quarta-feira, 2 de novembro de 2016

As coisas da Caixa e o diabo


Entre Abril e Maio deste ano o sr. Costa (com a influência de uma figura grada, presidente da maior fundação do país) convidou António Domingues, ex vice-presidente do BPI, para presidir aos destinos da Caixa Geral de Depósitos. A 31 de Agosto, com a anuência do sr. Jerónimo e da dona Catarina, Domingues iniciou o seu mandato, deixando para trás o desejo de reforma antecipada para se dedicar à vela e ler livros de História e de Filosofia.
O jornal Expresso online de Outubro, fazia sobre o caso, a seguinte resenha: “O novo presidente da Caixa Geral de Depósitos ganhou em média 625 mil euros por ano enquanto esteve no BPI, conta o “Correio da Manhã”. Já no banco do Estado, vai auferir 423 mil euros, mas este montante diz apenas respeito à remuneração fixa. Com prémios poderá aproximar-se daquele valor, já em 2017, se a CGD apresentar resultados positivos”.
Ou seja, o que era sublinhado era a velha invejinha portuguesa, sobre aquilo que se aufere. Mesmo que António Domingues tenha colocado como condição ganhar no seu mandato o equivalente a 240 anos do salário médio nacional, para o português decente é coisa de somenos importância. Para esse tipo de português o que importa é a competência. Até porque sabe muito bem os salários astronómicos que tantos banqueiros (e administradores disto e daquilo) auferiram e as instituições que deles dependiam não deixaram de ir à falência. Tanto é assim que muitos deles se encontram em julgamento desde 2010. Não deixa, contudo, de tirar ilações. Por muitíssimo menos, noutros tempos as esquerdas portuguesas consideravam a coisa “pornográfica”! Agora calam-se … ou teatralizam ...
O que ressalta neste caso ao português decente, não é o vencimento de Domingues e dos seus pares, mas como foi conduzida a sua entrada na instituição que, queira Domingues ou não, é pública.
Ora a administração de António Domingues propôs logo uma lista que incluía uma câmara corporativa de empresários que o próprio BCE amesquinhou. E propôs ainda como condição que fosse garantida aos executivos uma lei especial para o seu próprio salário e para os dispensar de deveres de registo de património e interesses.
Que a administração de Domingues tivesse proposto isto é bastante aceitável porque são homens que vêm do privado. Embora demonstre certo "amadorismo" e algum "desconhecimento" da “coisa pública” (bem faz Domingues em preparar a reforma com livros de Filosofia e de História). Mas que Costa e parceiros da governança (PCP e BE) tenham aceitado a condição e tenham mandado fazer um decreto-lei à medida destas vontades pessoais é que se não entende.
Mais uma inovação desta governança. De inovação em inovação o diabo aproxima-se e dá nas vistas.

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