sexta-feira, 1 de junho de 2018

Um Comentário à minha escrita jornalística


JORGE LAGE
Ao longo de mais de trinta anos de colaboração em jornais e revistas, em especial no Notícias de Mirandela, foram muitas as interrogações, as paixões e os desânimos que me assaltaram e assaltam. Os parcos elogios têm vindo mais de viva voz e na minha presença. Quando assim é recebo-os mais como os leitores tentarem ser agradáveis ou simpáticos comigo. É sempre bom estimular-se quem se sacrifica escrevendo. Porém, se os elogios me chegam via escrita e sem contar dou-lhe mais credibilidade e mais, ainda, quando não conheço bem os meus interlocutores. A minha colaboração voluntariosa, cingiu-se mais ao arrolamento de alguns artesãos da escrita para a Antologia de autores trasmontanos e alto-durienses e da beira trasmontana, que vai ser editada pela Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa e teve, também, o condão de alargar a minha rede de contactos com os escritores da região. Assim, aumentei os meus conhecimentos com os operários da escrita (é isso que eu sou) até aos municípios de Figueira de Castelo Rodrigo, Lamego, Resende e Mesão Frio. 



Os pequenos textos (para não maçar os leitores) que escrevo no Notícias de Mirandela e para chegarem a mais leitores partilho-os em dois blogues (www.netbila.com e http://tempocaminhado.blogspot.com/) com quem possa ter algum interesse neles e não for assinante do jornal. Quase sempre lembro se não estiverem interessados neles é só dizerem para eu cortar o envio. Foi como resposta a esta questão que o escritor, António Vermelho do Corral, de Figueira de Castelo Rodrigo, me enviou a estimulante mensagem e que a seguir dou a conhecer: «É evidente que estou interessado na leitura dos textos do meu ilustre e distinto Amigo. São maravilhosos, de muito agradável leitura. Bom Português, o que aprendemos na escola. Muito precisos e objectivos e com uma filosofia muito sui generis que capta os sentimentos e sensibiliza a alma. Traduzem um olhar atento sobre a vida real, que avaliam, opinam e apresentam soluções apropriadas e concisas. E possuem uma característica muito particular: uma finura familiar. Pelo menos os que publica no jornal de Mirandela, muito agradecia, se possível e não fosse muita maçada, fizesse o favor de mos enviar. Queira ter a bondade de aceitar os meus cumprimentos de muito respeito, grande apreço e elevada consideração.» Eu é que lhe fico grato por me estimular a prosseguir este caminho árido, na maioria das vezes, e outras estimulante. É mais cómodo gozar-se a vida do que se gastar neste trabalho de escrita e pouco reconhecido. Até o Prof. Marcelo, Presidente da República, dá voz aos mestres da escrita de Lisboa e esquece ou ignora os que no seu concelho ou região se gastam e sacrificam para elevar a nossa cultura regional, alicerce da cultura nacional. Não poderia o Presidente da República escolher os melhores por distrito e dá-los a conhecer a nível nacional? Até podia fazê-lo fora de Lisboa. Mas como os assessores culturais são (ou tornaram-se) lisboetas puxam pelo seu quintal alfacinha, esquecendo a quinta lusa.


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