Os últimos dias deste mandato têm permitido confirmar
que alguns dos anúncios feitos pelo Governo e pela propaganda da Geringonça são
afinal um flop, tiveram resultados inversos aos prometidos e não passaram de um
verdadeiro fracasso.
Depois do aumento da dívida pública, ficámos ontem a
saber que a nova estratégia para o mercado de arrendamento é uma fanfarronice
pegada – em 2 meses teve 20 aderentes – que o notável programa de regresso de
emigrantes teve 60 aderentes e que não param de sair médicos e enfermeiros do
país. Se a situação atual do SNS já envergonha a memória de António Arnaut, os
dados da saúde que ontem ficámos a conhecer ultrapassam todos os limites do
razoável: apesar da narrativa contra o privado, o recurso do SNS a cirurgias nos
hospitais privados cresceu afinal 96% em 2018… por atraso nos serviços
públicos. Como já vem sendo hábito, o Governo age de forma contrária à que
apregoa.
Este caso particular do SNS não foi uma opção
política, mas sim a consequência inequívoca de uma gestão incompetente e
hipócrita, pois só assim se explica que sejam obtidos resultados contrários aos
previstos. Se nos recordarmos também foi assim com o cenário macroeconómico de
Centeno, segundo o qual a reposição dos rendimentos levaria ao crescimento da
economia, mas afinal foram as exportações estimuladas no período de governação
PSD/CDS que continuaram a alavancar o crescimento económico.
Depois das acusações e da lama atirada para cima do
Governo PSD/CDS, sem esquecer as suspeitas levantadas sobre o sector privado da
saúde, António Costa, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa e seus fiéis
seguidores cobriram-se de ridículo com os resultados do Relatório Anual de
Acesso a Cuidados de Saúde nos Estabelecimentos do SNS e Entidades
Convencionadas, relativo a 2018, que ontem foi tornado público.
A ação direta deste Governo - sobretudo graças às
alterações laborais das 35 horas e aos cortes feitos nos hospitais que contaram
com o apoio do PS, PCP e BE – prejudicou gravemente os cuidados de saúde dos
portugueses:
- o envio de doentes do SNS para o privado cresceu
96%;
- em final de 2018, 245 mil portugueses aguardavam a
marcação de cirurgia;
- apenas 42,7% dos doentes foram atendidos dentro do
tempo máximo de resposta;
- apesar do aumento da lista de espera para cirurgias
de cancro (51.888) o número de operações efetuadas caiu em 2018;
- há 30% de doentes à espera de cirurgia cujo prazo de
segurança foi ultrapassado;
Nunca o número de cirurgias no privado foi tão alto,
não por opção política, mas como consequência legal do falhanço do SNS coartado
nas suas funções pelo garrote escondido de Mário Centeno e António Costa.
Custa a acreditar que o Governo que mais quis cortar
no recurso ao sector privado e aos médicos tarefeiros seja precisamente aquele
que mais aumentou a dependência do SNS do sector privado e mais recorreu
precisamente a médicos tarefeiros. Isto não é mais do que incompetência e falta
de noção da realidade.
Mais uma vez, sempre que se escalpelizam as políticas
e não se “come apenas a palha” dada pelo Governo percebe-se facilmente que
muita coisa “não é bem como nos contam”.
Este Governo não tem políticas, tem apenas respostas a
agendas mediáticas. É tempo de mudar de vida, de mudar de políticas, de deixar
de viver dos resultados do passado e começar a reformar o país, pois os tempos
que aí vêm não anunciam nada de bom.

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