sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A lenda da “Rosa Vermelha” (Rosa Luxemburgo)



Rosa Luxemburgo, Simone de Bauvoir,
Emma Goldman

Quando no fatídico dia 15 de Janeiro de 1919, Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, os dois líderes da Spartakusbund (Liga Espartaco), precursora do Partido Comunista Alemão, foram assassinados em Berlim, sob o olhar (e provavelmente com a conivência) do regime socialista então no poder, surgiu a lenda[1]. A lenda criada pela imagem propagandística da sanguinária “Rosa Vermelha”. E um dos livros que melhor trata este período crucial do socialismo europeu, desde as últimas décadas do século XX até esse dia, continua a ser o de J.P. Nettl[2] que, num golpe genial, biografa a vida de Rosa.
Os seus assassinos eram membros do ultranacionalista (e oficialmente ilegal) Freikorps, força paramilitar onde Hitler foi recrutar os seus assassinos mais proeminentes, e nas mãos da qual (segundo o testemunho do capitão Pabst, o último sobrevivente dos participantes no atentado) estava o Governo porque beneficiava do total apoio de Noske, o perito socialista em defesa nacional, à época responsável pelos assuntos militares.
Nem a República de Weimer foi tão sinistra. E o julgamento dos seus assassinos foi caricato como é lembrado por Hannah Arendt. Rosa não foi nenhuma grande estadista, nem pessoa grande do mundo, mas a sua morte provocou a cisão da esquerda europeia em partidos socialistas e comunistas, e uma vez que este crime foi apoiado pelo Governo (socialista), deu origem à conhecida “dança da morte” na Alemanha do pós-guerra, onde os assassinos da extrema-direita liquidaram vários dirigentes da extrema-esquerda.
Para a esquerda alemã, o assassinato de Rosa foi o ponto de não-retorno. Os desiludidos com o Partido Socialista, aproximaram-se dos comunistas (para não pactuarem com o assassínio de Rosa), acabando por ter uma desilusão ainda maior com o declínio moral e a desintegração politica do Partido Comunista.
Pouco tempo depois da sua morte, a sua reputação de “sanguinária vermelha” sofreu uma grande alteração. A publicação de dois pequenos volumes de cartas pessoais, de uma beleza comoventemente humana e poética bastaram para destruir essa imagem de mulher sanguinária (excepto nos círculos mais reaccionários). Surge então uma outra lenda. A da mulher que observava os pássaros e amava as flores, de quem os guardas se despediram com lágrimas nos olhos quando saiu da prisão. Porque essa estranha presa os tratava como seres humanos.
Outro episódio a acrescentar a esta segunda lenda, é contado por J.P. Nettl no seu livro. Quando em 1907, juntamente com a sua amiga Clara Zetkin (mais tarde a grande decana do comunismo alemão) foi dar um passeio, chegando atrasadas a um encontro com August Bebel (o patriarca do SPD), Rosa propôs então um epitáfio para si e para a sua Amiga: “Aqui jazem os dois últimos homens da social-democracia alemã”. Apesar disso todas as facções de esquerda afirmaram após a sua morte que tinha andado sempre enganada. Mas sete anos depois, rebentou a Primeira Guerra Mundial, que ninguém tinha considerado possível.
Rosa foi sempre incompreendida pelos seus e pelos outros. Sempre que surgia uma “Nova Esquerda”, o nome de Rosa brotava como as flores, o que abonava em seu favor e em favor dessa antiga geração de esquerda. Mas rapidamente era esquecida porque esses membros das “Novas Esquerdas”, não se davam ao trabalho de a ler, e muito menos entender. Nada do que ela disse ou escreveu, sobreviveu, exceptuando-se a sua crítica exacta ao bolchevique, porque era usada inadequadamente contra Estaline.
Rosa era sensata. Nunca concebeu a revolução (embora nela tenha participado) nem o marxismo, como artigos de fé. E mesmo quando se opunha à Igreja, tinha o cuidado de não atacar a religião.
È difícil hoje saber se Rosa foi marxista. Ortodoxa não foi com certeza. Para ela, Marx era “o melhor de todos os intérpretes da realidade”, até porque escreveu: “Tenho agora horror ao tão elogiado volume d’O Capital, de Marx, por causa dos seus floreados rococó à la Hegel”. A realidade era o mais importante. Mais que a própria revolução. Recomendava aos amigos que lessem Marx, apenas pela sua ousadia, não pelas suas conclusões (os seus erros eram, para ela, evidentes) que ela própria criticou na sua pequena, mas fascinante brochura de 10 páginas, A Acumulação do Capital, escrita na cadeia.
Pertenceu ao “grupo dos iguais”, judeus polacos que mantiveram uma ligação íntima com o Partido; foi Amiga pessoal de Lenine; tinha uma relação pessoal com a família (que não sendo de tendências socialistas e revolucionárias tudo fez para a defender quando perseguida) irrepreensível; era multilingue: falava russo, alemão, polaco, francês, italiano e inglês; viveu com o único amante (e marido em termos práticos) da sua vida – Leo Jogiches[3] (Nettl chama a esse romance “ uma das grandes trágicas histórias de amor do socialismo”), porque essa geração ainda acreditava que o amor (o amor livre) acontece apenas uma vez; tinha amigos e admiradores (e isso agradava-lhe); durante a revolução russa de 1905, foi presa em Varsóvia, e os seus amigos juntaram dinheiro para pagar a fiança (provavelmente fornecido pelo partido alemão); Julius Wolf considerou-a a mais dotada de todos os seus alunos; a sua tese de Doutoramento[4] teve publicação imediata e ainda hoje é usada pelos estudantes de história polacos, tornando-a a especialista em assuntos polacos no partido alemão[5].
Os Acontecimentos que se seguiram à revolução russa deram razão ao que Rosa previra e escrevera (em 1918). Não viveu o tempo suficiente para ver até que ponto tivera razão, nem para assistir à rápida degradação dos partidos comunistas, descendentes directos da Revolução Russa, no mundo inteiro. Como, aliás, Lenine. Paul Levi, sucessor de Leo Jogiches na chefia da Spartakusbund, publicou, três anos depois da morte de Rosa, as observações desta. Seria perdoável e aceitável que Lenine tivesse respondido sem contemplações. Contudo, escreveu: “Respondemos com … uma bela e antiga fábula russa: a águia pode às vezes voar mais baixo do que a galinha, mas a galinha nunca se eleva às mesmas alturas que a águia. Rosa Luxemburgo … apesar dos [seus] erros… era e é uma águia”. E exigiu seguidamente que fosse publicada “a sua biografia e a edição completa das suas obras”, não expurgada de “erros”, recriminando os camaradas alemães pela sua “inacreditável” negligência no cumprimento desse dever. Isto aconteceu em 1922. Três anos depois, os sucessores de Lenine “bolchevizaram” o Partido Comunista Alemão e ordenaram uma ofensiva contra o legado de Rosa, que foi consumada por uma jovem militante oriunda de Viena, chamada Ruth Fischer.
Surgia a sarjeta que um dia Rosa havia apelidado de “nova espécie zoológica”. Não é preciso dizer que não foi publicado nenhum volume da obra completa desta mulher fascinante.
Arendet gostaria que, ainda que tardiamente, lhe fosse concedido o reconhecimento que merece, sobre a sua pessoa e sobre aquilo que fez. E que viesse a ocupar um lugar decente na formação de todos aqueles que se dedicam às ciências politicas. Nettl di-lo abertamente: “ As suas ideias devem estar presentes onde quer que se estude seriamente a história das ideias politicas”.
Havia tanto para dizer desta mulher extraordinária que acompanhou a conturbada História Humana dos inícios do século XX. Ficamo-nos por aqui. Nettl e Arendt (Homens em tempos sombrios) fizeram-no por nós.
Armando Palavras
Post- scriptum
O Comunismo arrastou, durante um século, as massas oprimidas de todo o Mundo, para um sonho de gloriosa redenção da pobreza e da injustiça. O que produziu, foram revoluções, massacres, burocracias, genocídios, ditaduras e regimes hediondos. Mas os seus seguidores não deixaram de seguir as bandeiras vermelhas em nome daqueles sonhos, quiçá, da esperança. E tão grandes eram que anularam a capacidade de ver a realidade. Foi aqui que Rosa Luxemburgo se distinguiu, ao criticar veemente a doutrina marxista.


[1] Rosa Luxemburgo foi assassinada com uma bala na cabeça dentro de um  automóvel e atirada ao canal Landwehr. Foi o tenente Vogel que comandou as operações.
[2] Rosa Luxemburg, 2.vols. Oxford University Press, 1966.
[3] Nome que Nettl salva do esquecimento e que foi uma figura notável. Depois da morte de Rosa recusou-se a abandonar Berlim. Dois meses depois foi abatido pelas costas na esquadra da polícia.
[4] Em que defendia que o crescimento económico da Polónia dependia em absoluto do mercado russo.
[5] Seria interessante mencionar as teses de Eduard Bernstein; um debate famoso na controvérsia revisionista, onde à revolução se contrapunha a alternativa da reforma.


Vila Real - Noticias várias


 
Torneio Nadador Especialista em homenagem ao presidente da Federação Portuguesa de Natação, Prof. António José Silva

No dia 16 de fevereiro, na Piscina Municipal, decorreu o Torneio do Nadador Especialista onde estiveram em competição 157 atletas (82 masculinos e 75 femininos), em representação de 11 clubes: SC Mirandela, GCVR, CN Interior Norte, CN Vila Real, Vinhais, SSPCM Bragança, Ac. Viseu, Gespaços, Triatlon Lamego, NC Chaves e CN Olhão.
Em termos de resultados, é de salientar o recorde nacional de Infantis B alcançado pela nadadora de GCVR, Ana Margarida Guedes, que nadou os 50m livres, no primeiro percurso da estafeta, em 28,89s retirando 4 centésimos ao anterior máximo nacional que pertencia desde 2010 a Mariana Guerra (ASSSCG). Registo importante também para os 5 recordes regionais alcançados por João Morais (SSPCM Bragança), nos 50m livres; Manuel Caçador (SCM), nos 200m costas; Ricardo Gonçalves (GCVR), nos 100m mariposa e Ana Guedes (GCVR), nos 100m e 200m bruços.

 Plano de Mobilidade Sustentável ouve agentes locais
Sessão de Auscultação e Consulta aos agentes locais

A Biblioteca Municipal de Vila Real recebe, no próximo dia 26 de Fevereiro pelas 14h30, uma Sessão de Auscultação e Consulta realizada no âmbito da elaboração do Plano de Mobilidade Sustentável para as cidades do Eixo Urbano – Vila Real, Peso da Régua e Lamego (PMEIXO)
A sessão será orientada pela Cised Consultores, S.A., empresa contratada para a elaboração do PMEIXO, e é dirigida, exclusivamente, aos agentes locais cuja actividade esteja ligada à mobilidade ou que tenham interesse nesta temática.
Pretende-se com a Sessão de Auscultação e Consulta dar a conhecer o PMEIXO aos agentes locais e envolvê-los na sua elaboração entendendo que as suas opiniões, experiências e sugestões são importantes e podem constituir-se como um contributo muito positivo.

Prorrogação do prazo de interdição do Troço do Parque Corgo para finalizar a execução de muro de gabião com estacaria viva

No âmbito da empreitada de reabilitação do Parque Corgo, projeto SEIVACORGO, procedeu-se ao encerramento temporário do percurso pedonal entre as Piscinas Municipais descobertas e os moinhos, por forma a proceder à construção de um muro gabião com estacaria viva. O encerramento deste troço tinha como principal objetivo a salvaguarda da segurança dos utilizadores do Parque Corgo, estando previsto que os trabalhos necessários decorressem entre 28 de janeiro e 18 de fevereiro de 2013.
Com o decorrer dos trabalhos veio a verificar-se que todo o talude existente, em xisto, estava completamente desagregado, o que e desde logo obrigava a um cuidado suplementar no seu desmonte, diminuindo assim o rendimento estimado. Com as chuvas recentes verificou-se a derrocada de grande parte do talude, implicando um grande aumento de trabalhos de remoção, que não eram de todo possíveis de prever
Não é, assim possível, devolver este troço do Parque corgo na data inicialmente prevista prorrogando-se o prazo de encerramento até 1 de Março de 2013 inclusive.

 VILA REAL É MONTRA DA BIODIVERSIDADE EM PORTUGAL

Vila Real é um exemplo no país do ponto de vista da conservação da biodiversidade. Com cerca de metade do território integrado no sistema nacional de áreas classificadas e com um dos maiores jardins botânicos da Europa, o município tem vindo a desenvolver, em conjunto com diversas entidades públicas e privadas, um ambicioso programa de conservação da biodiversidade que concilia a preservação com o envolvimento da população e o desenvolvimento local.
“Quanto mais conhecemos, mais amamos”. A frase de Leonardo da Vinci ganha um especial sentido no território de Vila Real, que tem apostado forte na preservação e monitorização da biodiversidade, no desenvolvimento de campanhas de sensibilização e de informação sobre o valioso património natural do concelho e no envolvimento da população local. Desde 2010, a Câmara Municipal de Vila Real, em conjunto com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e outros parceiros, desenvolve o Programa de Preservação da Biodiversidade, que se tem afirmado como um exemplo a nível nacional, desde logo pelo envolvimento que tem gerado junto dos cidadãos.


 


Vice-presidente da Comissão Europeia ( Viviane Reding) admite que Portugal precisa de "mais tempo"


 
Vitor Gaspar- Ministro das Finanças de Portugal
advertiu para esse facto



Vice-presidente da Comissão Europeia admite que Portugal precisa de "mais tempo"

RTP com Lusa 20 Fev, 2013, 20:11 / atualizado em 21 Fev, 2013, 08:47

Estela Silva, Lusa

A vice-presidente da Comissão Europeia, Viviane Reding, manifestou hoje no Porto a sua muito preocupação com a situação económica portuguesa e a convicção de que o país precisa de “mais tempo”. Reding afirmou também que em março o Eurogrupo vai discutir como a Irlanda e Portugal poderão sair do programa de ajuda externa.
A vice-presidente da Comissão Europeia confessou-se “muito preocupada com a situação económica”. E acrescentou: “Penso que cada cidadão deste país sabe que a situação não é fácil e que precisamos de mais tempo para construir novas estruturas para construir um futuro sólido para as próximas gerações". Segundo Reding, também a maioria do Eurogrupo está "ciente que vai ser preciso tempo para ultrapassar a crise".
O reverso, positivo, consiste em que "só o facto de esta discussão existir mostra que, apesar de todas as dificuldades que as pessoas sentem neste país, as coisas estão a seguir na direção certa. Em março, os ministros das finanças vão olhar para os números e os factos e ver a maneira de Portugal se manter sozinho novamente". Além disso, segundo a comissária, "Portugal conseguiu voltar aos mercados e isso são boas notícias".
Reding não poupou elogios ao que considerou ser a forma "notável" e a "coragem" do Governo português ao pôr em prática reformas que reputa "absolutamente necessárias". E afirmou também: "Este país estava em muito mau estado e teria sido uma catástrofe para as próximas gerações se isso tivesse continuado". Agora, pelo contrário, na sua opinião, "as coisas estão na direção certa", como provaria o regresso aos mercados depois do resgate internacional "no momento em que não se conseguia refinanciar sozinho".

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Costa Pereira: Um Abade de Mão Cheia ( Mondim de Basto)

Senhora da Graça - Mondim de Basto

Por: Costa Pereira
             Portugal, minha terra.
 

 





Capela de S.Sebastião, em Vilar de Ferreiros

É nos momentos mais difíceis da vida que a presença dos amigos por vezes satisfaz mais e dá animação a quem dela carece. Que assim é tenho eu tirado a prova face às muitas visitas que de perto e longe vem acompanhando a minha cara metade numa doença que inesperadamente lhe calhou na rifa, mas já em recuperação e com a certeza que valeram muito as orações de tanta gente a pedir pela sua saúde. Isto para justificar a minha retração neste e noutros blogs onde habitualmente costumo opinar ou dar noticia. Hoje venho para recordar que no passado dia 20 de Janeiro, Vilar de Ferreiros festejou São Sebastião, com pompa e circunstância, no preciso dia litúrgico desse santo advogado contra a peste e a guerra, que perto da igreja paroquial de São Pedro tem a sua rica capela, com telheiro e adro miradouro, sobre a Ribeira Velha.

 

Cruzeiro paroquial de Vilar de Ferreiros, no adro da igreja.

Como em post anterior noticiei, a festa constou de cortejo com missa dominical e “bênção do pão” seguida de leilão cujo rendimento reverteu a favor das despesas com as obras da Residência e outras mais despesas em carteira. A chuva não ajudou e o vento tão-pouco, mas mesmo assim rendeu cerca de 1000€, não obstante alguns bairros, desta vez, faltarem à chamada. A chuva faz destas partidas...A visita a São Pedro de Vilar de Ferreiros vale pelo património histórico e paisagístico de que dispõe, e bem patente na igreja paroquial, no seu brasonado cruzeiro e na vizinha capela de S. Sebastião

 

Interior da igreja paroquial de Vilar de Ferreiros, em dia de S. Sebastião (20 de Janeiro)

Com um abade de mão cheia – assim aprendi, desde criança, a designar o pároco da minha terra –, que à meio século pastoreia Vilar de Ferreiros, o padre Correia Guedes foi e é o homem ideal que o saudoso bispo D. António Valente da Fonseca escolheu para substituir o abade colado padre Manuel António Morais de Miranda, o meu conterrâneo mais ilustre destes últimos dois séculos. A esta freguesia que me viu nascer tem o abade Correia Guedes dado todo o carinho e labor precisos para manter e promover o prestigio de uma comunidade cristã e duma terra cujos limites são anteriores aos da Nacionalidade.
A “bênção do pão” na festa de S. Sebastião que habitualmente se faz no telheiro da capela este ano realizou-se na igreja paroquial visto estar a chover e muito vento, depois porque também a capela era pequena para tantos fieis. Terminado este ato o Sr. Abade recolheu-se na residência e confiou o resto da festa à Comissão Fabriqueira de que ele é apenas presidente.
Sacerdote exemplar e pároco atento às carências espirituais e humanas dos paroquianos, a sua ação ficou marcada logo no inicio da sua chegada a Vilar, na década de 60, quando confrontado com a pobreza de alguns paroquianos se lançou na construção de habitações e solicitou apoio alimentar à Caritas para os mais necessitados. Entretanto vieram dias melhores e a briosa iniciativa deixou de ter sentido, pois cada um passou a usar da sua cana para pescar. Oxalá que por este andar não se venha a voltar ao mesmo...

 

Santuário de NS da Graça (Monte Farinha)

Mas o papel mais importante do abade Correia Guedes foi e é o desempenhado, na condição de pároco de São Pedro de Vilar de Ferreiros, como Presidente da Irmandade de Nossa Senhora da Graça, e que se pode ver bem realçado na obra ali realizada e muito louvada por todos quantos sobem ao cimo do Monte Farinha, mormente os devotos de Nossa Senhora e do Santinho, Santiago. Freguesia muito trabalhosa que em termos patrimoniais se estende do santuário de NS da Graça a São José do Fojo, onde também aqui, por volta do dia 19 de Março, os Josés do concelho de Mondim de Basto costumam festejar o seu dia com celebração eucarística presidida pela pároco de Vilar.

 

Cruzeiro de Campos

Assim como do Monte Farinha ao Fojo, também de Campos a Vilarinho, no sentido poente/nascente, a freguesia se alarga em toda a sua dimensão que neste Ano da Fé o pároco quer ver mais dinamizada e fiel aos mandamentos de Deus e da Igreja de Jesus Cristo nosso Salvador.. A igreja da aldeia de Vilarinho é consagrada a santo António, mas a quem a população em Agosto festeja com muito fervor é Nossa Senhora de Fátima. As mães têm sempre um lugar especial no coração dos bons filhos, e neste caso a Virgem Maria ultrapassa tudo. Santo António desculpa a opção.

 

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Polémica sobre manifestações contra Governo aqueceu o Parlamento.

Luis Monte Negro

Montenegro diz que democracia foi “abalroada”

 Sofia Rodrigues  (Público oneline)

20/02/2013 - 17:46

Polémica sobre manifestações contra Governo aqueceu o Parlamento.

Montenegro: “Não há democracia se os representantes legítimos do povo forem impedidos de expressar o seu pensamento" Foto: Daniel Rocha .

Num debate acalorado em plenário, o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, veio afirmar que “a democracia foi recentemente abalroada”, a propósito dos protestos que impediram o ministro Miguel Relvas de falar em público numa conferência.
“Não há democracia se os representantes legítimos do povo, por estes eleitos directa ou indirectamente, forem impedidos de expressar o seu pensamento”, afirmou Montenegro. O líder parlamentar do PSD condenou “expressões públicas de desagrado violento não passarão de atitudes antidemocráticas, despóticas e visceralmente intolerantes”. E destacou “um episódio” em que “a democracia foi recentemente abalroada”, num estabelecimento de ensino superior, sem referir os protestos de ontem contra o ministro no ISCTE.
Foi Bernardino Soares, líder da bancada do PCP, que recordou o episódio em concreto. “Quando o ministro já disse as maiores barbaridades, que expulsa estudantes do ensino superior por aumento das propinas, ele, logo ele, vai para uma universidade para discursar, vai à procura dos acontecimentos”, apontou, gerando um coro de protestos na bancada social-democrata. Montenegro respondeu: “Muitas vezes, os militantes e os deputados do PCP dizem coisas que se não são barbaridades andam lá perto, mas nunca calámos as opiniões do PCP.”
Pelo PS, o líder parlamentar, Carlos Zorrinho, partilhou da ideia de defesa da democracia, mas mostrou compreensão pelo descontentamento. “A falta de credibilidade do Governo é a principal causa do descontentamento”, disse Zorrinho.
O líder da bancada centrista, Nuno Magalhães, foi contido nas palavras e disse rever-se "absolutamente"  e subscrever as declarações de condenação aos protestos a Relvas no ISCTE feitas por Augusto Santos Silva e António Barreto.
Na intervenção final, Montenegro referiu-se a Grândola Vila Morena, canção que nos últimos dias tem servido para interromper intervenções públicas de ministros, como forma de protesto. “Muito se tem dito e cantado nos últimos dias, mas queria dizer que a Vila Morena, a terra da fraternidade, onde o povo mais ordena, é terra de todos, não é propriedade de ninguém”, disse, aplaudido fortemente pela sua bancada.

 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Muke Nguy, o vendedor de óleo de palma - uma história de Tim Butcher

Montanhas no Congo - Fotografia da National Geographic

O século XX deu-nos dois grandes escritores de viagens: Bruce Chatwin e Paul Theroux. Sendo o primeiro, quase uma lenda. Já neste século surgiram outros dois: Tim Butcher e Luís Sepúlveda. É a Tim Butcher que se deve este escrito, narrativa incluída em “Rio de Sangue” (Bertrand editora, 2009).

Em todas as épocas de África, o Congo foi importante. Butcher ouvia dele falar desde criança. Conhecia a história de Joseph Conrad e há muito que lera o seu romance “No Coração das Trevas”; conhecia ainda as aventuras de grandes exploradores como Stanley,  David Livingstone e Burton.


Passou três anos a preparar a sua grande viagem no interior do Congo, com cerca de 2500Km. Um dia despediu-se da esposa. Diz-nos: “Em 2004, reservei lugar num voo de Joanesburgo para o Congo, redigi o meu primeiro testamento e dei a Jane um beijo de despedida”. Tão simples quanto isto. Deu um beijo a Jane e arrancou em direcção daquele gigante africano.


Já em plena selva, na companhia de Odimba e Benoit, dois pretos congoleses que se predispuseram a acompanhá-lo, utilizando motocicletas como meio de locomoção, têm um encontro inesperado. Enquanto desentupiam o cano de um dos carburadores (porque lhes tinham vendido gasolina suja em Kalemie), depararam com um “homem esfarrapado” que estava a observá-los, “inclinando-se pesadamente sobre uma velha bicicleta carregada com grandes recipientes de plástico”. Perguntou a Tim se tinha água. Este estendeu-lhe uma garrafa, e o homem erguendo “o rosto magro” marcado pela fome, sem tocar no gargalo com os lábios, derramou cuidadosamente a água na boca. Agradeceu e já se preparava para partir quando Tim lhe perguntou para onde se dirigia.
- Vou para Kalemie. Sou vendedor de óleo de palma. Chamo-me Muke Nguy – disse.


Em cima, população em fuga da guerra.
 Em baixo, acampamento de refugiados
Para Kalemie teria de andar 100 Km, mas já tinha percorrido 200 Km em 16 dias. Era inacreditável, teria de percorrer, com o regresso, 600Km pela floresta cerrada, debaixo de um calor equatorial, sem comida nem água. A bicicleta não tinha pedais e tão carregada ia que não podia servir para o transportar.
Disse a Tim que bebia quando o trilho atravessava um curso de água e à noite comia o que encontrava na selva. Levava uma esteira para se deitar e se adoecesse não tinha medicamentos. Também lhe explicou como remendava os furos dos pneus, esboçando um sorriso naquele rosto esquelético.

Sobre o negócio disse:
Okapi
- Levo comigo oitenta, talvez cem litros de óleo. Talvez consiga um lucro de dez ou quinze dólares quando chegar a Kelemie. Uma vez lá, gasto o meu dinheiro em coisas que não tenho em casa, como sal ou peixe do lago. Quando volto, revejo a minha família após alguns meses de ausência e vendo parte do sal com novo lucro de dez ou quinze dólares.
Tim estava estupefacto. Tanto esforço por trinta dólares e uma refeição de peixe!
E não é para menos. As dificuldades de alguns, comparadas com isto são apenas pequenas contrariedades.
 
Armando Palavras

Post-scriptum

Tim Butcher diz-nos ainda que viu muitos congoleses como Muke Nguy. Um deles levava trinta papagaios e iria percorrer, a pé, mais de 1000Km (até Zanzibar) para os vender aos turistas.



O homem e a terra de Manuel Pires



Adicionar legenda

 
O HOMEM E A TERRA

 

Da terra tiro o sustento

 Da terra tiro a virtude

Da terra tiro o provento

 A humildade e a saúde

 

Na terra foi criado

 Na terra me sinto bem

 Por ela me sinto amado

 E dela só sairei para o além

 

A terra não me enfada

 Porque lhe tenho afeição

 Gosto de a ver cultivada

 E senti-la na palma da mão

 

A terra é a minha vida

 Pois outra não conheci

 Por isso me é tão querida

 E foi para ela que eu nasci

De Ti de Donzilia Martins


"De ti Sento-me à mesa de ti E não estou só. Nos teus olhos, que desvias tantas vezes Eu procuro a cor dos meus dias de afagos Onde desaguam todas as fontes e o mar. Os segredos dançam, os tempos voam Nos lábios cerrados com tanto p’ra dizer. Todas as manhãs, uma música de palavras Se escoam dos dedos para cantar a vida. Do teu corpo despegam-se então serenatas de luar Que nunca cantaste, pedaços de lua pregados na noite, Versos por fazer à espera de sorrisos. Hoje na serenidade da manhã, Arranquei da guitarra do teu corpo Os sons apagados, as pétalas secas guardadas nos livros. As cordas tangeram um hino ao amor. É assim que te quero. Livre, solto, desprendido Com um sorriso aberto à entada de nós. No silêncio, o mar verteu-se para dentro do tempo E primaveras voltaram a florir. 17/02/013 Donzilia martins"
 
 
 
De ti

 
Sento-me à mesa de ti
 E não estou só.
 Nos teus olhos, que desvias tantas vezes
 Eu procuro a cor dos meus dias de afagos
 Onde desaguam todas as fontes e o mar.

 
Os segredos dançam, os tempos voam
 Nos lábios cerrados com tanto p’ra dizer.
 Todas as manhãs, uma música de palavras
 Se escoam dos dedos para cantar a vida.


Do teu corpo despegam-se então serenatas de luar
 Que nunca cantaste, pedaços de lua pregados na noite,
 Versos por fazer à espera de sorrisos.


Hoje na serenidade da manhã,
Arranquei da guitarra do teu corpo
 Os sons apagados, as pétalas secas guardadas nos livros.
 As cordas tangeram um hino ao amor.

 
É assim que te quero. Livre, solto, desprendido
 Com um sorriso aberto à entada de nós.
 No silêncio, o mar verteu-se para dentro do tempo
 E primaveras voltaram a florir.

17/02/013 Donzilia martins

 

Primeiro-ministro Passos Coelho repudia manifestações que impediram O Ministro Miguel Relvas de discursar


Ministro Miguel Relvas
 
Primeiro-ministro de Portugal
Passos repudia manifestações que impediram Relvas de discursar

Económico com Lusa  
19/02/13 19:04

O primeiro-ministro lamentou e repudiou hoje, em nome do Governo, as manifestações que impediram Miguel Relvas de discursar.
O primeiro-ministro lamentou e repudiou hoje, em nome do Governo, as manifestações que impediram Miguel Relvas de discursar, garantindo que o executivo "nunca se deixará condicionar" por acções desta natureza.
"O Governo lamenta as circunstâncias anómalas que levaram o Ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares a suspender esta tarde a sua intervenção numa conferência organizada pela TVI para assinalar o seu vigésimo aniversário", refere uma nota do gabinete do primeiro-ministro.
De acordo com o texto, "manifestações como aquela a que se assistiu nas instalações do ISCTE suscitam necessariamente o repúdio da parte de todos quantos prezam e defendem as liberdades individuais, designadamente o direito à livre expressão no respeito pelas regras democráticas".
"O Governo reitera, nesta ocasião, que nunca se deixará condicionar por acções de natureza semelhante no exercício constitucional das suas funções", refere a nota do gabinete de Pedro Passos Coelho.