sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

CONCURSO PARA PROGRAMAS DE DOUTORAMENTO FCT



INFORMAÇÃO CONJUNTA DA FCT E DO CONSELHO DE REITORES DAS UNIVERSIDADES PORTUGUESAS (CRUP)
A FCT e o CRUP realizaram uma reunião conjunta para análise do Concurso para Programas de Doutoramento FCT, em aberto, tendo em conta os termos do respetivo regulamento bem como os trabalhos preparatórios em curso por professores e investigadores das diversas universidades portuguesas.
Neste contexto, a FCT e o CRUP entendem ser oportuno explicitar conjuntamente:
- a importância e a oportunidade deste programa, bem como a sua natureza estruturante e estimuladora da excelência científica;
- a sua importância para consolidação da internacionalização da ciência portuguesa;
- que o programa se destina a apoiar cursos de doutoramento existentes que cumpram as melhores práticas de referência internacionais da respetiva área, bem como novas candidaturas que cumpram essas práticas e consubstanciem propostas inovadoras, no âmbito de parcerias nacionais e internacionais, ou de interação com o tecido económico-produtivo;
- a centralidade das universidades neste processo e o imperativo de as candidaturas só poderem ser aceites se acompanhadas de declaração da aprovação institucional por parte de todas as universidades envolvidas na atribuição do respetivo grau;
- que eventuais novos programas de doutoramento devem ser submetidos à avaliação formal pela A3ES;
- que importa assegurar que as candidaturas ao programa são suportadas por uma massa crítica de investigadores capazes de enquadrar adequadamente os seus doutorandos, pelo que as propostas devem evidenciar um mínimo de 10 investigadores responsáveis para candidaturas associadas a um único centro de investigação, ou de 25 investigadores responsáveis para candidaturas envolvendo vários centros e/ou várias instituições;
- que a data limite para entrega de candidaturas será estendida até ao próximo dia 20 de fevereiro.
Lisboa, 24 de Janeiro de 2013
Miguel Seabra
Presidente da FCT, IP
Toda a informação sobre o concurso para Programas de Doutoramento FCT está disponível em www.fct.pt.


Virgilio Gomes - Comer português, no estrangeiro



Virgilio Gomes
Já não são novidade as minhas reflexões sobre o que se considera comida portuguesa no estrangeiro, as suas dificuldades, as suas teimosias, e a irreverente desinformação que tal provoca aos consumidores locais. Por vezes, quando têm a oportunidade de vir a Portugal e frequentam restaurantes se encontram baralhados pois, os pratos que conheceram no estrangeiro, nem sempre correspondem à tradicional forma de confeção em território luso.
Comecemos pelos produtos. Nem sempre os produtos locais coincidem em qualidade e sabor aos produtos portugueses. É errado insistir em receitas cujos produtos não se assemelham, sequer, aos nossos. Não vale a pena tentar confecionar “Carne de Porco à Alentejana” quando não há ameijoa. Não vale fazer “Bacalhau à Zé do Pipo” quando se retira a maionese, e se substitui por claras em castelo. Não vale inventar um “Bacalhau à Transmontana” gratinado com molho Bechamel, … Seria longo o citar de exemplos do que não se deve fazer em restaurantes portugueses pelo Mundo. Mas não há só exemplos pela negativa. Felizmente encontramos, também, bons exemplos e bom trabalho de alguns. Claro que, voltando aos produtos, Portugal tem categoricamente “o melhor peixe do Mundo” não sendo fácil chegar a todas as localizações pretendidas. Certo é que grandes chefes de cozinha de Nova Iorque a Paris, conseguem obtê-lo apesar de ser a um preço elevado, mas a sua qualidade compensa-os no resultado final. O bom é convidar todos a comer peixe em Portugal.

Algumas saudades do conforto à mesa:

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Curso de Pós-Graduação em Património Cultural na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD)





Alexandre Parafita

Com vista a preencher uma lacuna na oferta formativa na área do património material e imaterial da região norte de Portugal, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) vai iniciar, no próximo dia 9 de março, o Curso de Pós-Graduação em Património Cultural.
As inscrições encontram-se abertas.
Todos os detalhes podem ser conhecidos a partir daqui:


Curso de Pós-Graduação em Património Cultural
  
Com vista a preencher uma lacuna na oferta formativa na área do património material e imaterial da região norte de Portugal, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) vai iniciar, no próximo dia 9 de março, o Curso de Pós-Graduação em Património Cultural.
Coord. Científica: Profs. Doutores Orquídea Ribeiro e Fernando Moreira
Unidades curriculares e corpo docente: ver aqui
Regime de funcionamento: pós-laboral, ao sábado (9h-13h; 14h-18h);
Local: Complexo Pedagógico da UTAD;
Data limite de candidatura: 28 de fevereiro 2013;
Inscrições on line: aqui
Todas as demais informações: aqui
  

Professor Charrua /acusado de insultar Sócrates) vai ser indemnizado

Jornal Público - 23-01-XIII

Feria do Fumeiro em Montalegre - 24 a 27 de Janeiro


Vila de Montalegre

FEIRA DO FUMEIRO 2013

(24 a 27 Janeiro)

 - 86 expositores no total (conferir lista anexa)
 - 75 expositores de fumeiro
 - 4 expositores de mel
 - 4 expositores de licores, compotas e outros
 - 3 expositores de pão e derivados

FEIRA DO FUMEIRO
 (Dados a reter)

-  80 produtores de fumeiro com cozinha licenciada/atividade registada (Unidades Produtivas Locais, decreto lei n.º 209/2008 de 29 de Outubro). Destes, uma quantidade considerável também vai expor pão, mel e compotas cuja atividade está igualmente legalizada;
 - 4 expositores de pão e derivados, com atividade igualmente legalizada ao abrigo da legislação anterior;
 - 4 expositores de mel e derivados com atividade legalizada (UPP - Unidades de Produção Primária de Mel);
 - 2 expositores de compotas, chás e licores, com atividade licenciada ao abrigo da legislação do REAI (dec. lei 209/2008);
 - 6 produtores de fumeiro possuem carta de artesão e viram a sua atividade artesanal reconhecida pelo PPART;
 - 16 produtores de fumeiro e compotas estão envolvidos num projeto de gestão estratégica e operacional, promovido pela Associação dos Produtores de Fumeiro da Terra Fria Barrosã e supervisionado pela Associação Industrial Portuguesa (AIP-CCI) que visa o desenvolvimento e modernização da atividade (Gestão e Marketing).

CONTACTOS

Associação dos Produtores de Fumeiro da Terra Fria Barrosã
 Posto de Turismo, Praça do Município
 5470-214 Montalegre
 276 510 200 / 966 960 887

Fonte: site da Cãmara Municipal de Montalegre

A horda de críticos e o circo


Uma critica aos criticos

Primeiro Ministro de Portugal e Ministro das Finanças de Portugal
Essa horda de críticos do governo, além de não ter legitimidade alguma para o criticar, é, na essência, a imagem de John Vicent Moon do conto de Borges (Ficções).
Não tem havido dia em que não haja figuras públicas a pronunciarem-se sobre a situação do país, sem pudor algum, utilizando uma linguagem execrável.
O dr. Mário Soares vislumbra guerras civis, o Prof Freitas e Arménio Carlos (CGTP) apelam para a dissolução do Parlamento (!), os ex. Capitães de Abril apregoam golpes de Estado, comentadores e colunistas raiam a mediocridade ao comentar as politicas a que o governo se viu forçado a tomar, Baptista da Silva enganou Catedráticos e burlou instituições como o Grémio Literário de Lisboa, jornalistas demagógicos seguem a retórica do momento. O povo encolhe-se, por vezes aplaude, por vezes não comenta.
Perante este circo, comentadores e colunistas (contam-se pelos dedos de uma mão, os que são realmente bons), advogam sobre a legitimidade do governo para pôr as medidas em execução.
É de faco verdade que estas medidas não constavam do programa eleitoral (Mas os dados do Memorando não eram exactos). E as que tomaram os dois governos anteriores eram legítimas? Constavam do programa que José Sócrates apresentou? Não constava lá obter recordes na dimensão do défice, nem a estimulação do desemprego, nem que iria duplicar a divida pública, levando o país à bancarrota, nas mãos dos credores.
Mas tudo isto foi concretizado. E aqueles que agora criticam os sociais-democratas, à época nem piaram perante estes dois governos patifes. É um hábito antigo nesta gente. Se o governo implementasse o programa eleitoral, era fustigado na mesma. Aliás, não é por acaso que é o próprio FMI que faz, nesse relatório tão falado, um retrato bárbaro do país, cujos factos, na sua maioria, são já do conhecimento de todos os portugueses: a balbúrdia da administração central, passando pelas escolas e terminando na saúde. E todos sabemos quem são os responsáveis. E também não é por acaso que é agora preciso cortar na despesa quatro mil milhões!
Apesar da horda de críticos, a venda dos titulos da divida (ontem) foi um feito extraordinário. Ninguém (dos críticos) pensaria que isso fosse possível (se bem que agora vão aparecer muitos a dizer o contrário, como é próprio dos medíocres) Sinal que a estratégia do governo estava certa e que o Ministro das Finanças sabia do que falava e do que fazia.
Armando Palavras

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Portugal de regresso aos mercados


Primeiro Ministro de Portugal e Ministro das Finanças de Portugal












Ricardo Costa
10:12 Terça feira, 22 de janeiro de 2013

É mesmo um regresso aos mercados?

Com o airbag do BCE, um swap de dívida e um prolongar dos prazos de maturidade, Portugal está em condições de seguir a Irlanda no regresso aos mercados. Com tanta protecção e alterações de regras, este será mesmo um regresso aos mercados? Muitos dirão que não, sobretudo com argumentos que dão jeito a análises políticas: o BCE impede que as coisas corram mal, os bancos portugueses estão alinhados para comprar o que houver, muita dívida estará pré-colocada, o swap já foi uma espécie de renegociação e os novos prazos são mesmo uma renegociação.
Certo? Nem por isso. Eu, que escrevi várias vezes que seria quase impossível que Portugal regressasse aos mercados em 2013, reconheço sem qualquer problema que com estas regras Portugal está em condições de o fazer. Mais relevante, a estratégia negocial de Vítor Gaspar foi a correcta, sobretudo nos prazos em que jogou as suas cartas. Sempre sem forçar e sempre a aproveitar a terra firme que outros, sobretudo a Irlanda, iam pisando.
Assim, Portugal vai mesmo regressar aos mercados. Como escreve hoje o Henrique Monteiro, Portugal regressa aos mercados mas os portugueses não. É verdade que não vamos sentir alterações com esse regresso. Mas há uma verdade ainda mais óbvia: sem regressarmos aos mercados, não recuperamos nenhuma autonomia política nem orçamental. Não sei o que se passará depois do regresso, mas sei que sem esse regresso não se passará nada.


A importância do regresso aos mercados
23/01/13 00:30 | Económico

Portugal regressa hoje aos mercados de dívida pública de médio e longo prazo

Portugal regressa hoje aos mercados de dívida pública de médio e longo prazo. A emissão de dois mil milhões de euros com maturidade a cinco anos é um ponto de viragem no processo de recuperação da economia nacional.
O País tem beneficiado do facto de estar a cumprir com grande parte do plano de ajustamento a que se obrigou e tem sido elogiado internacionalmente pelo esforço empreendido. Por isso, as taxas de juro das Obrigações do Tesouro a 10 anos que subiram desmesuradamente, mesmo depois da concessão do auxílio por parte da ‘troika', atingindo os 17% em Janeiro de 2012, têm caído paulatinamente e ontem atingiram, pela primeira vez desde finais de 2010, um valor abaixo dos 6%. A partir de agora, o Banco Central Europeu vai poder adquirir dívida pública portuguesa e as agências de ‘rating' poderão reapreciar em alta a notação atribuída à República Portuguesa, o que influenciará a classificação das empresas, em particular dos bancos, para poderem voltar a atrair investidores internacionais, o que, aliás, até já está a acontecer.
Esta dinâmica, ajudada pelo facto de o défice público de 2012 ter ficado abaixo do limite de 5% e de Portugal e Irlanda pedirem um alargamento dos prazos dos empréstimos europeus, vai, por certo, incentivar potenciais investimentos no nosso país e facilitar o fluxo de financiamento para as empresas o que, a prazo, se traduzirá em crescimento económico e na criação de emprego. Mas o regresso aos mercados não é a panaceia para todos os males, bem longe disso, porque ainda há muito caminho para percorrer e muito sacrifício para fazer.
O Governo não pode afrouxar a onda de austeridade e os portugueses vão continuar a pagar uma enorme carga fiscal. Este é apenas mais um passo, embora muito importante, na longa caminhada para a recuperação económica e social do País.

Económico online


Pedro Choy, uma história de vida





Para quem não leu a revista Nós (27 de Fevereiro, 2010), aqui fica um dos textos.
É a história de Pedro Choy.
Uma verdadeira inspiração para quem tem a mania de se queixar muito da vida e fazer pouco para lhe dar a volta.

 Olhando para ele, para a forma dominadora como fala, para o modo seguro como trabalha, avaliando as 18 clínicas que tem, espalhadas por todo o país, ostentando o seu nome, metade português, metade chinês, “Clínicas Dr. Pedro Choy”, medindo e pesando o homem, o médico, Pedro Choy, ninguém diria, dessa análise precipitada e ligeira, que nasceu pobre. Mas nasceu. Muito pobre. Tão pobre que só teve electricidade aos 15 anos. Tão pobre que as instalações sanitárias da sua pobre casa, em Almeirim, eram no fundo do quintal e consistiam num buraco feito no chão, rodeado por uma cabana de madeira feita por si e pelos irmãos, com tábuas e pregos. Tão pobre que, todos os anos, Pedro Choy e os irmãos tapavam esse buraco com terra e abriam outro buraco ao lado.
 Pedro Choy nasceu em Macau e veio com três meses para Portugal, mais concretamente para Almeirim, onde vivia uma avó (mãe do pai). Um ano depois, rebentou a guerra colonial e o pai foi para Macau, onde ficou 14 anos. A mãe de Pedro Choy, chinesa, ficou sozinha com quatro filhos, três rapazes e uma rapariga, numa terra estranha, sem falar uma palavra de português. “A minha mãe, além de ser chinesa, vestia-se de uma forma completamente chinesa. Naquela altura, em Almeirim, nunca ninguém tinha visto um chinês. As pessoas andavam atrás dela como quem vê um extraterrestre. Faziam fila para a ver. A ponto de, um dia, ela ter desatado a fugir e ter caído, porque tinha medo. Por outro lado, o meu pai era o único adulto com quem ela conseguia falar, dado que não falava português. É uma sobrevivente, a minha mãe. Uma mulher muito especial.”
Quando chegou a Portugal, e sobretudo a Almeirim, a mãe de Pedro Choy desconfiava que algo de muito sério se passava. Acostumada à densidade populacional da China, estranhava a escassez de pessoas. “O meu pai assegurava-lhe vezes sem conta que não havia nenhuma espécie de guerra, que estava tudo bem. Não havia nem guerra, nem peste, nem epidemias. Porque ela não conseguia acreditar que a população da terra fosse mesmo só aquela, que não estava ninguém escondido.”
A avó de Pedro Choy morava numa casa igualmente pobre, com chão em terra e divisões improvisadas pelos netos, com tábuas. Era cauteleira e vidente. Na terra era conhecida como “a bruxa”. “Lembro-me de passar de ouvir as pessoas dizer: ‘Lá vai o neto da bruxa’. Não foi fácil. Fomos vítimas de chacota, não só por sermos pobres mas também por sermos chineses. No meu caso, por exemplo, inventavam-me nomes. Chamavam-me ‘Choy-Roy-Foy-Coy-Moy…’, tudo acabado em oy.” Mas Pedro foi educado para ser forte. O pai ensinou-o a dar como resposta:
“Pois é. É por isso que sou melhor do que tu.”
Pedro Choy e os irmãos cresceram e fortaleceram-se, num ambiente hostil. Apesar da pobreza, os “filhos da chinesa” e “netos da bruxa” nunca andaram sujos nem nunca passaram fome: “Podíamos usar roupas usadas, velhas, dadas, mas estavam limpas. Podia não haver dinheiro para comprar carne mas tínhamos, pelo menos, arroz todos os dias. Arroz e leite. Não passávamos fome, do ponto de vista quantitativo.”
Passar fome, passou mais tarde, enquanto estudante universitário. Quando pediu uma bolsa de estudo e a viu recusada, Pedro Choy sentiu uma revolta grande. “Eu era a pessoa mais pobre do meu curso. Se eu não tinha direito à bolsa, quem é que tinha? Investiguei e descobri que os bolseiros eram filhos de empresários, que pura e simplesmente não faziam declarações de rendimentos.”
E assim, sem bolsa, foi trabalhar. De resto, mesmo antes de entrar para a faculdade, aos 14 anos, prevendo qualquer dificuldade tentou armazenar dinheiro e trabalhou na Compal, em Almeirim. Era higienista, nome pomposo que, na prática, significava lavar a fábrica toda. “Foi o cargo que escolhi porque era o mais bem pago. Tinha um subsídio de risco porque era necessário lavar as máquinas por dentro. E às vezes havia acidentes. Além disso, era preciso carregar às costas sacos de 50 quilos de soda cáustica. E a soda cáustica, como o nome indica, é...cáustica.”
Além desse trabalho, teve outros: na apanha do tomate, nas vindimas, como servente de pedreiro. Mas o dinheiro amealhado não foi suficiente e, na universidade de Coimbra, onde foi tirar Medicina, passou fome. “Comia uma vez por dia, ao almoço, na cantina da universidade de Coimbra. Não tocava na maçã e no pão. Embrulhava-os e levava para casa, para me servirem de ceia. É difícil dormir quando se tem fome.”
Para dar a volta, rompeu com uma das suas convicções, a de que ensinar karaté devia ser gratuito. “A fome faz repensar algumas convicções”. Algum tempo depois de se tornar mestre de karaté, convidaram-no para ser segurança. Foi segurança de discotecas e, mais tarde, foi convidado para ser guarda-costas. “Fui guarda-costas de algumas figuras conhecidas por esse mundo fora. Era contratado para fazer reforço de segurança, ou seja, em circunstâncias de perigo. Isso permitia-me trabalhar durante duas semanas, três semanas, um mês, a remunerações absolutamente impensáveis.”
Pedro Choy chegou ao 4º ano de Medicina mas depois interessou-se mais por um curso de Medicina Tradicional Chinesa, na Universidade de Marselha. Os outros dois irmãos são médicos e a irmã é bióloga e uma das mais reputadas investigadoras na área da genética. Uma família de vencedores. Talvez porque o pai sempre lhes tenha exigido o máximo, que fossem os melhores. Talvez porque cresceram a ver a mãe num empenho extraordinário para cuidar de quatro filhos numa terra estranha, onde era vista como um extra-terrestre. Talvez porque sim, porque lhes está na massa do sangue. Pedro Choy tem 18 clínicas, espalhadas por todo o país, ostentando o seu nome, um nome que foi alvo de zombaria e que hoje é um nome de sucesso. Ninguém diria que o homem por detrás do nome nasceu pobre. Mas nasceu. Muito pobre. A prova provada de que é possível mudar o destino. Ou, como diz o provérbio chinês: “É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão.”

 
* Texto publicado na revista Nós, do jornal i, de Sábado, 27 de Fevereiro de 2010


 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Barack Obama tomou posse como Presidente dos Estados Unidos da América


Barack Obama tomou posse como Presidente dos Estados Unidos com um discurso forte e programático, no qual apelou à unidade e à mobilização dos americanos para “responder à chamada da história e transportar para um futuro incerto essa luz preciosa da liberdade”.
Após ter prestado juramento pela segunda vez em dois dias, de novo perante o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, John Roberts, Obama falou à multidão de aproximadamente 800 mil pessoas que o esperava no Mall, a esplanada que se estende em frente ao Capitólio, em Washington.
O primeiro aplauso da multidão aconteceu quando o Presidente disse que “uma década de guerra” está a acabar e que a economia recomeçou a crescer. “Uma década de guerra acabou, a recuperação económica começou e as possibilidades da América são ilimitadas”, disse.
Antes, Obama tinha evocado os valores fundamentais da América: “O que nos faz excepcionais é a nossa fidelidade a uma ideia formulada há 200 anos, de que todos os homens nascem iguais e têm direitos inalienáveis como a vida, a liberdade e a busca da felicidade. Hoje continuamos uma jornada sem fim para ligar o significado dessas palavras à realidade do nosso tempo.” “Sempre entendemos que quando os tempos mudam, nós temos de mudar”, afirmou.
O Presidente evocou “uma geração posta à prova pelas crises” num discurso em que procurou apelar à mobilização dos americanos para apoiar a sua agenda política. Obama fez um discurso centrado na acção e na necessidade de ultrapassar polémicas estéreis, numa referência às divergências permanentes entre a Casa Branca e o Congresso.
“Temos que agir no nosso tempo em vez de discutir qual o papel do nosso governo no nosso tempo. Há decisões que não podem ser adiadas.”
Obama enunciou a seguir os pontos-chave da sua agenda, como as alterações climáticas – “temos que liderar esta transformação em vez de lhe resistir” – ou os direitos dos imigrantes.
Defendeu também as políticas de apoio social que têm sido contestadas pelos republicanos: “Sabemos que temos de tomar decisões difíceis para reduzir os custos dos cuidados de saúde e do tamanho do défice. Mas rejeitamos a crença de que a América tem que escolher entre tomar conta da geração que construiu este país e investir na geração que construirá este país”.
Num discurso em que fez também uma defesa clara dos direitos dos homossexuais – “a nossa jornada não estará completa até os nossos irmãos e irmãs gay serem tratados como qualquer outro perante a lei” –, Obama evocou ainda a figura de Martin Luther King, que era também homenageado hoje: “Ouvimos um King proclamar que a nossa liberdade individual está inextricavelmente ligada à liberdade de cada alma na Terra”.
A política externa ocupou apenas uma pequena parte de um discurso centrado na agenda interna para os próximos quatro anos e no apelo aos cidadãos para apoiar o Presidente no confronto com um Congresso hostil. Obama defendeu que “a América permanecerá a âncora das alianças fortes em cada canto do globo” e defenderá a propagação da democracia, fazendo a defesa do pacifismo: “Acreditamos que a paz e a segurança duradouras não requerem a guerra perpétua”, afirmou.

Fonte:  Público online

Crónicas de África - Manuela Criner


Fotografia de Nock Brandt



Manuela Criner
  Tal como prometi, hoje é uma estória de caça, do mato, de África...como quiserem, talvez a estória de uma menina que queria conhecer o mundo.

 A vida é feita de alegria e tristeza, de tudo e de nada. E nós vamos passando pelo tempo, porque o tempo está demasiado ocupado para passar por nós. Também o passado e o futuro, dizem, só existe nas nossas mentes, só o presente é válido. (Na minha mente, o passado passou por mim e não foi nada meigo). Digamos que o presente é uma síntese do que fomos e do que seremos.
 Elefantes com as orelhas a abanar, muito incomodados e incomodando-nos, sobretudo quando tinham filhotes; búfalos em manada ou um ou outro solitário, muitíssimo perigoso, pois os solitários eram antigos chefes de manada que perdiam a luta com um búfalo jovem e aguerrido, sendo expulso da manada; javalis com os filhotes, rabos no ar, em fila indiana; zebras e pala palas, que, geralmente andavam sempre juntas; bois cavalos ou gnus, uma mistura muito esquisita e gondongas; leões que rugiam de maneira diferente, se tivessem ou não a barriguinha cheia; leopardos que só se avistavam de noite e cujos olhos pareciam holofotes; leões da savana, mais pequenos que os outros e que dormiam em árvores, vivendo em bandos; macacos,  macaquinhos e macacões e tantos, tantos outros, conheci quase toda a fauna de Moçambique. Não me falem em hienas e mabecos que cheiram tão mal...
Manuela Criner à época em que relata o acontecimento
Pois há muitos anos, teria eu vinte e poucos, mais ou menos, depois de passar os tais "mares nunca dantes navegados e vivendo eu na linda cidade da Beira --linda depois, porque nessa altura espaço é o que ela tinha, largas avenidas de areia e casas de madeira e zinco e muitos pântanos cheios de mosquitos -- pois a linda Cidade do Príncipe da Beira, com os restos do antigo forte de Aruângua, onde eu vivi com a minha família, além do famoso e mal cheiroso Chiveve (devia ser um braço de mar, mas era só lixo, por isso o seu cheiro e quando a maré subia, pior um pouco) comecei logo por ir à caça. Além do cinema e praia, também não havia muito para onde ir. Para ver caça e o caçador (Tonico Trindade) que só caçava o essencial e não matava só para matar, conseguia ir descobrir os animais mais exóticos para eu ver...cheguei a ver um papa formigas e só dessa vez em todos aqueles anos.


 Hoje conto-vos a minha primeira ida ao mato.
 Fomos num velho camião de dez toneladas e geralmente íamos à sexta-feira e outros iam ao nosso encontro aos sábados, depois do almoço ou de manhã. Dormíamos numa qualquer povoação, onde éramos sempre recebidos de braços abertos. Como presente o Tonico levava sempre um saco de sal e dois sacos de farinha de milho, além de caça que, depois da caçada, lá ia deixar. Bem, quem dormiam eram os outros, porque eu era o "guarda-nocturno" com os mosquitos à minha volta. Dormia depois da viagem e, às vezes, na viagem. Os outros embrulhavam-se em mantas ou ficavam à volta da fogueira. Porque no alto da serra, de madrugava, gelava.
Carregar na fotografia para aumentar
(Fotografia de Nock Brandt)
 A estória, vista agora tantos anos depois e doutro Continente, numa cidade, parece simples, mas naquela altura, juro que não era.


 Era jovem, queria ver tudo bem e eis que ia atrás dos caçadores de mãos a abanar, pois era incapaz de pegar numa arma e longe de mim fazer mal aos bichos.
 Passado algum tempo senti metade da cabeça, do lado esquerdo e metade do rosto, exactamente metade, como se tivesse passado um risco, absolutamente dormente, paralisado. Fora uma mosca de búfalo que me picara na cabeça, certamente num nervo. Eu sentira a picada, mas sabia lá que fazia aquele efeito! Enxotei-a, cocei, não me lembro se a desinfectei, creio que não, e pronto.

Carregar na fotografia para aumentar
(Fotografia de Nock Brandt)
 Fiquei de facto aflita porque aquela paralisia facial e "cabeçuda", demorou cerca de quatro horas a passar. Mas antes...estivera no meio de seis manadas de búfalos. Foi assustador, por isso é que havia aquela "população" de moscas. São grandes, cerca de um centímetro, vermelhas e finas.
Santa ignorância!
 Às tantas o Tonico deu um tiro na perna de um búfalo, que deu meia volta, pronto a atacar. Só tive tempo de pôr a primeira pessoa à minha frente, que foi o meu marido -- como se valesse de muito ! E perguntar muito aflita: e agora? Agora o bicho morreu logo a seguir com um tiro certeiro entre os olhos, dobrou os joelhos e caíu a poucos metros à minha frente. Que grande susto!
 Disse o Tonico que agora sabia o que era estar em África no meio dos bichos. Pois...pois, nunca mais esqueci, mas a aventura do dia não acaba aqui.
 No regresso, uma bicicleta estava encostada a uma árvore, em pleno mato cheio daqueles bicharocos tão pouco amigáveis, e um homem, lá em cima, gritava a bom gritar:-" Patrão, estou aqui, patrão! Elefante queria matar a mim!"-
 Como ele subiu aquela árvore enorme, não sei e custou a descer. Ele e a bicicleta subiram para o camião e lá fomos todos para a Beira. Mas digo-vos que a marca das patas do elefante estava bem nítida e o excremento ainda estava quente.
 O homem teve muita sorte, nasceu nesse dia, porque sozinho seria difícil descer, trabalhava na firma onde o Tonico era chefe e o elefante devia estar não muito longe, esperando-o.