terça-feira, 29 de maio de 2018

Quando poucos valem por muitos



por BARROSO da FONTE


Mesmo que só estivesse presente a Casa-Mãe de Trás-os-Montes e Alto Douro, no local para onde fora anunciado o IV Congresso Transmontano, teria valido a pena. Foi, antes de mais, um teste à capacidade mobilizadora dessa Associação Regionalista, a primeira de cariz Transmontano e aquela que em 1920, teve a coragem de, pela primeira vez, mostrar aos Lisboetas que, na capital do país morava muita gente do Norte de Portugal, exatamente na última província Portuguesa chamada Trás-os-Montes e Alto Douro. Vinte anos depois, foi a mesma Casa Regional que honrou esse aniversário, repetindo o facto e o feito. Nem de perto nem de longe, havia nessas alturas, as facilidades de deslocação que hoje há. Em 1960 deveria realizar-se o terceiro congresso. Mas se por um lado já havia mais e melhores transportes, o nível de vida era decadente, não só pela guerra do Ultramar, mas também pelo surto emigratório que despovoou as zonas do interior, mormente Trás-os-Montes, já nessa altura açambarcada pelos melhores terrenos de cultivo, por troca com as barragens que ocuparam os melhores vales, obrigando à debandada de povoações inteiras. Apenas 61 anos depois foi possível realizar o III cujas conclusões recomendavam a atualização dos futuros congressos em nome da Província mais distante do Terreiro do Paço visto que em 1974 deixou de contar-se com as Províncias (e não colónias) ultramarinas. Ainda hoje, partindo de Lisboa para Bragança, Madeira e Açores, se chega mais depressa aos arquipélagos do que ao Nordeste Transmontano.
Era tempo de, 16 anos depois, quebrar o enguiço e o feitiço de levar por diante o IV congresso. E mais uma vez, foi a Casa de Trás-os-Montes de Lisboa que chamou a si essa tarefa.
Ainda não se falava no Congresso Socialista, nem no Festival do Vinho do Douro Superior, nem se contava com o mau tempo, nem com as tristes incidências do futebol sportinguista, nem sequer com o louvável Festival Literário de Bragança. E tudo isso se fez com menos público do que as organizações contavam. Incluindo o IV Congresso Transmontano que mereceria mais gente, ora a falar ora a ouvir falar quem para isso se preparou.
Image result for noticias do douro jornalO Notícias do Douro que é dirigido pelo Dr. Armando Mansilha e que tem sempre as suas páginas abertas para toda a colaboração que lhe seja enviada e se refira a Trás-os-Montes e Alto Douro, fez manchete deste Congresso e dedicou-lhe mais 4 páginas. Nas 6 e 7 inseriu uma das comunicações enviadas à organização do evento com a epígrafe: Por detrás dos Montes, da autoria do Dr. A. Guilhermino Pires (que também usa o pseudónimo de Zé de Murça) e nas pp. 18 e 19, mais um texto ali contabilizado comunicações sobre «Uma Casa «especial», em Valongo de Milhais - Murça» (que foi mandada construir e habitada pelo maior herói da Batalha de la Lyz em 1918). Só estes dois temas dariam pano para mangas, num congresso que se fizesse sobre figuras humanas do tamanho ético e histórico do Soldado Milhões.
Mas houve mais temas que certamente aconselham um apoio editorial parta inserir num volume todas as comunicações e as conclusões desta 4ª edição.
Preço: 20 euros 
 Campo Pequeno, 50 - 3º Esq. 
- 1000-081 Lisboa geral@ctmad.pt Tel.: 217 939 311
Móvel: 916 824 293
Outro assunto que será o mais visível e também o mais trabalhoso e mais ingrato para o organizador Armando Palavras, foi a Antologia de Autores Transmontanos, obra vultuosa, porventura a cereja em cima dessa gigantesca junção de meios logísticos e técnicos que foram assumidos, por esse talentoso docente que terá sido o braço direito do Presidente da Casa de Trás-os-Montes, Hirondino Isaías que não conheço pessoalmente, mas que admiro, a avaliar pelos incessantes emails aos seus associados. Já deu para ver que homens com esta capacidade de trabalho intelectual e físico, não abundam. E por isso ter-se-á sentido feliz com o trabalho que gizou, com outros seus consócios e amigos, como António Chaves, Jorge Golias, Jorge Lage, Abel Moutinho e vários outros transmontanos.
As câmaras municipais que marcaram presença foram poucas. As socialistas terão privilegiado o seu próprio congresso. Mas cada executivo tem vários elementos. São raras as ocasiões para mostrar que os municípios se servem nas horas e nos palcos, em congressos, nos ajuntamentos comunitários, trocando ideias, discutindo problemas comuns. Os restantes partidos menos razões tiveram para se alhearem de um evento excecional que apenas aconteceu quatro vezes ao longo de um século. Se fosse uma manifestação televisiva, um palanque mediático e louvaminheiro, nenhum faltaria.
Fosse como fosse o IV congresso Transmontano aconteceu. E mais uma vez coube à Casa Transmontana de Lisboa a iniciativa e os encargos que deverão ter sido substanciais.
 Aquele que aconteceu há 16 anos e que teve a cidade de Bragança como entidade anfitriã, contou com um autarca providencial e uma autarquia mecenática. Esse acontecimento de três dias quase despovoou Lisboa porque teve lá o Presidente da República, o primeiro-ministro e vários ministros, secretários de Estado, diretores gerais e muitos técnicos. Talvez por isso as televisões, as rádios e os jornais cobriram, urbi et orbi, esse evento que teve o demérito de eclipsar a Federação das Casas Transmontanas, criada anos antes. Bateu-se pelo secretariado do Congresso, mas saiu afónico. E nunca mais deu sinal de vida.
As televisões - todas elas - fizeram vista grossa. Os transmontanos já estão habituados ao desprezo sistemático. O PR limitou-se a mandar uma mensagem. As restantes Casas regionais primaram pela ausência e pelo silêncio. Voltarei quando ler a Antologia.
Barroso da Fonte

Comentário:

Por questões éticas não se comentam textos de colaboradores. Mas este, porque assinamos por baixo, aqui deixamos um "larvar" de frases: o Doutor Barroso da Fonte enviou-nos um e-mail que guardaremos religiosamente para as nossas memórias futuras. A Antologia vai-lhe chegar, mais depressa do que pensa, porque dele se aguarda comentário sério. Aquele abraço Transmontano (e, já agora, Africano).

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