sábado, 22 de outubro de 2016

Livro novo, «As plantas e a gastronomia da Terra de Miranda, Cultibos, Yerbas i Saberes»

JORGE LAGE
Numa deslocação ao Mogadouro, onde recolhi memória imaterial interessante da castanha e castanheiro, acabei por ir almoçar a Picote, a casa de um jovem casal amigo, destacado na Frauga (Associação para o Desenvolvimento Integrado de Picote). Acabámos por trocar livros e eu vim de lá carregado. A Frauga vai editando livros que podem gerar mais-valias e desenvolvimento sustentável para esta região mirandesa, bem como registar o património natural e cultural. Entre os livros que recebi foi este de que vos falo, editado, pela Frauga e o Politécnico de Bragança, em 2012, «As plantas e a gastronomia da Terra de Miranda, Cultibos, Yerbas i Saberes», tendo ainda outros apoios, pertencendo a coordenação a Ana M.ª Carvalho. É um livro com 79 páginas, em quadricromia (com foto de figos pingo de mel em calda), com muito boa apresentação gráfica e foi financiado pelo programa «Novo Norte» e pelo Fundo EDP Biodiversidade e, ainda, outras entidades. Na nota introdutória informa-nos que «a par das receitas tradicionais encontrarão alternativas mais recentes de consumir os produtos da terra, (…) escolheram-se algumas plantas frequentemente associadas a épocas festivas ou tarefas diárias ou sazonais, (…)». São mais de 50 plantas, com boas fotografias, tendo várias receitas das plantas tratadas, sendo algumas em mirandês. Os garbanços ou erbanços, mais conhecidos por grão-de-bico, que também ainda se cultiva nos planaltos de Miranda e do Mogadouro, foi para mim uma agradável surpresa, que eu perseguia há anos. Queria comprar erbanços produzidos em Portugal e não conseguia. Um dia adquiri-os na Cooperativa Agrícola Bandarra, em Trancoso, e ao chegar a casa apercebi-me que eram do México e os últimos que comprei vieram da Índia. Agora tenho a promessa, de um amigo, que me vai conseguir grão-de-bico do Mogadouro e se não for possível há outro amigo disponível para os trazer de Terras de Miranda. O livro que vos referencio pode ser pedido a: Frauga, Rue de la Peinha de l Puio, 5225-072 Picote - Miranda do Douro, tel. 273739726 e email, geral@frauga.pt .
Jorge Lage –jorgelage@portugalmail.com – 15SET2016

Provérbios ou ditos:
             Outubro castanha pinta e centeio ruivo.
             O hóspede e o carneiro aos três dias tomou cheiro.
             Em Outubro colhe tudo.

Receita de Licor:

Licor de amoras silvestres *
Ingredientes:
             500 g de amoras silvestres maduras;
             300 g de açúcar;
             0,5 l de aguardente.

Confecção:
Colher as amoras bem maduras, lavar e deixar escorrer cerca de quatro horas. Introduzir as amoras num frasco juntamente com o açúcar, tapar e reservar durante uma semana. Ao fim desse tempo, juntar a aguardente, misturar bem, tapar novamente o frasco, deixar repousar durante três meses e no final coar e engarrafar.

* Receita retirada do livro «As plantas e a gastronomia da Terra de Miranda, Cultibos, Yerbas i Saberes» ed. Frauga.
Nota: Por nossa iniciativa e para não se tornar tão enjoativos, reduzi o açúcar da receita original, de 500 g para 300g.

Jorge Lage –jorgelage@portugalmail.com – 24SET2016

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