos melhores condições para ir ao mercado do que tínhamos há uns seis ou sete meses, mas, ao contrário do que alguns podem dizer, isto não é por causa do nosso esforço, não é por sermos muito bem-comportados e termos recuperado a confiança do mercado, nada disso.

É porquê?

É porque o Banco Central Europeu (BCE) anunciou, em agosto, que estaria disposto a comprar títulos dos países em dificuldades se os juros desses países subissem muito. Bastou esse anúncio para que os investidores, que compram os títulos de dívida pública portuguesa, espanhola, italiana ou irlandesa, sentissem que já não perdiam tanto como se não tivessem esta promessa do BCE. Este sucesso da Irlanda deve-se a isso. É verdade que a Irlanda está com melhor imagem do que nós. A grande esperança é que Portugal vá ao mercado buscar o dinheiro suficiente. Estou um bocado cético.

Não acredita que Portugal consiga?

Depende do que for a posição do BCE. Mas os nossos juros ainda não estão nada parecidos com os da Irlanda, já desceram muito, os juros a 10 anos chegaram a andar acima dos 10% e agora andam por volta dos 6%, mas ainda são altos, o país não tem capacidade para pagar taxas destas. Estou convencido de que continuamos a ter um problema grave de financiamento externo.

E mais um ano para chegar a um défice de 3% é suficiente?

Acho que a única solução é aumentar as exportações. E isso não conseguimos porque a Europa está em recessão. Uma recessão criada pelos alemães.

Assistimos a uma ligeira recuperação das exportações em janeiro, mas, no final do ano passado, elas caíram. Acha que se tratou de um mau momento ou o motor da economia gripou?

Não me posso pronunciar sobre o que acontece num mês, é preciso ver o que esse mês tem de petróleo, porque as exportações de petróleo alteram muito os números das exportações e isso não significa necessariamente valor acrescentado. Uma coisa é certa, a procura internacional para comprar exportações portuguesas não está a crescer. Exportamos cerca de 70% para a Europa e, se a Europa não está a progredir, não conseguimos vender. Acho que devíamos fazer o dia do exportador e homenagear os exportadores portugueses, porque é graças a eles que isto não está pior. Sou um pessimista por natureza e, de uma maneira geral, tenho-me enganado no meu pessimismo, para pior. Com uma exceção, a das exportações, onde foi um bocado melhor, embora não seja um milagre. Continuaremos? Espero que sim, mas não tenhamos muita esperança, porque não estamos a investir nos atores exportadores.

Como dizia António Pires de Lima, as exportações não vão salvar as empresas.

Não vão salvar, mas são elas que as mantêm. Se as empresas não vendem no mercado interno, o remédio é exportar. As exportações é que podem salvar a economia.

Nos últimos dois anos, a Europa conseguiu dinheiro para salvar a banca – 700 mil milhões de euros. Já para o crescimento parece não haver dinheiro. Isto é um erro, a Europa devia apostar em investimento público?

Claro que devia. Por isso é que sou muito crítico em relação às políticas restritivas da Europa, não só porque a Alemanha devia ser a locomotiva da Europa, mas também porque influencia a própria Comissão Europeia. Não sou dos que criticam o auxílio que tem sido dado aos bancos, porque se os bancos fossem à vida não funcionava nada. Se se deviam ter imposto mais limitações, admito que sim. Tem-se andado a pisar ovos no imposto sobre as transações financeiras. Mas, infelizmente, é necessário apoiar a banca.

E em Portugal o investimento poderia refletir-se em quê?

Neste momento, queria investimentos nas empresas exportadoras. Os grupos nacionais, os grandes grupos económicos nacionais não investem nada na exportação. Eles pensam em ganhar dinheiro, mas é dinheiro que não ajuda nada à economia, antes pelo contrário. Por exemplo, a linha de caminho-de-ferro para a Europa a partir de Sines parece-me uma boa ideia, muito melhor do que a ideia do TGV, porque pode realmente facilitar a exportação.

A economia nunca caiu tanto num ano, desde 1975, como em 2012: 3,2% de queda do PIB. Vivemos numa espiral recessiva, conforme diz o Presidente da República?

Há muito tempo. Não é preciso estar um ano à espera. Já se sabe isso.

É Cavaco Silva quem tem razão e não Passos Coelho?

Mas é mais do que claro. No ano passado, o governo tinha projetado um determinado crescimento para os impostos, mas como a economia afundou, a receita fiscal também baixou. O défice foi maior do que o previsto e, portanto, foi preciso cortar mais despesas. E cada vez que se cortam mais despesas provoca mais recessão, há menos receita fiscal e mais necessidade de cortar despesa outra vez. Isto é um ciclo vicioso, um ciclo recessivo ou vicioso. Essa coisa de dizer que não havia sido previsto é completamente falsa. A teoria dos economistas ultraconservadores, que diz que quando se corta na despesa e se baixa o défice se inspira confiança nos mercados e os mercados investem mais, isso é fantasia, é um raciocínio fantasma, não está provado em parte alguma. O que está provado é que cortar nas despesas ou aumentar os impostos provoca recessão.

Concorda com a discrição e o silêncio de Cavaco Silva, ou acha que o Presidente deveria ter um papel mais interventivo?

Isso é uma questão de política sobre a qual eu não me quero pronunciar.

Disse várias vezes que um dos principais problemas de Portugal são os seus líderes. Cavaco Silva e Passos Coelho fazem parte do problema do país?

Eles farão parte do problema, mas não é um problema que possam resolver individualmente. O problema de Portugal é da responsabilidade de todos nós. Somos nós que elegemos os líderes, que mantemos um sistema que não atrai bons líderes. As pessoas mais capazes deste país – e conhecemos algumas -, que seriam grandes líderes políticos, querem é ganhar dinheiro. Quantos indivíduos há aí na atividade privada que podiam ser bons líderes se não quisessem ganhar dinheiro?

A atividade política é cada vez menos atrativa?

Claro, ainda por cima só serve para levar pontapés, como se eles sozinhos é que tivessem as culpas. As culpas estão em todos nós, nós queremos pensões altas, queremos salários altos, não queremos que nos cortem os salários, não queremos que nos cortem as pensões.

Por falar em pensões, sendo também um pensionista, qual é a sua opinião sobre o recente movimento dos pensionistas indignados liderado por Filipe Pinhal, ex-administrador do BCP?

Pois sou, sou um pensionista e também seria afetado por esta lei de corte nas pensões mais elevadas, mas estou em profundo desacordo com esse movimento. Sou a favor de cortar muito nas pensões altas. Cortar mesmo muito. E, portanto, aquele esquema que a Assembleia da República usou é um esquema que realmente faz que na margem se possa perder, como diz o Pinhal, à volta de 90% do rendimento, mas não vejo mal nenhum nisso. Ele diz que é uma extorsão, extorsão é o rendimento que lhe atribuíram. Quando se atribui a um tipo um rendimento de 20 ou 25 mil euros num país onde há gente que tem reformas de 400 euros, isso não é extorsão? Claro que é extorsão. Eu sou ferozmente contra essa coisa e contra o meu próprio interesse. Sou a favor de grandes cortes nas pensões. E por mim gostaria muito, embora não acredite que o Tribunal Constitucional aprove isso.

Um corte permanente de quatro mil milhões de euros na despesa do Estado é suficiente?

Tudo depende do crescimento económico. Se tivéssemos um crescimento económico de 1% ou 2% poderíamos não ter de cortar tanto na despesa do Estado. Mas, infelizmente, o crescimento económico vai ser negativo e, como tal, teremos realmente de cortar na despesa.

Mas quatro mil milhões são suficientes?´

Acho que é melhor não se fazer tudo de uma vez porque quatro mil milhões de euros causam um efeito recessivo à volta de 2% no PIB. Isto, com aquela ideia dos multiplicadores que há para aí, podia dar mais uma queda importante no PIB e tem de se ter cuidado. Agora, evidentemente, é apenas adiar. Cortar 4 mil milhões de euros permite, por um lado, equilibrar o défice e, por outro, acabar com ineficiências do Estado, serviços públicos que não são necessários, ou remunerações excessivas.

Como grande parte da despesa do Estado está nas prestações sociais, na saúde e na educação, provavelmente os cortes serão sobretudo nessas áreas.

Não haverá maneira de fazer cortes sem ser nos salários ou nas remunerações sociais. É por isso que não sou muito entusiasta do corte dos quatro mil milhões de euros, reconheço que talvez seja necessário, mas por agora andava com cuidado. E principalmente fazia uma coisa que não está feita, estudava, rubrica a rubrica, o que se devia cortar. Mas depois aparecem os lobbies…

As famosas gorduras do Estado.

Vejamos o caso da defesa. Há quem sustente que a despesa na defesa podia ser cortada em um terço porque o nosso país gasta mais do que os outros. Mas depois vêm os militares mostrar que não ganham mais do que os outros. Esclareça-se isso.

E, na sua opinião, essa área é uma boa candidata a cortes?

Não é, por causa do poder, do problema dos grupos de interesse. O grupo de interesse militar é muito forte, como o grupo dos professores. Estude-se tudo! Acho que é preciso estudar. Há casos em que realmente temos despesas acima da de outros países. Por exemplo, se a remuneração de um chefe de repartição em Portugal é 20% acima do PIB per capita, e se noutros países é 10%, isso quer dizer que o português está relativamente bem pago. Este tipo de estudos existe em algumas áreas mas noutras não. Acho que é preciso fazer estudos profundos. Não vejo mal nenhum em que os militares, os professores e os funcionários da TAP contestem, mas isto tem de ser estudado, temos de ter os números.

No início do ano foi divulgado um relatório do FMI que aconselhava o governo a cortar na despesa com os salários de funcionários públicos e com as pensões. Um documento polémico que criticou. Paulo Silva Lopes, seu filho, foi um dos autores desse estudo. Já teve oportunidade de discutir o documento com o seu filho? O que lhe disse?

Não, não, não, não discuti. O meu filho esteve cá nessa missão – ele trabalha no FMI e está em Washington, e nunca ele discutiu isso comigo, nem eu com ele. Aliás, é contra o dever de sigilo a que ele está obrigado. Se ele discutisse coisas comigo, das quais eu desse conhecimento público, ele era expulso, pura e simplesmente. Mas isto não me impede de dar uma opinião sobre o relatório. É um exercício muito apressado e que precisava de ser desenvolvido e até modificado. Aquilo foi feito muito à pressa, é muito superficial e, principalmente, não foi discutido. Por exemplo, no capítulo da educação, que deu muito barulho… Acho muito bem que tenha dado muito barulho, mas tem de ser discutido. O Fundo fez um trabalho imperfeito, no meu entender.

Não disse isso ao seu filho?
Mas o meu filho não manda.
Mas os pais costumam dizer isso aos filhos…

Isto é muito delicado. Calculo que ele – nem ele nem nenhum dos outros autores – não está de acordo com tudo o que diz no relatório. Estão de acordo com 90%, mas não com 100%, e o que conta é a posição da instituição, não o resto. No meu entender, o relatório foi útil, mas tem de ser desenvolvido, tem de ser estudado. Depois, quem criticar, critique com base em boas informações. Não é só dizer que aquilo é uma porcaria, também não se pode dizer isso.

O desemprego é uma das consequências mais visíveis da austeridade. Há quem defenda um plano de emergência, que se for preciso deve colocar-se os desempregados todos, economistas ou engenheiros, a limpar matas, ou a construir rotundas. Concorda?

Isso não é uma solução. Seria se pudesse aliviar as dificuldades de muitos desempregados. Se essa for a forma de um engenheiro temporariamente diminuir as suas dificuldades, porque não?! Acho que um programa desses devia ser ensaiado, mas numa base puramente voluntária. Um indivíduo está desempregado, tem direito ao subsídio de desemprego, mas se optar por uma coisa dessas pode receber mais qualquer coisa do que o subsídio de desemprego. Um engenheiro poderia ser necessário para organizar as equipas de trabalho, para fazer o planeamento. Um programa desses era útil, embora numa base puramente voluntária. E para isso é preciso dinheiro.…

O primeiro-ministro lançou novamente a polémica sobre o salário mínimo, dizendo que, em teoria, a redução do valor (485 euros) promoveria o emprego. O que se deve fazer numa situação de recessão como a que estamos a viver?

Se acabarmos com o salário mínimo – os ultraliberais defendem isso -, vamos retirar uma proteção essencial aos trabalhadores pouco qualificados. Há países na Europa que não têm, mas a maior parte tem. E os que não têm são países muito bem organizados, são os países escandinavos, que têm sindicatos fortes e sociedades mais coesas. E esses países não têm salário mínimo porque não precisam dele. Agora, num país como o nosso, aliás, na grande maioria dos países, o salário mínimo é necessário. Por outro lado, não penso – e acho que há estudos nesse domínio – que uma redução do salário mínimo aumentasse o emprego ou reduzisse muito o desemprego. Muitas empresas conseguiriam sobreviver se o salário mínimo fosse reduzido em 5% ou 10%, mas os efeitos são negligenciáveis. O argumento de que reduzir o salário mínimo ajuda a criar emprego comigo não pega. Por outro lado, aumentar o salário mínimo também é difícil porque as empresas estão com muitas dificuldades. Defendo que, embora haja necessidade de baixar salários em muitos sectores, não é no salário mínimo que se deveria mexer. Até acho que se deveria aumentar o salário mínimo, embora só em 2%, no máximo (valor da inflação), por forma a manter o seu valor real.

Há poucos dias vimos o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, dizer que, por causa da crise e do problema do desemprego, sobretudo do desemprego jovem, a Europa arriscava-se a perder uma geração. Em Portugal também estamos a falar de uma geração perdida?

Em grande parte, estamos a perdê-la já. Muitos jovens qualificados estão a sair do país – e vão fazer cá falta. Qualquer dia queremos bons profissionais em Portugal e eles estão a trabalhar em Inglaterra, na Alemanha, ou não sei onde. Portanto, já estamos a perder esta geração. E, por outro lado, os jovens que saem da universidade e não arranjam emprego vão perdendo qualificações. Realmente, concordo com essa frase. É uma tragédia e merece estudo. Temos problemas com os jovens desempregados, mas também temos problemas com os velhos, com os indivíduos de 50 anos para cima, desempregados, porque também nunca mais arranjam emprego. E também temos problemas com os indivíduos entre os 20 e os 50, que têm filhos para criar e não têm dinheiro para lhes dar. O desemprego é mau em todas as idades, nem sei onde é que ele é pior, mas como os jovens são o futuro, evidentemente que são uma parte importante.